15/05/2018
Dhlakama: O homem que fazia tremer o chão - João Vaz de Almada
Afonso Dhlakama era um político sem filtros, sem subterfúgios, sem artimanhas e isso tornava-o diferente dos demais políticos. Era, sem dúvida, um one man show.
No momento em que escrevo estas linhas, no final da manhã de quinta-feira, uma enorme multidão rodeia o féretro de Afonso Dhlakama, o líder da Renamo, que perdeu a vida no passado dia 3 de maio, vítima de uma crise aguda de diabetes quando aguardava por uma evacuação aérea que não chegou a tempo. O chão da aldeia de Mangunde, no distrito de Chibabava, no sudoeste da província de Sofala, no centro de Moçambique, preparava-se para receber o filho ‘mais grande’, como se diz aqui às figuras muito importantes da terra, da região e do país.
O chão de Mangunde será o último que Dhlakama fará tremer com a sua presença. De facto, por onde passava, Dhlakama arrastava milhares e milhares de pessoas, sobretudo nas zonas centro e norte de Moçambique. Este carisma, este arrastar de gente, só foi comparável, ironicamente, ao seu inimigo Samora Machel, o primeiro presidente do país, contra o qual lutou desde 1977 até à sua morte, em 1986, quando o avião presidencial se despenhou nas montanhas de Mbuzini, na África do Sul. Samora, mesmo depois do Acordo de Incomati – uma espécie de pacto de não-agressão com a África do Sul, em que este país se comprometia a cessar o apoio militar à Renamo e em troca a Frelimo deixava de dar guarida aos membros do ANC –, nunca quis conversar com Dhlakama, afirmando que não negociava com macacos.
Dhlakama era um sobrevivente. Desde 1979, quando substituiu André Matsangaíssa, morto em combate, na chefia da guerrilha – tinha então 22 anos – escapou diversas vezes à morte. A mais célebre foi uma fuga de mota nos anos 80, quando o seu quartel-general, a celébre Casa Banana, foi ocupado pelas forças governamentais, após um intenso bombardeamento. Dhlakama escapuliu-se, sob intenso tiroteio, num motocrosse pelo meio do mato. Não tinha ainda 30 anos.
Com um rosto quase desconhecido do grande público até ao início das conversações de paz, em 1990, rapidamente se tornou uma figura mediática, fazendo, com as suas tiradas, as delícias dos jornalistas e de todos que o acompanhavam.
Conheci Dhlakama nas vésperas das primeiras eleições multipartidárias, em Outubro de 1994, quando o fui esperar com um grupo de jornalistas ao aeroporto de Mavalane, em Maputo. O líder da Renamo, mal pousou o pé em terra, rodeado de gente, dançou com as mamanas que o esperavam para o saudar. Das suas salientes maçãs do rosto, tipicamente ndau, sobressaía um largo, aberto, franco e afável sorriso, nada condizente com a propaganda oficial que o classificava ainda como bandido armado. Com todos interagia, num ‘tu cá, tu lá’ pouco comum para uma pessoa da sua condição, num Moçambique em que o cidadão comum é obrigado a mudar de passeio ao passar diante da residência oficial do Presidente da República.
Lembro-me que o percurso até à sua casa, no luxuoso bairro de Sommerchield, demorou cerca de uma hora e meia. Um mar de gente quis ver de perto o líder da guerrilha, o homem que havia batido o pé à Frelimo durante 16 anos, obrigando o partido no poder a ir a outra guerra, desta vez dos votos.
Recordo-me das suas sempre animadas conferências de imprensa no complexo Kaya Kwanga, então uma novidade da cidade. Numa delas, com a cabeça de um lado para outro, indagou: “Onde está a Rádio Moçambique? É o maior órgão de comunicação social do país! Vamos esperar por eles.” E esperou-se quase 20 minutos pelos repórteres que finalmente apareceram e desfizeram-se em desculpas. Dhlakama, no seu estilo informal, atirou: “Quem é o presidente do partido que espera por jornalistas? O Chissano não espera. Mas eu espero. Quero que vocês façam bem o vosso trabalho.”
Dhlakama gostava de dar espectáculo, de ser o centro das atenções. Onde ele estava não havia lugar à monotonia, à apatia ou ao aborrecimento. Era um político sem filtros, sem subterfúgios, sem artimanhas e isso tornava-o diferente dos demais políticos. Era, sem dúvida, um one man show.
Na véspera das eleições de 1994, ameaçou boicotá-las, argumentando que estava montada uma mega-fraude. Meio mundo caiu em sua casa e, após algumas horas, lá o convenceram a voltar ao jogo. Acabaria por votar só no segundo dia. À tarde convocou uma conferência de imprensa para mostrar que era fácil votar duas vezes: – “Vejam [ostentando o indicador direito] como a tinta não é indelével! Se eu não fosse o Dhlakama, se não fosse conhecido por todos, podia votar outra vez.”
Dhlakama detém ainda um recorde mundial difícil de bater: concorreu cinco vezes consecutivas à Presidência da República, acabando sempre derrotado. Em 1999, esteve à beira da vitória, perdendo à última hora para Joaquim Chissano, numas eleições muito contestadas. Ameaçou voltar às matas, cortou relações com o seu principal colaborador, Raul Domingos, o rosto da Renamo nas conversações de paz de Roma, acusando-o de estar a fazer o jogo da Frelimo, e exigiu o governo das províncias onde havia saído vencedor, ou seja, metade do país.
Depois disso, as ‘brincadeiras da Frelimo’, nas suas palavras, nunca mais cessaram, sobretudo durante o consolado de Armando Guebuza, quando obteve as mais fracas prestações eleitorais. Em 2009 foi mesmo esmagado, não atingindo os 20%.
