segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Matar até morrer…


A minha lista de inimigos deve ter aumentado significativamente nos últimos tempos por andar a distribuir dicas onde ninguém pediu por elas. Não me importo. Também é a última dica. Por enquanto. Estou a pensar em mais uma coisa que gostaria que fosse tomada em consideração pelo novo governo. É, na verdade, um princípio: se não és parte da solução, és parte do problema! É um princípio muito drástico, e geral, mas oportuno. Recebo os boletins da AIM e arrumo-os num cantinho até um dia precisar de alguma informação. Por vezes, porém, os meus olhos caiem sobre uma notícia quando abro o meu correio electrónico de manhã. E foi o que aconteceu antes de ontem. Deparei com uma notícia com o título “chuvas no centro e norte matam 84 pessoas numa semana”, cuja parte inicial transcrevo aqui:
“As chuvas torrenciais que têm estado a fustigar as regiões centro e norte de Moçambique causaram a morte 84 (sic) pessoas na semana passada, (sic) em diversos distritos das províncias afectados (sic), com maior incidência na Zambézia onde o número cumulativo é calculado em 62 casos. A maioria das vítimas sucumbiu (sic) na sequência do arrastamento pelas águas, descargas atmosféricas, desabamento de casas, esta última (sic) que deixou milhares sem-abrigo para além de terem (sic) perdido todos os seus pertences”.
Há uma coisa que não está bem nesta notícia e não é nem gramatical, nem nada disso. Bom, é gramatical, mas num sentido figurado. Não tem sujeito da acção. Tem predicados e complementos directos e indirectos, mas não tem sujeito. Ou melhor, o sujeito que tem não devia ter. Está errado e só espero que o novo ministro da educação para além de colocar carteiras nas escolas também reforce o ensino da gramática política. Num país civilizado e com um sistema político democrático, com todas as irregularidades que possa ter, intempéries como chuvas nunca podem ser o sujeito da acção. Nunca, ou melhor, uma sociedade responsável não pode deixar que sejam. Num país civilizado, e Moçambique é um país civilizado, o título da notícia devia ser, colocado de forma neutra e inofensiva, “falta de mecanismos de protecção contra as intempéries causa a morte de 84 pessoas”. Melhor ainda: “inoperância das estruturas de gestão das calamidades aumenta a vulnerabilidade da população”. Eu sei que parece título de jornal independente, mas não é bem isso. É responsabilização. A existência dum Estado implica, teoricamente, que tudo quanto se passa no seu interior passa-se por sua comissão ou omissão. Naturalmente que há coisas que ultrapassam mesmo o Estado mais poderoso do mundo. Mas mesmo isso, quando acontece, precisa de ser equacionado com o que devia ter sido feito, mas não foi feito, e o que deve ser feito para que não aconteça mais ou para que o impacto não seja tão nefasto.
Portanto, estou de novo a convocar o nosso sentido crítico. Não estou a dizer que o governo é responsável pelas fatalidades registadas, nem estou a dizer que devia ter feito isto ou aquilo. Estou a dizer que se queremos uma verdadeira mudança no país devemos (nós mesmo) insistir num outro tipo de interpelação, uma interpelação que procure responsabilizar. A chuva não mata. A falta de medidas de prevenção é que mata. A responsabilidade pode ser individual ou colectiva, isso pouco importa agora. O que importa é que nenhuma pessoa que toma a sério a sua condição de cidadã use a chuva como sujeito de oração política. Não devia ser. Agora, há uma razão, se calhar psicológica, que nos impede de ver as coisas desta maneira. Se uma pessoa ao meu lado cai da ponte da Catembe (em construção…) e morre sem que eu me mexa, ou se eu empurro essa pessoa e morre, o resultado, em ambos os casos, é o mesmo. Mas damos mais peso moral ao acto de empurrar a pessoa (portanto, em que somos activos no resultado) do que à passividade (onde somos omissos). Parece haver uma tendência, se calhar em todas as sociedades, de encolher os ombros perante a passividade do que perante a intervenção activa. Pode ser que o mesmo mecanismo esteja em acção quando as pessoas morrem em resultado de chuvas torrenciais num contexto em que ninguém tomou medidas de prevenção. Só nos iríamos sentir mal se assim que começasse a chover as autoridades usassem aquele poder enorme que têm para direcionar as chuvas contra as casas dos mais pobres e desviar as torrentes para os pontos que mais iriam afectar esses pobrezinhos. Aí sim diríamos que as autoridades são responsáveis pelas mortes. Se não mexerem dedinho que seja, a culpa é da chuva.
