quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

The Trump Show

EDITORIAL


Episódio Um. O homem que foi eleito Presidente dos Estados Unidos digna-se fazer a primeira conferência de imprensa de modo a exibir a sua postura presidencial. O que mostra é a mesma arrogância e agressividade que o levaram até à Casa Branca, num espetáculo assustador vindo de um país democrático que por acaso é o mais poderoso do planeta.
Se fosse um episódio de uma qualquer série dramática da televisão, seria provavelmente excessivo. Mas não, é antes a nova realidade com que nos habituaremos a lidar. Donald J. Trump é o novo Presidente dos Estados Unidos da América e a sua acção política e moral é um sinal dos tempos. E como é um líder real tem de ser tratado como tal.
Pode Trump ser um bom Presidente? Pode, mas está a começar mal. A postura não ajuda, especialmente num contraste com a despedida do bom Obama, mas o que é verdadeiramente perigoso é o grau de instabilidade que o Presidente eleito parece apresentar.
O tom da primeira conferência de imprensa foi perturbador. Donald Trump destratou vários meios de comunicação e não respondeu a muitas questões importantes. Algumas das respostas que deu têm a solidez de um tweet, que é o mesmo que escrever nenhuma. E a arrogância serviu mais para mascarar a insegurança e a superficialidade do que para marcar uma posição.
Nada disto é inesperado, mas deixa demasiado em aberto. Há questões sobre a intervenção russa na campanha eleitoral, tal como sobre outros temas: a composição de uma Casa Branca cheia de milionários desligados da vida dos cidadãos comuns, o nível de escândalos em que está envolvida a Fundação Trump, o afã para destruir políticas sem preocupações em dar alternativas aos cidadãos, a ameaça de chantagem que paira sobre o vizinho México e o grau de agressividade racial sobre algumas minorias.
Um empresário que diz que se vai desligar dos negócios mas continua a mantê-los activos nas mãos dos filhos é alguém que não tem consideração pela causa pública. Um homem que recusa alegações de envolvimento com prostitutas com base no facto de ter fobia a germes dificilmente estará preparado para o cargo mais importante do mundo. E um político que acusa a CNN de ser “terrível” e de ser o equivalente a “notícias falsas” tem muito poucas lições a dar sobre civismo.
Aguardam-se as cenas dos próximos capítulos. Esperemos que o argumentista não abuse, a bem da estabilidade planetária.

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