sábado, 17 de dezembro de 2016

Obama disse a Putin para parar com o hacking — e ele parou

BARACK OBAMA


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Numa longa conferência de imprensa, na qual passou em revista os seus anos na Presidência dos EUA, Obama acusou a Rússia do massacre em Alepo e de tentar intervir nas eleições presidenciais.
Obama falou do seu legado e da deterioração das relações com a Rússia
MICHAEL REYNOLDS/EPA
Na última conferência de imprensa de Barack Obama este ano, o presidente dos Estados Unidos revelou que pediu ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, que “parasse com isso” de tentar intervir nas eleições norte-americanas ou “haveria sérias consequências”. O aviso, segundo disse Obama, surtiu efeitos porque, desde então, as interferências informáticas de Moscovo pararam. O problema é que o ataque aos servidores do Partido Democrata já tinham acontecido e as suas comunicações internas fornecidas ao site WikiLeaks.
Obama mostrou-se extremamente crítico do regime de Moscovo, e fê-lo em todas as frentes: descreveu a Rússia como “um país mais pequeno e mais fraco” e com uma economia que “não produz nada que ninguém queira comprar, com exceção de petróleo e gás, não inova”. Atacando os Republicanos por se “associarem ao inimigo” apenas porque os russos não gostavam dos democratas, Obama disse que “Ronald Reagan daria voltas no túmulo” se tivesse que testemunhar a atual postura do seu partido.
E voltou à carga contra Moscovo. Questionado sobre se considerava que Putin esteve pessoalmente envolvido na aprovação das manobras de pirataria informática, Obama disse que “nada acontece na Rússia sem Vladimir Putin” e que o hacking tinha “acontecido ao mais alto nível do governo russo”.
A questão do envolvimento russo na guerra da Síria não demorou muito a saltar da enorme plateia de jornalistas que quiseram estar presentes na última conferência do ano. E mais uma vez, Obama não poupou nas críticas: “O sangue está nas mãos da Rússia e do seu aliado, o Irão”; “o mundo está chocado com o que estão a fazer na Síria”; “sem surpresas mas tragicamente a Rússia bloqueou várias vezes, no Conselho de Segurança, o envio de ajuda humanitária”; “opõem-se a uma solução mais representativa”, disse o Presidente referindo-se à proposta dos Estados Unidos para que seja encontrada uma solução que não inclua a continuação de Bashar al-Assad.
No fim do capítulo “Rússia” Obama ainda criticou o legado do país na área dos direitos humanos e da liberdade de imprensa dizendo que Putin pode enfraquecer os Estados Unidos “tal como está a tentar enfraquecer a Europa se começarmos a achar normal prender dissidentes ou limitar a liberdade de imprensa”.
Ao contrário do que aconteceu nos últimos anos, Obama fez, nesta conferência de imprensa, um balanço não do ano que agora acaba, mas dos oito anos da sua presidência. Segundo os dados que apresentou, a taxa de desemprego desceu de 10 para 4.6%, o valor mais baixo em uma década, mais de 90% da população tem um seguro de saúde, a dependência de combustíveis fósseis dos Estados Unidos reduziu para metade, enquanto a produção de energia renovável duplicou. No plano das relações internacionais, Obama lembrou o avanço das relações com Cuba, disse que o contingente militar americano destacado em cenários de guerra passou de 180 mil para 15 mil homens, que o Irão não poderá fabricar uma arma nuclear e que os acordos de Paris “juntaram mais de 200 nações num objetivo que, se cumprido, pode salvar o planeta para as nossas crianças”.

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