Dei à reflexão um título xangan, nomeadamente “ku mudhlaya afa”. É dum sentido filosófico muito profundo. Um Matxangana (e suspeito que seja assim com todo o “bantu”) não mata simplesmente. Mata até alguém morrer. Tem a intenção, tem o acto e tem o resultado. Só assim a ideia está completa e fica gramaticalmente correcta. E não é preciso nenhuma carteira para entender essa ideia.
Constantino Pedro Marrengula Caro Prof, levantou um assunto interessante. Parece-me que, um pouco por causa das "nossas limitações orçamentais" e não só, ainda temos que criar entendimentos mínimos sobre o que constitui responsabilidade das entidades públicas e o que cabe aos cidadãos, sociedade civil, etc. Há muita mistura sendo complicado entre nós encontrar sujeitos na reportagem de muitos assuntos.
Josina Malique
Josina Malique So para contrariar: Qual e entao a novidade de se apontar a chuva como a causadora dessas mortes e destruicao? Se nao tivesse chovido como foi, alguma ponte teria desabado, infra-estruturas publicas e privadas teriam sido destruidas? Claro que nao, a menos que tivesse acontecido uma outra calamidade. E sim e culpa da chuva e ponto final! E a chuva e um fenomeno da natureza, ponto final! Nao se pode impedir a chuva. Pode-se tentar persuadir as pessoas a abandonarem as zonas baixas mas estas chuvas abrangeram zonas muito alem das "baixas". Podemos tambem construir casas suspensas para casos de inundacoes...Como queres que um jornal acuse pessoas quando o sujeito da accao e um fenomeno natural? Mas olha que se pode achar um meio termo, so nao sei se gramaticalmente recomendavel, tu melhor diras. Porque deslocarias o foco das chuvas torrenciais para falta de mecanismos de prevencao, seria da linha editorial? LOL. Agora, capacidade das autoridades para fazer face a esta calamidade inevitavel, tendo em conta a fraca capacidade de resposta (rapida e eficaz) e outra coisa... Permita-me que lhe pergunte Elisio Macamo: um filosofo, machangana, e igual aos outros restantes filosofos? Dhlaya afa tem se nao excesso de redundancia um exagero de hiperbole. Veja acitacao do ex-Ministro da Juventude e Desportos no mural do mano Manuel J. P. Sumbana. Bom fim de semana!
Bukamiana Ndomanuele
Bukamiana Ndomanuele Se fosse no meu país eras logo taxado de antipatriota. Por ca, está chuva seria trabalho da oposição só para manchar a imagem do governo.
Rildo Rafael
Rildo Rafael Caro Elisio Macamo. Hoje andas inspirado e acho que vais ganhar muitos amigos, uns se manifestarao e outros irão optar pelo silêncio. Alguns comentários ilustram como são encaradas as interpelações no nosso país. Espero que as dicas não cessem para que tenhamos a luz da interpelação. A responsabilização vai morrer solteira, porque a chuva ela sempre caiu, cai e vai cair durante muito tempo. A prevenção e a situação de emergência são coordenadas por indivíduos, colectividades e ou instituições doptados de certos mecanismos. O problema bicudo da interpelação é a questão da catalogação " alinhado ou não alinhado" e a qualidade da nossa interpelação pode ser uma janela importante da ruptura com os rótulos de prós e contra. A colocação da interpelação de forma neutra e imparcial muitas vezes é percebido com um ataque individual e ou institucional. Remetendo tudo as chuvas, perdemos de vista vários aspectos: para além da responsabilização, não poderemos compreender as nossas políticas de prevenção de calamidades, como estão os nossos sistemas de alerta, o nosso plano de prevenção e de emergência e como eles se articulam, etc.,. O caminho será longo mas gratificante...
Filipe Ribas
Filipe Ribas Li e arrumei num canto. Quando precisar de impressionar, uso a ideia.
