quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A Missão American Board e o nacionalismo moçambicano

Nkamba Simango Uria Simango Arão Nguenha Pág.s 4 e 6 TEMA DA SEMANA 2 Savana 06-01-2017 N ão é que o académico torça para tal. Pelo contrário, gostaria que os 60 dias de trégua fossem transformados em premissas para a construção de alicerces para uma paz verdadeira e duradoura no país. Mas Severino Ngoenha, uma das mais destemidas vozes da actualidade, lembra malabarismos políticos entre o Governo e a Renamo para depois alertar, no SAVANA, que as tréguas são problemáticas, porque elas podem servir de momento para as partes em conflito prepararem novas estratégias para voltar à guerra com mais força, para conquistar mais espaços e prolongar, definitivamente, a guerra. Severino Ngoenha, que é reitor da Universidade Técnica de Moçambique (UDM), começa por dizer que não há alguém que não tenha batido palmas e ficado contente por, finalmente, ter chegado o momento para as armas se calarem, as pessoas, bens e mercadorias circularem, livremente, mas sobretudo a salvaguarda de vidas humanas, ainda que por uma semana e agora por um mês. Mas afirma que o conceito de tré- gua é paradoxal, até porque, aos olhos do académico, parece que, na semana passada, os militares precisavam de férias colectivas para repousar, assim que é regra, no fim de ano, entrar-se em férias colectivas para as festividades da quadra natalícia e de fim de ano. Ngoenha, que é dos mais respeitados filósofos africanos, sublinha que as tréguas são problemáticas. Diz que quando há uma trégua, sem assinatura de um armistício para uma paz, as partes, apesar de estarem em paz, podem estar a preparar novas estratégias para voltar à guerra com mais força, para conquistar mais espaços e para prolongar, definitivamente, a guerra. “As tréguas são sempre uma questão problemática porque elas servem para repousar os militares, que podem voltar ainda com mais força. Ora, também podem ser sinónimo de uma outra coisa, e espero que seja isso o início de um processo de discussão que leve a uma reconciliação nacional e a uma paz que seja duradoura”, refere. E, depois, recua à história: “por aquilo que aconteceu em tempos atrás, onde houve mais malabarismos políticos, que verdadeiros acordos de paz, que tomassem em conta as populações, essas pazes acabaram redundando em guerra. Ora, para que esta trégua seja de facto alguma coisa que se transforme em paz, e numa paz duradoura, é preciso acordos justos e equilibrados, que tenham em Severino Ngoenha e os possíveis cenários nos 60 dias do cessar-fogo Trégua para preparar nova guerra? Por Armando Nhantumbo conta todos os moçambicanos”, adverte o professor universitário para quem, que os 60 dias não sejam de trégua, mas de premissas para a construção de alicerces para uma paz verdadeira e duradoura. “Quer dizer transformar esta tré- gua como ponto de partida para a construção de uma paz que tenha em conta as reivindicações não só de dois partidos, mas de todos moçambicanos, da sociedade civil e de outros partidos”, recomenda ele que alinha na ideia de um encontro muito mais largo e abrangente para criar o substrato de uma Nação onde a paz possa residir e a palavra como único elemento de debate político para erradicar de uma vez por todas estas confrontações que acabam sempre em violência. Em Dezembro último, o Painel de Monitoria do Diálogo Político entre o Governo e a Renamo, hospedado pelo Parlamento Juvenil (PJ), apresentou a proposta de um roteiro para uma Conferência Nacional como a solução para a instabilidade em que o país está mergulhado há longos cinco anos. Entretanto, convidado a fazer uma análise histórica de longos dois anos em que Nyusi e Dhlakama não conseguiram resolver um assunto que, em duas semanas e com simples telefonema, teve uma luz verde, Ngoenha, igual a si mesmo, respondeu que “se eles brincaram com o povo, metendo jovens a morrer todos os dias porque não podiam fazer um telefonema, então, a atitude deles é imperdoável”. Mas prefere imaginar que houve todo um processo político que permitiu que se chegasse ao ponto a que se chegou, ou seja, que não foi apenas uma questão de um telefonema do presidente da Repú- blica para desejar festas felizes ao presidente da Renamo. …então, que mostrem que são verdadeiros líderes Para Severino Ngoenha, na transformação da trégua em alicerces para uma paz verdadeira, é bom ter-se em conta o histórico recente do país, em que foram assinadas pazes e pazes, perdões e perdões, entretanto, todos fracassados. “Então, é preciso irmos à base do problema, àquilo que faz com que o conflito exista que é, de um lado, a Frelimo que quer que a Renamo seja parte da Frelimo através dos militares do exército, etc, e de uma Frelimo que se confunde com o Estado e, do outro lado, uma Renamo que reivindica espaços, bens e governação até contrariando a Constituição”, adverte, acrescentando que é preciso pensar numa Constituição que abranja todas as sensibilidades e não apenas a Frelimo e a Renamo. “Até podemos fazer Estados Gerais da Nação. Podemos fazer a grande reconciliação que fizeram na África do Sul. Precisamos, de facto, ir à raiz e à profundidade das coisas para sairmos disto de uma vez para sempre”, diz, recordando que, se não fosse a guerra, não teríamos a dívida enorme que temos, que essencialmente foi para a compra de armas que nem foram para defender o país contra a invasão estrangeira, mas para o conflito interno. E para Ngoenha, para que a paz seja duradoura, diferentemente daquela que resultou do Acordo Geral de Paz, que, em 1992 pós termo a longos 16 anos de uma guerra fratricida entre o Governo da Frelimo e a Renamo, é preciso que seja justa. “Justa significa que ela tem de ter em conta todos os moçambicanos, que crie instituições fortes, que crie uma justiça de partilha de bens, que descentralize um pouco mais o país para que todo moçambicano possa se sentir de facto moçambicano”, explica. Diz que é preciso aproveitar os 60 dias para convocar pessoas, mentes e inteligências nacionais que possam permitir o que chama de desfrelimizar o aparelho do Estado, desfrelimizar a governação, desfrelimizar a economia, avançando-se para uma economia mais aberta e abrangente e criar estruturas de um Estado forte e repartição de poderes mais substancial para que o Estado de Direito possa voltar a emperrar e que cada um possa encontrar, como cidadão, um espaço para poder participar da construção do país. Tem uma mensagem para Filipe Nyusi e Afonso Dhlakama: “a paz não tem preço, a vida humana não tem preço e os bons políticos são aqueles que sabem deixar como legado às gerações seguintes, um país em construção e em desenvolvimento claro. Ora, as lideran- ças que nós temos estão a deixar um país em dívidas, com mortes, em sangue e um país com uma estrutura social em destruição. Ora, cabe a eles, neste momento, mostrarem que são verdadeiros líderes que sabem meter os valores primordiais em cima de rivalidades internas ou de conflitos de carácter histórico”. O padre Filipe Couto, uma das vozes crí- ticas à morosidade no desfecho das negociações para a paz em Mo- çambique, agora prefere ser optimista. Conhecido como vertical, o antigo mediador nacional do diálogo político entre o Governo e a Renamo, nos tempos do Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, diz apenas que a prorrogação da trégua, de uma semana para dois meses, significa que “teremos paz e não vamos começar de novo a disparar”. Para Couto, que já assumiu o papel de porta-voz do grupo de mediadores nacionais do diálogo político entre o Governo e a Renamo que durou mais de cem rondas, “Não vale a pena lembrar o passado” - Padre Couto “cepticismo pode valer muitas circunstâncias, mas neste caso nosso é melhor esperar com calma e serenidade”. Quando questionado se era fácil esperar com calma e serenidade, tendo em conta o histórico deste sinuoso caminho rumo à paz, um percurso marcado por avanços, mas sobretudo por recuos, até nos momentos em que tudo parecia bem encaminhado, Couto, que em Maio de 2015, à saída da centésima quarta ronda do diálogo político, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, visivelmente indignado com mais uma sessão improdutiva, disse que o Governo e a Renamo não podem continuar a enganar o povo, respondeu, esta terça-feira, que não vale a pena recordar o passado. Entende o antigo reitor da Universidade Eduardo Mondlane que o mais importante é que houve prorrogação da trégua que espera seja para sempre. À pergunta sobre o que terá mudado em Filipe Nyusi e Afonso Dhlakama que, em dois anos, não se entendiam para pôr termo ao conflito, Couto simplesmente respondeu que os dois estão a trabalhar para a paz. Para a embaixada dos Estados Unidos da América, que havia saudado a primeira trégua de uma semana, a “corajosa” liderança demonstrada pelo presidente da República e da Renamo, ao prorrogarem a cessação das hostilidades militares, representa um avanço significativo para uma paz duradoura. “É nossa esperança que, com base nesta conquista, o governo moçambicano e a Renamo possam demonstrar coragem igual na resolução das diferenças políticas que já perduram e estabelecer uma paz permanente e a base democrática necessária para o desenvolvimento sócio-económico de todos os moçambicanos”, refere aquela missão diplomática, numa mensagem enviada à nossa redac- ção, horas depois de Afonso Dhlakama anunciar, esta terça-feira, o prolongamento da trégua para 5 de Março próximo. Severino Ngoenha Filipe Couto TEMA DA SEMANA Savana 06-01-2017 3 PUBLICIDADE PUBLICIDADE Uma semana depois de terem decretado trégua por sete dias, uma nova chamada telefónica do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, a partir da Serra da Gorongosa para o Presidente da República, Filipe Nyusi, resultou num entendimento para a extensão da “cessação das hostilidades” por mais 60 dias. A medida, segundo deu a conhecer Dhlakama, que tem sido uma espécie de “porta-voz” do acordo, visa criar um ambiente favorável para se acelerar com a retomada das negociações que, de acordo o mesmo, se deverão centrar no pacote sobre a descentralização. Porém, ao que o SAVANA apurou, Filipe Nyusi está determinado em pessoalmente chegar a um entendimento duradouro com Afonso Dhlakama, isolando os falcões do seu partido que determinaram que a paz não é prioridade e que não há nada a concluir com a Renamo e com os “seus amigos mediadores”. A dado momento, Nyusi apercebeu- -se que havia “ruídos na comunicação” com a Renamo na mesa do diálogo no Hotel Avenida, daí que abriu uma linha pessoal com Afonso Dhlakama, que também sente um “certo cansaço” e frustrado com a lentidão das negociações. Apesar de reportar algumas provoca- ções levadas a cabo pelas tropas governamentais, durante o período de “graça” da primeira suspensão temporária dos ataques militares, o líder da Renamo entende que é preciso cultivar um espírito de confiança de modo que se caminhe rumo a uma paz duradoura. Numa teleconferência na sede em Maputo com a presença de parte considerável da imprensa baseada na capital do país e importantes quadros da Renamo, Afonso Dhlakama argumentou que é preciso ensaiar diversos modelos para o alcance da paz “e este é um deles, pois Deus não condenou os moçambicanos para ficarem permanentemente nas matas a se matarem”. Assim, diz que foi neste sentido que, depois de uma nova conversa telefónica mantida nesta segunda-feira (02 de Janeiro), com o presidente da República, na qual fizeram o balanço da trégua de sete dias, concordaram com a prorroga- ção por mais 60 dias. “Quero anunciar de novo a trégua por 60 dias, hoje 03 de Janeiro até 05 de Março, estaremos a completar 60 dias. Esta trégua ou prorrogação é mais para criar um ambiente favorável para podermos acelerar o diálogo aí em Maputo”, enfatizou Dhlakama, aplaudido ruidosamente por quadros da Renamo presentes na teleconferência. Considera a prorrogação um gesto que visa diminuir mortes em Moçambique, mas também pelo facto de ser moçambicano e chefe de família que através de uma estação radiofónica ouviu o apelo dos moçambicanos que solicitavam o alastramento da suspensão do conflito. Garantiu uma vez mais Dhlakama que os seus guerrilheiros não vão violar o acordo, atacando as posições das tropas governamentais. A este propósito diz que abordou com Nyusi para que as Forças de Defesa e Segurança (FDS) façam o mesmo, pois na vigência dos sete dias, o PR não conseguiu controlar as suas tropas. Narrou três situações que considerou- -as de violação do consenso alcançado a 26 de Dezembro do ano findo. O primeiro foi o ataque protagonizado pela posição das tropas governamentais estacionada em Mutondo, no posto administrativo de Canda, no distrito da Gorongosa, a um mercado local, onde Nyusi e Dhlakama dão bónus de 60 dias Por Argunaldo Nhampossa terão roubado produtos e queimado barracas para dar a entender que se tratava de homens da Renamo. O segundo diz ter se verificado em Nhaulanga, na zona de Mucoza, no mesmo distrito, onde as FDS arrombaram a casa de um membro da Renamo levaram os bens e queimaram a residência. Sobre a terceira, apontou a persistência do governo em manter as colunas nos primeiros dias da paralisa- ção dos ataques. “Acompanhei semana passada que as FADM, PRM e FIR continuaram com as escoltas e as populações perguntavam porquê, se há trégua. Trégua signi- fica que não há disparos, então porquê os polícias ou forças armadas ainda querem entrar nos camiões ou caros de civis? Não queremos colunas, já não há ataques, as colunas vão representar o quê, só para retardar os transportadores na vias de Moçambique”, disse. Sobre as escoltas, em declarações à imprensa estatal escolhida a dedo, Nyusi esclareceu que visavam devolver a confiança aos automobilistas que usam aquelas rotas. Dhlakama disse ainda que exigiu de Nyusi garantias de que, a par das FADM, FIR e PRM, o grupo dos esquadrões de mortes também cesse com as suas incursões durante a vigência da nova trégua, alegando que há muitos membros e simpatizantes do seu partido que se encontram refugiados nas matas por temer sequestros ou execu- ções. Os esquadrões de morte estão a ser usados por sectores fundamentalistas da Frelimo para eliminar selectivamente membros da Renamo e analistas que não alinham com a narrativa do partido governamental. O próprio líder da Renamo escapou a duas emboscadas levadas a cabo pelos esquadrões de morte, em Setembro de 2015, em Manica, ataques que não mereceram nenhuma condenação pública de Filipe Nyusi. Mediação divide as partes Apesar de ambos concordarem com a necessidade de criação de um subgrupo, composto por especialistas em matéria de descentralização para acelerarem o processo, as partes ainda divergem quanto à mediação. Na comunicação do chefe de Estado, esta segunda-feira, à imprensa estatal, sobre a decretação da nova trégua, Nyusi disse não estar contra a entrada de mediadores, mas que deviam ser pessoas especializadas em metérias por debater. Esta terça-feira, Afonso Dhlakama reiterou a sua posição sobre a questão da mediação internacional. Referiu que a mediação irá se manter, sendo que as partes acordaram em constituir um pequeno grupo técnico, no qual o governo deverá indicar duas pessoas e a Renamo também duas. A este grupo deverá se juntar um constitucionalista escolhido por consenso pelas partes. A Comissão Mista deverá continuar a discutir os outros pontos da agenda, nomeadamente, matérias de Defesa e Segurança para o enquadramento dos elementos da Renamo nas fileiras das FADM, PRM e SISE. TEMA DA SEMANA 4 Savana 06-01-2017 Continua na pág. 6 N o passado chamou-se American Board, mas hoje leva o nome de Igreja de Cristo Unida em Moçambique. Poucos, sobretudo as novas gerações, ouviram falar dela, mas nem por isso foi menos preponderante no movimento nacionalista moçambicano. Tal como a glorificada igreja presbiteriana, ligada à elite da Frelimo do sul de Moçambique com Eduardo Mondlane como dos principais rostos, a ex-American Board, associada pelo regime dominante a “perigosos reaccionários” oriundos do centro de Moçambique, como Nkamba e Uria Simango, foi determinante na luta contra a opressão portuguesa, o que lhe custou perseguição por um sistema colonial intolerante para com as chamadas igrejas protestantes. Nós, no SAVANA, fomos revisitar a histó- ria, ouvimos testemunhas vivas e, nas próximas linhas, tentamos contar esse passado sinuoso, de torturas e sangue, que a história oficial, simplesmente, ignora. No seu livro intitulado “Toward African Church in Mozambique”, qualquer coisa como “Rumo à Igreja Africana em Moçambique”, uma obra que traça o percurso da ex-American Board, da América à África do Sul, passando pelo então Império de Gaza até ao Zimbabwe, o historiador americano, Leon Spencer, refere que foi em Julho de 1892 que os primeiros missionários americanos, liderados por Fred Bunker, chegaram à Beira. Tratava-se dos primórdios de uma igreja que só viria a se fixar, oficialmente, em 1905. Com a presbiteriana fortemente presente no sul de Moçambique, a ex- -American Board centrou as atenções na região centro, precisamente, nos antigos distritos de Manica e Sofala, hoje províncias. Num contexto de colonização, para além do evangelho, a igreja alargou a sua acção para a consciencialização das comunidades contra a opressão portuguesa. Com Manica e Sofala, na altura sob domínio da Companhia de Moçambique, que submetia as populações a grandes plantações de açúcar e algodão, a ex-American Board, que nos seus cultos dava ênfase à liberdade dos homens, foi a primeira igreja a denunciar Portugal na então Sociedade das Nações, hoje Nações Unidas, acusando Lisboa de actos de escravatura em Moçambique. Reza a história que, por força da conjuntura do século XIX, marcada pela propagação dos ideais do liberalismo, que preconizava a liberdade do homem, Lisboa declarou, oficialmente, a abolição da escravatura, em 1878. Mas o certo é que Portugal continuava a escravizar os “indígenas” nas suas colónias. Assim, um contundente relatório-denúncia submetido em Nova York pela ex-American Board fez com que o mundo se revoltasse contra Portugal, o que azedou as já tensas relações entre aquele país europeu e a igreja de origem americana. Nem mais: Portugal intensificou a perseguição contra a igreja que chegou a ser banida. Foi mesmo na tentativa de escapar das masmorras do colonialismo que os seus membros decidiram mudar de A ex-American Board e o nacionalismo moçambicano A igreja que a história oficial preteriu Por Armando Nhantumbo designações. Assim, de American Board, em 1905, passa a designar-se, em 1935, como Associação Evangélica Portuguesa; em 1944 como Conselho Intermissionário da Beira; em 1947 como Igreja de Cristo em Moçambique - Ramo Manica e Sofala e só em 1985, depois da independência, é que passou a se designar Igreja de Cristo Unida em Moçambique (Ex-Missão American Board). Ligação com a Frelimo No quadro do seu papel no nacionalismo moçambicano, a American Board enviou jovens para se juntarem à Frelimo na Tanzânia, o berço da Luta de Libertação Nacional. Feliciano Gundana, natural de Sofala, que já desempenhou as funções de Adjunto chefe do Departamento de Defesa e Segurança, governador de Inhambane, Zambézia e Nampula, ministro dos Combatentes e da Presidência para Assuntos da Casa Militar, assim como outros crentes, estudou na escola da ex-American Board e foi pela mão desta igreja que rumou à Tanzâ- nia, onde se juntou à Frelimo. Deolinda Guezimane, igualmente antiga combatente e ex-secretária-geral da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), o braço feminino da Frelimo, mais tarde deputada na Assembleia da República e Conselheira de Estado, é também uma das muitas jovens que “cresceu” na ex-American Board, de onde mais tarde seguiu para a Tanzânia. Lucas Chomera, deputado da Frelimo na Assembleia da República, onde preside a Comissão da Administração Pública e Poder Local, foi também um dos vários jovens que hoje a igreja diz terem sido “filhos de casa”. Entretanto, quis o destino que, em Moçambique, a igreja tivesse como precursores “inimigos jurados” da Frelimo. Um deles foi Nkamba Simango, o primeiro moçambicano doutorado nos Estados Unidos da América (EUA), muito antes de Eduardo Mondlane celebrado pela histó- ria oficial como o primeiro doutor em Moçambique. Natural de