A 17 de Outubro de 2012, foi à Gorongosa festejar, entre os seus, mais um aniversário da morte de André Mantsangaíssa. E por lá ficou, ameaçando iniciar manifestações anti-goverrnamentais por todo o país. Em Abril de 2013, ordenou um ataque a uma esquadra da polícia em Muxungwè, Sofala, ponto de partida para o recomeço da guerra. Ano e meio duraria o conflito político-militar, como lhe chamou o governo, período durante o qual Dhlakama voltou a conquistar simpatias, embora tivesse paralisado a circulação de pessoas e mercadorias na zona centro do país.
Em Setembro de 2014, saiu do mato num impecável fato do prestigiado alfaiate português Rosa & Teixeira para assinar o Acordo de Secessão de Hostilidades com Guebuza já a campanha para o pleito eleitoral de 15 de Outubro ia na terceira semana. Quando lhe perguntaram se o atraso não seria decisivo para a sua não eleição desvalorizou a questão e com um sorriso enorme disse: “Não, meu irmão – era assim que tratava os jornalistas –, isso não é nada. Todos me conhecem já”.
Por essa altura, a Frelimo, preocupada com o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), um partido que se tinha formado em 2008 a partir de uma dissidência da Renamo e que tinha conquistado um ano antes importantes municípios do país, menosprezou a força de Dhlakama. A ideia era dividir a oposição e Dhlakama, partindo com substancial atraso e sem a mínima preparação, seria a lebre ideal. Mas a lebre correu muito mais do que o previsto, enchendo tudo por onde passava.
Dhlakama falava e o povo revia-se nas suas palavras. No seu discurso transmitia solidariedade, inclusão, com ameaças à mistura que caíam sempre bem num povo cansado da pobreza e da miséria. “Não estou a ameaçar ninguém, mas se a Frelimo vier outra vez com brincadeiras – referia-se à viciação dos resultados eleitorais – vai levar porrada! Vocês estão aqui de coração, ninguém vos transportou para aqui, como a Frelimo faz nos seus comícios. Eu aqui não vos dou camisetes nem capulanas. Mas digo-vos: aceitem as camisetas e as capulanas que eles [Frelimo] vos dão, porque elas foram compradas com o vosso dinheiro, mas depois sei que vão votar em mim”, dizia. E o povo ria e aplaudia. Num dos comícios, surpreendeu todos ao divulgar ao altifalante os seus dois números de telemóvel. “Falem-me! Entrem em contracto comigo à vontade. Temos que ter uma linha directa.” Diz, quem tentou várias vezes, que os números estavam sempre impedidos. “Era o presidente a ouvir o povo”, diziam.
Nesta última campanha eleitoral, no sul, território sempre adverso à Renamo, Dhlakama teve recepções monumentais por onde passou, como nunca tinha acontecido. Adorado como um Deus, foi passando sucessivamente por Inhambane, Xai-Xai e, finalmente, Maputo.
Na capital, qual São Tomé, resolvi ir ver com os meus próprios olhos o fenómeno. Na manhã do dia que antecedeu o período de reflexão desloquei-me à zona do mercado de Xipamanine. Foi na rua Irmãos Roby, num ponto em que a artéria alarga, que a comitiva resolveu parar. Dhlakama, como um imperador romano no circo, olhou em redor a contemplar a multidão. Lembro-me de estar a levitar sem conseguir assentar os pés no chão. E comigo levitava também o chão com aqueles milhares de pés. Dhlakama reconheceu-me e, com um gesto largo, chamou-me. O mar de gente abriu alas e por momentos senti-me personagem do episódio da abertura de outro Mar, o Vermelho.
O líder do Renamo cumprimentou-me com um demorado e caloroso aperto de mão, exclamando:
– Desaparecido!
E eu:
– O senhor presidente é que andou no mato, eu estive sempre aqui.
E ele:
– Já ganhei!
Lembro-me de olhar em volta e pensar: será desta? Foi a última vez que estive com Afonso Dhlakama.
João Vaz de Almada foi jornalista e trabalha actualmente na área da assessoria de imprensa em Moçambique
OBSERVADOR – 13.05.2018
No momento em que escrevo estas linhas, no final da manhã de quinta-feira, uma enorme multidão rodeia o féretro de Afonso Dhlakama, o líder da Renamo, que perdeu a vida no passado dia 3 de maio, vítima de uma crise aguda de diabetes quando aguardava por uma evacuação aérea que não chegou a tempo. O chão da aldeia de Mangunde, no distrito de Chibabava, no sudoeste da província de Sofala, no centro de Moçambique, preparava-se para receber o filho ‘mais grande’, como se diz aqui às figuras muito importantes da terra, da região e do país.
O chão de Mangunde será o último que Dhlakama fará tremer com a sua presença. De facto, por onde passava, Dhlakama arrastava milhares e milhares de pessoas, sobretudo nas zonas centro e norte de Moçambique. Este carisma, este arrastar de gente, só foi comparável, ironicamente, ao seu inimigo Samora Machel, o primeiro presidente do país, contra o qual lutou desde 1977 até à sua morte, em 1986, quando o avião presidencial se despenhou nas montanhas de Mbuzini, na África do Sul. Samora, mesmo depois do Acordo de Incomati – uma espécie de pacto de não-agressão com a África do Sul, em que este país se comprometia a cessar o apoio militar à Renamo e em troca a Frelimo deixava de dar guarida aos membros do ANC –, nunca quis conversar com Dhlakama, afirmando que não negociava com macacos.
Dhlakama era um sobrevivente. Desde 1979, quando substituiu André Matsangaíssa, morto em combate, na chefia da guerrilha – tinha então 22 anos – escapou diversas vezes à morte. A mais célebre foi uma fuga de mota nos anos 80, quando o seu quartel-general, a celébre Casa Banana, foi ocupado pelas forças governamentais, após um intenso bombardeamento. Dhlakama escapuliu-se, sob intenso tiroteio, num motocrosse pelo meio do mato. Não tinha ainda 30 anos.