Alcídes André de Amaral
Alcídes André de Amaral A logica parece esta: "responsabilizamos quando estamos contra... Desviamos a responsabilidade quando estamos a favor". Por outro lado, Nao ha melhor maneira de nao desviar a responsabilidade do que submeter esta para um ser impessoal! Sera por esta razao que raras vezes sao responsabilizados os medicos por uma morte porque temos "na mao", e nao so na mao, "A Natureza", "O feiticeiro" (o vizinho, a mae, a vovo, e qualquer outra pessoa). Estou na Zambezia nestes dias e, a respeito da dragedia "mais ou menos natural", algumas pessoas acreditam que ha um dragao que finalmente esta se mexendo depois de muitos anos sossegado. Outras pensam que se trata de um castigo dos deuses em apoio a Dhlakama... Bom, fora desta necessidade de carteira, fora do ensino da gramatica, deve-se ter em conta as crencas que muitas das vezes desviam o real problema e desviam a resposabilidade... Sei que isso que disse nao `e a questao principal do seu texto mas tambem `e precisao muito trabalho que um governo sozinho nao iria suportar! `E preciso de sermos parte da solucao porque somos, embora que o egoismos e a fuga de responsabilidade nos faca pensar o contrario, parte do problema!
Manuel J. P. Sumbana
Manuel J. P. Sumbana Por acaso sempre respnsabilizo. Fiz um post a sugerir que Nhusy corresse com a administração da EDM pelo apagão na zona centro e norte de pois daquela da cacimba e poeira.
Alfredo Chambule
Alfredo Chambule Ku famba hi munengue. Ku dla a xikafu.Ver Tradução
Elisio Macamo
Elisio Macamo bom, Alfredo Chambule, "comer" em xangan é muito complicado... não é só comida...
Elisio Macamo
Elisio Macamo Josina Malique, boas questões que me permitirem clarificar aquilo que penso ser um grande equívoco entre nós quando pensamos no estado, legitimidade e política. no texto fiz questão de salientar que mesmo estados poderosos podem ficar impotentes perante fenómenos naturais. e indiquei claramente que no meu post não estou a lançar nenhumas culpas aos governantes. o que estou a dizer é que nós vivemos sob a autoridade de alguém. a partir do momento em que nós nos submetemos a essa autoridade acontece uma coisa interessante: tudo o que nos acontece diz respeito a todos nós e, em particular a quem exerce essa autoridade. o fenómeno natural deixa de ser natural para ser social e eminentemente político. não responsabilizar a chuva pela morte de 80 pessoas é um acto constitutivo do espaço político porque estabelece os termos em que vamos conferir legitimidade ao poder exercido sobre nós. com isto não quero dizer que todo o fenómeno natural seja forçosamente da responsabilidade do governo. nos estados unidos, por exemplo, a filosofia desse estado (mais ou menos aceite por todos) é de que cada qual toma conta de si. há 10 anos fiz, juntamente com colegas alemães, um estudo comparativo sobre a forma como se lida com calamidades em moçambique, alemanha e eua. foi interessante constatar, por exemplo, que a atitude dos moçambicanos e dos americanos (fizemos o estudo no vale do tenessee) era idêntica, mas diferente da atitude dos alemães (aqui fizemos o estudo na fronteira com a polônia). porquê? porque o risco em moçambique não está politicamente socializado e coincide com a filosofia política americana de responsabilizar o indivíduo. é verdade que cada vez mais é difícil que um governo americano fique indiferente. então, a questão para mim não é simplesmente de poder culpar alguém. é que essa possibilidade de culpar é constitutiva da política e, logo, da legitimidade do estado. essa é que é a questão. não entendi a pergunta sobre o filósofo porque a ortografia ficou complicada...
Elisio Macamo
Elisio Macamo Alcídes André de Amaral, concordo com a ideia de que se faz um uso político problemático da noção de responsabilizar. mas responsabilizar pode ser entendido também como uma forma de socialização do risco. muitas vezes, essas explicações aventureiras de fenómenos podem estar ligadas ao facto de que as várias comunidades espalhadas pelo nosso país só de nome é que são comunidades. parece-me um problema sociológico muito bicudo. vivemos sob a ilusão do colectivo, mas as nossas vidas estão cruelmente atomizadas, mesmo lá onde pensamos que são comunitárias.