Machanga, por volta dos anos 1890, Nkamba Simango, descrito na obra de Leon Spencer, investigador e docente de história africana, como um “líder religioso bem treinado”, teve os primeiros laços com a ex- -American Board na Beira e Monte Selinda (em território zimbabweano), mas essa ligação ficou fortalecida nos EUA, onde para além de se formar em Sociologia e Psicologia, ensinou, mais tarde, Chindau no Departamento de Antropologia da Universidade de Columbia, entre vários outros tí- tulos que obteve. Fazendo da religião um instrumento para a liberdade humana, Nkamba Simango já observara, em 1921, que “nos velhos tempos, o homem negro era detido por indivíduos, enquanto hoje é detido por governos e corpora- ções”, defendendo que “devemos agir para libertar estas pessoas” em referência aos escravos. Uma outra geração ligada à ex- -Missão American Board, por sinal a terceira, integrou o Reverendo Uria Simango, que foi, mais tarde, um dos fundadores da Frelimo, partido no qual chegou a ser vice-presidente, co- É das poucas testemunhas vivas sobre esse passado da ex-American Board em Mo- çambique. Seu nome completo é Arão Zacarias Nguenha, por sinal pai do antigo ministro da Educa- ção, Alcido Nguenha. Nasceu a 15 de Maio de 1924, numa povoação chamada Divinhe, no então Posto Administrativo de Machanga, hoje distrito. Desde tenra idade que frequentou a American Board e, em 1951, teve de deixar Sofala para a então cidade de Lourenço Marques, hoje Maputo, para os estudos. “Quando cheguei aqui fiquei admirado porque era possível sentar ao lado do branco num machimbombo, o que era impossível na Beira”, lembra, anotando que o colonialismo português foi violento no centro de Moçambique, mais do que no sul. Em Maputo fez a quarta classe e cursou teologia. Ao regressar à Beira, em 1958, numa altura em que os ventos do nacionalismo já se faziam sentir, Arão Nguenha, professor e pastor na Igreja local, tornou-se num dos alvos da “caça ao homem” pela tenebrosa PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado). Foi assim que, dois moçambicanos negros, feitos passar de alunos, introduzidos pela PIDE para recolher informações, frequentavam as aulas do “recém regressado” de Lourenço Marques. Em 1963, Nguenha, contemporâneo e amigo de infância de Uria Simango, decide passar as suas fé- rias na então Rodésia do Sul, hoje Zimbabwe, precisamente em casa de Uria Simango, que na altura era também pastor da American Board, em Monte Selinda. Através dos “dois alunos” que havia montado na Igreja, a PIDE, que já tinha em Uria Simango um “perigoso que andava a criar movimentos subversivos contra os portugueses”, monitorou a viagem até que, aquando de regresso, interpela o “viajante” na estacão dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) da Beira. Na ocasião, a Nguenha foi-lhe arrancado o passaporte. Afinal, era o início de uma odisseia que o levaria até aos calabouços. adjuvando Eduardo Mondlane. Tal como Nkamba Simango, Uria teve a sua vida, intrinsecamente, ligada a esta igreja de que pouco se fala. Em “Uria Simango, um homem, uma causa”, Barnabé Lucas Nkomo retrata a “história da penosa trajectória polí- tica de um missionário revolucionário, cujo empenho e dedicação à causa da libertação do seu povo foram negados pela memória colectiva da história recente do seu país”. Também natural de Machanga, Uria acabaria, barbaramente, assassinado entre Maio de 1977 e Junho de 1980, no campo de reeducação de M´telela, distrito de Majune, província do Niassa. O testemunho de quem não escapou da PIDE Como tal, no dia seguinte, pelas 09h da manhã, foi recolhido num jipe até aos calabouços da PIDE na Beira. Já às 5h da tarde, juntamente com outros 60 presos, foi transportado num camião até ao Aeroporto da Beira, de onde seguiram para Lourenço Marques, onde foram todos encarcerados numa única cela da Cadeia Civil. O julgamento de Arão Nguenha viria a iniciar-se uma semana depois. “No julgamento perguntaram-me se eu conhecia Uria Simango e eu disse que sim, era meu amigo. Perguntaram qual teria sido a conversa que tivera com ele durante as minhas férias e eu disse que falávamos da igreja porque éramos ambos pastores. Disseram- -me que isso não lhes interessava, eles queriam saber de coisas profundas. Levantou-se um inspector da PIDE e disse que ali não se brincava, que eu contasse a verdade. No fundo da sala estava o Chico Feio (um temido agente moçambicano na polícia portuguesa)”, reconstituiu, acrescentando que foi sempre consistente em responder que não tivera qualquer conversa de natureza política com Uria Simango. Sem argumentos, a PIDE reconduziu-o para as celas da Cadeia Civil, onde permaneceu quatro meses antes de ser levado de volta à Beira. “Mesmo assim, um inspector da PIDE apareceu a nos aconselhar para que deixássemos de sonhar com a independência e esquecermos Eduardo Mondlane” lembra o velho com 92 anos de idade. Numa entrevista de passagem de testemunho, Nguenha, que em Dezembro de 1999 lançou um livro intitulado “O que conheci da minha igreja”, escrito em ndau, disse ao SAVANA que a implantação da ex-American Board em Moçambique foi um percurso cheio de espinhos. Anotou que, no início, os portugueses não queriam saber de uma “igreja de americanos”, por isso, os missionários foram obrigados a se instalar em Monte Selinda, do outro lado da fronteira com o Zimbabwe. Assinala que, apesar de a igreja ter conseguido a permissão de se implantar em 1905, só a partir de 1931 é que viria a se tornar vigorosa no centro, com a chegada de Guilherme Tapera Nkomo, um pastor de Sofala que havia sido enviado para o Zimbabwe e mais tarde para Lourenço Marques para prosseguir com os estudos. Na memória guarda más recorda- ções. Lembra-se de Matxemedje, no distrito de Buzi, onde as comunidades, incluindo mulheres com crianças ainda no colo, eram submetidas a trabalhos forçados nas plantações. “As crianças eram enterradas em covas, mesmo chorando, porque àquelas mulheres eram dadas metas por cumprir. Se não terminassem tinham de trabalhar até à noite. Não havia que tomar conta das crianças, nem para amamentar. Então, Nkamba Simango e outros missionários fotografaram aquelas crianças a chorarem e meteram o problema em Nova York, denunciando a cruelidade do regime colonial. Aquilo foi uma grande vergonha para os portugueses, com um impacto muito grande”, conta, acrescentando que, a partir daí, “os portugueses começaram a odiar muito a igreja”. Diz que, como preço da denúncia, Nkamba Simango acabou mesmo por ser expulso de Moçambique pelos portugueses. “A ex-American Board teve um grande impacto no centro, tal como a presbiteriana que era odiada no sul”, diz, acrescentando que há muitos membros da ex-American Board que foram, arbitrariamente, presos pelos portugueses, acusados de estarem envolvidos em actos subversivos enviando jovens para se juntarem à Frelimo, na Tanzânia. “A independência de Moçambique foi o fruto de um trabalho árduo e abnegado de todo Povo Moçambicano”, diz Nguenha para quem, a referência ao papel da igreja American Board, “corrige a história”. Arão Nguenha Paróquia da igreja American Board em Machanga (Sofala) TEMA DA SEMANA Savana 06-01-2017 5 PUBLICIDADE PUBLICIDADE TEMA DA SEMANA 6 Savana 06-01-2017 P edimos explicação a entendidos na matéria sobre o que estará por detrás do esquecimento da ex-American Board e o seu papel no nacionalismo, num país cuja narrativa exalta apenas os feitos da presbiteriana da Missão Suíça. Para o historiador Egídio Vaz, entrevistado há meses pelo nosso jornal, estamos perante um problema historiográfico e também de representação de narrativas. O historiador vê aproveitamento político quando se fala, neste país, do papel das igrejas no nacionalismo. Diz mesmo tratar-se do seguimento do mesmo paradigma usado pela história colonial. Identifica censura ao meio e argumenta que, para o paradigma dominante, não faz sentido promover a história de uma igreja de que são oriundas figuras como Nkamba Simango. “A história de Moçambique foi urdida para emprestar uma simples narrativa”, diz Vaz, na altura, acrescentando que em Há relatos indicando que, em 1952, Machanga teria sido palco de um levantamento popular, mas 64 anos depois, o Reverendo Arão Nguenha diz ter sido “uma história falsa”. A fonte conta que, na altura, Sofala atravessava uma das mais severas secas quando as autoridades coloniais enviaram ajuda alimentar para distribuição gratuita às comunidades a braços com a fome. Entretanto, um responsável pela administração local, português de nacionalidade, começou a vender os donativos, o que levou membros da American Board a denunciarem o caso na instância superior, em Sofala. Ao tomar conhecimento da “ousadia”, o responsável denunciado mandou prender os denunciantes. Estava aberta uma campanha de desinformação que custaria caro aos membros da igreja. Forçado pelos seus superiores de SoA ctualmente sediada na Beira, a ex-American Board é presidida pelo Reverendo Lucas Amosse que, ao SAVANA, confirma que desde sempre a Igreja teve contradições com o governo colonial, uma vez que os missionários desta congregação observaram e denunciaram desmandos dos portugueses, ao mesmo tempo que despertavam a consciência de cidadania. “A primeira contribuição no nacionalismo foi a denúncia pela continuação da escravatura. Segundo, em Mambone (Inhambane) havia maus tratos e a igreja se revoltou contra a administração. O próprio Movimento de Libertação Nacional (Frelimo) teve muitos membros que saíram da igreja para a luta”, diz, acrescentando que a Igreja teve sempre uma forte componente educacional, incluindo formação técnico-profissional, concretamente, em agricultura, carpintaria e serralharia. Quem também confirma que o sistema colonial português nunca viu de bons olhos a ex-American Board é o reverendo Jorge Nhama, que explica que, quando chega a Moçambique, a igreja não só divulgou o evangelho cristão, mas também implantou as chamadas escolas indígenas para despertar as mentes. “Desde logo começou a ensinar artes e ofícios para os filhos daqueles que não tinham capacidade de continuar para outros níveis, de modo a começarem logo a fazer alguma coisa útil a si e à sociedade em geral”, diz, repetindo que nunca chegou a ser bem entendida pelos portugueses que aceitavam melhor a igreja católica, que não era mais do que uma extensão do próprio sistema colonial. Diz que, mesmo assim, nunca parou de preparar os homens do amanhã e de consciencializá-los na causa da libertação do país. Dá como exemplo Nkamba Simango que diz que até 1914 já era doutorado mas que, por incutir a cultura do patriotismo entre os moçambicanos, sofreu perseguições até abandonar o país para residir no Gana, onde viveu até à sua morte em 1967. Mortos no evangelho Uma das perguntas que colocámos ao reverendo Nhama foi no sentido de saber que preço a igreja pagou pelo seu papel, ao que respondeu que, perante Machanga e a falsa revolta que terminou em prisões fala, o denunciado libertou os presos da American Board, mas aproveitou para libertar também todos os outros presos, detidos anteriormente por outras causas, da cadeia local, tudo para dar cunho a uma suposta acção grevista. Depois enviou um telegrama, não para Sofala, mas para Inhambane, a solicitar ajuda. O caso acabou por chegar a Lourenço Marques e os supostos grevistas, dentre eles Timóteo Chimbirombiro, pai de Uria Simango, foram presos e levados para os calabouços da PIDE em Lourenço Marques. “Muitos deles morreram porque depois foram levados para São Tomé e Príncipe, Niassa ou para a Ilha do Ibo como prisioneiros”, lembra o velho Nguenha, que repete que o acto, que chama de horrível, não passou de uma propaganda cujas consequências recaíram ao elo mais fraco, o povo. “Não houve uma revolta revolucioná- ria, eles foram reivindicar farinha de milho que era de seu direito”, garante. Na voz dos crentes um sistema colonial intolerante às chamadas igrejas protestantes, a ex-American Board pagou com sangue e vidas humanas. “É muito triste lembrar o que aconteceu. Pessoas morreram, naquela altura a igreja era controlada, a cada passo, pela PIDE. Lembro-me que, em pleno culto, era possível encostar o carro e pegar pessoas para a cadeia da PIDE; é só imaginar o que ia acontecer lá, as pessoas eram batidas, sofriam torturas e tivemos muitas pessoas da nossa igreja que morreram por causa do evangelho. Em pleno culto as pessoas eram mandadas parar e metidas nos carros, com porradas, pontapés de botas, algemas… porque já traziam nomes de certas pessoas que eram acusadas de mobilizar ou mandar pessoas para engrossar as fileiras da Frelimo e lutarem contra o colonialismo português. Pessoas que foram transportadas para São Tomé e nunca mais voltaram. Pessoas que foram mortas na cadeia na Beira ou em Lourenço Marques. Enfim, não foi um preço baixo, custou sangue e vidas de pessoas e hoje temos pessoas que ficaram sem os pais, sem saber para onde o pai e a mãe foram” conta. Explica como a igreja fornecia jovens à Frelimo na terra de Mwalimo: “pregava-se nos sermões, ensinava-se nos cultos que o país dependia de jovens, eles ganhavam aquela consciência de que tinham de fazer algo para libertar o país, então, diziam que queriam ingressar e mais tarde surgiu a Frelimo e os jovens também foram ingressando neste novo movimento, mas houve o primeiro grupo que foi antes até da criação da Frelimo”. “É um problema historiográfico” Moçambique há tentativas de se criar uma história monolítica, um esforço que acaba por decepar a riqueza da história e o papel e lugar que as instituições desempenharam na liberta- ção nacional. Dossiers complicados não serão divulgados enquanto actores estiverem vivos Há quem classifica o tema como bastante melindroso de tal forma que impõe o anonimato. Mas culpa o que chama de processo ideológico na construção da história de Moçambique. “De 1975 para cá, não temos uma história consolidada”, diz, evocando problema de posição dos que elaboram a história. Mas a fonte vai mais longe: “as convulsões sociopolíticas de hoje mostram que há coisas cuja explicação não foi esgotada. Mas tem a ver também com o Estado anacrónico que a Frelimo herdou. Há muita coisa que não é divulgada. Dossiers complicados de uma Nação, enquanto os actores estiverem vivos, nunca serão divulgados…os actores políticos sempre mantiveram como segredo”. “É preciso despolitizar a história” Um antigo alto dirigente do Estado moçambicano, pela Frelimo, fala da ex-American Board com lágrimas ao notar que à igreja não é dado o lugar merecido. Académico que é, avança teorias explicativas. “A coordenação de forças que existiu na Frelimo não nos permitiu conhecer os vários lados da história. É uma grande lacuna porque não se pode compreender a história de um povo ignorando esses desenvolvimentos que têm muita ligação com o que hoje somos”, repara. Prossegue, afirmando que “é preciso despolitizar a história”. Entende que “a história de Moçambique ainda precisa de ser estudada e explicada, sobretudo, o que aconteceu no centro de Moçambique”. Reitera que “para o bem da Nação, é preciso que se estude a história de forma mais integrada”. Na mesma tese de que os problemas que hoje temos têm muito que ver com a própria formação da Nação, remata: “hoje é preciso dialogar com a história para fazer a paz”. “Frelimo faz de conta que se esqueceu” “Nos deixa muito tristes”, responde o reverendo Jorge Nhama quando chamado a comentar sobre o esquecimento da ex-American Board. Diz que a conotação da igreja com figuras como os Simangos pode estar por detrás do conveniente esquecimento, mas de uma coisa tem certeza: “se não se fala hoje, alguém vai um dia lembrar-se do papel desta Igreja”. Fala mesmo de paradoxo: “Em Portugal, Suíça ou América vais encontrar uma história mais completa sobre esta Igreja, inclusivamente, universidades com o nome de Nkamba Simango, mas aqui dentro fala-se muito pouco dele; às vezes eu tenho pensado talvez por ser ndau? Será? São algumas perguntas que se suscitam”. Diz que queiramos ou não, a igreja tem uma palavra a dizer no nacionalismo moçambicano e lamenta que os louros vão apenas para a presbiteriana. Sobre se a Frelimo, a quem a Igreja um dia forneceu jovens, terá se esquecido, diz que não, simplesmente, faz de conta porque o partido conhece muito bem o papel da ex-Missão American Board. Hoje com cerca de 11 mil crentes e 31 paróquias espalhadas um pouco por todo o país, a ex-Missão American Board, por sinal uma das fundadoras do Conselho Cristão de Mo- çambique (CCM), em 1948, continua com vários projectos ou actividades sociais. Tem escolas primárias em Gogoi (Manica) e Maramba (Sofala); um centro de treinamento para todos em Muxúnguè (Sofala), que consiste em Alfabetização e Educação de Adultos, e Formação Vocacional; um centro de Alfabetização e Educação de Adultos e Formação Vocacional, na Costa do Sol (cidade de Maputo); uma escola do nível secundário na Beira (Sofala) e projectos de micro finanças para alívio à pobreza na Beira e Maputo. Uria Simango Nkamba Simango Reverendo Jorge Nhama Egídio Vaz Savana 06-01-2017 7 PUBLICIDADE 8 Savana 06-01-2017 SOCIEDADE Um cidadão de nome Sté- lio Rodrigues Maculuve, residente no bairro de Malhazine, município de Maputo, perdeu a vida, nesta terça-feira, no Hospital Central de Maputo, depois de ter sido atropelado por um motorista em fuga, no bairro de Magoanine C, no passado dia 26 de Dezembro. O acidente que culminou com a morte do jovem, de 30 anos e pai de um filho menor, verificou-se momentos depois que Aristides Paulo, conduzindo uma viatura de marca GWM, ostentando a matrí- cula ADI 738 MC atropelou cinco pessoas no mercado de Magoanine C e se pôs em fuga. Segundo contam testemunhas próximas da ocorrência, por volta das 12:00 horas do dia 26 de Dezembro de 2016, Aristides Paulo fez-se ao terminal de transportes semi-colectivos de passageiros no bairro de Magoanine C e, no meio de muita concentração de pessoas e viaturas, iniciou uma série de manobras perigosas, comummente designadas por rali, tendo depois desaguado num atropelamento colectivo a cinco pessoas nomeadamente: Valéria Malate, José Sulate, Abas Eduardo, Cristina Ringue e Dionísio Moisés. Após o atropelamento colectivo, o jovem motorista pôs-se em fuga. Apercebendo-se da situação, alguns condutores presentes no local tentaram perseguir o infractor. Durante a fuga, Aristides Paulo foi danificando viaturas que tentavam bloqueá-lo, destruindo muros e numa das ruas acabou atropelando o cidadão em causa. Mesmo assim, o fugitivo não se rendeu e continuou até que ficou bloqueado quando foi embater num muro e não conseguiu mover a viatura. O jovem foi neutralizado e levado ao posto policial do bairro de MaSobrinho do director do IPAJ atropela, mata e foge e... Ministério Público manda-o para casa Por Raul Senda goanine C de onde foi transferido para as celas da Décima Oitava Esquadra para o devido procedimento processual, visto que as ví- timas deram entrada no Hospital Geral José Macamo (HGJM), área da jurisdição da Décima Oitava Esquadra. As cinco vítimas foram assistidas no HGJM enquanto que Stélio Rodrigues, tendo em conta a gravidade dos ferimentos contraídos, foi transferido para a Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Central de Maputo, onde foi colocado em coma induzido. De manobras policiais à intervenção do director do IPAJ e a soltura do infractor Após o tratamento hospitalar, os feridos dirigiram-se ao posto policial instalado no HGJM para prestar depoimentos sobre o sucedido a fim de constar no processo. As vítimas contaram todo o historial, o agente da polícia responsável fez as devidas anotações e ordenou aos ofendidos a regressar no dia 27 de Dezembro com os produtos danificados, visto que parte dos sinistrados eram vendedores de rua. Chegadas ao local, as vítimas, em vez de serem atendidas pela polícia, foram recebidas pelo tio do infractor de nome Artur Juquessene, director nacional de Administração e Finanças do Instituto de Patrocínio e Assistência Jurídica (IPAJ). Juequessene apelou às vítimas para contornar as autoridades, anular o processo e resolver o litígio de forma amigável, visto que se avançassem até ao tribunal corriam o risco de não ganhar nada. Segundo as vítimas, o pedido não foi aceite pelos ofendidos, facto que não agradou o chefe do posto policial do HGJM de nome Flávio Jamal que ameaçou as