Com um rosto quase desconhecido do grande público até ao início das conversações de paz, em 1990, rapidamente se tornou uma figura mediática, fazendo, com as suas tiradas, as delícias dos jornalistas e de todos que o acompanhavam.
Conheci Dhlakama nas vésperas das primeiras eleições multipartidárias, em Outubro de 1994, quando o fui esperar com um grupo de jornalistas ao aeroporto de Mavalane, em Maputo. O líder da Renamo, mal pousou o pé em terra, rodeado de gente, dançou com as mamanas que o esperavam para o saudar. Das suas salientes maçãs do rosto, tipicamente ndau, sobressaía um largo, aberto, franco e afável sorriso, nada condizente com a propaganda oficial que o classificava ainda como bandido armado. Com todos interagia, num ‘tu cá, tu lá’ pouco comum para uma pessoa da sua condição, num Moçambique em que o cidadão comum é obrigado a mudar de passeio ao passar diante da residência oficial do Presidente da República.
Lembro-me que o percurso até à sua casa, no luxuoso bairro de Sommerchield, demorou cerca de uma hora e meia. Um mar de gente quis ver de perto o líder da guerrilha, o homem que havia batido o pé à Frelimo durante 16 anos, obrigando o partido no poder a ir a outra guerra, desta vez dos votos.
Recordo-me das suas sempre animadas conferências de imprensa no complexo Kaya Kwanga, então uma novidade da cidade. Numa delas, com a cabeça de um lado para outro, indagou: “Onde está a Rádio Moçambique? É o maior órgão de comunicação social do país! Vamos esperar por eles.” E esperou-se quase 20 minutos pelos repórteres que finalmente apareceram e desfizeram-se em desculpas. Dhlakama, no seu estilo informal, atirou: “Quem é o presidente do partido que espera por jornalistas? O Chissano não espera. Mas eu espero. Quero que vocês façam bem o vosso trabalho.”
Dhlakama gostava de dar espectáculo, de ser o centro das atenções. Onde ele estava não havia lugar à monotonia, à apatia ou ao aborrecimento. Era um político sem filtros, sem subterfúgios, sem artimanhas e isso tornava-o diferente dos demais políticos. Era, sem dúvida, um one man show.
Na véspera das eleições de 1994, ameaçou boicotá-las, argumentando que estava montada uma mega-fraude. Meio mundo caiu em sua casa e, após algumas horas, lá o convenceram a voltar ao jogo. Acabaria por votar só no segundo dia. À tarde convocou uma conferência de imprensa para mostrar que era fácil votar duas vezes: – “Vejam [ostentando o indicador direito] como a tinta não é indelével! Se eu não fosse o Dhlakama, se não fosse conhecido por todos, podia votar outra vez.”
Dhlakama detém ainda um recorde mundial difícil de bater: concorreu cinco vezes consecutivas à Presidência da República, acabando sempre derrotado. Em 1999, esteve à beira da vitória, perdendo à última hora para Joaquim Chissano, numas eleições muito contestadas. Ameaçou voltar às matas, cortou relações com o seu principal colaborador, Raul Domingos, o rosto da Renamo nas conversações de paz de Roma, acusando-o de estar a fazer o jogo da Frelimo, e exigiu o governo das províncias onde havia saído vencedor, ou seja, metade do país.
Depois disso, as ‘brincadeiras da Frelimo’, nas suas palavras, nunca mais cessaram, sobretudo durante o consolado de Armando Guebuza, quando obteve as mais fracas prestações eleitorais. Em 2009 foi mesmo esmagado, não atingindo os 20%.
A 17 de Outubro de 2012, foi à Gorongosa festejar, entre os seus, mais um aniversário da morte de André Mantsangaíssa. E por lá ficou, ameaçando iniciar manifestações anti-goverrnamentais por todo o país. Em Abril de 2013, ordenou um ataque a uma esquadra da polícia em Muxungwè, Sofala, ponto de partida para o recomeço da guerra. Ano e meio duraria o conflito político-militar, como lhe chamou o governo, período durante o qual Dhlakama voltou a conquistar simpatias, embora tivesse paralisado a circulação de pessoas e mercadorias na zona centro do país.
Em Setembro de 2014, saiu do mato num impecável fato do prestigiado alfaiate português Rosa & Teixeira para assinar o Acordo de Secessão de Hostilidades com Guebuza já a campanha para o pleito eleitoral de 15 de Outubro ia na terceira semana. Quando lhe perguntaram se o atraso não seria decisivo para a sua não eleição desvalorizou a questão e com um sorriso enorme disse: “Não, meu irmão – era assim que tratava os jornalistas –, isso não é nada. Todos me conhecem já”.
Por essa altura, a Frelimo, preocupada com o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), um partido que se tinha formado em 2008 a partir de uma dissidência da Renamo e que tinha conquistado um ano antes importantes municípios do país, menosprezou a força de Dhlakama. A ideia era dividir a oposição e Dhlakama, partindo com substancial atraso e sem a mínima preparação, seria a lebre ideal. Mas a lebre correu muito mais do que o previsto, enchendo tudo por onde passava.
Dhlakama falava e o povo revia-se nas suas palavras. No seu discurso transmitia solidariedade, inclusão, com ameaças à mistura que caíam sempre bem num povo cansado da pobreza e da miséria. “Não estou a ameaçar ninguém, mas se a Frelimo vier outra vez com brincadeiras – referia-se à viciação dos resultados eleitorais – vai levar porrada! Vocês estão aqui de coração, ninguém vos transportou para aqui, como a Frelimo faz nos seus comícios. Eu aqui não vos dou camisetes nem capulanas. Mas digo-vos: aceitem as camisetas e as capulanas que eles [Frelimo] vos dão, porque elas foram compradas com o vosso dinheiro, mas depois sei que vão votar em mim”, dizia. E o povo ria e aplaudia. Num dos comícios, surpreendeu todos ao divulgar ao altifalante os seus dois números de telemóvel. “Falem-me! Entrem em contracto comigo à vontade. Temos que ter uma linha directa.” Diz, quem tentou várias vezes, que os números estavam sempre impedidos. “Era o presidente a ouvir o povo”, diziam.