Filipe Ribas
Filipe Ribas Retive, de modo particular, a questäo da socialização do risco, que me faz pensar que, actualmente, em nome da nossa segurança, há mecanismos acima de um ingc, que têm que ser financeiramente capacitadas para reagir. Do mesmo modo que entregamos os nossos destinos a uma seguradora, tem que existir um fundo ou instituição de garantia.
Josina Malique
Josina Malique Filipe Ribas tambem pensei nos seguros e na cultura de seguros mas ocorre-me que para alem das infra-estruturas e instituicoes publicas e algumas privadas a esmagadora maioria das pessoas que tudo perderam e as que pereceram com estas chuvas nao tem condicoes de aderir a seguros. Por outro lado, que capacidade teriam as seguradoras de intervir se nao se calhar ressarcir as vitimas depois de as chuvas pararem e as aguas secarem? O mais importante, a prevencao, fica uma vez mais penalizado. E volto a perguntar que saidas temos deste ciclo vicioso? Uma outra possivel abordagem seria a de incutir mudancas nos habitos culturais da populacao de modo a minimizar o impacto, por exemplo, das inundacoes.
Filipe Ribas
Filipe Ribas Quando assim falo em termos de um fundo de garantia. O Estado tem capacidade de realizar isso, e fá-lo-ia do mesmo modo que socializa as perdas fazendo que esses pobres todos paguem até os danos provocados pela corrupção.
De resto e no mais, congatulo-me Josina Malique, porque sempre acabaste sendo visível.
Julião João Cumbane
Julião João Cumbane Como uma moeda, este problema que o Elisio Macamo levanta aqui tem sempre duas faces: cara e coroa. A cara são as vítimas e a coroa são as autoridades. Todos são culpados, excepto a chuva, Josina Malique! A chuva tem um papel importantíssimo no funcionamento da Natureza. Ela vai cair, quando tiver que cair. E nós temos já algum conhecimento sobre quando ela vai cair, e até podemos estimar a sua intensidade, com algum erro, é claro. As pessoas que vivem nas zonas propensas às cheias e inundações têm esse conhecimento, mas não fazem uso adequado do mesmo. Porquê? Por que mesmo havendo avisos, como houve desta vez, de que as chuvas serão acima do normal, as pessoas não acatam? E por que as autoridades esperam pela catástrofe para agirem? E dizem: "as populações foram avisadas e ignoraram os avisos"; tipo "nós não temos culpa de nada". De quem é a culpa? E no momento da catástrofe nem importa saber quem é o culpado, porque é óbvio para todos que quem está a inundar machambas e a matar culturas e pessoas é a chuva. Total ausência de socialização do risco, um risco sempre presente. Curiosamente, no meio do sofrimento há quem vê oportunidade para fazer negócio à custa das vítimas. Esta pode ser uma das razões para quem tem autoridade para concitar acção preventiva não o fazer. Todos os anos é a mesma coisa.

Numa 'postagem' recente [https://www.facebook.com/jj.cumbane/posts/708564835928205] apresento uma reflexão sobre esta atitude de "matar até morrer", na perspectiva de identificar a causa e propor uma solução efectiva. Na sua reflexão acima, o Elisio Macamo diz: "se queremos uma verdadeira mudança no país devemos (nós mesmo) insistir num outro tipo de interpelação, uma interpelação que procure responsabilizar. A chuva não mata. A falta de medidas de prevenção é que mata. A responsabilidade pode ser individual ou colectiva, isso pouco importa agora. O que importa é que nenhuma pessoa que toma a sério a sua condição de cidadã use a chuva como sujeito de oração política." Uma pergunta que teima em não se calar é: como lograr O QUE IMPORTA? A falta de resposta para esta pergunta faz com que o problema seja recorrente e, mais grave ainda, com consequências cada vez mais severas. O segredo, quanto a mim, está em assumirmo-nos como parte dos todos os problemas que nos afligem e empreendermos o esforço requerido para sermos cidadãos de facto. Isto é possível se pararmos de procurar culpados de todos os nossos infortúnios nos fenómenos da Natureza ou nas falhas dos outros.