vítimas de prisão. No mesmo dia, os ofendidos acabaram sabendo que os autos não relatavam os factos sucedidos e invertiam totalmente a realidade. Os mesmos diziam apenas que houve um atropelamento causado pelo excesso de velocidade e que as ví- timas já tinham recebido o devido tratamento e em nenhum momento falavam da fuga do condutor e de outro ferido que estava no estado de coma. Um grupo de advogados contratados pelos ofendidos apelaram ao chefe do posto à rectificação do auto e à reposição da verdade factual, o que foi constantemente recusado pelo agente. Flávio Jamal aceitou o pedido dos ofendidos depois da intervenção do porta-voz do Comando da Cidade de Maputo, Orlando Mudumane, quando este foi abordado sobre o assunto. Isso aconteceu no dia 28 de Dezembro, altura em que o processo foi conduzido ao Ministério Público para efeitos da verificação da legalidade e a posterior envio do processo para o juiz da instrução para a possível legalização da prisão. No dia 29 de Dezembro, o jovem infractor foi solto por uma procuradora afecta às triagens nas esquadras da cidade de Maputo, alegando-se que não havia razões para manter o motorista em reclusão, visto que se tratava apenas de um caso de ofensas corporais involuntárias cuja pena é de 3 a 180 dias e que pode ser convertida em multa, e que para os ofendidos havia espaço apenas para o procedimento cível. O jovem, que sofreu atropelamento, perdeu a vida na tarde desta ter- ça-feira e o indivíduo que o atropelou e fugiu por duas ocasiões, sem emprego, residência fixa e seguro da viatura, está em liberdade e vai responder apenas pelo crime de ofensas corporais involuntárias. A decisão das autoridades judiciais sobre a matéria está a causar um clima de desconforto no seio das vítimas e acusam o tio do jovem de ter manipulado o processo tal como prometera. Frustrados com o comportamento das autoridades policiais bem como magistrada do Ministério Público, neste processo, as vitimas denunciaram o caso à Procuradoria Geral da República, Gabinete Central do Combate a Corrupção bem como ao Comando Geral da Policia da República de Moçambique, esperando pela reposição da legalidade. Contactado pelo SAVANA, Artur Juquessene, tio do infractor, recusa qualquer envolvimento no processo. Juquessene diz que interveio na qualidade de encarregado do infractor e não para manipular o processo e que em nenhum momento abusou da sua categoria profissional para manietar as autoridades. Por seu turno, as autoridades policiais dizem que fizeram a sua parte e não podem comentar decisões do Ministério Público. O SAVANA não conseguiu localizar a procuradora que ordenou a soltura do jovem motorista. S egundo deram a conhecer as autoridades policiais, a festa de transição de 2016 para 2017, que compreende o período de 30 de Dezembro a 2 de Janeiro, 16 pessoas perderam a vida em consequência de 14 acidentes de viação registados em todo o território nacional. Estes números, segundo avançou o porta-voz do Comando-Geral da Polícia, Inácio Dina, representa uma redução em termos de número de mortos se comparado a igual período do ano passado em que foram registados 22 óbitos. Já no que se refere ao número de acidentes, em comparação com o idêntico período de 2015/16, representa uma subida em virtude de terem sido registados um total de oito casos de acidentes de viação. No que tange aos feridos com gravidade, foram registados um total de 26 contra 27 do ano passado e ainda o registo de danos materiais avultados. A fonte policial revelou que os acidentes registados foram maioritariamente do tipo atropelamento carro-peão. As províncias da Zambézia, Sofala e a cidade de Maputo foram as que tiveram os maiores registos de casos de natureza criminal. (Ilódio Bata) Acidentes mataram 14 pessoas Balanço preliminar da PRM Artur Juequesssene e o sobrinho infractor Aristides Paulo 8PGRVPXURVGDQLÀFDGRVSRU$ULVWLGHV3DXOR GXUDQWHDIXJD DSyVDWURSHODPHQWRV Savana 06-01-2017 9 PUBLICIDADE SOCIEDADE No âmbito das condições gerais de ingresso no Ensino Superior, previsto na lei n° 27/2009, de Setembro (Lei do Ensino Superior, artigo 23, n° 5 alínea a) onde a condição de acesso à formação conducente ao grau académico de Licenciatura é a conclusão com aprovação da 12ª classe ou equivalente, o ISCTEM torna público que irão decorrer no dia 12 de Dezembro de 2016, Testes de Diagnóstico e Entrevistas Vocacionais para admissão aos cursos que a seguir se indica: TESTES DE DIAGNÓSTICO E ENTREVISTAS VOCACIONAIS Para mais informações contacte: Secretaria do ISCTEM, no Campus Universitário Rua 1394 - Zona da FACIM, 322 - Maputo. Tel: 82 309 41 30 ou 82 31 32 200 E-mail: secretaria@isctem.ac.mz Poderão candidatar-se aos Testes de Diagnóstico indivíduos que preencham os seguintes requisitos: • Estudantes do Ensino Secundário Geral que tenham concluído a 12ª classe do SNE ou a 11ª classe do antigo sistema; • Trabalhadores que tenham completado a 12ª classe do SNE ou a 11ª classe do antigo sistema ou equivalente para continuação de estudos, sem prejuízo da legislação em vigor. Período de Inscrição A apresentação das candidaturas decorrem na Secretaria do ISCTEM, até o dia 9 de Dezembro de 2016. Os candidatos aos testes serão avaliados apenas nas disciplinas nucleares dos cursos da sua preferência. Horário: 8:30H (Diurno) e 17:30H (Pós-laboral). Escola/Curso Vagas Diurno Nocturno Peso Peso Disciplinas Requisitos Disciplina 1 Disciplina 2 ESCOLA DE CIÊNCIAS BIOMÉDICAS Medicina Geral Medicina Dentária Farmácia e Controle de Qualidade de Medicamentos Psicologia Clínica Nutrição Radiologia Optometria 100 40 35 ESCOLA DE GESTÃO DE NEGÓCIOS Gestão de Empresas Contabilidade e Auditoria Gestão Financeira e de Seguros Gestão de Marketing Gestão de Recursos Humanos e Negociação 60 60 60 25 35 50% 50% 50% 50% 50% 50% 50% 50% 50% 50% Matemática Português Matemática Português Matemática Português Matemática Português Matemática Português ESCOLA DE ENGENHARIA E TECNOLOGIA Engenharia Informática Engenharia Geológica e de Minas 60 Matemática 50% 50 50% 50% 50% Física Matemática Física ESCOLA DE ARTES E CIÊNCIAS Arquitectura e Urbanismo Direito 40 50 50% 50% 50% 50% Desenho Matemática Português História 30 30 30 25 30 30 - - 30 - - 30 50% 50% 50% 50% 50% 50% Biologia Química Biologia Química Biologia Química 30 30 30 30 - - - - 50% 50% 50% 50% Biologia Química Biologia Biologia Biologia Química 50% 50% 50% 50% Química Química www.isctem.ac.mz EDITAL 2017 20 anos formando com qualidade 10 Savana 06-01-2017 SOCIEDADE SOCIEDADE SOCIEDADE O aparente desinteresse do novo Presidente dos EUA, Donald Trump, por África poderá traduzir-se num cheque em branco para os ditadores africanos, que se vão sentir livres para intensificar a perseguição à oposição, refere o mais recente relatório da Economist Intelligent Unit (EIU), um centro de pesquisa da reputada revista britânica The Economist. Na sua análise, a EIU assinala que a campanha de Trump foi caracterizada por uma narrativa isolacionista e nacionalista, o que sugere que é improvável que queira despender energia a criticar líderes autocráticos e violações dos direitos humanos. “Com efeito, a administração Trump poderá colocar pouca ênfase sobre boa governação, como condição para a cooperação bilateral, como foi feito pelo seu antecessor, Barack Obama, numa tentativa de contrapor a crescente influência econó- mica da China em África. Isto vai tornar mais fácil a vida dos ditadores africanos, que tentam reprimir a oposição”, considera o documento. A África Sub-sahariana esteve ausente da retórica de campanha de Donald Trump, observa a EIU. Numa das poucas vezes que discutiu a região, pronunciou muito mal o nome da Tanzânia – afirmando que se tratava da Tan-ZAYE-nee-ya, numa referência aos ataques terroristas ocorridos em 1998 à embaixada dos EUA, em Dar-es-Salaam, capital tanzaniana, e Nairobi, capital do Quénia, em que morreram 200 pessoas. A análise refere que para os grupos de oposição de países com governos autocráticos em África a liderança de Barack Obama em questões de boa governação, democracia e direitos humanos foi uma importante âncora. Por exemplo, os EUA comandaram o passo na implementação de sanções contra os alegados autores dos abusos dos direitos humanos na República Democrática do Congo (RDC), instando o chefe de Estado do país, Joseph Kabila, a respeitar a Constituição e renunciar ao cargo, quando o seu mandato terminar este mês. “Se o apoio externo se desvanecer, líderes autoritários vão ter mais facilidade para reprimir os seus opositores, especialmente tendo em conta que a China, um outro actor de peso na região, assume uma tendência equidistante em relação à política doméstica de outros países”, lê-se no documento. A ambiguidade, considera o texto, foi a marca registada da campanha de Donald Trump. Em 2015, disse que que ia encarcerar Robert Mugabe, que governa o Zimbabué há mais de 30 anos, tal como Yoweri Museveni, Presidente do Uganda, no poder desde 1986, aparentemente por causa das suas tendências ditatoriais. Este tipo de afirmação sublinha o conhecimento dúbio de Donald Trump da lei internacional, mas também sinaliza a incerteza da direcção que a política norte-ameriDesinteresse de Trump por África Ditadores africanos têm “cheque em branco” - EIU cana irá seguir. Para a EIU, é pouco provável que as relações entre os EUA e a África Sub-sahariana se fortaleçam durante a liderança de Trump. O pacote de ajuda económica, como o AGOA, e as recentes iniciativas de Barack Obama serão imediatamente postos em perigo, tendo em conta a ameaça do novo chefe de Estado norte-americano de reduzir a ajuda externa. O Plano do Presidente dos EUA de Alívio ao HIV/SIDA (PEPFAR) – um plano de redução do HIV/ SIDA bem financiado e sucedido, lançado por George Bush, poderá continuar intacto, contudo, mais devido à avaliação positiva que tem recebido em todo o mundo e a sua origem no partido republicano. Sob a liderança de Donald Trump, continua o relatório, o futuro dos compromissos dos EUA com os tratados internacionais será posto em causa. A sua rejeição dos tratados de comércio está bem documentada. Tem consistentemente demonizado a influência económica da China e vai, provavelmente, assumir uma abordagem mais dura para deter a presença da China em África, potencialmente, tentando obrigar a África Sub-sahariana a escolher entre o investimento e a ajuda dos EUA e da China. Donald Trump também fez referência à tolerância zero na questão da propriedade intelectual. Esta postura poderá ajudar as companhias farmacêuticas norte-americanas, desferindo prejuízos económicos para um número cada vez mais crescente de fábricas que produzem genéricos para produtos com patente norte- -americana. “Ele ainda terá de ilustrar a sua estratégia anti-terrorismo em termos mais concretos, mas pareceu que se preparou para dar maior profundidade na eliminação de potenciais ameaças à segurança nacional, sugerindo que vai continuar as iniciativas contra o terrorismo”, lê-se no texto. $XPHQWRGDLQÁXrQFLD chinesa De resto, prossegue a análise da EIU, a Presidência Trump vai isolar os EUA do continente africano, resultando num potencial aumento da influência económica e política da China. No curto prazo, o impacto da ascensão do candidato republicano à Casa Branca será relativamente modesto, incluindo a volatilidade nos mercados monetário e financeiro. No médio prazo, as consequências das tendências isolacionistas de Donald Trump serão severamente sentidas com o corte do fluxo da ajuda e a menor concentração no apoio à democracia e aos direitos humanos. A ajuda às iniciativas de combate ao terrorismo será provavelmente mantida, dada a ameaça que este flagelo representa para a segurança nacional dos EUA, mas, no global, as relações irão esfriar. Moçambique com situação sombria Sobre Moçambique, a EIU mantém, para a perspectiva 2017-21, as previsões que foi avançando nas suas edições consecutivas deste ano. Considera que a Frelimo poderá manter-se no poder, contudo, interesses divergentes entre as várias facções do partido no poder poderão gerar uma situação de volatilidade política entre 2017 e 2012. Uma crise de liquidez, desencadeada por um peso da dívida insustentável, irá perigar a estabilidade macro- -económica no curto prazo, agravando o risco de incumprimento. A restruturação do elevado volume da dívida será uma necessidade inevitável para Moçambique, como forma de travar o risco de incumprimento. Face a um contexto macro-econó- mico hostil, as autoridades vão apertar a política fiscal e monetária, num esforço visando restaurar as relações com o FMI e resolver os constrangimentos de liquidez. Essa acção, prossegue a EIU, vai esbarrar com uma forte resistência da elite política e do eleitorado e o Produto Interno Bruto vai continuar fraco no período em referência, mantendo em níveis historicamente baixos, podendo ficar-se pelos 4.4%, devido a uma fraca procura interna e reduzido investimento. N uma conferência de imprensa, que visava manifestar a satisfa- ção da classe empresarial nacional pela trégua e a respectiva prorrogação por mais 60 dias, decretada por consenso pelo presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, o vice-presidente da Confederação das Associações Económicas de Mo- çambique (CTA), Agostinho Vuma, não conseguiu despir a pele de membro da Frelimo e acabou resvalando em mo- ções de louvor à figura do PR, como tem feito no parlamento como deputado da Frelimo. Segundo Vuma, a cessação temporária das hostilidades militares é obra prima do Presidente da República. De seguida apelou ao líder da Renamo para que mantenha o compromisso da paz. Questionado o porquê da não extensão dos agradecimentos à contraparte do diálogo, porque sozinho Nyusi não teria logrado o Vuma deixa de fora Afonso Dhlakama CTA congratula “Deus Nyusi” pela trégua Por Argunaldo Nhampossa consenso, Vuma disse: “como devem saber estamos num Moçambique igual aos outros países onde não há dois deuses”, disse. Prosseguindo, incentivou o PR para que continue na busca dos caminhos da paz e que o líder da Renamo perceba, tal como percebeu destas vez, que os moçambicanos precisam da paz. “A CTA é da opinião de que o Presidente da República, tal como fez desta vez, ao liderar o diálogo directo com o líder da Renamo, deve assumir a liderança directa do diá- logo por se ter demonstrado ser um caminho eficaz”, anotou. Vuma é também deputado da Assembleia da República pela bancada parlamentar da Frelimo desde 1999, onde este tipo de discursos são característicos em cumprimento de disciplina partidária. Trégua é mais-valia Para a CTA, as hostilidades militares afectam directamente a vida económica do país e mancham o desempenho de muitas entidades, sendo que, caso este cenário prevaleça, a situação económica pode ficar mais dramática. Apesar de reconhecer a existência de outros factores como a deprecia- ção da moeda nacional que influenciaram para o fraco desempenho da economia nacional, Vuma voltou a frisar que a ausência da paz falou mais alto. Deste modo, congratula o consenso alcançado para a decretação de trégua, primeiro a de sete dias, alegando que trouxe um certo alento nas trocas comercias entre as regiões sul- -centro - e norte já no fecho ano. Depois manifestou ainda a satisfação dos empresários pela prorrogação por mais 60 dias, mas entende que a maior satisfação seria em caso de uma paz efectiva. “A cessação das hostilidades militares no país desperta grandes expectativas a nível do sector privado. O fim das hostilidades militares constituiria uma mensagem clara a todos os moçambicanos, investidores e turistas de que 2017 será melhor que 2016”, observou. Disse ainda que, com a trégua temporária, investidores há com interesses em Moçambique que já estão a encetar contactos no sentido de perceber a situação para não se atrasarem quando chegar a hora. Donald Trump CTA insta Filipe Nyusi a assumir liderança directa do diálogo Savana 06-01-2017 11 PUBLICIDADE SOCIEDADE 23UHVLGHQWHGD&RPLVVmR/LTXLGDWiULDGR´1RVVR%DQFRµYHPDRDEULJRGRGLVSRVWRQRVQžV H GRDUWLJR GD/HLQÝ GH GH'H]HPEUR (Processo de Liquidação Administrativa das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras), convocar a Assembleia dos Credores abaixo indicados, a WHUOXJDUQRGLD GH-DQHLURGH SHODV KRUDV QRHotel VIP ORFDOL]DGRQD$YHQLGD GH6HWHPEUR QÝ HP0DSXWR FRPDVHJXLQWHDJHQGD Único: Eleição do Representante dos credores na Comissão Liquidatária. Obs: 2VFRQYRFDGRVGHYHPDSUHVHQWDUjHQWUDGDGDVHVVmR L GRFXPHQWRGHLGHQWLÀFDomR SDUD7LWXODUHVH LL 3URFXUDomRHGRFXPHQWRGHLGHQWLÀFDomR para mandatários; $VSURSRVWDVGHFDQGLGDWXUDHPIRUPDGH&9GHYHPREVHUYDURVUHTXLVLWRVGHHOHJLELOLGDGHSUHYLVWRVQRDUWLJR GDVXSUDFLWDGD/HL $HOHLomRGRUHSUHVHQWDQWHGRV&UHGRUHVQmRSURGX]HIHLWRV VHQmRGHSRLVGHFRQÀUPDGDSHOR*RYHUQDGRUGR%DQFRGH0RoDPELTXH &DGDXPGRVFUHGRUHVWHPXPYRWR VHMDTXDOIRUDLPSRUWkQFLDGRVHXFUpGLWR Qž GRDUWLJR GDVXSUDFLWDGD/HL 7RGDHTXDOTXHULQIRUPDomRUHODFLRQDGDFRPRSURFHVVR SRGHUiVHUREWLGDQD6HGHGRDQWLJR´1RVVR%DQFR 6$µVLWD$Y GH-XOKRQž QR(GLItFLR GR,166 ž$QGDU &DL[D3RVWDO ²0DSXWRRXDWUDYpVGRVHJXLQWHHQGHUHoRGHH PDLO nossobanco@deloitte.co.mz Credores convocados: NOSSO BANCO, SA Sociedade em Liquidação Presidente da Comissão Liquidatária do “Nosso Banco” CONVOCATÓRIA DA ASSEMBLEIA DOS CREDORES DO “NOSSO BANCO” 0DSXWR 'H]HPEURGH O Presidente da Comissão Liquidatária Deloitte Moçambique, Lda. Adérito Manuel Magaia INSS-Delegação da Cidade de Maputo Advocacia Consultoria e Serviços,Lda INSS-Instituto Nacional de Segurança Social Alimamad Ussemane Motani INSS-SISSMO Américo da Conceição M.Da Silva Pinto Joao Dias Loureiro Arcus Consultores, Lda João Narciso Massochua Assane Amade Assane Kayum Centre Baptista Salomão Francisco Kayum Electrónica Best Bargains-Soc.Comercial e Serviços Kayum Ferragens Brithol Michcoma Moçambique, Lda Linhas Aéreas de Moçambique Cassamo Osmane Ismael Lala Maputo Game Centre, Limitada Centro Clínico Amparo, Lda Maputo Shopping Centre China Super Billion,Lda Mara Matias Mangane Clínica Nossa Saúde, Lda Margarida Oliveira da Silva Construções Lafonense Marta Chamusse Tivane Dora Consultores, Lda Mayur Pravinrai Easy Technologies e Procurement, Lda METAL SOLUTION, LDA EDMAR,Lda Moçambique Companhia de Seguros, SARL EDM-Fundo de Pensões NADHARI OPWAY, LDA EMOSE Oscar da Cunha Amaral EMTPM-EMP.MUN.DE TRANSP.RODOV.DE MPT,E.P PETROMOC-Petróleos de Moçambique Exitos - Consultoria de Gestão e Sistemas de Informação, S.A. Protal Produtos Alimentares Felisberto António Chissambule Ragendra Dhirajilal FUNDE-Fundação Univ.p/ Desenv. Educação Rolls Corporation, SA GESPETRO-Soc.de Gestão e Participações SA Rolls Investimentos, Lda Gildo Augusto Inácio Sahif Momade Bachir Globo Construções, Lda SOLUÇÕES, LDA Hasvanti Bai Maganlal Somague Moçambique,Lda Henrique Castro Amaro-Arq.,Cons.Ass., Lda UP - Universidade Pedagógica Hiper Distribuidora, Lda Vali Momade Bachir Hiper Maputo Venâncio Lameque Sixpenze 12 Savana 06-01-2017 INTERNACIONAL SOCIEDADE C onservadores pretendem revogar a lei o mais depressa possível, mas Trump quer cautela, pois não tem alternativa. Obama esteve no Congresso para se reunir só com democratas e salvar a sua herança. Esta terça-feira foi animada no Capitólio dos Estados Unidos, com o início da batalha épica sobre o funcionamento (e o financiamento) do sistema de saú- de norte-americano conhecido como “Obamacare”. De um lado esteve o Presidente, Barack Obama, que, num gesto raro, foi ao Congresso ajudar a bancada democrata a acertar uma estratégia que permita salvar o seu controverso Affordable Care Act. Do outro lado esteve o futuro vice- -presidente Mike Pence, reunido com a maioria republicana, a marcar o passo para demolir a lei. A missão de Obama para defender e preservar a medida legislativa mais significativa do seu primeiro mandato na Casa Branca parece ser a mais difícil. O que não quer dizer que seja fácil a tarefa dos republicanos para enterrar o programa que veio garantir o Começou a batalha para salvar ou matar o “Obamacare”* Oque diz a proposta republicana para acabar com o “Obamacare”? O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, deu o primeiro tiro contra o “Obamacare”, ao introduzir para debate no plenário uma proposta orçamental que lança as bases para o desmantelamento do actual modelo de acesso a cuidados médicos desenhado pela Administração de Barack Obama. Em que consiste a proposta submetida