Nesta última campanha eleitoral, no sul, território sempre adverso à Renamo, Dhlakama teve recepções monumentais por onde passou, como nunca tinha acontecido. Adorado como um Deus, foi passando sucessivamente por Inhambane, Xai-Xai e, finalmente, Maputo.
Na capital, qual São Tomé, resolvi ir ver com os meus próprios olhos o fenómeno. Na manhã do dia que antecedeu o período de reflexão desloquei-me à zona do mercado de Xipamanine. Foi na rua Irmãos Roby, num ponto em que a artéria alarga, que a comitiva resolveu parar. Dhlakama, como um imperador romano no circo, olhou em redor a contemplar a multidão. Lembro-me de estar a levitar sem conseguir assentar os pés no chão. E comigo levitava também o chão com aqueles milhares de pés. Dhlakama reconheceu-me e, com um gesto largo, chamou-me. O mar de gente abriu alas e por momentos senti-me personagem do episódio da abertura de outro Mar, o Vermelho.
O líder do Renamo cumprimentou-me com um demorado e caloroso aperto de mão, exclamando:
– Desaparecido!
E eu:
– O senhor presidente é que andou no mato, eu estive sempre aqui.
E ele:
– Já ganhei!
– Desaparecido!
E eu:
– O senhor presidente é que andou no mato, eu estive sempre aqui.
E ele:
– Já ganhei!
Lembro-me de olhar em volta e pensar: será desta? Foi a última vez que estive com Afonso Dhlakama.
João Vaz de Almada foi jornalista e trabalha actualmente na área da assessoria de imprensa em Moçambique
OBSERVADOR – 13.05.2018
Moçambique aderiu a zona de comércio livre africana, europeia, norte-americana mas “só somos mercado das outras economias que estão a integrar-se”
Em Março passado, durante um Cimeira extraordinária da União Africana que decorreu no Ruanda, o Chefe de Estado tornou Moçambique num dos 44 países signatários do novo acordo de livre comércio denominado “Zona de Comércio Livre Continental de África”.
Acontece que o nosso país é signatário de outros acordos de comércio livre – com a União Europeia, com os Estado Unidos da América, com a África Austral – mas as empresas moçambicanas, que não devem ser confundidas com os megaprojectos, quase não fazem uso dessas facilidade para exportar os seus produtos.
Um dos motivos é que a industria manufactureira está em desindustrialização prematura, “caracterizada pelo desaparecimento de indústrias ou perda gradual de capacidades produtivas e tecnológicas em áreas industriais de maior complexidade manifestada pela simplificação de processos produtivos, a favor de crescente níveis de concentração à volta de actividades primárias”, constatou a economista Epifânia Langa num artigo inserido no livro “Desafios para Moçambique 2017” editado pelo Instituto de Estudos Sociais e Económicos(IESE).
O desaparecimento da industria manufactureira é corroborado por um outro estudo mais recente - do Centro de Estudos de Economia e Gestão da Universidade Eduardo Mondlane, do United Nations University World Institute for Development Economics Research e do Development Economics Research Group da Universidade de Copenhaga - que verificou que desde 2011 pelo menos um quarto das empresas que tem estado a acompanhar tinham sido encerradas.
Após a adesão à “Zona de Comércio Livre Continental de África” a economista do IESE, analisando os proveitos que Moçambique não tirou da integração económica na África Austral, particularmente com a África do Sul, concluiu que “a integração económica baseada somente na expansão de mercados reproduz o carácter subdesenvolvido e dependente da estrutura produtiva doméstica”.
Posted at 12:14 in Cooperação - ONGs, Economia - Transportes - Obras Públicas - Comunicações, Opinião | Permalink | Comments (0)ShareThis
Gostei de ter estado com o meu Presidente da República
O seu discurso foi impecável, respeitoso e dignificante não só para ele como pessoa, mas também para a função que desempenha. Saiu a ganhar Moçambique a nossa pátria comum. Perante uma audiência hostil, Nyussi soube arrancar, se a memoria não me trai três momentos de aplauso, todos referentes ao Grande Homem e patriota que era Afonso Dhlakama! E obra e os seus detractores dentro do partido não o perdoarão! Aqui os parabéns vão também para o Assessor ou Conselheiro que rabiscou o draft!
Se Samora Machel e seus Conselheiros tivessem tido esta atitude, de pensar um Moçambique plural, de respeitar a visão de nos outros igualmente moçambicanos mas com idiossincrasias diferentes, se tivessem sabido respeitar o pensar diferente, quem sabe se, mesmo com a confrontação Leste - Oeste não tivéssemos evitado a guerra dos 16 anos e com ela salvo milhares de vidas humanas e colocado Moçambique no mapa do desenvolvimento!? Temos ideia de quanto nos custou a nossa intransigência ao não respeitar o pensar diferente? E com discursos desta natureza que vamos construindo as bases e os alicerces da paz, da democracia, da justiça, da reconciliação nacional e porque não a melhoria do bem-estar do nosso povo! Agradeço em meu nome, no da minha família e no dos munícipes da Cidade de Quelimane a postura do Chefe de Estado que inter alia, adiou a visita a Noruega e Finlândia para participar nas cerimónias fúnebres do seu irmão Afonso Macacho Marceta Dhlakama.