Alvaro Simao Cossa
Alvaro Simao Cossa Quando ha erros Dirigir em Mocambique, parece uma actividade inconsciente, que seu sujeito e' indeterminado, pior quando os objectos dessa direccao forem "cadaveres", ninguem responde por nada, todos dizem que e' destino...combinacao de circunstancias.... Deus..... Elisio tens muita razao temos que mudar as mentalidades, so depois, direi que Mocambique e' um pais civilizado, por enquanto encoucinho-me de aceitar esta civilizacao, onde ninguem e' responsabilizado por nada, mesmo quando ha tantas vitimas letais.
Ignorância teimosa: o nosso maior inimigo
Bem-vindo "Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano"!
As chuvas que estão a cair no país já foram previstas e a informação foi devidamente divulgada pelo nosso Instituto Nacional de Meteorologia (INAM). Pouca gente (se é que alguma) levou a sério os avisos emitidos pelo INAM. A maioria de nós ignorou os avisos sobre a provável "ocorrência de chuvas acima do normal". Porquê?
Em Mocuba, um troço do tabuleiro da ponte sobre o Rio Licungo foi arrastado pela água, interrompendo-se assim a ligação Centro-Norte através da EN1 (estrada nacional número um). Porquê?
Ainda em Mocuba e de Mocuba, diz-se que houve jovens que encontraram a morte ao tentar "atravessar" o troço interrompido da ponte sobre o Rio Licungo num "voo" de carro, ignorando todos os avisos. Porquê?
Noutras partes do país temos gente que perde vidas ou vê os seus bens destruídos por intempéries naturais previsíveis (e.g. chuvas torrenciais, cheias, inundações, vendavais, ciclones, secas, …). Porquê?
Todos os anos temos surtos de malária e de cólera, que ceifam preciosas vidas. Porquê?
Alguma ruas nos bairros suburbanos da Cidade da Matola estão intransitáveis, porque estão alagadas pela água da chuva há mais de uma semana. Porquê?
Todos os finais de ano temos muita gente que fica ferida, fica mutilada, arranja complicações de saúde e morre, em consequência de acidentes de viação, de uso de objectos pirotécnicos, de intoxicação alimentar e de abuso de bebidas alcoólicas. Porquê?
Todos os anos temos problemas de falta de vagas nas escolas, não obstante a disponibilidade de informação estatística sobre a dinâmica populacional. Porquê?

Todos estes problemas ocorrem recorrentemente. E ocorrem assim não porque nos falte conhecimento sobre os mesmos, de modo que os possamos prevenir. Ocorrem recorrentemente porque nós ignoramos teimosamente os avisos de perigo, ou não acatamos as orientações das autoridades. Grosso modo, a nossa sociedade recusa-se teimosamente a fazer uso do conhecimento disponível para evitar tragédias e elevar a sua qualidade de vida.
As autoridades também não agem preventivamente, em tempo útil. Esperam pelas tragédias para começarem a agir. Esta é a forma que elas (as autoridades) encontram para "mostrar serviço" e demonstrar a sua "utilidade social", para justificar pedidos de aumento de salários. Só que a melhor maneira de as autoridades demonstrarem a sua utilidade social é exactamente na prevenção de tragédias. Infelizmente, não é isso que fazem.
A origem fundamental destes problemas—e da forma errada como lidamos com eles—é o nosso défice de conhecimento sobre nós próprios e sobre o nosso meio próximo e distante, ampliado pela nossa teimosia em recusar aprender uns dos outros e em não preservar a nossa história de vida. Estes factores—a ignorância e a teimosia—dão origem à inveja, ao egoísmo, à preguiça, à intolerância, à indiferença e à mentira, todos cancros malignos que emperram o desenvolvimento humano em África, em geral, e em Moçambique, em particular. O meu presente de fim-de-ano (2014) para os meus amigos foi aquele texto (excessivamente longo para um 'post' digerível no Facebook) dedicado à discussão sobre como estes seis (6) cancros emperram o nosso desenvolvimento. Não me surpreendeu a frieza com que os meus amigos receberam aquele "precioso presente". Trata-se de uma das manifestações da razão porque os nossos problemas nunca encontram soluções efectivas, nomeadamente a teimosia da preguiça de ouvirmos e compreender os outros antes de julgarmos.
