segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O grande perigo que eu represento consiste em não economizar/ poupar verdades


Centelha por Viriato Caetano Dias (viriatocaetanodias@gmail.com )
Extraído de uma conversa com amigo Nkulu.
Deixa-me satisfeito o es­tágio actual da nossa política doméstica. Não há melhor recompensa que os políticos poderem dar ao seu povo que a paz. A saborosa paz. A paz, como escrevi na semana passada, é fundamental para restabelecer a esperança e a força que faltavam ao povo moçambicano. É tempo de reconstruir o país e remediar os danos causados pelo soar das armas que causaram uma autêntica carnificina per­petradas contra populações civis, além da destruição de infra-estruturas vitais para o célere desenvolvimento do país.
Eu sei que nunca foi fá­cil fazer homilias sobre a paz, produção e produtividade, num país que é frequente­mente hostilizado pelo maior partido da oposição, mor­mente quando é preciso de­sarmar e integrar as mentes dilaceradoras na sociedade moçambicana. Conforta-me também o sofrimento que vive alguns panegiristas do Ocidente que vaticinavam o assalto ao poder pelo braço armado da Renamo, debalde! Por causa desse desaire, sei que meia-dúzia deles, de dife­rentes idades, enfrenta, hoje, problemas sérios de saúde (tensão alta/baixa). Eu sei que estou a ser pouco cristão, mas “Para os malandros, Deus reserva sempre um dia espe­cial”, conforme dizia Arrone Fijamo Cafar, autor de Ecos de Inhamitanga.
Do meu lado, não lhes fal­tou aviso. Fazer vincar uma causa arriscada, recorrendo a meios militares e não pacíficos para a impor, é o meio caminho andado para o irreversível estado patológico de loucura. Já dizia o saudoso presidente Samora Machel que o povo não defende coisas abstractas. O povo defende coisas concretas, como a terra, a habitação, a escola, o hospital. Esta lição de Machel nunca foi devidamente compreendida e aprendida pela cúpula armada da Renamo, que insiste em defender a utilização de meios belicistas, como o ódio visceral e discursos nocivos, para impor uma causa improvável. Lançar uma guerra para impor vontades pessoais e satisfazer apetites estomacais dos seus acólitos, terão certamente consequências políticas dramáticas para a Renamo, pois o povo nunca esquece as injustiças que sofre. Ninguém pode vencer a batalha contra o seu próprio povo, conforme nos ensinou o político Anders Fogh Rasmussen, antigo Secretário-Geral da NATO.
A claque da Renamo, em lugar de compreender as lições da História, opta pelos caminhos da perdição. Mas, porque, meu Deus, o “bicho Homem” insiste na sua autodestruição?
Tanta teimosia, porquê? Vez por outra, quando aparece alguém menos deficiente que procura despoluir e iluminar a mentalidade grosseira, é impiedosamente atacado. É neste contexto que sou insultado e até mesmo vilipendiado.
Essa claque, que não vive e nem sente os problemas do povo, não admite críticas. Não aceita o pensar diferente. Nos últimos tempos, por incrível que pareça, e, quiçá, por alimentar expectativas goradas, a claque manifesta-se contra a liderança do monarca da Renamo (Afonso Dhlakama). É o que dá quando se coloca areia nos ouvidos. Vendo-se sem leme e vencida no campo do diálogo, pauta, agora, por ataca-me injustamente.
Dizia-me, a esse propósito, o meu amigo Nkulu que A vida intelectual não é um campo de predominância do termo Ámen. Continue a escrever e a reflectir o país. Estou consciente de que esse bando de marginais encapuzados, enquanto não voltar a ter o estatuto de colonialista, dificilmente se apartarão dos insultos. Destila o ódio contra mim, mas aprende dos meus artigos. Degolar e assassinar o meu carácter nas redes sociais tem sido fácil, difícil é repudiar as investidas perpetradas pela Renamo contra o país. Em todo o caso, importa informar que é sempre gratificante receber emails com reacções positivas destas minhas centelhas. Não peço para que as pessoas concordem comigo, exijo, apenas, que haja respeito mútuo. É, pois, no debate de ideias (que falta na cabeça de muitos elementos do bando) que continuaremos a construir o futuro melhor do país. De nada serve o insulto, porque não há nenhum galardão que se conheça que tenha sido atribuído a um estúpido. Lá eu sei que nos dias actuais a boa educação é algo que perdeu valor.
Zicomo e um abraço nhúngue ao amigo Taibo.
Wamphula fax – 16.01.2017

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