Parceria China-Moçambique produz resultados frutuosos Empresas chinesas investiram em Moçambique sete biliões de dólares até Maio de 2017
Cem empresas chinesas investiram, juntas, cerca de sete biliões de dólares em Moçambique, até Maio de 2017, nas áreas de energia e desenvolvimento de recursos, agricultura, pesca, construção, telecomunicações e manufactura de processamento. Em declarações à “Xinhua”, agência de comunicação da China, Su Jian, embaixador da China em Moçambique, disse que a cooperação entre a China e Moçambique está a produzir resultados tangíveis, o que ajudará a consolidar as relações bilaterais e se mostra como um modelo exemplar para a cooperação sino-africana.
Segundo Su Jian, a China se tornou-se o maior investidor estrangeiro e um dos maiores construtores de infra-estruturas em Moçambique desde a cimeira de Johannesburg do Fórum de Cooperação China-África, em Dezembro de 2015. Na área de infra-estruturas, a China está a construir a moderna ponte suspensa com dois pilares sobre a Baía de Maputo, através da “Corporação de Rodovia e Ponte da China” (CRBC). A ponte, com uma extensão de 680 metros, é uma obra com um empréstimo da China.
“O projecto da ponte também inclui a construção de estradas de ligação de mais de 180 quilómetros. Elas ligar-se-ão directamente na direcção sul até à fronteira com a África do Sul, com o potencial de promover o desenvolvimento do comércio e turismo”, disse Su Jian. A ponte será inaugurada em Junho e é parte de um projecto que inclui estradas de ligação construídas pela China, que vai permitir a ligação do país à África do Sul. A ponte é bidireccional e tem quatro pistas. A velocidade máxima será de 80km/h. A ponte serve apenas para a passagem de veículos.
O valor do contrato é de 785,8 milhões de dólares norte-americanos, com 95% do financiamento fornecido pela China. O projecto criou cerca de 20.000 empregos, uns em tempo integral e outros em tempo parcial, para os moradores locais. Actualmente, o projecto emprega 3788 moçambicanos e uma equipa de 467 funcionários chineses. Segundo o embaixador, no sector da agricultura, a China tem um projecto de plantio de arroz na província de Gaza, no Sul de Moçambique, e está a contribuir para a segurança alimentar no país. “Actualmente, Moçambique tem uma escassez de arroz de 400,000 a 600.000 toneladas.
Segundo Su Jian, a China se tornou-se o maior investidor estrangeiro e um dos maiores construtores de infra-estruturas em Moçambique desde a cimeira de Johannesburg do Fórum de Cooperação China-África, em Dezembro de 2015. Na área de infra-estruturas, a China está a construir a moderna ponte suspensa com dois pilares sobre a Baía de Maputo, através da “Corporação de Rodovia e Ponte da China” (CRBC). A ponte, com uma extensão de 680 metros, é uma obra com um empréstimo da China.
“O projecto da ponte também inclui a construção de estradas de ligação de mais de 180 quilómetros. Elas ligar-se-ão directamente na direcção sul até à fronteira com a África do Sul, com o potencial de promover o desenvolvimento do comércio e turismo”, disse Su Jian. A ponte será inaugurada em Junho e é parte de um projecto que inclui estradas de ligação construídas pela China, que vai permitir a ligação do país à África do Sul. A ponte é bidireccional e tem quatro pistas. A velocidade máxima será de 80km/h. A ponte serve apenas para a passagem de veículos.
O valor do contrato é de 785,8 milhões de dólares norte-americanos, com 95% do financiamento fornecido pela China. O projecto criou cerca de 20.000 empregos, uns em tempo integral e outros em tempo parcial, para os moradores locais. Actualmente, o projecto emprega 3788 moçambicanos e uma equipa de 467 funcionários chineses. Segundo o embaixador, no sector da agricultura, a China tem um projecto de plantio de arroz na província de Gaza, no Sul de Moçambique, e está a contribuir para a segurança alimentar no país. “Actualmente, Moçambique tem uma escassez de arroz de 400,000 a 600.000 toneladas.
Posted at 11:42 in Economia - Transportes - Obras Públicas - Comunicações, Macau - China | Permalink | Comments (0) ShareThis
O que esperar da descentralização sem Dhlakama?
Assembleia da República, partidos extraparlamentares e ONG’S analisam avanços e perspectivas da proposta de descentralização
O processo está, neste momento, numa fase estacionária, devido à falta de consenso entre a Renamo e o Governo sobre quem vai indicar os administradores distritais. Com a morte do presidente da Renamo, que negociava o acordo com Filipe Nyusi, a Renamo deve encontrar alguém ou um grupo de pessoas para continuar o diálogo com Nyusi.
As bancadas parlamentares da Frelimo, da Renamo e do Movimento Democrático de Moçambique, partidos políticos extraparlamentares, organizações não-governamentais e a sociedade em geral analisam, hoje, em Maputo, numa mesa-redonda, os avanços e as perspectivas da proposta de descentralização. Este encontro realiza-se uma semana depois da morte, por doença, de Afonso Dhlakama, presidente da Renamo.
Antes mesmo da morte de Afonso Dhlakama, o processo estava numa fase estacionária, devido à falta de consenso entre a Renamo e o Governo sobre quem vai indicar os administradores distritais, depois das eleições 2019, uma vez que Nyusi e Dhlakama acordaram que os administradores passam a ser eleitos a partir de 2024. A Frelimo quer que os administradores sejam indicados pelo ministro da Administração Estatal.
A Renamo diz que não, com a justificação de que haverá conflitos nas situações em que o ministro da Administração Estatal (do Governo) não seja do partido que estiver a governar a província. A Renamo quer que o administrador seja indicado pelo governador da província. Com a morte de Afonso Dhlakama, que negociava o acordo directamente com Filipe Nyusi, a Renamo deve encontrar alguém ou um grupo de pessoas para continuar o diálogo com Nyusi. Já está o general Ossufo Momade como presidente interino, mas não se sabe é ele que vai suceder a Dhlakama e que vai conduzir o processo.