Nesta 'postagem', a questão de fundo é: como combater a ignorância e a teimosia, de modo a que possamos aprender a prevenir problemas previsíveis e saibamos lidar com problemas imprevisíveis?
A resposta é simples: educação e formação do Homem, para que ele (o Homem) se conheça a si próprio e conheça o meio em que vive, as relações entre ele e este meio e as leis que governam estas relações. Não outra saída! Neste sentido, vejo com bom olhos e congratulo as pessoas pensaram e propuseram a inclusão das questões de desenvolvimento humano na administração e gestão da educação; congratulo igualmente ao Presidente Nyusi por ter "comprado" a ideia.
A expressão "desenvolvimento humano" refere-se à aquisição, pela pessoa humana, da capacidade de PARTICIPAR EFECTIVAMENTE na construção de uma sociedade cada vez mais próspera (material e imaterialmente). Esta capacidade só pode ser adquirida através de acções deliberadamente concebidas, planificadas e executadas para levar a pessoa humana ao reconhecimento de si própria como um ser vivo cuja relação com o meio em que vive é regida fundamentalmente pelas mesmas leis que regem as relações que os outros seres vivos têm com o seu meio (que inclui o próprio homem). Conceber, planificar e executar acções para realizar, coordenar e dinamizar a formação do Homem, para que possa ser cada vez mais próspero, vai ser a tarefa fundamental do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano. A visão deste ministério deveria ser planificar, realizar e promover a educação e a formação do Homem que habita Moçambique para ser cidadão.
Um Homem é cidadão quando convive em sociedade, sendo esta entendida como um grupo de indivíduos que guardam e observam regras de relacionamento entre si. Um cidadão goza de direitos civis e políticos do Estado que lhe define como tal (cidadão). A contrapartida pelo gozo destes direitos é o cumprimento, pelo cidadão, de um conjunto de deveres especificados pelo Estado de que é cidadão. A prática da cidadania consiste em conhecer os direitos e deveres do cidadão, e saber exercer e cumprir estes direitos e deveres. O Estado obriga-se a educar o cidadão para estar consciente dos seus direitos e deveres e saber exercer e cumprir os seus direitos e deveres. O desenvolvimento humano funda-se na prática da cidadania. A inclusão explicita da área do desenvolvimento humano com a educação e formação do Homem afigura-se, pois, como pertinente. E vai requerer uma revisão profunda dos nossos sistemas de educação e de formação ou instrução do Homem para ser cidadão. O nosso país precisa urgentemente disto.
Quando formos cidadãos conscientes da nossa cidadania (e atente-se que não se é cidadão sem consciência de cidadania!), não mais serão recorrentes aqueles problemas mencionados acima, pois nós cidadãos não vamos mais tolerar comportamentos que comprometam a nossa viabilidade como espécie humana e como cidadãos de Moçambique, tais como a inveja, o egoísmo, a preguiça, a intolerância, a indiferença e a mentira. Só quando formos intolerantes com estes males é que:
• não conviveremos com o lixo e não deixaremos ninguém sujar impunemente;
• não julgaremos o nosso pensamento como a suma verdade e prestaremos atenção a quem pensa diferente de nós, pois nesse pensamento diferente pode estar a chave de solução de muitos ou alguns dos nossos problemas como sociedade;
• acataremos os conselhos com humildade e ficaremos disponíveis para aprender com os outros;
• abandonaremos os espíritos de "deixa-andar" e de "deixa-falarem", e começaremos a ver os problemas de outros concidadão como nossos problemas também;
• não permitiremos e não faremos construções desordenadas, sem observância dos princípios técnicos aplicáveis ao tipo de construção e ao local onde se vai construir;
• não esbanjaremos os recursos disponíveis para nosso uso sem pensar nosso próprio futuro e no futuros das gerações vindouras;
• não aceitaremos estudos cujos resultados proíbam o que pretendermos fazer, porque pensado, pois somos desenhados pela mãe Natureza de tal modo que tudo que podemos pensar é permitido pelas leis desta Natureza e pode tornar-se realidade, desde que trabalhemos para isso, científica e tecnologicamente; e
• permitiremos, isso sim e deverá ser, estudos cujos resultados nos proporcionem alternativas sobre como fazer melhor o que pretendermos fazer.