no Senado? A manobra dos republicanos consiste em eliminar do orçamento dos departamentos estaduais que financiam e supervisionam os programas do “Obamacare” as verbas necessárias para o seu funcionamento, alegando que essa medida terá como repercussão a redução do défice orçamental. Fazem-no através de um processo designado como “resolução or- çamental”, que inclui instruções directas para a “reconciliação” da legislação dos dois comités do Senado e dos dois comités da Câ- mara de Representantes que elaboram os planos orçamentais de distribuição da receita e despesa, e uma versão inicial do orçamento do Governo federal para o pró- ximo ano fiscal. Se a proposta for aprovada, o Affordable Care Act é revogado? Não, a lei aprovada em 2010 mantém-se em vigor, embora deixe de poder ser aplicada na totalidade, por falta de verbas. Para que a revogação pura e simples da lei resultaria num “caos” cujos custos ninguém está disposto a pagar. Por isso, nos próximos dias, as duas bancadas jogarão ao empurra, atirando para o adversário o ónus e a responsabilidade por todos os erros do “Obamacare” — da concepção à aprovação, adop- ção e (eventual) extinção. A duas semanas de deixar a Casa Branca, o Presidente reuniu-se à porta fechada apenas com os membros eleitos do seu partido (um acontecimento que não é iné- dito, mas é pouco comum) para preparar tanto a “estratégia como a mensagem” para o combate que se avizinha. A sessão era sobretudo política, mas, como informou o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, incluía também algumas sugestões práticas. “A recomendação do Presidente é que os democratas procurem contar as histórias de quem obteve protecção e para quem este programa foi a diferença entre a vida e a morte. O ex-presidente americano George W. Bush e o casal Hillary e Bill Clinton assistirão à cerimónia de posse de Donald Trump no próximo dia 20 de Janeiro, em Washington, informaram nesta terça-feira fontes ligadas ao evento. No total, três dos quatro ex-presidentes dos Estados Unidos vivos estarão presentes no Capitólio para assistir a posse de Trump: Jimmy Carter, Bill Clinton e George W. Bush. Fontes ligadas ao casal Clinton confirmaram à AFP que a adversária democrata de Trump nas eleições presidenciais de Novembro e seu marido Bill, presidente de 1993 a 2001, assistirão ao evento. O ex-presidente republicano George W. Bush e sua esposa, Laura, também estarão presentes, segundo as fontes. “Estão felizes de poder testemunhar a passagem de poder pacífica, uma marca de fábrica da democracia americana, e a posse do presidente Trump e do vice-presidente (Mike) Pence”, confirmou um porta-voz de George W. Bush, presidente dos Estados Unidos de 2001 a 2009. Jimmy Carter, 92 anos, presidente democrata de 1977 a 1981, confirmou sua participação na cerimónia em Dezembro passado. Apenas George H. W. Bush, 92 anos e com a saúde muito frágil, estará ausente entre os ex-presidentes dos EUA ainda vivos. Hillary Clinton assistirá posse de Donald Trump Quanto mais pessoas perceberem os benefícios da lei, mais popular ela se torna e mais difícil para os republicanos reunirem apoio político para a destruir”, referiu Earnest. Essa é precisamente a armadilha em que Donald Trump não quer cair. Depois de os republicanos tomarem a primeira iniciativa para começarem a desfazer a lei, o Presidente eleito deixou uma série de mensagens no Twitter alertando para os riscos de agir depressa de mais. “Os republicanos têm de ter cuidado. O desastre do ‘Obamacare’ tem de ficar nas mãos dos democratas”, escreveu. É que, para cumprirem a sua promessa de longa data de acabar com o “Obamacare”, os conservadores precisam de se entender e apresentar um programa alternativo — que até hoje nunca foram capazes de fazer. Para consolidar essa mensagem, Trump mandou o seu número dois, Mike Pence, para o Congresso. O futuro Presidente quer manter vigentes os aspectos mais populares do programa, até para evitar um descalabro eleitoral nas intercalares de 2018. No entanto, para muitos membros da bancada republicana, eleitos precisamente com base na sua oposição feroz ao “Obamacare”, não há que ter contemplações. “Não vamos ficar à espera das negociações entre Mike Pence e [o presidente do Congresso] Paul Ryan”, garantia o congressista de Nova Iorque Chris Collins. “Para que não restem dúvidas, vamos revogar o ‘Obamacare’, e vamos fazê-lo rapidamente”, prometeu. Perguntas e Respostas acesso a cuidados médicos a mais 22 milhões de americanos antes desprotegidos perante a doença. Como assinalavam os comentadores políticos americanos, as acções políticas desta terça-feira no Congresso mostram como os dois partidos têm consciência de revogar o “Obamacare”, ou para aprovar legislação que o substitua, os republicanos teriam de assegurar uma maioria de 60 votos ou dois terços do Senado. Mas, ao recorrer ao expediente da reconciliação orçamental, garantem que a medida é aprovada, uma vez que esse processo só exige uma maioria simples de 51 votos (e a bancada republicana é composta por 52 senadores). Que aspectos do “Obamacare” ficam comprometidos com esta resolução? Os republicanos querem deixar sem financiamento algumas provisões fulcrais da lei: os créditos fiscais e subsídios que facilitam a aquisição de seguros de saúde, ou a expansão do programa Medicaid, que sustenta a cobertura das famílias mais pobres, por exemplo. Também serão eliminadas as multas e penalizações pagas pelos indivíduos que não entrem no sistema ou pelos empregadores que não disponibilizem seguros de saúde aos funcionários. Depois da votação, o programa deixa logo de ser financiado? Quando votarem a proposta de reconciliação orçamental, os congressistas decidirão o calendário da sua aplicação. Ao que tudo indica, os republicanos tencionam apressar a votação, que pode ser já na próxima semana, mas pretendem adiar a entrada em vigor para terem tempo de redigir uma lei alternativa ao “Obamacare”. E estão divididos entre o fim do financiamento logo em 2019 ou 2020, ano de eleições presidenciais. *Publico.pt Obama foi ao Congresso reunir só com os membros do Partido Democrata/Reuters Mitch McConnell apresentou a proposta dos republicanos para desactivar o Obamacare Joshua Roberts/REUTERS Savana 06-01-2017 13 INTERNACIONAL SOCIEDADE O Economist Intelligence Unit (EIU) considera que as contínuas dificuldades orçamentais em Angola e a proximidade das eleições presidenciais (previstas para Agosto e à partida sem a candidatura de José Eduardo dos Santos) vão potenciar o surgimento de protestos. A eventual repressão dessas manifestações pelas autoridades poderá agravar ainda mais a instabilidade política e social no país. Dificuldades económicas ameaçam estabilidade de Angola De acordo com a unidade de aná- lise económica da revista britânica The Economist, “há o perigo de um aumento dos protestos dado as contínuas dificuldades orçamentais no ambiente actual de preços baixos do petróleo”. No relatório sobre o país, a que a Lusa teve acesso, os analistas económicos sublinham também que “as repressões fortes sobre os crí- ticos podem funcionar como um catalisador para mais instabilidade sustentada”, mas consideram que o partido no poder vai continuar as mesmas táticas que tem seguido até agora. “O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) vai continuar a agir com força, seja através de julgamentos mediá- ticos, esforços para restringir o acesso aos media eletrónicos cada vez mais usados pelos apoiantes da oposição ou pelo encerramento dos protestos públicos pelos serviços de segurança, suprimindo assim tudo o que entender ser uma ameaça sé- ria à sua hegemonia”, escrevem os analistas. No último relatório sobre Angola, os analistas da EIU mantêm a previsão de crescimento de 0,6% para este ano. “À medida que os preços do petróleo recuperam, um crescimento ligeiramente maior da despesa pú- blica e do consumo privado deve fazer subir a taxa de crescimento para 3% em 2017 e 3,5% em 2018”. Estas taxas de crescimento, embora muito abaixo da média histórica dos últimos anos, podem acelerar se o acordo da OPEP em Setembro sobre o limite da produção fizer aumentar os preços do petró- leo, mas ainda assim a EIU mantém a previsão de um crescimento médio de 2,7% entre 2019 e 2021. Angola enfrenta desde finais de 2014 uma profunda crise financeira, económica e cambial, decorrente da quebra para metade nas receitas com a exportação de petróleo. O filho do presidente da Guiné Equatorial, Teodorin Obiang faltou, esta segunda-feira, à primeira sessão do seu julgamento em França. Teodorin é acusado de usar dinheiro público para viver com todos os luxos. O julgamento de Teodorin Obiang, acusado de corrupção, começava esta segunda-feira, em Paris (Fran- ça). No entanto, o governante não apareceu. Os seus advogados argumentam que Teodorin “sofre de uma necessidade compulsiva de comprar” e que, para tal, usa diAcusado de corrupção Teodorin Obiang falta à primeira sessão do julgamento nheiro obtido legalmente. Esta é a primeira vez que a justiça europeia actua contra um dirigente africano por crimes cometidos no seu país. Os advogados de Teodorin já tinham tentado adiar o julgamento, pediram imunidade diplomática para o seu cliente e até fizeram um apelo de última hora ao Tribunal Internacional de Justiça, que foi negado pelas Nações Unidas. O tribunal francês tem até hoje, sexta-feira, para decidir acerca do adiamento ou a transferência do processo para o Tribunal Internacional de Justiça. Teodorin Obiang, de 47 anos, filho do presidente da Guiné Equatorial Teodoro Obiang (e vice-presidente do mesmo país), está a ser acusado pelas autoridades francesas de branqueamento de capitais, desvio de dinheiros públicos, abuso de confiança e corrupção. O dinheiro “roubado” — entre 2004 e 2011 pelo menos uns 110 milhões de euros — serviu para uma vida de luxos em França: um palácio na Avenida Foch, em Paris, com 5.000 metros quadrados e seis andares, avaliado em 107 milhões de euros. Tem discoteca, piscina interior e torneiras banhadas em ouro, conta o El Mundo. Mas esta não é a primeira acusação contra Teodorin. Em 2014 o governante viu-se obrigado a entregar às autoridades americanas uma mansão que tinha em Malibu, Califórnia; um Ferrari e uma coleção considerável de objectos de Michael Jackson (entre os quais a sua famosa luva) — somando 45 milhões de euros — para não ser julgado por corrupção. Mais recentemente, em Novembro do ano passado, foi acusado de branqueamento de capitais, na Suíça, pelo que lhe confiscaram um iate e 12 carros, entre os quais um Bugatti Veyron (acima dos dois milhões de euros) e um Porsche estimado em 800.000 euros. A Guiné Equatorial, um país admitido na Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP), uma entrada que dividiu os membros, é uma nação rica graças ao petróleo. Contudo, essa riqueza não se distribui equitativamente: mais de metade da população vive com menos de 25 dólares anuais e nem tem acesso a água potável. Diversas organizações não governamentais têm pedido investigações aos gastos realizados na Europa e nos Estados Unidos por dirigentes africanos alegadamente corruptos. 14 Savana 06-01-2017 Savana 06 -01-2017 15 NO CENTRO DO FURACÃO Éa primeira grande entrevista em que ‘abre o jogo’ abertamente sobre os processos críticos que herdou na gestão da TAAG. Peter Hill, o britânico que gere a companhia aérea de bandeira angolana desde Setembro do ano passado, explica como desfez negócios “intocá- veis” e por que razão apenas um estrangeiro seria capaz de tornar a TAAG numa empresa rentável. Mais ao fim, não deixou de mencionar a meta histórica de médio prazo: elevar as receitas ao nível das despesas da companhia. Já se passaram 12 meses à frente da TAAG. Qual é o balanço possível? É verdade. Foi há15 de Setembro de 2015 que eu e minha equipa, porque somos uma equipa, tomá- mos posse da gestão da TAAG. Entretanto, o plano de negócios que vimos executando, concebido pelo Governo em colaboração com a Emirates, para ser implementado nos próximos 10 anos, foi desenvolvido na primavera de 2014. Nessa altura, o país estava numa situação muito diferente, em rela- ção à situação em que se encontrava em Setembro de 2015, quando tomamos posse, e que se arrasta até agora. Em 2014, o país ainda estava numa plataforma muito positiva. O petróleo ainda estava a vender perto de 100 dólares o barril e a vida era boa. Todo o mundo estava ansioso para mais expansão económica, maior desenvolvimento, mais investimentos, assim por aí. Passou-se um ano e a coisa toda mudou. E foi nessa altura em que assumimos a gestão da TAAG. Acho que não se poderia ter escolhido uma turbulência pior para assumir o comando. Em que estado encontrou a empresa? A empresa atravessa por um período de grande expansão. Novas aeronaves, novos equipamentos, foi removida da lista negra, de modo que novas rotas foram iniciadas e tudo caminhava a bom ritmo. Era assim há vários anos. Quando começámos a olhar para os livros, para o modo como a forma de gestão como foi concebida, tenho de dizer que foi uma confusão. Não necessariamente por culpa de alguém em particular, mas apenas porque estava fora de controlo. Por isso, tivemos de segurar e estabilizar o navio. Tivemos de analisar as contas, a organização e, basicamente, remodelá-la para tentar adequá- -la ao que esperávamos que viesse a tornar-se uma empresa sólida. É o que temos vindo a fazer desde então. Houve uma atenção especial à questão financeira, certamente. Reformulámos completamente a situação financeira da empresa. Agora podemos dizer, com segurança, que sabemos exactamente quem somos e que dinheiro devemos. Sabemos o que está no banco e sabemos para onde estamos a ir, em termos do nosso desempenho financeiro. Sabemos o que temos de aprovisionar, à medida que vamos para frente. É um quadro muito diferente do que herdamos. Agora recebo um extracto mensal das contas, verdadeiras e factuais. Estou muito confiante em que o Governo está muito feliz com isso, os nossos credores também, e, certamente, a equipa de gestão está confortável com isso. Sentiu necessidade de manter algumas práticas anteriores, já que se trata de um negócio do Estado e que, por isso, encerra outras preocupações de cariz social, por exemplo? Relativamente à organização, nós tivemos de racionalizá-la. Reconhecemos que isto é um negócio do Estado, logo há pressupostos a manter. Há muitos trabalhadores na organização que não estão necessariamente nas posições adequadas. Temos de reconhecer isso e tomar as medidas adequadas para tentar ou retreiná-las ou mudá-las para outras áreas. São pessoas, digamos, complicadas. Não por culpa delas, mas, se calhar, por culpa da gestão anterior. De qualquer forma, não despedimos ninguém. A única coisa que fizemos, em termos de redução da força de trabalho, foi olhar para todas as pessoas que estão acima da idade de aposentadoria e certificar-se de que elas se aposentassem. Nem todo o mundo quer reforma, mas eu tenho a obrigação de criar espaço para as pessoas novas entrarem. Os mais jovens balho? Ou o gestor faz o trabalho ou o consultor! Não preciso de duas pessoas para o mesmo trabalho. Era assim em toda a empresa. Por isso, tivemos uma grande racionalização em ambas as áreas. Ou dispensámos o consultor, o que foi invariavelmente o caso, ou dissemos ao gestor: se não é capaz de fazer, sinto muito, vamos ficar com o consultor até ao momento em que podermos colocar o nosso próprio funcionário e aí o consultor sair. Por conta disso, nesse momento, temos muito poucos consultores. Na verdade, a empresa gastava muito dinheiro com consultores, estamos a falar em milhões de dó- lares. Esse processo começou no topo e estendeu-se a todas as áreas: operações, finanças, tecnologias de informação, etc. Não conseguia acreditar na quantidade de consultores que trabalhavam para esta empresa. Essa foi a primeira coisa. Houve mais? Sim, os contratos com os fornecedores. Tínhamos todo o tipo de fornecedores, poucos bons, alguns não tão-bons e outros ainda inacreditáveis (risos..). Uso essa palavra “inacreditável” e deixo-o pensar o que pensar. Reavaliámos todos esses fornecedores, renegociámos tudo, até mesmo os bons. Novamente, houve milhões que foram poupados. A TAAG é relativamente uma pequena companhia aérea, mas há muitos anos que comprava coisas de que realmente não precisava. Temos grandes excedentes de equipamentos em todas as áreas. Estamos a tentar dispor de excessos, onde podemos, pelo menos as coisas de que não precisamos. Alguns desses módulos temos de viver com eles, outros tentamos eliminar. Não é uma tarefa fácil, mas estamos a tentar remover todos os processos duplicados e os processos excedentes que existiam. No fundo, analisámos os processos e emagrecemo-los. Assim, a gestão, de certa forma, ficou muito mais simplificada. Hoje, o pessoal vê o que é, enquanto, antes, tínhamos tantos processos na empresa, que era difícil saber o que era válido e o que não era. A redução dos processos permitiu-nos também encontrar maneiras de fazer com que muitas pessoas executassem diferentes tarefas muito melhor do que eram capazes antes. Deixou de fazer sentido, por isso, a quantidade de consultores que forneciam informações que não eram usadas. Foi-me dito, entretanto, que eliminar alguns desses contratos não seria fácil. Por que razão lhe disseram isso? Porque havia muitas empresas locais, agentes locais, todo o tipo de pessoas envolvido por trás desses processos, desses contratos. Eu respondia ‘ok’, mas o meu mandato é para cortar custos, sempre que for possível e é o que venho fazendo. E isso foi apenas uma vez, em todos esses processos, que me foi dito que havia processos intocáveis. A realidade é que as pessoas que me disseram que se oporiam, não se opuseram. E, no fim de contas, fomos capazes de sanear muita coisa, o que produziu enormes poupanças. Voltando à questão dos recursos humanos. Admite a possibilidade de baixar salários? Não necessariamente. Apenas racionalizar o trabalho, olhando para a taxa de trabalho no mercado actual. Muitas empresas estão a fazer isso agora. Quando não se está a ganhar tanto dinheiro quanto antes, tem de se certificar que a força de trabalho seja acessível. Se não for acessível, então tem de se fazer algo. Podemos ter de encontrar um mecanismo de oferecer um esquema de afastamento voluntário. Dessa forma, podemos ter de oferecer às pessoas um pacote de pagamento que vai encorajá- -lo a pensar se quer ficar ou partir. Quem partisse seria devidamente compensado. Esta empresa já fez isso antes, certas posições foram eliminadas, mas depois foram recrutadas novamente. Não é muito inteligente fazer isso. Sobre as rotas da TAAG, fala-se em algumas não rentáveis. Considera fazer cortes? Há certas rotas que não têm sido rentáveis quanto gostaríamos que fossem. O voo para Cabo verde, por exemplo, leva 5,5 horas no meio do oceano Atlântico. É uma rota muito cara, pois custa-nos 2,5 milhões de dólares por ano, para transportar apenas, em média, 20 pessoas por voo. O 737 faz ida-e-volta com a carga toda. Falando claramente, não podemos dar-nos a esse luxo. Então, Cabo Verde vai sair da programação. Claro, que se o Governo nos disser: “queremos que mantenha o voo e estamos preparados para subsidiá-lo”, nós aceitaremos. Se o governo de Cabo Verde disser: “vamos dar-vos concessões, reduzir as taxas de aterragem, o custo do combustível, etc, etc, se chegarmos a algum tipo de assistência, vamos continuar a rota como um serviço público. Mas, até lá, as pessoas que me desculpem, a empresa tem de ganhar dinheiro. E voos domésticos são rentáveis? Não sei. Têm o seu custo, digamos assim. Estamos a operar uma abrangente rede de voos domésticos, melhoramos um pouco nos horários. Alguns desses voos têm ligação com as rotas que deixam Luanda para outros destinos, como Lisboa. Lisboa é muito popular na nossa rede, por isso é útil que alguns desses voos conectem, para que possam fornecer mais ligações a Lisboa e Porto e vice-versa. Realmente, tivemos de analisar a programação nacional e internacional e é curioso notar que, se olharmos para as rotas internacionais, o que acontecia era que os voos são Angola para outros lugares, e de outros lugares para Angola. Não é esse o potencial de Luanda. Luanda é um ponto importante e estratégico para os serviços aéreos ao sul do Sahara e precisamos aproveitar