Na Renamo parece haver interesse em continuar com o diálogo na mesma linha do seu presidente. A morte de Afonso Dhlakama e as suas implicações neste processo será um dos assuntos analisados hoje.
O processo está, neste momento, numa fase estacionária, devido à falta de consenso entre a Renamo e o Governo sobre quem vai indicar os administradores distritais. Com a morte do presidente da Renamo, que negociava o acordo com Filipe Nyusi, a Renamo deve encontrar alguém ou um grupo de pessoas para continuar o diálogo com Nyusi.
As bancadas parlamentares da Frelimo, da Renamo e do Movimento Democrático de Moçambique, partidos políticos extraparlamentares, organizações não-governamentais e a sociedade em geral analisam, hoje, em Maputo, numa mesa-redonda, os avanços e as perspectivas da proposta de descentralização. Este encontro realiza-se uma semana depois da morte, por doença, de Afonso Dhlakama, presidente da Renamo.
Antes mesmo da morte de Afonso Dhlakama, o processo estava numa fase estacionária, devido à falta de consenso entre a Renamo e o Governo sobre quem vai indicar os administradores distritais, depois das eleições 2019, uma vez que Nyusi e Dhlakama acordaram que os administradores passam a ser eleitos a partir de 2024. A Frelimo quer que os administradores sejam indicados pelo ministro da Administração Estatal.
A Renamo diz que não, com a justificação de que haverá conflitos nas situações em que o ministro da Administração Estatal (do Governo) não seja do partido que estiver a governar a província. A Renamo quer que o administrador seja indicado pelo governador da província. Com a morte de Afonso Dhlakama, que negociava o acordo directamente com Filipe Nyusi, a Renamo deve encontrar alguém ou um grupo de pessoas para continuar o diálogo com Nyusi. Já está o general Ossufo Momade como presidente interino, mas não se sabe é ele que vai suceder a Dhlakama e que vai conduzir o processo.
Na Renamo parece haver interesse em continuar com o diálogo na mesma linha do seu presidente. A morte de Afonso Dhlakama e as suas implicações neste processo será um dos assuntos analisados hoje.
RENAMO depois de Dhlakama: Coesão ou cisões?
Afonso Dhlakama e a RENAMO quase se confundiam. Ele personificava o maior partido da oposição e de certa forma centralizava todas as decisões importantes. Contribuíram para isso, entre outros fatores, a sua enorme popularidade, o seu jeito simples de fazer política e o carisma. Resumindo: era o líder.
Ouça aqui
Hoje a RENAMO vê-se sem o seu guia e a pergunta que se coloca é: qual é o futuro da RENAMO sem Afonso Dhlakama? Convidamos o analista político do ISRI, Istituto Superior de Relações Internacionais, Calton Cadeado a vaticinar: "Vejo dois cenários, um ótimo e um péssimo, que é o principal. Mas também há um cenário moderado que se pode equacionar. Sinto que a RENAMO sem Afonso Dhlakama é uma oportunidade para o desenvolvimento da instituição RENAMO, mas também pode ser uma ameaça para a sobrevivência da própria RENAMO como instituição."
E o académico argumenta "que enquanto Afonso Dhlakama esteve vivo e liderou o partido o que se constatou é que se investiu mais na pessoa do que necessariamente na instituição RENAMO. Mas esse otimismo pode ser dificultado pelas lutas de poder lá dentro, está claro que a ala militar é que vai determinar o rumo do partido."
Primeira prova de fogo concluída
Receava-se uma luta renhida pelo poder no seio da RENAMO logo depois da morte de Dhlakama. E os sinais disso ainda não vieram a público, mesmo que esteja a acontecer. Era a primeira prova de fogo do maior partido da oposição sem o seu líder.
14/05/2018
STV-Grande Plano 14.05.2018(video) - Ilha de Moçambique
Ilha de Moçambique: minha terra! Além de pequenos erros apenas saliento ao Ricardo Machava que Baltazar Rebelo de Sousa nunca viveu na Ilha de Moçambique. Apenas a visitava. Mas é bom recordar o chão que nos viu nascer(1939). Não editado pela STV-SOICO
STV-Jornal da Noite 14.05.2018(video)
Não editado pela STV-SOICO
Montepuez Ruby Mining garante cumprimento da lei moçambicana
A empresa Montepuez Ruby Mining (MRM) anunciou que está a cumprir a lei moçambicana na extracção de esmeraldas e rubis na província de Cabo Delgado, após uma organização não-governamental (ONG) considerar que a empresa estava a lesar o Estado.
"A MRM cumpre integralmente as leis de mineração de Moçambique. Os Ministérios de Recursos Minerais e das Finanças acompanham o processo de vendas nos locais de leilão e os resultados das vendas são recebidos nas contas bancárias em bancos moçambicanos", refere a empresa, num documento a que a Lusa teve hoje acesso.
Em Abril, o Centro de Integridade Pública (CIP) defendeu a alteração das regras de exploração da MRM para o país passar a reter mais lucros do negócio, considerando que a contribuição fiscal que advêm da exploração está abaixo do potencial de produção, que é de 8,4 milhões quilates por ano.
A Montepuez Ruby Mining lembra que desde que começou a actuar em Moçambique, em 2012, a empresa pagou um total de 26% das suas receitas ao Governo moçambicano, além de desembolsar 1,7 milhões de dólares (1,4 milhões de euros) para projectos de responsabilidade social.
Posted at 19:16 in Economia - Transportes - Obras Públicas - Comunicações | Permalink | Comments (0) ShareThis
Partidos Políticos e Sociedade Civil discutem avanços e perspectivas da proposta de Descentralização
O debate que decorre sob o tema "Mesa Redonda sobre a Proposta de Descentralização: Avanços, desafios e perspectivas", tem como objectivo promover uma reflexão pública, aberta e profunda sobre o processo de descentralização para a consolidação da paz, governação inclusiva e democracia multipartidária em Moçambique, refere ainda o comunicado da instituição.
