sábado, 3 de dezembro de 2016

Tribunal popular apresenta efeitos negativos da Guerra no Iraque

Violações


“Nós falhamos completamente”, relata um dos veteranos que deu seu testemunho em segundo dia de julgamento

Brasil de Fato | São Paulo (SP),
Vídeo vazado por Chelsea Manning que demonstrava crimes de guerra cometidos no Iraque / WikiLeaks/Reprodução
O Tribunal Popular da Guerra do Iraque se reúne pelo segundo dia nesta sexta-feira (2). O foco dos relatos e debates deste segundo momento é apresentar um panorama geral das consequências que a invasão estadunidense causou.
O evento ocorre em Washington D.C., capital dos Estados Unidos, desde quinta-feira (1º), e reúne veteranos e seus familiares para denunciar o custo humano e material da guerra que durou entre 2003 e 2012, tanto no país invadido como nos próprios Estados Unidos, além de reivindicar a criação de uma Comissão da Verdade e Responsabilidade pela Guerra do Iraque.
“Nós usamos nosso poder econômico para impôr uma suposta solução sobre os Iraquianos”, diz Peter Van Buren, para quem a guerra foi uma “fraude”. “Nós falhamos completamente. Falhamos com o povo americano. Falhamos com os iraquianos, deixando seu país pior. Nós trabalhamos em aliança com os piores setores do Iraque simplesmente porque era conveniente”, avalia ele.
Buren também criticou a atitude das autoridades públicas dos EUA em relação àqueles que criticam a presença militar do país no Iraque, incluindo perseguição e pressões.
“Olhem o que acontece com quem denuncia crimes de guerra: suicídio, prisão perpétua”, criticou, fazendo menção ao caso de Chelsea Manning, integrantes das Forças Armadas que denunciou crimes de guerra.
A iniciativa é encabeçada pela Code Pink, organização norte-americana de mulheres pela paz, e reúne uma série de outros coletivos e institutos de direitos humanos estadunidenses. O julgamento continua nesta sexta-feira (2).

Violações

Além de ex-militares veteranos, pesquisadores, jornalistas e ativistas deram seus relatos sobre a invasão do Iraque.
Nicolas Davies, jornalista britânico, afirma que o contexto caótico no qual o Iraque submergiu é fruto direto da atuação dos EUA e do Reino Unido. Segundo ele, a invasão, agravada pela ausência de justificativas, significou um ato grave de desrespeito à soberania dos povos: “o problema central da invasão do Iraque é que ela é um crime em si. Os EUA são os principais responsáveis pela atual violência naquele país”.
O britânico afirma que este primeiro crime deu ensejo a outras violações. “Há uma documentação extensa apontando que oficiais dos EUA deram ordens que violavam leis internacionais e são crimes de guerra”. Ele cita diversos exemplos de desrespeito à Convenção de Genebra, como “tortura” e a “execução de inimigos capturados bombardeio de prédios com civis”.
A escritora Phyllin Bennis, diretora do Instituto para o Estudo de Políticas, indica que os supostos objetivos que fundamentaram a invasão do Iraque se mostraram equivocados e tiveram efeitos graves sobre a população iraquiana.
“O Iraque não teve qualquer relação com o 11 de setembro, faz sua invasão foi parte central da chamada Guerra ao Terror”, constata Bennis. “A visão de que a guerra é a resposta ao terrorismo talvez seja a pior consequência do Iraque. Esse método falhou. E nós, enquanto país, nos recusamos a aceitar isso. Após 15 anos, o terrorismo ainda está aí. É possível bombardear cidades e pessoas. ‘Com sorte’, algum terrorista, mas isso não vai vencer o terrorismo, pelo contrário”.
Neste contexto, segundo ela, o insucesso das ações militares fomenta e estimula o terrorismo: “As consequências da guerra estão na casa dos trilhões. A economia iraquiana foi completamente destruída. O tecido social foi desfeito. O radicalismo emergiu nesse contexto. O Estado Islâmico nasceu por conta da invasão dos EUA”, aponta.

Amplitude

As consequências da Guerra do Iraque, e da escalada militar no geral, vão além das consequência imagináveis. O esforço bélico dos EUA é tão intenso, que há reflexos para todo o mundo, incluindo impactos sobre o ambiente.
“Se a Guerra do Iraque fosse considerada um país de forma isolada, o volume de gases estufa emitido a colocaria como mais poluidora do que outras 139 nações”, indica o ambientalista Bill McKibben.
“Em 2006, os EUA sozinho gastaram mais dinheiro na guerra do que o mundo todo em energia renovável”, continua.
Edição: Camila Rodrigues da Silva

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