isso. Por outras palavras, precisamos trazer os voos provenientes da América do Sul, Europa, China, que liguem Luanda a outros pontos em África, de modo a que pessoas viagem de uns destinos para outros e possam usar os nossos voos para isso. Isso é algo que nunca foi feito antes. Porquê? Primariamente, é preciso ter um visto para transitar por Angola. Quando chegámos aqui, reunimo- -nos com oficiais do departamento de migrações, altos funcioná- rios ministeriais e dissemos-lhes: “olhem, Luanda é uma potencial placa giratória, não precisam pedir vistos a quem entra em Angola”. E eles concordaram e estão a eliminar a maior parte dos vistos de trânsito para as pessoas que apanham voos de ligação dentro de 24 horas, e os resultados do sucesso já são signifi- cativos. Embora o mercado angolano não cresça de momento, estaPCA da TAAG, abre o livro “As empresas angolanas, em reorganização, deviam ser geridas por estrangeiros” Por Cândido Mendes* Peter Hill, britânico de nacionalidade, é um consultor internacional de empresas de aeronáuticas, com especialidade em ´start-ups’ aéreos e ‘rebranding’. No seu longo ‘currículo aéreo’, constam os cargos de PCA das linhas aéreas de Oman, (2008-2011), Sri Lankan Airlines (1999-2008), além de várias consultorias prestadas a FlyDubai, GM Commercial. É membro fundador da Emirates, a companhia que o trouxe à TAAG. mos a conseguir trazer os clientes dos mercados ao redor, o que aumenta a nossa carga dentro e para fora de Angola em voos internacionais. Por exemplo, quando, em Março ou Abril, começámos a ligar Joanesburgo e Cidade do Cabo, para os nossos voos para Lisboa e Porto, tínhamos 6,7 passageiros. Seis meses depois, estamos receber entre 80 e 90 passageiros que vêm através daqueles destinos que conectam com o nosso voo para Lisboa e Porto. Neste inverno, ligaremos para o nosso voo para o Brasil, Havana e talvez Dubai. São essas coisas que irão aumentar o nosso negócio daqui para frente. E isso permitiu-nos manter voos di- ários duplos para Portugal todo o tempo, mesmo no Inverno, quando, no passado, teríamos de reduzir o número de frequências nessa altura, por falta de demanda. Onde vê a TAAG chegar sob o seu comando? A Emirates tem um contrato de gestão de 10 anos aqui. Eu, provavelmente, vou estar aqui por mais dois anos, mais ou menos. Até agora, financeiramente esperamos, pelo menos, atingir o ‘breakeven’ no momento em que sair. Isso é um grande passo, porque esta empresa nunca o fez ao longo da sua história. Em segundo lugar, queremos construir a marca para que as pessoas olham para a TAAG como uma das transportadora aé- reas líderes em África. Esse é o objectivo. Se vamos ser capazes de o alcançar, vamos ver... De qualquer forma, vou recebendo declarações positivas de muitos dos nossos clientes regulares que estão a notar diferenças. Os voos são muito mais pontuais do que eram no passado. O interior da aeronave é muito mais limpo, muito melhor do que eram. O serviço de chão começou a funcionar melhor. Não é o ideal, porque não estamos a operar num aeroporto ideal. É um muito congestionado aeroporto, lotado. Mas tentamos melhorar os processos que controlamos tanto quanto podemos. O que gostaria de ver em três anos é as pessoas dizerem: “Há aí o voo da TAAG? eu vou com a TAAG”, enquanto, no passado, era: “TAAG? que outra companhia também vai?” *valoreconomico.co.ao Peter Hill, PCA da TAAG precisam de ser promovidos, é sua prerrogativa, seu direito e temos a certeza de que é possível. Como primeiro PCA não-angolano, na história da TAAG, enfrentou resistência por esse facto? Ou terá sido pelas reformas que aplicou? Esta não é a primeira vez que assumo um cargo, como estrangeiro. Estive em Omã, no Sri Lanka e fiz parte da equipa que fundou a Emirates. Logo, isso não é novo para mim e não o é para a maioria da minha equipa também. Em termos de TAAG, isso foi completamente novo. O pessoal ficou realmente um pouco preocupado que isso tenha ocorrido. Tive conversas com ministros e vários funcionários do Governo. É muito mais fácil para um estrangeiro chegar a uma empresa aérea, como a TAAG, e implementar políticas que realmente têm efeitos benéficos sobre o negócio. Elas podem até perturbar as pessoas em Angola, mas a pessoa encarregada de as realizar, no caso eu, não tem qualquer pressão que não seja a pressão de ser o CEO da empresa. Deve depreender-se que a TAAG não avançaria com angolanos à frente? Pelas razões que referi, é mais fácil para mim implementar a mudan- ça, do que seria para um angolano. Porque o angolano seria pressionado por todos os tipos de pessoas e interesses externos. Quanto a mim, eu realmente tive a vida facilitada. Quando se coloca algum tipo de pressão de alguém do Governo para fazer determinada coisa, respondo: eu tenho um mandato do Presidente, que me diz que isso tem de acontecer como um negó- cio. Eu simplesmente indico isso, quando alguém me desafia, inquirindo por que faço isso ou aquilo. Quando lhes digo isso, eles recuam. E eu acho que isso é benéfico. Se quem estivesse sentado na minha cadeira fosse um angolano, acho que seria muito mais difícil para ele. Mesmo para mim, não é simples, mas eu não tenho essa pressão. Por isso, acho que empresas como esta, quando se estão a reorganizar, devem talvez trazer um estrangeiro por um período de tempo, apenas para assentar as coisas, nivelar a empresa, colocá-la num melhor curso, e depois devolvê-la a um angolano qualificado, para assumir o comando. Recentemente, disse à imprensa que a TAAG conseguiu poupan- ças de 70 milhões de dólares em um ano. Que despesas teve de cortar? Os 70 milhões de dólares é o montante que conseguimos economizar desde a nossa chegada. Na realidade, no total são 120 milhões de dólares, porque há ainda os 50 milhões de dólares que tivemos de aprovisionar para as contas deste ano e do ano anterior. Como fizeram isso? Tivemos de passar pente a tudo. Analisámos os contratos e a forma como estes foram concebidos. Será que precisamos de todos eles? Tí- nhamos contratos de consultoria em quase todas as áreas da nossa actividade. E eu perguntava-me: se eu tenho um gestor aqui que deve desempenhar a sua função, por que razão tenho um consultor sentado ao lado dele a fazer o mesmo tra- 16 Savana 06-01-2017 PUBLICIDADE SOCIEDADE Nós, mulheres, raparigas e homens, representantes do Governo, da Sociedade Civil, do Sector Público e Privado, de instituições académicas, religiosas e Parceiros de Cooperação, reunidos no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, na Cidade de Maputo, de 19 à 20 de Agosto de 2016, na 5ª Conferência Nacional sobre Mulher e Género, organizada pelo Ministério do Género, Criança e Acção Social, realizada sob o lema “Moçambique, mulheres e homens unidos pelo desenvolvimento sustentável” e com o objectivo de: ‡$YDOLDURJUDXGHFXPSULPHQWRGDVDFo}HVFRQVWDQWHV da Declaração da IV Conferência Nacional sobre Mulher e Género, realizada em 2014; ‡5HÁHFWLUVREUHDFRQWULEXLomRGDPXOKHUQRGHVHQYROvimento sustentável do País; ‡3DUWLOKDUH[SHULrQFLDVHERDVSUiWLFDVGHYiULRVDFWRres em relação a acções tendentes a igualdade de gé- nero, empoderamento da mulher e desenvolvimento sustentável; ‡'HÀQLUDFo}HVSULRULWiULDVSDUDDSURPRomRGDSDUWLcipação de mulheres e homens no desenvolvimento político, económico, social e cultural. 5HFRUGDQGR H HQFRUDMDGRV SHOR SDSHO GHVHPSHQKDGR por Samora Machel, primeiro Presidente de Moçambique, no tratamento igualitário entre o homem e a mulher na luta pela emancipação da mulher; 5HFRQKHFHQGRRVHVIRUoRVTXHWrPVLGROHYDGRVDFDER pelo Governo, sociedade civil, instituições religiosas e parceiros de cooperação, referentes à implementação dos objectivos e prioridades da igualdade de género; Notando a progressiva participação de mulheres e homens na luta pela igualdade de género e respeito pelos direitos humanos da mulher e da rapariga; Assumindo que a mulher tem um papel preponderante na promoção da Paz e na transmissão dos valores morais; Conscientes que os progressos visando a promoção da igualdade de género na área social, económica, cultural e política bem como o alcance do desenvolvimento sustentável dependem da contribuição da mulher; Preocupados com: ‡2DFHVVROLPLWDGRGDVPXOKHUHVDRVUHFXUVRVSURGXWLYRVHDRÀQDQFLDPHQWR ‡2IUDFRDFHVVRGDVPXOKHUHVj-XVWLoDDQtYHOGDVFRmunidades; ‡$SUHYDOrQFLDGHSUiWLFDVVRFLDLVQRFLYDVTXHGLÀFXO- 5(3Ô%/,&$'(02d$0%,48( 0,1,67e5,2'2*e1(52 &5,$1d$($&d®262&,$/ V CONFERÊNCIA NACIONAL SOBRE MULHER E GÉNERO DECLARAÇÃO tam o desenvolvimento da mulher e perpetuam a discriminação e a violência baseada no género; ‡$YXOQHUDELOLGDGHGDVPXOKHUHVHGDVUDSDULJDVjLQIHFomRGR+,9²6,'$HDUHGXomR do conhecimento sobre os métodos de prevenção desta doença; ‡$SUHYDOrQFLDGHJUDYLGH]HVSUHFRFHVTXHDIHFWDPRGHVHQYROYLPHQWRGDUDSDULJD H ‡$H[LVWrQFLDGHEDUUHLUDVVyFLR FXOWXUDLVTXHSURSLFLDPDVGHVLJXDOGDGHVGHSRGHUH incapacidade das mulheres e raparigas na tomada de decisão, no acesso e utilização dos diferentes serviços sociais básicos. Constatamos o seguinte: ‡$SUHYDOrQFLDGHEDUUHLUDVTXHGLÀFXOWDPDVPXOKHUHVQRDFHVVRDRVPHFDQLVPRVGH ÀQDQFLDPHQWRHFRQWUROHGDWHUUDHRXWURVUHFXUVRVSURGXWLYRV ‡$QHFHVVLGDGHGHDVVHJXUDUR IXQFLRQDPHQWRDGHTXDGRGRV&RQVHOKRV3URYLQFLDLV SDUDR$YDQoRGD0XOKHU GDV8QLGDGHVGH*pQHURQDVLQVWLWXLo}HVS~EOLFDVHSULYDdas a todos os níveis; ‡$QHFHVVLGDGHGHDODUJDUDDVVLVWrQFLDWpFQLFDYLVDQGRRPDLRUDSRLRGDVPXOKHUHVQR negócio e a estruturação e gestão das suas empresas; ‡2UHIRUoRGDSURWHFomRHVHJXUDQoDGDPXOKHUHUDSDULJDQDVHVIHUDVIDPLOLDU FRPXnitária e públicas; e ‡$SDUWLFLSDomRGDVPXOKHUHVQRVyUJmRVGHWRPDGDGHGHFLVmR FRPGHVWDTXHSDUDRV yUJmRVORFDLV FRQWLQXDDLQGDDEDL[RGRV No entanto, reconhecemos com satisfação: ‡$LPSOHPHQWDomRLQVWUXPHQWRVOHJDLV HVWUDWpJLDVHSODQRVTXHSURPRYHPHSURWHgem os direitos da mulher e da rapariga; ‡$UHDOL]DomRGHSURJUDPDVGHHPSRGHUDPHQWRGHPXOKHUHV UDSDULJDVHGDVIDPtOLDV ‡2DODUJDPHQWRGRVVHUYLoRVHFXLGDGRVGHVD~GHSUHYHQWLYRVHFXUDWLYRVEDVHDGRV QRVGLUHLWRVVH[XDLVHUHSURGXWLYRV Presidente Filipe Nyusi acompanhado pela MGCAS - Cidália Chaúque, Governadora da Cidade de Maputo ( Iolanda Cintura) e Bettina Maas em representação das Nações Unidas no País Savana 06-01-2017 17 PUBLICIDADE SOCIEDADE ‡$LQFOXVmRÀQDQFHLUD PRWLYDomRSDUDRFUHVFLPHQWRGDVSHTXHQDVHPpGLDVHPSUHVDV pertencentes e geridas por mulheres; ‡2SDSHOGHVHPSHQKDGRSHODVLQVWLWXLo}HVUHOLJLRVDVQDSURPRomRGDSD] PRUDOL]DomR da sociedade e na valorização e respeito dos direitos da mulher e da rapariga; ‡2VSURJUHVVRVHP WHUPRVGHSDUWLFLSDomRGDVPXOKHUHV QRV yUJmRVHSURFHVVRVGH tomada de decisão a todos os níveis. Por tudo isso, acordamos e recomendamos: 1. Prosseguir com a divulgação da história da emancipação da mulher moçambicana e o seu envolvimento na luta pela independência nacional; 2. Prosseguir com o enaltecimento do papel desempenhado por Samora Machel na valorização da mulher e na promoção da igualdade de género; 5HYHUHSURVVHJXLUFRPDLPSOHPHQWDomRGHOHLV SROtWLFDVHSURJUDPDVTXHSURWHJHP os direitos da mulher; 3URPRYHUDUDWLÀFDomRGHLQVWUXPHQWRVOHJDLVTXHSURWHJHPHSURPRYHPRVGLUHLWRV das mulheres e raparigas; ([SDQGLURDSRLRHDVVLVWrQFLDWpFQLFDjVPXOKHUHVSDUDDLGHQWLÀFDomRGHVROXo}HV PDLVDGHTXDGDVGHÀQDQFLDPHQWRHLPSOHPHQWDomRGHSURMHFWRVGHLQYHVWLPHQWR ([SDQGLUDVDFo}HVGHGLVVHPLQDomRGHFRQKHFLPHQWRVVREUHRVPpWRGRVGHSUHYHQomRHWUDWDPHQWRGR+,9 6,'$ HVSHFLDOPHQWHSDUDPXOKHUHVHUDSDULJDV 7. Alargar os programas de educação da rapariga dotando-a de capacidade de tomada de decisões sobre os VHXVGLUHLWRVVH[XDLVHUHSURGXWLYRVHSURPRYHUDPXdança de mentalidade; (QYROYHUDVHVWUXWXUDVFRPXQLWiULDVQDSURPRomRGD igualdade de género e prevenção dos casamentos prematuros e gravidezes precoces; 5HPRYHUDVEDUUHLUDVVyFLR FXOWXUDLVTXHLPSHGHPD participação efectiva das mulheres em todos os processos políticos e de desenvolvimento social e económico; 5HIRUoDUDVDFo}HVYLVDQGRDLQFOXVmRÀQDQFHLUDGD mulher e o crescimento das pequenas e médias empresas pertencentes e geridas por mulheres; 11. Alargar as acções para assegurar o acesso e retenção das raparigas nos diferentes níveis de ensino, a alfabetização e educação de adultos e formação técnico pro- ÀVVLRQDO 5HIRUoDU DVPHGLGDV SDUD SUHYHQLU H FRPEDWHU RV casamentos prematuros nomeadamente a remoção das SUiWLFDVVRFLDLVQRFLYDV DUHYLVmRGD/HLGD)DPtOLDH adopção de outras medidas legais; 5HDOL]DUDFo}HVGHSUHYHQomRHFRPEDWHDYLROrQFLD contra a mulher, especialmente as mulheres idosas e as PXOKHUHVFRPGHÀFLrQFLD (VWDEHOHFHUXPDSODWDIRUPDGHLQWHUYHQomRKDUPRQL]DGDGDVFRQÀVV}HVUHOLJLRVDVQDSURPRomRGD3D]H dos direitos da mulher e da rapariga; (QYROYHU DV LQVWLWXLo}HV UHOLJLRVDV QD HGXFDomR H preservação de valores morais valorizando o papel da família e os direitos da mulher e da rapariga; 5HIRUoDUDSDUWLFLSDomRGDVPXOKHUHVQRDOFDQFHH manutenção da Paz destacando o seu papel na família e nas comunidades; 0RQLWRUDUDVDFo}HVGDVFRQÀVV}HVUHOLJLRVDVH WRmar medidas para o respeito dos direitos humanos e promoção de práticas sociais positivas; 18. Desenvolver acções que visam aumentar a participação da mulher a todos os níveis com destaque para os órgãos locais; 'LYXOJDUHÀVFDOL]DURVPHFDQLVPRVGRDFHVVRGDV mulheres aos recursos produtivos especialmente à terra; 20. Implementar programas de educação das crianças e jovens sobre a igualdade e a equidade de género; (VWHQGHUHFDSDFLWDURV&RQVHOKRVSDUDR$YDQoRGD 0XOKHUHDV8QLGDGHVGH*pQHURQDVLQVWLWXLo}HVS~EOLcas e privadas a todos os níveis; 'LYXOJDUDVPHWDVGR*pQHURQRV2EMHFWLYRVGH'Hsenvolvimento Sustentável e estabelecer um sistema de SURGXomRGHHVWDWtVWLFDVGHJpQHURÀiYHLV 'HÀQLU H LPSOHPHQWDU PHFDQLVPRV GH PRQLWRULD das estratégias e políticas públicas visando o alcance dos objectivos de desenvolvimento sustentável e a integração do género. A responsabilidade de coordenação da implementação da Declaração é do Ministério do Género, Criança e Acção Social e a sua operacionalização será garantida pelas instituições públicas, organizações da sociedade civil, instituições académicas, instituições religiosas, sector privado e parceiros de cooperação. Presidente da República discursando na abertura da V conferência Parte dos participantes da V Conferência 18 Savana 06-01-2017 OPINIÃO Registado sob número 007/RRA/DNI/93 NUIT: 400109001 Propriedade da Maputo-República de Moçambique KOk NAM Director Emérito Conselho de Administração: Fernando B. de Lima (presidente) e Naita Ussene Direcção, Redacção e Administração: AV. Amílcar Cabral nr.1049 cp 73 Telefones: (+258)21301737,823171100, 843171100 Editor: Fernando Gonçalves editorsav@mediacoop.co.mz Editor Executivo: Franscisco Carmona (francisco.carmona@mediacoop.co.mz) Redacção: Raúl Senda, Abdul Sulemane, Argunaldo Nhampossa, Armando Nhantumbo e Abílio Maolela )RWRJUDÀD Naita Ussene (editor) e Ilec Vilanculos Colaboradores Permanentes: Fernando Manuel, Fernando Lima, António Cabrita, Carlos Serra, Ivone Soares, Luis Guevane, João Mosca, Paulo Mubalo (Desporto). Colaboradores: André Catueira (Manica) Aunício Silva (Nampula) Eugénio Arão (Inhambane) António Munaíta (Zambézia) Maquetização: Auscêncio Machavane e Hermenegildo Timana. Revisão Gervásio Nhalicale Publicidade Benvinda Tamele (823282870) (benvinda.tamele@mediacoop.co.mz) Distribuição: Miguel Bila (824576190 / 840135281) (miguel.bila@mediacoop.co.mz) (incluindo via e-mail e PDF) Fax: +258 21302402 (Redacção) 82 3051790 (Publicidade/Directo) Delegação da Beira Prédio Aruanga, nº 32 – 1º andar, A Telefone: (+258) 825 847050821 savana@mediacoop.co.mz Redacção admc@mediacoop.co.mz Administração www.savana.co.mz EDITORIAL Cartoon O discurso oficial da ditadura angolana atribui o atraso do país à guerra. A guerra foi responsável por uma total devastação, e por isso o país tem demorado muito tempo a erguer-se e a recuperar. Ainda agora o governador do Malange fez eco desse pensamento quando num discurso afirmou: “Agostinho Neto, independência nacional, José Eduardo dos Santos, paz, reconciliação nacional e reconstrução nacional até às bases do desenvolvimento, e João Lourenço, desenvolvimento e prosperidade.” Esta tripla estratificação explicaria por que razão o mandato de José Eduardo dos Santos fora um fiasco para Angola em termos económico-sociais. Tal aconteceu devido ao facto de o ditador-presidente ter estado ocupado com questões de guerra e paz. E já o próprio José Eduardo tinha afirmado, no seu surreal discurso do Estado da Na- ção de Outubro de 2016: “Muitos questionam por que razão não começámos este processo [diversificação da economia] muito antes, mas na verdade ele começou há muito tempo, só que não havia condições objectivas no nosso país para avançarmos mais depressa. Quando terminou a guerra em 2002, Angola e o Cambodja eram os países do mundo que tinham mais minas anti-pessoal e anti-tanque.” José Eduardo usa o argumento da guerra, em particular as minas espalhadas pelo território, para justificar A guerra e o atraso de Angola Por Rui Verde* todo o atraso económico angolano e a dependência do petróleo. Não explica como gastou os mais de US $309 biliões de receitas fiscais derivadas da exportação de petróleo e de poupança líquida do Estado, arrecadados entre 2002 e 2014. Esta teoria pode encontrar eco na propaganda, mas não na realidade. Estamos perto de 2017, a guerra terminou em 2002. Passaram-se, portanto, 15 anos. Façamos um pouco de história comparada. Em 1945, terminou a Segunda Guerra Mundial, com a derrota da Alemanha nazi. A própria Alemanha fora invadida pelos exércitos anglo-americano, de um lado, e russo, do outro. No final, a capital, Berlim, era o rosto da devastação do país. Costuma-se chamar a este ano – 1945 – o ano zero da Alemanha. O país ficou sem nada. “Milhões de metros cúbicos de entulho eram a única coisa que restava das metrópoles alemãs depois do final da Segunda Guerra Mundial.