segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

VEM AÍ MAIS UMA LEI DE AMNISTIA PARA O BRAÇO ARMADO DA RENAMO


Centelha por Viriato Caetano Dias (viriatocaetanodias@gmail.com )
As mulheres são as primeiras vítimas dos conflitos e as suas vaginas tornaram-se num campo de batalha. Denis Mukwege, médico ginecologista congolês
Recebi com agrado a prorrogação da trégua. Aplaudo a decisão do líder máximo da Renamo, mas não escondo a vontade de o ver preso numa pildra e responsabilizado por comandar uma facção criminosa envolvida na matança das populações civis, além de furtar e destruir bens públicos, amputando o desenvolvimento do país. As organizações de direitos humanos, embriagados pelo desejo de ver o governo da Frelimo cair em desgraça, jamais pronunciaram-se sobre os actos macabros de Dhlakama e as acções belicistas do seu partido.
Quando as forças de defesa e segurança saem em defesa das populações civis, contra investidas da Renamo, essas organizações marcham em protesto alegando a violação de direitos humanos.
São assim essas agremiações, agitam cinzas na tentativa de provocar incêndios. Tal como no passado, aliás, sempre que a Renamo perde eleições, voltam às matanças contra as populações civis. Os assassinos do povo, em nome de uma paz postiça, são amnistiados até o próximo pleito eleitoral.
Há pouco menos de três meses, em Maputo, partici­pei de um seminário sobre as Mulheres, Paz e Segurança. Durante o encontro abordei a problemática do concei­to de amnistia. Um conceito em voga porém ambíguo que tem legitimado, em alguns países da África, em particu­lar Moçambique, a violência sangrenta e os crimes contra a humanidade. Sou apologista da reconciliação (qual recon­ciliação, se em Moçambique nunca houve conflitos étni­cos-tribais e nem a actual liça entre a Frelimo e a Renamo tem a ver com a falta de re­conciliação), até porque esse acto faz parte da cultura do perdão. O que não concordo são os arranjos políticos con­cedidos a criminosos para se escapulirem das suas respon­sabilidades. Pois saibam que a justiça de Deus tarda, mas nunca falha.
Dhlakama faz parte do grupo de pessoas que têm um estatuto especial para matar e ser amnistiado. As conse­quências dos seus actos leva­ram à destruição de Moçam­bique nos últimos 20 anos. Quem irá ressarcir os cida­dãos que perderam os seus bens? Quem irá indemnizar as famílias que perderam os seus entes queridos? Quem irá pagar os prejuízos econó­micos registados durante o período de hostilidades? O sonho daquelas crianças de Muxúnguè e da Gorongo­sa que ficaram sem estudar, quem as vai salvar da gan­daia? Quem pode esquecer o tempo que se passou: as noites mal dormidas debaixo de ca­miões, as balas que alvejaram homens, mulheres, velhos e crianças; o abuso e violações sexuais a mulheres e crianças, o esfaqueamento de mulheres grávidas, entre outros crimes hediondos protagonizados pela Renamo. Isto também será amnistiado? Uma coisa é certa: esses crimes jamais serão amnistiados pela minha consciência.
Há que negociar, sim, mas sem esquecer que esses crimes foram cometidos por ganân­cia de poder. Moçambicanos morreram porque Dhlakama quer governar nas seis pro­víncias. O país regrediu por­que a Renamo quer ser gover­no nas seis províncias. Está pois de parabéns o presidente Nyusi em restabelecer (ainda que parcialmente) à paz. Eu compreendo quão difícil é para o chefe de Estado ter que se “vergar” perante uma pes­soa volátil como Dhlakama. É duro. A paz custa, mas ela é necessária para que a vida tenha valor. A esse propósito, termino com a frase de Antoi­ne de Saint-Exupéry, que diz: “A grandeza de uma função está talvez, antes de tudo, em unir os homens.” Zicomo e um abraço nhúngue ao Fábio.
WAMPHULA FAX – 09.01.2017

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