Com a realização do encontro, espera-se que seja partilhado o ponto da situação em relação aos avanços do processo ao nível da Assembleia da República, que os actores políticos e da sociedade civil estejam mais informados em relação ao processo e que sejam captadas as percepções dos actores políticos e da sociedade civil em relação ao debate parlamentar da proposta de descentralização.
A PERDIZ - Boletim Informativo da Renamo nº 232 de 10.05.2018
EDITORIAL
ADEUS PRESIDENTE, PAI, MENTOR, AMIGO, HEROI NACIONAL, AFONSO DHLAKAMA
Nascido no dia 1 de Janeiro de 1953 em Mangunde, Chibabava, na província de Sofala, o Presidente da RENAMO e Membro do Conselho de Estado Afonso Macacho Marceta Dhlakama perdeu a vida na manhã do dia 3 de Maio de 2018, na serra da Gorongosa onde se encontrava refugiado depois de o governo moçambicano ter tentado insistentemente assassiná-lo por via militar.
Leia tudo aqui Download PERDIZ nº 232pdf
Angola admite que situação em Cabinda ainda apresenta riscos
A informação consta do prospeto da emissão de ‘eurobonds’ de 3.000 milhões de dólares (2.500 milhões de euros), a 10 e 30 anos e com juros acima dos 8,2% ao ano – concretizada pelo Estado angolano este mês -, que foi enviado aos investidores e ao qual a Lusa teve acesso.
No documento de mais de 200 páginas de suporte à operação de colocação de títulos da dívida pública angolana em moeda estrangeira, a segunda do género feita pelo país e denominada “Palanca 2″, é referido que “apesar dos esforços do Governo, a contínua atividade criminosa, a agitação e os conflitos políticos no país podem levar a uma redução na produção de petróleo, deter o investimento estrangeiro direto e levar ao aumento da instabilidade política”.
O prospeto, que analisa a situação do país, divulgado pelo Governo angolano aponta a situação de Cabinda – a principal província produtora de petróleo em Angola -, como a mais instável, referindo que desde a morte do líder da FLEC, Nzita Tiago, em junho de 2016, que se verifica um “conflito entre várias fações” pela liderança daquele grupo independentista.
Traficantes começam a ser julgados hoje na Beira
- Detidos inicialmente em Setembro do ano passado, os membros do grupo aguardavam julgamento em liberdade depois de o tribunal ter fixado a estranha e módica quantia de caução, que varia entre 40 e 50 mil Meticais
A quinta secção criminal do Tribunal Judicial Provincial de Sofala inicia, na manhã de hoje, o julgamento de seis indivíduos acusados de matança de elefantes e tráfico de marfim, produto cujo comércio é mundialmente proibido no âmbito dos regulamentos da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies de Fauna e Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção). Entretanto, apesar de liminarmente proibido, o facto é que Moçambique continua um dos países que está a perder, a níveis assustadores, a sua fauna e flora por causa da intensa actividade de sindicatos criminosos que actuam no abate de rinocerontes e elefantes para o tráfico de cornos e marfim.
Ao que o mediaFAX soube, o caso que vai a julgamento, esta segunda-feira, vem desde 7 de Setembro do ano passado (2017), dia em que o grupo dos seis furtivos foi flagrado pelos pelos fiscais do Parque Nacional da Gorongosa na zona tampão do parque, mais concretamente no distrito de Cheringoma. Na ocasião, o bando foi flagrado na posse de duas pontas de marfim, carne de caça, pedras preciosas e de material bélico. Vendo-se em apuros, o grupo terá ensaidao, naquele dia, avançar para subornos aos fiscais do parque, intenção que não se efectivou, graças ao profissionalismo e compromisso demonstrados pelos homens que têm a função de zelar e proteger a fauna e flora do mais importante parque de que o país dispõe.
Ao que se soube, o material bélico, compsto essencialmente por granadas, visava extrair mercúrio, igualmente para alimentar sindicatos criminosos que operam naquela área. Os seis acusados são todos moçambicanos, mas a investigação que se seguiu depois da captura do grupo, indiciou que os mandantes são estrangeiros, como aliás é prática reiterada nesta actividade criminosa.
O bandido que não se chama Afonso
Na passada quarta-feira, a cidade da Beira esteve literalmente para dizer “Adeus, vá em paz” ao cidadão Afonso Macacho Marceta Dhlakama, presidente da Renamo. Foi a enterrar um cidadão, um líder, um pai, um irmão e filho com uma folha de serviços impressionante. Um homem que viveu a sua vida ou fez da sua vida um instrumento para defender aquilo a que Max Weber chamou “tipo ideal” de sociedade e de República.
Obviamente que é um homem que, como qualquer outro ser mortal, também tem um relatório com páginas de erros pela falibilidade humana de se atingir a perfeição. E pelos erros, que podem ser interpretados como graves ou não, coube-lhe vários epítetos, sendo o mais afiado o de “bandido”. Se é justo, ou não, que assim se chame ao homem que hoje vai enterrar, cabe às razões que cada um vai perfilar para construir o seu argumento. E no campo dos argumentos, os que forem menos generosos, para não lhes chamar “zangados”, poderão até celebrar o fim de quem nunca deveria ter existido. Esses não podem ser ignorados, porque, provavelmente, perderam os seus familiares em circunstâncias cuja narrativa pintou Afonso Dhlakama como autor-mor. E são muitos.
Há também aqueles para quem o seu projecto de vida ou de sociedade se esfumou por acção cuja responsabilidade se fez recair sobre Afonso Dhlakama. E, se essas zangas existem, também têm a sua razão de ser, e há alguma legitimidade nisso, em função do que aconteceu e do que esses moçambicanos viveram na pele, ou lhes foi transmitido como acervo oral da História. Mas há outros tantos que estão do outro lado da barricada, que choram ou celebram a partida, a todos os níveis inesperada, do seu herói e que se sentem órfãos de uma voz que ecoava mais alto, em seu auxílio, quando as suas não mais podiam. Há esses que choram o moçambicano provavelmente mais corajoso da jovem História de Moçambique. Esses também existem. E são milhões.