(…) Os bombardeios às cidades alemãs haviam deixado 20 milhões de desabrigados no país. Quatrocentos milhões de metros cúbicos de entulho tinham de ser removidos. Um comparativo para demonstrar a situação: dos 750 mil habitantes de Colónia antes da guerra, haviam restado 40 mil. Quinze anos depois, 1960. A Alemanha Ocidental é dos países mais desenvolvidos e prósperos do mundo. Aconteceu o chamado “milagre económico”. Entre 1952 a 1960, o investimento aumentou 120% e a economia cresceu 80%. Isto quer dizer que, se é verdade que a guerra destruiu a Alemanha, tal não foi razão para que, 15 anos depois, a Alemanha não fosse um dos países mais prósperos do mundo. Foram precisamente os mesmos 15 anos que não serviram para Angola. Dirão que Angola não é a Alemanha. Certo, mas daqui deriva que, se Angola não cresceu e não se tornou um país próspero depois de 2002, não foi por causa da guerra, mas por outros condicionalismos: a má governação, a apropriação da riqueza por uma pequena clique dominante, a corrupção, a falta de educação e a falta de investimento na população. A diferença entre Angola e a Alemanha no pós-guerra é que Angola teve uma classe dirigente não democrática cujo único objectivo foi enriquecer e gozar dos despojos da guerra. Os generais vitoriosos sentiram o direito ao saque. Ganharam a guerra, e agora tudo é deles. Sentiram-se verdadeiros Senhores da Guerra, donos do país, do povo, das riquezas. Essa – e não a própria guerra – é a única razão pela qual Angola não evoluiu depois do conflito. A guerra não pode continuar a servir de alibi para o atraso, a ganância e a corrupção da ditadura angolana que mantém o país na miséria. *makaangola.org Uma conversa telefónica durante a quadra natalícia é tudo o que foi necessário para que o Presidente Nyusi e Afonso Dhlakama concordassem numa trégua de sete dias, que seria prolongada caso tudo corresse conforme o desejado. E os dois homens voltaram a conversar no dia 2 de Janeiro, para nesta ocasião concordarem, mais uma vez, que era necessário prolongar a trégua por mais sessenta dias. Se durante a guerra dos 16 anos a principal dificuldade enfrentada pelo então governo de Joaquim Chissano foi primeiro identificar a verdadeira liderança da Renamo e depois localizá-la, hoje essa tarefa tornou-se mais facilitada, muito graças à evolução das tecnologias de comunicação. Nuysi sabe muito bem onde encontrar Dhlakama, e tem os instrumentos para com ele comunicar, sempre que o quiser. Isto então levanta a questão lógica de que, se os dois se podem comunicar com tamanha facilidade, e pelos vistos se entendem muito bem, o que é que lhes impede de alcançar um entendimento mais global, que de uma vez por todas ponha fim à actual situação de conflitualidade militar no país? Esta pergunta pode ter várias respostas. Mas aquela que parece ser mais justa é que a solução para o actual conflito político e militar ultrapassa a vontade individual dos dois líderes. Nyusi já o disse, publicamente em várias ocasiões, que se tudo dependesse dele e do presidente da Renamo o problema já teria sido resolvido. Isto implica a existência de outros factores ou forças sobre os quais nem Nyusi nem Dhlakama devem ter controlo. Quais são, essa é a pergunta multimilionária. O facto de Nyusi e Dhlakama poderem falar constantemente, trocando cordialidades e irem ao ponto de tomar decisões importantes, aparentemente subalternizando os chefes das suas delegações nas negociações entre as duas partes parece sugerir a existência de dois processos paralelos; um formal, que decorre em Maputo com o envolvimento de mediadores internacionais, e um outro em que os dois titulares discutem as suas ideias e procuram, entre eles, encontrar soluções que poderão eventualmente ser impostas sobre as respectivas delegações como um fait accompli. É uma estratégia que pode produzir resultados, mas que também pode ser arriscada, sobretudo se os entendimentos ao nível da cúpula estiverem a ser feitos à revelia da vontade das chefias militares dos dois lados e, particularmente, no caso do Presidente Nyusi, se os seus contactos informais não estiverem a ser amadurecidos primeiro ao nível do partido Frelimo e do seu elenco governativo. Tem sido dito, e de forma reiterada, que o Presidente Nyusi não está devidamente sincronizado com alguns sectores dentro do seu próprio partido quanto à abordagem que deve ser dada para o alcance de um entendimento com a Renamo. Se é que tal corresponde à verdade, nunca se soube qual é a solução que tais sectores defendem para que se estabeleça no país a tranquilidade e a concórdia que tanto se deseja. Estará Nyusi, de forma consciente e deliberada, a fazer uma jogada de risco próprio para forçar um entendimento, mesmo que para isso tenha de sacrificar o seu futuro na liderança da Frelimo? Do lado da Renamo, a situação é ainda mais enigmática. A sua estrutura de tomada de decisões parece muito centralizada na figura do presidente, e pouco se sabe das dinâmicas internas, especialmente sobre se é Dhlakama quem controla os seus militares ou se são estes que ditam as regras de jogo. Se for este último caso, a questão será sobre até que ponto estarão estes conformados com as decisões anunciadas pelo seu chefe. É a resposta a este conjunto de questões que determinará se o actual estado de tréguas se transformará numa cessação definitiva das hostilidades, ou se o país voltará a resvalar para uma nova vaga de violência pior do que a actual. Mas no meio de toda esta incerteza, será importante saber que garantias Nyusi estará a dar à Renamo para que esta apareça agora inclinada a assumir uma postura mais conciliatória. Os próximos sessenta dias serão, sem dúvida, determinantes para o futuro de Moçambique. Será este um país de paz e reconciliado consigo próprio, ou de uma conflitualidade cíclica que o conduzirá inevitavelmente a assumir o estatuto de mais um estado falhado num continente onde tantos outros abundam. Os sessenta dias que ditarão o futuro de Moçambique Meus companheiros gambianos nada pode me separar do amor pelo poder! Sobre derrota que sofri? Ok, eu menti Savana 06-01-2017 19 OPINIÃO 510 Email: carlosserra_maputo@yahoo.com Portal: http://oficinadesociologia.blogspot.com É grande a preocupação de muitos de nós com a qualidade do ensino no país. Todavia, acontece que esquecemos muitas vezes a qualidade da educação ministrada. Se a qualidade do ensino remete para a didática, a qualidade da educação remete para a ética. São dois fenómenos que não devem ser encarados apenas tecnicamente. Na verdade, uma avaliação da qualidade do ensino e da qualidade da educação no país deve Ensino, educação e síndrome do cobertor curto passar por uma pesquisa de natureza estrutural e histórica que tenha em conta os estatutos e as relações sociais. Porque há uma pergunta que devemos colocar de frente: qualidade de ensino e de educação para quem e para quantos? Se não quisermos responder a essa pergunta, ficaremos sempre reféns da síndrome do cobertor curto: ao taparmos uma parte dos problemas, deixamos outras a descoberto. O quanto as políticas do novo presidente vão aumentar a produção e a inflação é difícil prever. Após anos de hibernação, a economia dos EUA conseguirá se erguer para uma grande retomada nos próximos anos? Com a chegada de um governo republicano empenhado em reformular uma economia já próxima do pleno emprego com as prometidas barreiras comerciais elevando os preços de bens importados competitivos e a independência do Banco Central tendendo a ser atacada, uma inflação mais alta — provavelmente acima dos 3% em alguns momentos — é quase uma certeza. E a produção também poderá surpreender, possivelmente alcançando 4%, pelo menos temporariamente. Impossível? De jeito nenhum. A economia já parece estar crescendo num ritmo de 3% ao ano. E mesmo os mais ferrenhos opositores das políticas económicas do presidente eleito Trump teriam que admitir que elas são consistentemente favoráveis aos negó- cios (com a notável excepção do O boom de Trump? Por Kenneth Rogoff* comércio). Considere-se a regulação. Sob o presidente Barack Obama, a regulação trabalhista cresceu significativamente, sem mencionar um aumento dramático na legislação ambiental. E isso sem considerar a sombra enorme que o Obamacare projecta sobre o sistema de saúde, que sozinho representa 17% da economia. Certamente, não estou dizendo que repelir a regula- ção da era Obama vai melhorar o bem-estar médio dos americanos. Longe disso. Mas as empresas ficarão em êxtase, talvez até mesmo dispostas a investir novamente. O impulso na confiança já é palpável. E há ainda o prospecto de um amplo estímulo, patrocinado por uma elevada expansão dos gastos desnecessários em infra-estrutura (presumivelmente, Trump vai destruir a oposição do Congresso a altos déficits). Desde a crise financeira de 2008, economistas de todos os espectros políticos defenderam aproveitar as taxas de juros extremamente baixas para financiar investimentos em infra-estrutura produtiva, mesmo ao custo de um maior endividamento. Projectos altamente rentáveis se pagam. Bem mais controverso é o plano de Trump de um corte de impostos que beneficia desproporcionalmente os ricos. É verdade, colocar dinheiro nos bolsos dos poupadores ricos dificilmente parece tão efectivo quanto dar dinheiro aos pobres. A concorrente de Trump, Hillary Clinton, de forma memorável fez um trocadilho com o nome de Trump (“Trumped-up trickle-down economics”), referindo-se ao efeito trickle-down (segundo o qual a aplicação de um alívio tributário para os ricos, teoricamente, beneficia toda a economia pois estimula o consumo e os investimentos). Mas, seja como for, corte de impostos pode ser bom para a confiança das empresas. É difícil saber exactamente quanto mais de dívida o programa de estímulo de Trump vai acrescentar, mas estimativas de US$ 5 trilhões em dez anos — um aumento de 25% — não parecem exageradas. Muitos analistas económicos de esquerda, que depois de insistir por oito anos na gestão Obama de que não havia qualquer risco de os EUA se endividarem, agora alertam que o grande endividamento no governo Trump vai asfaltar a rodovia financeira para a destrui- ção. É uma hipocrisia de tirar o fôlego, mesmo que agora estejam mais perto de estarem certos. O quanto as políticas de Trump irão aumentar a produção e a infla- ção é difícil prever. O quanto mais perto a economia americana fica de esgotar sua capacidade, mais inflação haverá. Se a produtividade americana realmente entrou em colapso, como acreditam muitos académicos, estímulos adicionais tenderão a elevar os preços bem mais do que a produção; a demanda não vai induzir nova oferta. Por outro lado, se a economia americana realmente tem grandes quantidades de recursos subutilizados e não empregados, o efeito das políticas de Trump no crescimento poderão ser considerá- veis. No jargão keynesiano, ainda existe um grande multiplicador na política fiscal. É fácil esquecer que a maior parte da recuperação global vem do investimento das empresas, e se ele começar a ocorrer, finalmente, tanto a produção quanto a produtividade poderão começar a crescer de forma aguda. Aqueles que estão muito enredados na ideia de uma “estagnação secular” dirão que maior crescimento sob Trump é quase impossível. Mas se acreditam, como eu, que o crescimento lento dos últimos oito anos se deveu sobretudo ao excesso de endividamento e ao temor da crise de 2008, então não é tão difícil de acreditar que a normalização está bem mais próxima do que pensamos. Afinal, até hoje virtualmente todas as crises financeiras eventualmente chegaram ao fim. Claro, tudo é um olhar optimista sobre a economia de Trump. Se o novo governo se mostrar errático e incompetente (uma possibilidade real), a depressão rapidamente vai sobrepujar a confiança. Mas cuidado com os especialistas que estão certos de que Trump trará uma catástrofe. No dia da eleição, o colunista do “New York Times” Paul Krugman insistiu inequivocamente que uma vitória de Trump levaria ao colapso do mercado de acções, sem qualquer recuperação à vista. Investidores que confiaram em seus insights perderam uma boa quantidade de dinheiro. Ao risco de exagero, é sábio lembrar de que não é necessário ser uma boa pessoa para fazer a economia funcionar. De muitas formas, a Alemanha foi tão bem- -sucedida quanto os EUA em usar programas de estímulos para tirar a economia da Grande Depressão. Sim, tudo isso poderia ter terminado muito mal. O mundo é um lugar perigoso. Se o crescimento global entrar em colapso, a economia americana poderia sofrer severamente. Apesar disso, é bem mais provável que após anos de lenta recuperação, a economia americana possa, enfim, estar pronta para se mover de forma significativamente mais rápida, pelo menos por um período. Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do FMI, é professor de Economia e Política Pública na Universidade de Harvard P ara “caçar os ratos que roubam o dinheiro arduamente ganho pelos pobres” o primeiro-ministro da Índia retirou abruptamente de circula- ção 86,4% das rupias emitidas pelo Banco Central e a conta caiu pesada sobre os desvalidos de sempre. A 30 de Dezembro, ao expirar o prazo anunciado por Narenda Modi a 6 de Novembro para substituição das notas de maior denominação (1.000 rupias e 500 rupias - 14,12 e 7,60 euros), quase 90 por cento deste papel-moeda fora depositado em bancos. O montante retirado de circula- ção é, contudo, inferior ao estimado pelo Governo que admitia, ao obrigar a respeitar regras estritas de depósito para reconversão, eliminar perto de 1/3 do papel-moeda a reconverter. Tais montantes estariam presumivelmente na posse, sem justificação legal, de pessoas ligadas à economia subterrânea, responsáveis por actos de evasão e fraude fiscal, actividades criminosas (incluindo falsificação de moeda) e terroristas. Os proventos ilícitos num país onde, segundo afirma o próprio primeiro-ministro, apenas 2,4 milhões de contribuintes declaram rendimentos superiores a 14 mil euros são, afinal, como seria de esperar, essencialmente convertidos em metais preciosos, bens imobiliários, divisas e activos no estranO sacrifício do pobre Por João Carlos Barradas geiro. A reconversão de 2016 tal como anteriores reconversões bruscas - caso da efectuada ainda sob domí- nio britânico em 1946 (envolvendo 10% das rupias em circulação a trocar em 10 dias) e em 1978 (abarcando 1% da moeda a substituir em três dias) - falhou, portanto, no objectivo declarado por Modi de expropriar os ganhos ilí- citos de “elementos antinacionais e anti-sociais”. A economia informal, que supera 40% do PIB da sexta maior economia mundial e emprega 4/5 da mão-de-obra, segundo a maioria das estimativas, foi, contudo, fortemente prejudicada pela reconversão. O sistema bancário obrigou a longas e improdutivas esperas e passou agruras para responder à procura (nas zonas rurais contam-se 7,8 filiais por 100 mil habitantes), constatando-se a impossibilidade de imprimir em tempo útil número suficiente de novas notas de 500 e 2.000 rupias (uma denominação, por sinal, propícia ao universo ilí- cito segundo a lógica que presidiu a esta iniciativa de Modi). O pequeno comércio registou, consequentemente, perdas superiores a 60%, a construção civil cessou pagamentos, o corte e polimento de diamantes em Surat foi suspenso e o balanço dos 50 dias de convulsão, além dos prejuízos a curto prazo, levou a revisões em baixa quanto ao crescimento do PIB no último trimestre de 2016 para valores na ordem dos 6,5%. O executivo de Modi subestimou os custos da brusca reconversão numa economia em que 98% das transacções de consumo quotidiano envolvem pagamentos em dinheiro vivo e cerca de 40% dos 1,2 mil milhões de indianos não possuem contas bancárias, quando medidas de efeito mais significativo no combate à corrupção e actos ilícitos como a introdução de IVA à escala nacional estão por concretizar. Subsídios para o pagamento de juros sobre empréstimos para pequenas explorações agrícolas e aquisições de primeira habitação de baixo custo contam-se, entretanto, entre as medidas anunciadas por Modi no discurso de Ano Novo para aliviar agruras e preparar o eleitorado que em 2014 concedeu uma maioria aos nacionalistas do Bahratiya Janata para as eleições de 2017. As expectativas não são, apesar de tudo, excessivamente pessimistas pois a oposição não conseguiu apresentar alternativa ao discurso de Modi em defesa do pobre espoliado e caça ao rico predador. As eleições estaduais de 2017, sobretudo a votação em Uttar Pradesh (cerca de 200 milhões de habitantes), selarão o veredicto sobre a reconversão monetária de Modi. Jornalista 20 Savana 06-01-2017 OPINIÃO SACO AZUL Por Luís Guevane T erminados os sete dias de tré- guas, iniciadas a 27 de Dezembro de 2016, temos agora, conforme o que já estava estabelecido, um prolongamento de dois meses. Este pequeno passo é, no fundo, uma grande possibilidade de reencontro cujo conteúdo é a paz, é o entendimento, é a “não-guerra”. Algumas violações e aproveitamentos de oportunistas foram simplesmente a ressaca da instabilidade político-militar que, ainda assim, não tiveram combustão suficiente para deitar abaixo o actual esforço. Assim, a criação de um ambiente de paz (entendido como ausência de hostilidades político-militares) significa, entre outros aspectos, a existência de excelentes condições para a produção e consequente possibilidade de aprovação da lei da descentralizaA vez do “problema” ção. Com este nível de entendimento, concordamos que em algum momento não nos preocupemos em apontar os culpados disto ou daquilo. Entretanto, não é demais que nos ocupemos do “problema”. O que é que esteve na origem do problema que descambou em hostilidades político- -militares? Uma resposta simples e cómoda seria: a democracia. Mas, essa resposta obrigar-nos-ia a enfrentar uma outra pergunta: será que a democracia é que criou este problema de desentendimento entre moçambicanos? Se concordarmos que um dos aspectos da democracia é a livre escolha, pelo cidadão, dos seus representantes, e que nessa escolha o voto é crucial e tem que ser respeitado, então, a fraca clareza num processo eleitoral pode criar, aliás, tem criado convulsões políticas e sociais. Então, somos todos tentados a concordar que a democracia criou problemas de instabilidade político-militar em Moçambique. “Somos tentados” porque a democracia em si não é o problema! A fraude é um empecilho mas surge na sequência do jogo democrático. O problema não está em os partidos terem os seus delegados a fazer o controlo dos votos; está em termos instituições credíveis aos olhos de todos. A credibilidade passa não só por compactuar com elevados níveis de organização mas também pelo entendimento que os respectivos gestores dos órgãos eleitorais têm do conceito “democracia”. Quem não entende minimamente o referido conceito facilmente envereda no xadrez da fraude. A falta de clareza nos resultados eleitorais cria inevitavelmente um forte repúdio. Deste modo, conseguimos tocar no problema sem apontar este e aquele como culpado. Entretanto, estamos mais interessados nas prováveis soluções. Será que os telefonemas entre o Presidente da República e o Líder da Renamo chegaram a acomodar a questão das “províncias da Renamo”? A lei da descentralização conduz a esse aspecto? Cá entre nós: julgamos importante um forte comprometimento das partes na resolução do problema (político e militar) para que não seja mais uma estratégia de se jogar com o factor tempo só para melhorar a imagem do país, reconquistar a confiança do FMI e respirar alguns dólares. Enquanto vamos tirando proveito das tréguas militares, os trabalhos da auditoria internacional prometem trazer, nos próximos meses, alguns ganhos para o país. Os finais do mês de Fevereiro e primeira quinzena de Março poderão vir a ser muito promissores em termos de notícias e debates. N yusi e Dhlakama gostam muito um do outro. Tanto que cada um deles esteve desejoso, até mesmo ansioso de fazer qualquer sacrifício que fosse necessário para oferecer ao outro uma prenda de grande valor como prova suprema do amor que nutrem um pelo outro. A trégua (pausa!) nos combates por ocasião do Fim de Ano não poderia ser melhor coisa! Mas tinha que ser uma trégua com alguns atritos, para a receita funcionar bem. Ora vejamos a seguir como tudo acontece. Primeiro é preciso notar que nós os outros somos considerados beneficiários secundá- rios pelos beligerantes, mas de grande valor para que os dois beneficiários primários (os beligerantes) disfrutem do benefício que pode resultar de tal transação. Na realidade espera-se que nós (os secundários) desempenhemos um papel na mudança do equilíbrio de forças. Segundo, (e em com sequência do primeiro aspecto) ato de oferecer a trégua tem mais valor para quem o fizer (ou parecer que o fez). Por exemplo, pode-se supor que quem oferecer a pausa nas hostilidades terá maior apoio dos beneficiários secundários (nós os outros) que o passariam a considerar humanista. Representamos isto na figura em anexo a este texto, onde damos benefício de valor 2 a quem oferece a pausa. Aceitar a pausa também tem benefícios, embora não comensuráveis aos derivados do acto de oferecer. Por isso damos valor 1 ao benefício resultante desse acto de aceitar a pausa. O ponto de partida é o quadrante B (FogoFogo), no qual as bases de apoio a qualquer um dos beligerantes se vão corroendo pois todos os moçambicanos (simpatizantes ou não da FRELIMO ou da RENAMO) querem o fim das hostilidades militares e os beligerantes nada ganham em obstinarem nos combates armados. Por outro lado, existe um ‘núcleo duro’ em cada uma das organizações que não está a favor da Pausa (ou do fim da guerra), e que solidificaria o seu apoio ao seu partido se continuasse a fazer fogo mesmo na Tréguas, prolongamentos e a falta de credibilidade dos actores Por Roberto Tibana* presença de uma oferta unilateral de pausa feita pela outra parte. Para nós os beneficiários secundários, o preferível é o quadrante D (PausaPausa, ou Pausa por ambas as partes). Mas será que pela sua natureza FRELIMO e RENAMO podem ir direto para o Quadrante D (isto é de FogoFogo para PausaPausa?). Suponha que Nyusi decide fazer Pausa. Dhlakama tem duas respostas possíveis. Faz também pausa, mas neste caso nenhum deles capturou totalmente para si a presa pela qual lutam e ainda as pessoas perguntam porquê pausa e não FIM de toda a insanidade? Outra possibilidade é Dhlakama rejeitar ou violar a Pausa. Neste caso a FRELIMO ganha mais simpatia, mas também Dhlakama granjeia um pouco mais de simpatia por parte do seu núcleo duro. O reverso também se aplica. Se Dhlakama faz pausa e Nyusi viola (continua a combater mesmo que esporadicamente), Dhlakama ganha pontos na sociedade mas Nyusi também granjeia mais apoio do núcleo duro da FRELIMO. O mais curioso de tudo isto é que convém a quem oferecer a pausa que a outra parte a recuse ou viole. E equivalentemente pelas razões já indicadas existe também um incentivo para a outra parte recusar ou violar a pausa. Deixados a si sós, é pouco