sábado, 24 de dezembro de 2016

Sequestradores de avião líbio desviado a Malta libertam passageiros e se rendem


Dupla que desviou voo até a ilha de Malta queria promover um novo partido pró-Gaddafi

Os primeiros passageiros são liberados do avião. REUTERS
O turbulento cenário político da Líbia exibiu seu rosto mais estrambótico nesta sexta-feira, quando um avião da companhia estatal Afriqiyah foi sequestrado no trajeto entre Sebha, uma capital provincial no meio do deserto, Trípoli. Os autores do crime foram dois jovens que, portando uma granada e duas pistolas, obrigaram o piloto a desviar o avião para a ilha de Malta. Num intervalo de aproximadamente três horas, os 109 passageiros e 7 tripulantes foram sendo gradualmente libertados. Um dos sequestradores, Moussa Shasha, disse a uma televisão do seu país que o objetivo da ação era promover um novo partido, ainda desconhecido, que defende o legado do falecido dirigente líbio Muamar al Gaddafi.
Coube ao primeiro-ministro maltês, o social-democrata Joseph Muscat, anunciar o fim do sequestro, em uma mensagem pelo Twitter às 12h43 (hora de Brasília). “Os sequestradores se renderam, foram revistados e já estão sob custódia”, dizia o texto. O aeroporto de Malta, pequeno país insular da União Europeia no meio do Mediterrâneo, foi fechado para pousos e decolagens após receber o avião sequestrado, um Airbus 320.
A nova força política à qual os sequestradores são vinculados se chama Fateh al Jadid (“novo Faeth”) e está alinhada com as teses de Gadafi, o ditador líbio que foi assassinado nos estertores da guerra civil de 2011, depois de ter governado a Líbia com mão de ferro durante mais de quatro décadas. Fateh é o nome que o então ditador usou para rebatizar o mês de setembro – o mesmo em que ocorreu o golpe de Estado de 1969 que o levou ao poder. Taher Siala, ministro de Relações Exteriores do Governo líbio de Unidade Nacional, patrocinado pela ONU, disse à agência AFP que a divulgação do novo partido não era a única exigência dos sequestradores, já que eles teriam solicitado asilo político em Malta.
Transcorridos mais de cinco anos do final da guerra civil na Líbia, o país continua mergulhado em um caos institucional e de segurança, com seu território dividido entre dois Governos e duas coalizões militares paralelas – uma com sede no leste do país, e a outra no oeste. O fato de diversas milícias e facções políticas serem incapazes de pactuar uma transição, e muito menos um processo de reconciliação nacional, explica o sentimento de alienação que atinge o setor da sociedade líbia que apoiava o coronel Gadafi. Durante o sequestro, quando as câmeras de televisão estavam voltadas para o avião, um dos sequestradores saiu da cabine e mostrou uma bandeira totalmente verde, que identificava oficialmente a Líbia na época de Gadafi, o que confirma seu desejo de exaltar o legado do antigo ditador.
O surpreendente incidente acontece apenas três dias depois de o Pentágono dar por encerrada sua campanha de bombardeios contra a região de Sirte, antigo bastião do autodenominado Estado Islâmico na Líbia, recuperado, após mais de seis meses de batalhas, pelas tropas aliadas do Governo de Unidade Nacional. Entretanto, depois de recuperar o controle dos principais portos petrolíferos, é o homem forte do Governo do leste, general Halifa Hafter, que parece em disposto a forçar uma renegociação do acordo de Sjirat, que levou à criação do Executivo apoiado pela ONU.

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