Esses milhões de cidadãos que hoje choram têm uma outra narrativa da ficha de serviço de Afonso Dhlakama, que a morte encerrou, com alguma dose de arrogância, na passada quinta-feira. São pessoas que também viram os seus familiares serem fuzilados em praças públicas, sob fortes salvas de palmas populares, sem direito a um julgamento nem um advogado. São pessoas que perderam os seus bens porque não eram culpados do ónus que caía sobre eles, mas apenas suspeitos de uma situação que também podia ter sido fabricada para os incriminar, e como a lógica era toda invertida, o ónus da prova não cabia a quem acusava, mas o acusado tinha de provar que era inocente, mas em vão, porque a sentença era mesmo uma bala na nuca ou um festival de humilhantes chibatadas.
13/05/2018
TVMiramar-Resenha Semanal (parcial)13.05.2018(video)
Apenas estes minutos pois a net deixou de receber o programa em condições. Sugiro que entrem em contacto com a TVMiramar em http://miramar.co.mz/ e peçam para o programa ser disponibilizado em arquivo.
Ministra Vitória Diogo não foi razoável
Por Edwin Hounnou
Na sequência do indeferimento pela Ministra do Trabalho, Emprego e Segurança Social, Vitória Diogo, do pedido formulado pelo Presidente do Município da Beira, que solicitava tolerância de ponto para a realização do velório dos restos mortais do Senhor. Afonso Marceta Macacho Dhlakama, líder da RENAMO, o segundo partido com assento parlamentar, cumpre-nos tecer as seguintes considerações:
- Dispôs o referido despacho que “compulsado o Regulamento das Tolerâncias de Ponto, aprovado pelo Decreto nº 7/2015, de 3 de Junho, os artigos 5 e 6 fixam de forma taxativa, as datas de tolerância de âmbito nacional, para as cidades e vilas municipais, respectivamente.”
- Adiante, conclui que” os ‘órgãos da Administração Pública obedecem à Constituição e à lei, nos termos do nº 2 do artigo 249 da Constituição da República, tendo em conta que a petição apresentada pelo Exmo. Senhor Presidente do Município da Beira, Daviz Simango, carece de enquadramento legal, indefiro o requerimento que solicita a concessão da Tolerância de Ponto, no dia 09 de Maio de 2018."
- Da análise dos dados em presença, ou seja o despacho ministerial (Despacho nº 14/MITESS/gm/010.2/2018) e o Regulamento das Tolerâncias de Ponto, aprovado pelo Decreto nº 7/2015, de 3 de Junho, cumpre-nos, em primeiro lugar, aclarar que:
- a) Em primeiro lugar, a enumeração do nº 1 do artigo 5 não é taxativa, mas meramente exemplificativa, desde lodo, porque o nº 2 do mesmo artigo, desmente claramente esse entendimento quando dispõe que “compete ao ministro que superintende a área do trabalho conceder outras tolerâncias de ponto.”
Timor Leste: FRETILIN diz que vai investigar resultados das eleições
Numa declaração o secretário-geral da FRETILIN, Mari Alkatiri, disse não estar “convencido” com os resultados mas admitiu não haver provas de irregularidades.
Não estou convencido com este resultado. Vamos investigar as suspeitas que temos de irregularidades. Isso não significa provas. Mas desconfiamos", afirmou numa declaração colocada no Facebook.
Alkatiri apelou à calma dos seus apoiantes afirmando que para poder fazer uma reclamação “são precisos factos”.
"A Fretilin apresentará uma reclamação se comprovar que há factos para apresentar reclamações. Se não houver factos, temos que ter paciência e aceitar. Seremos uma oposição forte. E nunca desistiremos”, disse.
A Aliança de Mudança para o Progresso liderada pelos ex-Presidentes Xanana Gusmão e Taur Matan Ruak, obteve quase 50% dos votos o que lhe permitirá controlar 34 dos 65 lugares no parlamento.
A FRETILIN manteve os seus 23 lugares da legislatura anterior mas o seu parceiro no anterior governo, o Partido Democrático perdeu dois deputados, tendo agora cinco lugares
VOA – 13.05.2018
STV-Pontos de Vista 13.05.2018(video)
Não editado pela STV-SOICO
STV-Jornal da Noite 13.05.2018(video)
Não editado pela STV-SOICO
Meta do recenseamento eleitoral comprometida
Os órgãos de administração eleitoral, Comissão Nacional de Eleições (CNE) e o Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE), mostram-se preocupados com os números, entretanto, admitem a possibilidade de os cidadãos estarem a deixar tudo para o fim.
À busca de alternativas, os órgãos eleitorais decidiram estender o horário das 8.00 às 16.00 por mais duas horas, ou até ao último eleitor presente no posto de recenseamento. No entanto, até sexta-feira, o nível de adesão continuava abaixo das expectativas, sobretudo, nos municípios das capitais provinciais.
Os dados acumulados indicavam a província do Niassa, com cinco autarquias, como a que registava menor número de inscritos, 270.868, correspondentes a 47,66 por cento. Cabo Delgado, com igual número de municípios, era a melhor com registo de 466.013 cidadãos, o correspondente a 92,74 por cento.
A seguir figuravam as províncias de Gaza (5 municípios), 85,77 por cento; Inhambane (5), 81,20 por cento; Sofala (5), 75,51 por cento; Nampula (7), 74,23 por cento; Manica (5), 72,52 por cento; Zambézia (6), 70,07 por cento; Tete (5), 69,70 por cento; Maputo-cidade, 56,34 e, por fim, Maputo-província (3), com 51,20 por cento dos eleitores registados.
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