provável que estes dois convivam no PausaPausa (quadrante D). Nós não sabemos exactamente o que se passou antes e após a divulgação da trégua (quem pôs a oferta na mesa?). Mas isso é imaterial neste momento. Se seguirmos a lógica do jogo descrito acima, pelos pronunciamentos de Dhlakama (que ganham credibilidade por não serem desmentidos pelo Governo), parece que nos dias da trégua estava-se no quadrante A (Pausa pela RENAMO e fogo ou movimentos de violação por parte da FRELIMO). Mas não nos esqueçamos que os dois se gostam. O próprio Dhlakama menciona os incidentes violação não como assunto de grande importância e por isso não sai do jogo. Antes pelo contrário. Entra para o seu prolongamento. Mas existem vários motivos para se pensar que no prolongamento a outra parte possa tentar usar “a sua vez” violar enquanto o outro mantém a pausa (um exemplo: para “salvar a honra”). Sendo assim, o mais provável é que nos próximos meses vamos assistir a deslocamentos intermitentes entre os quadrantes A (FogoPausa) e C (PausaFogo). Neste último quadrante (o C) Nyusi vai manter a Pausa e a Dhlakama vai violá-la. Acontece porém que de uma pausa com violações as partes por si só não podem saltar para D (PausaPausa). Ou elas voltam para B (FogoFogo) ou invertem as posições de novo para A (FogoPausa). Isto já vimos que convém aos dois beligerantes (sem respeito pelos interesses dos “beneficiários secundários”). Mais: é que enquanto Nyusi prefere o Quadrante C Dhlakama prefere o quadrante A. É este conflito de interesses que faz com que não tenhamos a certeza do que se passou: quem foi que ofereceu a pausa? Note que interessa a parte que oferece a trégua que a outra a viole, pois só em face de um oponente que se recusa (ou viola) a trégua é que a oferta tem o valor político esperado. Assim, na minha maneira de ver (pelo menos com a informação disponível) ainda vamos assistir a mais FogoPausa e pausaFogo. E a intensidade de tudo isto vai ser calibrada de maneira sincronizada com o andar das negociações entre as duas partes durantes os dois meses de ´trégua”. Tanto mais que nem sequer observadores ou testemunhas independentes existem para verificar, certificar e garantir o que estão a fazer. É como os generais que têm medo de destruir as pontes atrás! O seu cometimento na batalha final pela paz não é credível. Se quiserem ser credíveis deviam já declarar um fim definitivo de hostilidades militares e convocar a Conferência Nacional Sobre a Paz, Reconciliação e Desenvolvimento onde todos os assuntos sejam dirimidos com a participação de TODOS. Não só de “seus” especialistas, e sem a chantagem das armas. *Texto retirado da página do autor no facebook Savana 06-01-2017 21 PUBLICIDADE 22 Savana 06-01-2017 DESPORTO 2 016 fica na história como um “ano adverso e difícil”, como referiu o Presidente da República, Filipe Nyusi, no seu informe à nação, em Dezembro último. A crise financeira, provocada por uma conjugação de factores, com destaque para a retirada do financiamento externo ao Orçamento do Estado, devido à descoberta de dívidas escondidas (USD 1.4 mil milhões) e a seca, que afectou a zona sul; e a crise político- -militar são apontadas como responsáveis pelo mau ano. A “adversidade” deste ano bissexto, que deixamo-lo há seis dias, fez-se sentir no desporto, onde, por um lado, mais da metade dos clubes tiveram dificuldades de honrarem com os seus compromissos, levando alguns atletas a faltarem aos treinos e jogos do primeiro escalão do nosso futebol. Por outro lado, apesar do país ter participado em vários eventos desportivos (exemplo dos Jogos Olímpicos, Paralímpicos, CAN e Mundial de Futsal, etc.), os mesmos não produziram resultados satisfató- rios, excepto a medalha de bronze dos Jogos Paralímpicos e do título africano de Vela. Nesta edição, partilhamos, com os nossos leitores, os momentos que marcaram o ano de 2016, que na sua maioria foram negativos que positivos, destacando o desabamento do muro da Piscina Olímpica do Zimpeto e as mortes de Frederico dos Santos, Joaquim João, Samuel Chirindza e Ferreira Garincha. Janeiro -Passavam 25 dias do novo ano (2016), quando o Presidente da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), Alberto Simango Jr., anunciou, em conferência de imprensa, a contratação de Abel Luís da Silva Costa Xavier, como seleccionador nacional de futebol, uma decisão muito criticada, devido à sua fraca experiência. O facto é que, até à data da sua contratação, o curriculum vitae do luso-moçambicano apontava, como treinador, a sua passagem por três clubes portugueses sem maior expressão, nomeadamente, OlhanenDo desastre do Zimpeto ao bronze paralímpico Retrospectiva-2016 Por Abílio Maolela se, Farense e Desportivo de Chaves, onde também não conseguiu cumprir com os seus contratos. Esta contratação aparecia como um “golpe duro” à nação futebolística, muito pelo facto de a FMF ter rejeitado a continuidade do croata Boris Pucic que, em dois jogos, devolveu a confiança ao país, ao forçar o desempate por penáltis, no Jogo de Qualificação ao Mundial de 2018. Fevereiro -Este mês é marcado pelo anúncio e aprovação, em Assembleia-Geral, do regresso da II Liga de Futebol, uma competição que trouxe mais problemas que competitividade, uma vez que alguns clubes abandonaram-na, antes do início, devido à problemas financeiros. Aliás, a decisão foi mais política que desportiva, pois, faz parte do manifesto eleitoral da actual direcção, porém, sem sustentabilidade. Durante a AG, o Presidente da FMF prometeu apoiar os clubes em algumas despesas, algo que não se concretizou e criou embaraços no desfecho da prova, como foi o caso da zona norte, onde o Benfica de Nampula desistiu nas últimas jornadas. -O segundo mês do ano termina com a triste notícia da morte do Treinador do Tubarões de Maputo e Seleccionador Nacional de Nata- ção, Frederico dos Santos, vítima do desabamento de uma das paredes da Piscina Olímpica do Zimpeto. O incidente, que ocorreu na tarde- -noite de 20 de Fevereiro, após as primeiras jornadas do campeonato da Cidade de Maputo, deixou a nu a negligência e falta de rigor na construção e fiscalização de obras públicas, assim como as negociatas que imperam na contratação de empreitadas públicas. Aliás, além de Frederico dos Santos, a parede feriu mais oito pessoas, das quais o nadador Denílson da Costa, que viu o seu percurso ao Rio de Janeiro interrompido. Março -Como sempre, o mês de Março marca o arranque do campeonato nacional de futebol, que, em 2016, teve a particularidade de contar, pela primeira vez, com 16 equipas, mas também pelo regresso das faltas de comparências, tendo o Desportivo do Niassa como o protagonista e a face mais visível da crise económica que abalou os clubes; -Outro evento de realce foi a reforma estrutural levada a cabo pelo Ministro da Juventude e Desportos, Alberto Nkutumula, no pelouro do Desporto, exonerando, numa sentada, Amélia Cabral, Inácio Bernardo e António Munguambe, dos cargos de Directores Nacional do Desporto, do Fundo de Promoção Desportiva e do Instituto Nacional do Desporto, respectivamente; -Destacar também a mais uma eliminação precoce das equipas mo- çambicanas, nas competições africanas. O Ferroviário de Maputo (na Liga dos Campeões) pelo AS Vita, da República Democrática do Congo, enquanto a Liga Desportiva de Maputo (Taça CAF) sucumbiu diante do Sagrada Esperança, de Angola. Abril -O quarto mês do ano é marcado por dois momentos díspares. O primeiro e mais triste foi a morte, vítima de doença, de Joaquim João Fernandes, antigo capitão do Ferroviário de Maputo e da selecção nacional de futebol. O desaparecimento físico do “homem elástico” representou também a partida de mais um craque sem o devido reconhecimento. -Enquanto que o segundo e mais alegre foi a qualificação da selecção nacional de futsal para o Campeonato do Mundo da modalidade, após terminar em terceiro lugar, no campeonato africano. Junho -O mês da independência nacional começa com os sócios do Maxaquene a demitirem, em Assembleia- -Geral, a direcção liderada por Ernesto Manhiça Jr. e convocarem eleições antecipadas; -Seguiu-se a morte do primeiro árbitro-FIFA, José Ferreira Garrincha, vítima de doença. À data dos factos, Garrincha era Presidente da Comissão Nacional de Árbitros de Futebol; -O mês termina com mais uma notícia triste, que foi a morte, vítima de doença, do árbitro internacional Samuel Chirindza, o porta-estandarte desta classe, nos últimos anos. Julho -Neste mês, há registo para a recondução de Nicolau Manjate à presidência da Federação Moçambicana de Patinagem, num processo que durou quatro meses, tendo o ex- -vice-Ministro da Juventude e Desportos, Carlos de Souza, o maior protagonista, ao ter apresentado a sua candidatura no dia das eleições (em Março, facto que levou o escrutínio a ser adiado por várias vezes) e desistido um dia antes das eleições, em Julho; -Também foi neste mês em que Má- rio Coluna tornou-se, a título póstumo, no segundo Doutor Honoris Causa, em Ciências do Desporto, no país, depois da Lurdes Mutola. O grau foi concedido pela Faculdade de Educação Física e Desportos, da Universidade Pedagógica, como “demonstração de vénia à sua figura”, à semelhança do que era feito pelos adversários; -Registo também para a recondução de Ernesto Júnior e sua equipa, no Maxaquene, até ao fim do mandato. Agosto -Para o mês de Agosto, dois factos apenas mereceram maior registo. O primeiro foi a participação de Mo- çambique nos Jogos Olímpicos, realizados no Rio Janeiro, onde o nosso país voltou a bater mais um record: o da delegação com maior número de dirigentes. -O segundo é a homenagem, pela FMF, a Augusto Matine pela sua entrega, dedicação e profissionalismo na formação de jogadores. Setembro -O mês de Setembro marca a estreia do nosso país no mundial de futsal, realizado na Colômbia, tendo regressado com três derrotas, em igual número de jogos; -Também foi neste mês em que Moçambique regressou ao pódio olímpico, com Edmilsa Governo a conquistar a medalha de bronze, nos Jogos Paralímpicos, ao terminar a final dos 400 metros T-12, na terceira posição, em 53,89 segundos. Esta foi a maior conquista nacional do ano findo, visto que Moçambique não subia ao pódio olímpico, desde 2000, quando Lurdes Mutola venceu a medalha de ouro, nos Jogos Olímpicos de Sydney, na Austrália. Outubro -Neste mês, o registo vai para a conquista, pela Liga Desportiva de Maputo, da primeira Taça da Liga, vencendo o Maxaquene, na final, por 3-0. Novembro -O mês que marca o encerramento da época futebolística testemunhou as conquistas inéditas do campeonato nacional de futebol e da Taça de Moçambique, pelo Ferroviário da Beira e União Desportiva de Songo, respectivamente; -Também foi neste mês que o ex- -treinador da UDS, Artur Semedo, acusou os irmãos Sidat (Shafee e Rafik) de ditarem os campeões no país. Dezembro -No último mês do ano, a equipa feminina de basquetebol do Ferroviário de Maputo viu o Inter Clube, de Angola, a conquistar a Taça dos Clubes Campeões de África, realizados em Maputo; -Ainda neste mês, Domingos Langa regressou à Federação Mo- çambicana de Xadrez, ao ser eleito presidente, depois de, à última da hora, ter sido “forçado” a desistir de concorrer ao cargo de presidente da direcção do Maxaquene; -Registo também para a conquista do Campeonato Africano de Vela, com Maria Mabjaia e Deisy Nhaquila; -Por fim, o ano termina com a permanência de Shafee Sidat na presidência da Federação Moçambicana de Atletismo, ao adiar as eleição dos novos órgãos sociais, alegando falta de estatutos da Federação e das Associações Provinciais, facto que torna todas as instituições ilegais. O intrigante é que Shafee Sidat tornou-se presidente nas mesmas condições e, nos seus quatro anos, apenas se preocupou em construir edifícios das Associações Provinciais que legalizá-las. A queda do muro do Zimpeto foi o momento mais negro de 2016 O bronze paralímpico constitui o momento mais alegre do ano desportivo Savana 06-01-2017 23 DESPORTO DESPORTO ALUGA-SE Aluga-se, a partir de 02 de Janeiro GH ÁDW7 GXSOH[ F :& na Av. 24 de Julho à Polana (predio =LWDPDU 6XSHUPHUFDGR/0 Contacto: 82-730-7430 É já no dia 12 de Fevereiro, que arranca mais uma edição do campeonato nacional de futebol, segundo garantiu o órgão gestor da modalidade (Liga Moçambicana de Futebol). Assim, com o sorteio e calendário definidos, os clubes começam a arrumar as suas casas, para fazerem melhor que a época passada e, nesta semana, 13 clubes abriram, oficialmente, as suas épocas futebolísticas, tendo se dedicado à apresentação dos seus planteis, assim como aos habituais exames médicos. Ferroviário de Maputo, União Desportiva do Songo e Maxaquene são alguns dos clubes que abriram as suas oficinas, tendo se juntando as já abertas do Ferrovi- ário da Beira e da Liga Desportiva de Maputo. Dos 16 clubes que farão parte do Moçambola-2017, apenas o Costa do Sol ainda não abriu as portas, tendo programado fazê-lo, na pró- xima semana. Se o “canário” ainda não trabalha, dos que começaram, apenas os Ferroviários da Beira e de Maputo apresentaram os seus planteis, com a particularidade dos “locomotivas” de Maputo terem refrescado a sua equipa técnica, com a contratação de Lucas Bararijo, ex-treinador do Clube de Chibuto, para o comando técnico. Bararijo, que substitui Carlos Manuel no cargo, chega aos “locomotivas” da capital do país com a missão de conquistar todas as competições oficiais (Moçambola, Taça de Moçambique e Taça da Liga), mas com particular destaque para o campeonato nacional. Para alcançar esse objectivo, o antigo treinador do Ferroviário da Beira tem, por um lado, à sua disposição, 30 jogadores, destacando- -se o veterano Luís, os internacionais Edmilson, Diogo, Jeitoso, Chico, Germano, César Machava; e os reforços Sidique (ex-Desportivo de Maputo) e Avelino (ex-Liga Desportiva de Maputo). Por outro lado, conta com a ajuda da direcção do clube que promete criar todas as condições para que a equipa consiga os seus objectivos. Com o Moçambola-2017 à porta Clubes afinam máquinas Por Abílio Maolela Para trás, o vencedor de duas Taças de Moçambique pelo Ferroviário da Beira deixa o Clube Chibuto e nega falar das razões da sua saída, justificando que “a vida de treinador é esta. Não temos casa própria porque estamos sempre à procura de um sítio para trabalhar”. Diferentemente dos outros anos, onde a pré-epoca locomotiva tem sido feita fora da capital moçambicana, desta vez, a mesma será feita em Maputo, estando em negocia- ção um torneio entre os Clubes Ferroviários, a ser realizado na Cidade da Beira. Entretanto... Se os Ferroviários de Maputo, da Beira e a Liga Desportiva de Maputo têm os planteis quase definidos, o mesmo não se pode dizer do Maxaquene que, depois de perder a sua espinha dorsal, vê-se obrigado a constituir o plantel com jogadores da formação. Antoninho Muchanga foi o escolhido para dirigir uma equipa que da noite para o dia vai lutar pela manutenção que pelo título. Dos novos membros da LMF (UP de Lichinga, Associação Desportiva de Macuácuá e Textáfrica de Chimoio) são escassas as novidades, sabendo-se apenas que o Textáfrica mantém Abdul Omar, no comando técnico; e a Universidade Pedagógica foi buscar Vítor Matine, que na época passada era adjunto de Carlos Manuel, nos “locomotivas” da capital. de Artur Semedo ter conquistado a primeira Taça de Moçambique, que valeu a presença daquela equipa na Taça Nelson Mandela. Para alcançar os objectivos propostos pela direcção de José Costa, o antigo capitão dos “Mambas” conta com a ajuda de Victor Mayamba, ex-treinador do Desportivo do Niassa e dos atletas Cley (ex- -Estrela Vermelha), Mayunda e Mário Sinamunda (ex-Liga Desportiva de Maputo) e Gildo (ex- -Ferroviário da Beira). Em Gaza, o Clube de Chibuto já se encontra no terreno, porém, ainda sem o seu treinador principal, que só chega este fim-de-semana ido de Portugal, terra onde há dois anos, Junneid Lalgy e sua companhia foram buscar João Eusébio, que seria despedido após duas jornadas. Referir que o Moçambola arranca no dia 12 de Fevereiro, com dois derbies na agenda: Costa do Sol- -Liga e Maxquene-Ferroviário de Maputo. Enquanto isso, no Songo, Chiquinho Conde foi solicitado para levar a equipa local à conquista das três principais provas nacionais, depois Este é o plantel com o qual o Ferroviário de Maputo almeja conquistar o seu 11º campeonato nacional 24 Savana 06-01-2017 CULTURA Um grupo de jovens executantes da música tradicional moçambicana, residentes no bairro do Chamanculo, em Maputo, tomaram a iniciativa de promover actividades musicais no seu bairro. “Depois de muitos anos a executarmos a música e dança tradicional moçambicana, decidimos criar um espaço que todos fins- -de-semana promovesse música para os residentes do bairro. Logo sentimos que a iniciativa foi bem apadrinhada pelos artistas mais velhos que residem aqui no bairro”, explica Inácio Cossa, promotor da iniciativa. A iniciativa surgiu de várias conversas entre os integrantes do colectivo. “Já tínhamos essa ideia há bastante tempo. O que dificultava era a falPromovendo música no Chamanculo ta de espaço. Agora que temos este pequeno espaço arrancamos. Com tempo vamos procurar melhorar o lugar. As entidades do bairro sempre mostraram querer ajudar, mas a falta de lugar dificultava o início do projecto. Anteriormente tocávamos no passeio e víamos que os residentes aderiam em massa. Isso fez com que reflectíssemos para a procura de lugar. Agora queremos levar o projecto avante. Pretendemos que eSUHFLVRLPSXOVLRQDUDFWLYLGDGHVFXOWXUDLVQRVEDLUURV DÀUPD,QiFLR&RVVD N este início do ano, os artistas esperam ter muitas actividades por realizar, comparado ao ano passado. “Neste ano que está a iniciar esperamos ter mais trabalhos comparativamente ao ano passado. Sabemos que a situação da tensão político-militar que vivemos fez com que muitos artistas ficassem limitados de realizar as suas actividades em outros pontos do país. Esperamos que a recente cessação das hostilidades seja o início rumo a uma paz definitiva. E com isso termos mais campo de manobra para realizar o nosso trabalho como sempre fizemos”, disse o Saxofonista Matchote. Os trabalhos dos artistas não se restringem apenas à capital. “Temos várias províncias onde normalmente temos apresentado os nossos trabalhos e, se ficamos no mesmo lugar, fica difícil encontrar um lugar para apresentar os nossos Artistas esperam mais actividades em 2017 concertos”, lamenta o guitarrista Juma. Para os artistas plásticos, a escassez de galerias e a dificuldade de viajar para outros pontos faz com que não tenham espaço para vender os seus quadros. “Não temos muitas galerias para apresentar os nossos trabalhos. Os artistas plásticos não param de pintar e ficam com muitos quadros sem conseguir vender. Noutros tempos tínhamos a possibilidade de vender noutros pontos do país. Mas agora, com as hostilidades, dificilmente temos viajado. Aguardamos com muita ansiedade que a paz volte para que todos mo- çambicanos desempenhem as suas tarefas com facilidade”, apela o artista plástico Walter Zand. Mesmo os artistas consagrados têm dificuldades de apresentar e vender os seus trabalhos. “Se fizermos uma análise das exposições dos artistas consagrados no ano passado, contam-se aos dedos os artistas que realizaram uma exposição das suas obras. No caso dos artistas mais jovens fica ainda mais difícil. O cenário que vivemos no ano passado não ajudou nenhum moçambicano que viva do seu suor, principalmente os artistas. As artes e cultura quase que nao se fizeram sentir e temos esperança que as coisas mudem este ano. Necessitamos da paz para mostrarmos os nossos trabalhos aos que apreciam. Quem gosta dos nossos trabalhos não apenas vive no nosso bairro ou na nossa província, mas sim em todo o Moçambique. Como vamos chegar aos locais de maior concentração de turistas com este cenário de guerra que vivemos no país”, questiona o artista plástico Noel Langa. Os artistas que têm suas galerias também sentiram a falta de visitantes porque não tem sido fácil chegar. “Por exemplo, os turistas que têm visitado as nossas galerias deixaram de vir desde que ouviram que o nosso país está numa situa- ção de guerra. Quem viaja para um país que está a viver hostilidades militares”, questiona o decano das artes plásticas moçambicanas. A esperança de que o presente ano seja de mudança para a