segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

A menina que tweetava em Alepo está feliz na Turquia

SÍRIA


Bana, a menina que relatava no Twitter a guerra de Alepo, e a sua família estão a são e salvo na Turquia. Mas é difícil esquecer o sítio horrível de onde vieram. As marcas são profundas.
AFP/Getty Images
A menina de apenas sete anos que tweetava a guerra em Alepo, Bana Alabed, é agora feliz na Turquia. A são e salvo, está a adaptar-se à sua nova vida. Sem nunca esquecer de onde veio.
Bana já conheceu o presidente turco e a família não pára com tantas entrevistas. Os Alabed — a mãe Fatemah, o pai Ghasan, Bana e os seus dois irmãos mais novos Nur e Mohamed — estão a viver num hotel, na Turquia, e o seu futuro ainda é incerto, mas estão em segurança e o governo turco prometeu-lhes casa, trabalho, escola e a possibilidade de Fatemah puder acabar o seu curso de Direito. A mãe de Bana conta os pormenores da fuga e a nova vida da família ao El Mundo.
Foi no dia 18 de dezembro que a família Alabed partiu de Alepo com destino a uma vida melhor. Mas a viagem não foi fácil. Fatemah conta que tiveram de esperar desde as cinco horas da manhã até às 13h00 pelos autocarros. Mas os veículos foram obrigados a parar logo a seguir ao primeiro posto de controlo do regime. Os passageiros foram proibidos de sair, nem as crianças puderam ir à casa-de-banho. O Crescente Vermelho — organização humanitária que age em conjunto com a Cruz Vermelha — disse-lhes que não lhes podia dar comida nem água. Isto durante um longo período de tempo. Ninguém lhes explicou o que se passou, “foi duro” assegura a mãe de Bana.
Durante a viagem temeram ser atacados, a qualquer momento, pelas tropas do regime que rondavam os autocarros. Chegados a Idlib, uma província que faz fronteira com a Turquia, “ao ver que nos recebiam com fruta e que as pessoas estavam felizes, um dos meus filhos perguntou-me ‘Mamã, estamos no paraíso?‘ “. Sair da Síria foi como “descomprimir as suas mentes”. Desde então, as crianças só querem brincar na rua (em Alepo não podiam), embora ainda não se sintam totalmente seguros:
Os irmãos [de Bana] não param de gritar e tremer. Correm aterrorizados para se esconderem quando ouvem um avião.
Fatemah assegura que as crianças nunca mais serão as mesmas. “Bana viu destruição, amputados e mortos todos os dias. Esta geração perdeu a sua fé e provavelmente notaremos as consequências no futuro”. São crianças com falta de confiança, problemas de comunicação e receio do exterior. “Estas crianças nunca se sentirão em casa porque, apesar de nos tratarem como civis, continuamos a ser refugiados”.
A mãe de Bana acredita que a filha “será como Malala Yousafzai ou ainda melhor, porque é mais nova e a sua mensagem é muito importante”, ao pedir ajuda para todas as crianças da Síria. Fatemah acusa ainda a comunidade internacional de se dedicar mais à guerra do que a proteger os civis.
Os irmãos de Bana não querem ouvir falar de Alepo. Já a menina pede para voltar ao seu bairro, à casa onde nasceu e cresceu. Tem saudades das suas bonecas.

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