Enfim, quando formos cidadãos, saberemos que todo o progresso resulta da nossa ousadia em ousar fazer o que nos vai à cabeça, preparando previamente para tal todas as condições requeridas para a materialização dos nossos sonhos. Saberemos, igualmente, que o que não é permitido pelas leis da nossa mãe Natureza, o ser humano jamais poderá pensar. Saberemos ainda que o ideal é inatingível por ser contrário às leis da natural, e que todo o nosso trajecto rumo ao progresso processa-se orientado pela tendência para esse ideal inatingível.
Só a educação e a formação do Homem para ser cidadão é que viabiliza estas conquistas da humanidade, que se traduzem no nosso desenvolvimento, no desenvolvimento humano.
Por isso, mais uma vez, bem-vindo "Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano"! (Porém, talvez não fosse necessária a inclusão explicita de "desenvolvimento humano" na designação deste Ministério, porquanto o desenvolvimento humano é consequência da implementação de políticas de educação e formação do Homem. Isto é matéria de uma reflexão posterior, em que até é sugerida a combinação da educação e desenvolvimento humano com as áreas de ciência e tecnologia, aqui nesta 'mural'.)
Eduardo Domingos
Grande incognita que paira na minha mente.
É verdade que em mocambique ha um presidente que ilegitimamente foi empossado e motivo de grandes contestacoes por partidos politicos e alguns sectores da sociedade civil.
É verdade que o maior partido da oposiçao desde a proclamacao dos resultados e investidura de nyussi tem se desdobrar em comicios populares e reunioes dos seus orgaos pra pressionar a frelimo e seu presidente pra se encontrar meio termo para a crise pos eleitoral. Foi assim que apareceram ideias tais como: governo de gestao, autarquias provinciais, regioes autonomas..., tudo no sentido de manter a paz e harmonia entre os mocambicanos. As tres propostas foram grosseiramente chumbadas pelo arquitecto da fraude.
É verdade que o chumbo dessas propostas foi acompanhado com muito sangue (cistac p.ex) e tantas emboscadas e assaltos a casa do lider do partido que representa o rosto dos que constam a fraude.
É verdade que o lider da renamo exilou se por duas vezes nas matas de mocambique em fuga do real plano de o assassinar a cargo das FDS (o falecido ngungunhana foi morto com arma em punho e vestido com farda cm insignias da republica de mocambique estampadas nele confirma).
É verdade que ha tres dias o povo mocambicano foi bafejado cm uma noticia macabra, atentado ao SG da renamo com a mesma gang que protagonizou emboscadas a Afonso Dhlakhama. Segundo o que fala nos corredores os bandidos de zimpinga usaram balas de fragmentacao que ilustra claramente nao se trata de bandidos do tipo agostinho chauque ou mandonga sao bandidos de estado.
Fora isso os membros da renamo foram raptados e assassinados com gente fina que anda de carros 4x4 conforme relatos de populares.
Minhas perguntas: 1.acreditam que Dhl vai viver pra sempre em satungira?
2. Acreditam que as matanças e perseguicoes a membros e dirigentes de partidos vao triunfar?
Agostinho Augusto A situação está difícil. É necessária uma intervenção estrangeira pra amainar os ânimos.
Zakarias Fernando Mais
Zakarias Fernando Mais Djaka vai vencer. Isso é quistao d tempinho a merda da frelimo vai cair
Aziza Throne
Aziza Throne O pior sao as mortes de inocentes nas maos desses bandidos
Paulo Besteleve Besteleve
Paulo Besteleve Besteleve Quem não deve não teme, a frelimo perdeu PUK está sem rumo, a queda da frelimo é eminente militarmente a frelimo ta sem capacidade o povo ja conhece quem é o verdadeiro inimigo do povo.
Afonso Dhalakama deve terminar com a tolerância,a frelimo de bandeja não vai entregar a vitória ao legítimo vencedor.
Julio Lacitela
Julio Lacitela Se os tipos entregam o poder vao morrer na cadeia, antes morrer agarrados ao poder, simples quanto isso
Filipe Carlos Domingos Domingos
Filipe Carlos Domingos Domingos Evidentemente o lider vai viver e os dirigentes do partido vão triunfar

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