tranquilidade alimenta a alma dos artistas. “Esperamos que as partes envolvidas tenham sensibilidade e que criem condições para que o país volte a estar em paz. Com o ambiente de paz, os aristas e a população em geral vão poder realizar as suas actividades em prol do desenvolvimento”, finaliza o artista. A.S Artistas esperam que o ano de 2017 seja melhor em eventos culturais A banda Hodi e o músico Waca Sitoe vão partilhar o palco do espaço artístico Xima, esta sexta-feira, 6 de Janeiro de 2017, a partir das 22:00horas, na cidade de Maputo. O concerto do Xima vai marcar o início da temporada 2017 da banda Hodi, com presença do Músico Felix Waca Sitoe. A colaboração entre a banda Hodi e Waca Sitoe iniciou há sensivelmente seis meses e vários concertos foram realizados. “Este concerto vai dar o pontapé de saída das actividades do nosso projecto. Temos muitos concertos agendados para este ano e esperamos que se concretizem. Estamos preparados para cumprir com o nosso prograBanda Hodi actua no Xima ma deste ano”, disse Elias Manhiça. Este espectáculo vai acontecer num ano em que a banda Hodi prepara- -se para participar pela terceira vez pautar por esta via para que a sociedade tenha referências e desenvolva nas suas vidas como indivíduos integrantes de uma sociedade”, destaca o músico. O artista espera que os amantes da música jovem moçambicana adiram em massa para partilhar o momento. “Sabemos que estamos no iní- cio do ano e as preocupações em termos de organização das tarefas são muitas, mas esperamos que se façam presente no local para disfrutar deste momento musical que estamos a proporcionar. E que sirva também do seu início em termos de participações em eventos culturais realizados neste local em particular e noutros pontos do país no geral”, remata. A.S Banda Hodi actua nesta sexta-feira no Festival Afro Swing, um evento internacional que irá decorrer em Março, realizado pela Associação Hodi. “Este e outros concertos que vamos realizar vão servir para nos aprimorar para participar nos festivais a que a nossa banda foi convidada. Servirão igualmente para mostrarmos ao público amante da música moçambicana o trabalho que temos realizado nos últimos tempos”, frisa Manhiça. No concerto serão apresentados temas como Muzondi, Tsombene, Nhanda ya Wansati e outros que fazem parte do repertório de Felix. E os temas: Sida, Chimeli, Minsinha, dentre outros pertencentes à banda Hodi. “Vamos levar para este concerto temas que retratam situações que acontecem na nossa sociedade. Somos uma banda que pauta por temas que sensibilizam a sociedade. Acho que os artistas devem sempre também no nosso bairro tenha um lugar de referência em termos de música”, afirma Inácio Cossa. Promover todo o tipo de arte e cultura que se faz no bairro é um dos principais objectivos. “Sabemos que aqui no bairro existem muitos fazedores de arte e cultura. Queremos que esses todos artistas exibam os seus trabalhos aqui. Temos artistas plásticos, grandes músicos conhecidos a nível nacional e internacional. Se tivermos todos esses artistas como impulsionadores deste lugar, acreditamos que vamos fazer o nosso papel em termos de promoção da cultura moçambicana no bairro e quem sabe tornar este local como uma referência cultural da capital”, frisa Cossa. Para os artistas do bairro do Chamanculo, é de louvar a iniciativa dos jovens artistas. “Agradou saber que os jovens artistas residentes daqui do nosso bairro tiveram essa iniciativa de criar um local onde proporcionam música ao vivo. Isso vai incentivar de alguma forma aos mais novos a singrarem pela arte e deixarem de se envolver em actos de má conduta”, frisa Jimmy Dludlu. Na mesma ocasião, o pianista Vali referiu que a iniciativa vai ajudar na mudança de imagem negativa a que o bairro é conotado. “Muitas pessoas, quando falam deste bairro, conotam a uma zona perigosa e sem segurança. E esta iniciativa vai ajudar a mostrar que o que muitas vezes é dito sobre o bairro não é verdade. Em todo o lado existem problemas. E esses jovens estão a mostrar, mesmo com os problemas que existem, que procuram inverter essa imagem não muito saudável do bairro”, finaliza. A.S Dobra por aqui SUPLEMENTO HUMORÍSTICO DO SAVANA Nº 1200 ‡ DE JANEIRO DE 2017 2 Savana 06-01-2017 SUPLEMENTO Savana 06-01-2017 3 37',È>-2,37()637È6-3)-7%96% ...e no Japão, só porque faltou a luz durante 20 minutos, o ministro da tutela, convocou a imprensa e em sinal de penitência e respeito pelos cidadãos, manteve-se nesta posição o tempo em que a luz faltou. Por cá, o nosso ministro já andaria marreco. Savana 06-01-2017 27 OPINIÃO Abdul Sulemane (Texto) Ilec Vilanculo (Fotos) A festa de passagem de ano foi comemorada de forma tranquila. Mesmo com a crise, as famílias procuraram a todo o custo ter o mínimo para a festa de transição. Com um bocado juntaram os membros das suas famílias para comemorar. No meio dessas comemorações, foi normal ver nas ruas, nas casas e outros lugares as pessoas a divertirem-se. No meio dessas comemorações, houve ainda pessoas que, de alguma forma, não sabemos se foi por causa do ambiente festivo ou por terem consumido algumas bebidas alcoólicas, já não tinham tempo para depositar os recipientes dos conteúdos consumidos. Reparem nesta primeira imagem. A quantidade de garrafas de vidro e latas no chão deixa os mais sensíveis preocupados. São essas garrafas de vidros e latas que, por qualquer descuido, podiam ferir qualquer um que se encontrava nesta rua a festejar. Apelamos a todos para evitar deixar garrafas de vidro no chão. Tenham a cultura de depositar nos locais próprios para o bem de todos. Os ambientes festivos foram diversificados. Outros estiveram dentro dos seus quintais e aproveitaram o espaço disponível como pista de dança. Cada um exibia os seus passos de dança da melhor forma possível. A segurança dos membros da nossa família sempre foi fundamental, principalmente nestes momentos de festa onde a euforia contagia a todos. Outros preferiram um ambiente mais tranquilo. Mesmo no quintal ou dentro de casa festejaram. Reparem como esta família se encontra tranquila junto à mesa, nem parece que estão numa festividade. Isso para dizer que festa não se deve conotar com agitação. No ambiente de festa existem vários momentos. Existem aqueles em que passamos a refeição todos juntos. Vamos nos divertido até que chegue aquele momento em que se dá a transição para o outro ano. E quando isso acontece paramos todos e organizamos as bebidas e fazemos o brinde pela passagem para outro ano. Foi o que aconteceu com esta família na quarta imagem. E estas outras pessoas que se encontram na áltima imagem tiveram tempo para fazer a pose para foto que marca o brinde da passagem para o 2017. Esperamos sempre que o novo ano seja melhor comparado ao anterior. Isso desejamos todos. Mesmo que seja de uma forma inconsciente. Então, de forma consciente, a equipa do jornal SAVANA deseja a todos os moçambicanos um próspero 2017 e que tenhamos a oportunidade de sermos brindados com o retorno de uma paz efectiva. Muita saúde e concretização do que mais almejamos. Se não conseguirmos, pelo menos, dar um passo para alcançar o desejado. Sãos os nossos votos. Rescaldando as festas IMAGEM DA SEMANA À HORA DO FECHO www.savana.co.mz l5 5 ( #,)5 5hfgl5R5 5 5R5 o 1200 Diz-se... Diz-se Foto: Ilec Vilanculos A Autoridade Tributária de Moçambique (AT) anunciou, na passada sexta- -feira, que durante o ano fiscal de 2016 arrecadou 173 mil milhões de meticais na cobrança de impostos. Esta cifra supera a meta de 165 mil milhões estabelecida no quando da aprovação do orçamento rectificativo em Agosto do ano findo, como consequência da suspensão do apoio financeiro pelos parceiros, devido à descoberta das dívidas ocultas. 2016 é o primeiro ano em cheio 5 'ï&# 5 %" , 65 *)#-5 5. ,5 -/ -.#./ù )65 '5 . 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Esta afirmação foi feita por Letícia Klemens, Ministra do Recursos Minerais e Energia, quando falava durante a visita que efectuou, Letícia Klemens na ENH recentemente, à Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), braço comercial do Governo nos projectos de petróleo e gás. Klemens, que se fazia acompanhar pelo seu vice Augusto de Sousa Fernando e seus assessores, Afonso Mabica, Fátima Momade e Ilídio Bambo, acrescentou ainda a necessidade de as futuras instalações de habitação, hotelaria, hospitais entre outras estarem preparadas para acomodar a canalização de gás natural por forma a, com o aumento do acesso ao gás, facilitar as ligações. A governante, que fez a visita no âmbito das visitas que tem estado a efectuar às intuições de tutela, considerou igualmente importante o facto de se estabelecerem acordos com os municí- pios e outras partes interessadas. É a primeira visita de Klemens à ENH após a sua nomeação em substituição de Pedro Couto, que foi despachado para dirigir a HCB. Por sua vez, Omar Mithá, PCA da ENH, adiantou o facto de a empresa colocar o País em primeiro lugar, pelo que a companhia que dirige está a trabalhar no sentido de conduzir Moçambique para um desenvolvimento sustentável através da monetização sustentável dos recursos, acréscimo do valor dentro do País, fortalecimento da matriz energética, redução de assimetrias regionais e participação da comunidade através do emprego, de prestação de serviços, entre outras. Savana 06-01-2017 EVENTOS 2 O Millennium bim e o Instituto Superior de Artes e Cultura (ISARC) desenvolveram, recentemente, um projecto de decoração e pintura de diversos caixotes do lixo colocados em zonas movimentadas da Cidade de Maputo. Esta iniciativa é a continuidade do projecto realizado o ano passado pelo Millennium bim em que foram oferecidos à FEIMA – Feira de Artesanato, Flores e Gastronomia de Maputo, 18 caixotes do lixo pintados por vários artistas. O objectivo é incutir na comunidade em geral o espírito de responsabilidade ambiental, dando destaque ao caixote do lixo como instrumento essencial para a preservação do ambiente, para além de contribuir para que Maputo se torne numa cidade mais Millennium bim valoriza caixotes de lixo na Cidade de Maputo limpa, com mais cor e com a cultura moçambicana embelezando as suas ruas. Para a pintura e decoração dos caixotes do lixo, foi usada a técnica do óleo sobre metal, com expressões que variam entre o abstracto e o realismo, com motivos alusivos à fauna, cidadania, urbanismo e capulana. Este projecto permitiu ainda aos estudantes entrarem em contacto com diferentes materiais e projectos culturais com impacto na sociedade, o que enriquece o ensino, a aprendizagem e o próprio percurso artístico do estudante. A educação e a cultura são dois dos pilares de acção do programa de responsabilidade social do Banco, que tem vindo a ser executado ao longo dos anos, com significativo impacto na vida dos moçambicanos. O Ministério da Saúde (MISAU) faz um balanço positivo em torno das festividades do natal e transição do ano de 2016 para 2017. Segundo a informação avançada pelo sector, nesta ter- ça feira, na cidade de Maputo, durante o período de 20 de Dezembro de 2016 a 02 de Janeiro de 2017, as festas foram caracterizadas por um ambiente de tranquilidade, relativamente ao igual período do ano transacto. De acordo com o MISAU, no período referido, as unidades sanitárias do país atenderam perto de 9325 doentes, dos quais 779 internados e 42 óbitos. Durante a quadra festiva foram registados 1864 casos de acidentes de viação que resultaram em 19 mortes, dados que mostram que houve uma redução de 16% comparativamente ao ano de 2015/2016, onde foram registados 2206 casos e 24 óbitos. MISAU avalia positivamente a quadra festiva (QWUHWDQWR FDVRVGHYLROrQFLDGRPpVWLFDHVH[XDODXPHQWDUDPVLJQLÀFDWLYDPHQWH Outra redução assinalada durante o período da quadra festiva, concerne aos acidentes devido ao uso de objectos pirotécnicos, onde foram registados 23 casos sem óbito, uma evolução em 75% em relação ao período de ano transacto, onde foram registados 38 casos e quatro óbitos. “Apesar destes dados que mostram uma evolução em termos de ambiente de calmo neste ano comparativamente ao anterior, a quadra festiva foi manchada pelo F oi anunciado, recentemente, numa conferência de imprensa tida em Sandton, África do Sul, o primeiro alinhamento dos artistas a fazerem parte da 18ª Edição do Cape Town International Jazz Festival (CTIJF). Surpreendentemente, um dos orgulhos da nação mo- çambicana, no que toca à música Jazz, Moreira Chonguiça, irá subir ao palco ao lado do camaroMoreira Chonguiça e Manu Dibango - A Dupla do Cape Town Jazz Festival 2017 nês Manu Dibango, naquela que promete ser uma das mais distintas performances deste festival. Estas duas individualidades do mundo do jazz já outrora actuaram neste gigantesco e um dos mais seguidos festivais do continente, mas agora irão unir os seus talentos para celebrar as diferentes manifestações da música jazz. Para além desta actuação, a ter lugar nos próximos dias 31 de aumento de casos de violência doméstica e violência sexual que subiu de 239 para 255, e 112 para 140 respectivamente”, contou Ussene Isse, Director Nacional de Assistência Médica. Para Ussene Isse, estes dois factores preocupam sobremaneira o sector da saúde, principalmente, porque 60% casos de violência sexual ocorreram em menores de 15 anos. Esta situação demonstra que ainda há muito trabalho a ser feito para resolver este problema. Daí que todos são chamados a darem o seu contributo, nomeadamente na mobilização e participação comunitária, disseminação da informação pelos órgãos de comunicação social para mudança de atitudes por parte da pessoas e, principalmente, um trabalho multissectorial integrado. “Temos de desencadear um estudo para tentar aferir os factores sociais e antropológicos que estão por detrás deste fenómeno (violação sexual em crianças)”, revelou. Para todos os efeitos, um dos aspectos positivos registado pelo MISAU nesta fase é a existência de stock de sangue nas unidades sanitárias. Março e 1 de Abril, no Centro de Conferência Internacional de Cape Town, conta-se que estas duas lendas estarão a trabalhar em algumas surpresas para o corrente ano, que irão deliciar os seus fãs. Para além destes irão actuar igualmente Jazz Funk Soul com Everette Harp, Jeff Lorber & Paul Jackson Jr (EUA), as divas En Vogue (EUA); Ernie Smith (AS), VuDu (AS), Rudresh Mahanthappa Bird Calls (EUA); Gretchen Parlato (EUA), Siya Makuzeni (AS), Skyjack (AS), Tune Recreation Committee (AS) Darren English (AS/ EUA), Marcus Gilmore (EUA), Dope Saint Jude (AS); Laura Mvula (ENG); Judith Sephuma (AS); The Rudimentals (AS), Sekunjalo Edujazz Band (AS), Deepak Pandit (India), Escalandrum (Argentina), Soweto String Quartet (AS). O CTIJF tem mostrado consistentemente que está em sintonia com o que seu público quer. Isso foi comprovado o ano passado, quando o festival venceu o primeiro lugar como um dos festivais favoritos da África do Sul e foi reconhecido como sendo um dos melhores festivais de música no mundo pela Fest 300. Savana 06-01-2016 EVENTOS 3 PUBLICIDADE Savana 06-01-2017 EVENTOS 4 A Escola Comunitária Luís Cabral- ECLC informa aos alunos, pais, encarregados de educação e ao pú- blico em geral, que ainda tem vagas para matricular novos ingressos da 6ª, 7ª, 8ª, 9ª, 10ª, 11ª e 12ª classe por 500,00 meticais. Podendo obter mais informações na secretaria daquela escola sita na sede do bairro Luís Cabral, entrada a partir da Junta ou Maquinague ou pelos telefones: 847700298 ou 826864465 ou ainda 871232355. Matrículas para 2017 C erca de meia centena de membros dos conselhos consultivos distritais do distrito de Boane, província de Maputo, acabam de se beneficiar de uma capacitação em matéria de governação, monitoria de projectos de desenvolvimento e tomada de decisões, numa acção levada a cabo pela Agência de Colaboração em Descentralização e Desenvolvimento Local, a AGECAP. AGECAP é um organismo não governamental que actua em assuntos de governação e desenvolvimento local nos sectores de educação e desenvolvimento económico local, visando prestar apoio às comunidades no sentido de influenciar o processo de tomada de decisões no concernente à governação local. Com efeito, desde o ano passado a esta parte, a ONG promoveu várias capacitações, elaborou e distribuiu o manual de orientação destinado ao grupo dos conselhos consultivos, para lhes auxiliar no exercício das suas actividades. Durante este período, membros dos conselhos consultivos da região sul beneficiaram destas formações com vista a reverter o cenário calamitoso da não deAGECAP capacita membros de conselhos consultivos volução dos fundos disponibilizados aos mutuários e permitir a comunidade influenciar o processo de tomada de decisões da governação local. Com efeito, alguns membros dos conselhos consultivos que beneficiaram de formação disseram estar muito satisfeitos com apoio a si concedido. Carolina Hubo, chefe do Posto Administrativo de Motala-Rio, é um dos beneficiários da iniciativa. A benefici- ária disse esperar que a iniciativa replique-se para as outras regiões do país, uma vez que a experiência tem se revelado boa para si e para seus pares. Uma ideia igualmente defendida por Dino Wetman, outro beneficiário. Apesar dos esforços que vem sendo desenvolvidos pela AGECAP, resultados vindo das pesquisas efectuadas revelam que os membros dos Conselhos Consultivos locais não têm acesso às políticas públicas que orientam a constituição e funcionamento dos seus órgãos. Ou por outra, não tem acesso ao guião sobre a Organização e Funcionamento dos Conselhos Consultivos Locais e o Manual de Apoio aos Conselhos de Escola. Estes também não se têm beneficiado do treinamento regular para elevarem as suas capacidades de realizar as tarefas e de influenciar o processo de tomada de decisões da governação local participativa. As pesquisas revelam ainda que, em alguns distritos, a ausência de instrumentos normativos para operacionalizar o previsto no manual de procedimentos do FDD. Há situações em que os camponeses têm dificuldades de concorrer e ter acesso ao fundo porque não existe formulário para elaboração e submissão de projectos ao FDD. Foram verificadas situações em que os membros dos Conselhos Consultivos locais não têm acesso a um documento para efeitos de consulta sobre análise de viabilidade de projectos de rendimentos, resultando na aprovação de projectos com maior risco de fracasso que depois não conseguem reembolsar o financiamento. “É a pensar em ultrapassar estas dificuldades que a AGECAP tem vindo a realizar algumas iniciativas isoladas de treinamento e reprodução/distribuição das políticas públicas de interesse dos membros dos conselhos consultivos locais e conselhos de escola,” disse o director executivo daquele organismo, Bernardo Ginja. O s Serviços de Gastroenterologia do Hospital Central irão realizar laqueação elástica endoscópica em 100 pacientes com varizes esofágicas, graças à oferta de bandas elásticas feitas pela seguradora Ímpar. De referir que este procedimento de laqueação elástica endoscópica no HCM tinha sido suspenso, já há algum tempo, por falta de bandas elásticas. E no âmbito das suas acções de responsabilidade social, a ÍMPAR sensibilizou-se com a causa e permitiu que se reiniciasse com o programa, que é extensivo a pacientes de todas as Províncias de Moçambique. “Ao fazermos a intervenção endoscópica, que se traduz na laqueação ou no fechar das varizes com Ímpar retoma programa da gastroenterologia do HCM bandas elásticas, estamos a contribuir para que o paciente não tenha episódios de sangramento que, acompanhados da toma regular de medicamentos, pode influenciar positivamente na qualidade de vida das pessoas” – disse Prassad Modcoicar, Director dos Serviços de Gastroenterologia do Hospital Central de Maputo, na altura da entrega do material hospitalar. “A ÍMPAR manifesta a sua satisfação por contribuir com a oferta destes acessórios, o que vai permitir que os Serviços de Gastroenterologia do Hospital Central de Maputo possam cumprir o seu primeiro pilar que é o de prover serviços de excelência para os pacientes do Sistema Nacional de Saúde” – afirmou Rui Oliveira, Administrador da Seguradora. 8PDÁDWSDUDHVFULWyULRVWLSR localizada no Bairro da Polana na Av. Emília Daússe, Praceta dos Dadores de Sangue, n° 60 1°andar. &RQWDFWR Arrenda-se

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