sábado, 17 de dezembro de 2016

Rússia atola-se na Síria



CONFLITO NA SÍRIA


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O que militares russos defendem, e já está a ser feito na Síria, é a repetição de operações como as que não deixaram pedra sobre pedra em Grozny, na Chechénia, sem se importarem com “danos colaterais”
Para Vladimir Putin, a participação na guerra civil síria poderia contribuir para a sua afirmação a nível internacional, o que parecia estar a acontecer, mas o reaparecimento dos terroristas do Estado Islâmico em Palmira traz à memória a intervenção militar soviética no Afeganistão, iniciada em Dezembro de 1979.
Notícias optimistas sobre os êxitos militares de Bashar Assad e da Força Aérea Russa são quase diariamente reportadas ao mundo não a partir da Síria, mas da sede do Estado Maior das Forças Armadas da Rússia a partir de Moscovo. Daí, bem como do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, vêm também os desmentidos de todas as acusações das Nações Unidas ou de organizações humanitárias internacionais sobre as numerosas vítimas e destruições provocadas pelos bombardeamentos russos.
A actuação de uma orquestra sinfónica russa em Palmira, dirigida pelo conhecido maestro Vlari Guerguiev, era uma demonstração de que esta antiga cidade síria estava completamente controlada pelas tropas governamentais sírias, mas o reaparecimento de tropas do DAESH e a reconquista de parte desse território desmente essa afirmação.
Iúri Valuievski, chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Rússia entre 2004 e 2008, considera que se tratou de um erro dos militares russos que atingiu o prestígio deles: “mais um golpe contra o prestígio, nomeadamente contra o nosso prestígio”, declarou ele à agência russa Interfax.
“Independentemente do estado do exército sírio, foi incorrecto não acompanhar a concentração de forças do inimigo na região de Palmira. Isso não deve acontecer. E também não compreendo os meus colegas que lá se encontram. Talvez os sírios não tenham possibilidades como nós. Mas para onde estivemos a olhar se Palmira foi realmente tomada?”, frisou.
Segundo este general russo, a causa disso reside nas pausas humanitárias: “era claro que os terroristas não iriam parar. É-me difícil compreender, enquanto militar, o que fazemos, nomeadamente essas pausas humanitárias”.
Ou seja, o que este militar russo defende, e que na realidade está a ser feito na Síria, é a repetição de operações semelhantes àquelas que não deixaram pedra sobre pedra em Grozny, capital da Chechénia, nas cidades sírias, sem se importarem com aquilo que normalmente chamam “danos colaterais”.
Face a esta situação, os Estados Unidos e os seus aliados mostram-se incapazes de pôr fim a este banho de sangue, sendo de salientar que têm também sérias responsabilidades neste conflito, armando nomeadamente grupos armados de oposição a Bashar Assad que hoje não conseguem controlar. Além disso, a administração de Barack Obama cedeu praticamente toda a iniciativa na Síria a Moscovo depois da derrota dos democratas nas eleições presidenciais de Novembro passado, pouco ou nada quer ou pode fazer por já estar de saída e Donald Trump ainda não foi empossado no cargo de Presidente dos Estados Unidos. Vladimir Putin está a utilizar o mais possível esta espécie de “interregno” para reforçar as suas posições na Síria e, por isso, as pausas humanitárias são contraprodutivas.
Ainda é difícil conseguir perceber qual a política que a futura direcção norte-americana irá realizar na Síria e regiões vizinhas, mas nada promete calmaria para o Médio Oriente. Em qualquer dos casos, não haverá milagres e, para que o regime de Bashar Assad continue no poder, exige um envolvimento cada vez maior das tropas russas na região e, por conseguinte, mais despesas militares. Tatiana Golikova, presidente do Tribunal de Contas, anunciou que o Fundo de Reserva da Rússia, que acumula os lucros do petróleo e gás, se esgotará em 2017 e não se prevê que a situação económica e financeira do país melhore.
Por tudo o que foi dito, é evidente que António Guterres enfrenta desafios extremamente complicados à frente das Nações, e a Síria é, talvez, o mais difícil. Dependendo completamente da política dos membros do Conselho de Segurança da ONU, o novo secretário-geral deverá encontrar novas vias de diálogo e de solução dos graves problemas internacionais, com Donald Trump à frente da maioria potência mundial.
Comentários
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João Gata
14 h
José Milhazes é uma espinha muito incómoda cravada na garganta dos Terroristas que compõem o PCP. Bravo a José Milhazes, o ex-insider que conhece por dentro como ninguém em Portugal a perversão do ex-regime soviético e dos PC's deste Mundo, felizmente em declínio final.
Joaquim de FreitasJoão Gata
9 h
UM CALIFADO EM TROCA DUM PIPELINEPassa-se qualquer coisa, neste momento, na Terra. Uma grande potência, quiçá a primeira, que se “queixa” do líder doutra potência, quiçá a segunda, que teria, por meios informáticos, “influenciado”, “sugerido”, transtornado a cachola dos Americanos a tal ponto, que votaram por Trump, por engano… Que o presidente Obama, democrata, esteja zangado com Putine, que seria o autor da “feitiçaria, ainda vá, mas que os Americanos, os “Supermen” se tivessem deixado hipnotizar pelo filho do “mujic” é que não està certo. Se fosse Obama também estaria envergonhado…O problema é que os Americanos não estão ao corrente de muitas coisas que o seu governo lhes esconde…Quantos Americanos leram o que disse Tim Clemente, ex-presiente do FBI entre 2004 e 2008, que os Americanos cometeram na Síria o mesmo erro que quando treinaram os moudjahidines no Afganistao ? Quantos leram? No momento em que os Russos abandonaram o Afganistao, os supostos aliados dos Americanos puseram-se a destruir antiguidades valiosas, a escravizar as mulheres, a mutilar os corpos e a disparar sobre os Americanos. Os moudjahidines transformaram-se en talibàns. Melhor ainda : O Vice-presidente Joe Biden explicou em 3 de Outubro de 2014, aos estudantes de Harvard, que a Turquia, a Arabia Saudita e os Emirados arabes unidos estavam « tão determinados a fazer cair Assad que lançaram uma « guerra por procuração entre sunitas e chitas », e lançaram imediatamente centenas de milhões de dólares e dezenas de milhares de toneladas de armas no terreno de jogo, a quem “quisesse combater contra Assad”…Só que, estúpidos Americanos, os indivíduos que deitaram a mão ao dinheiro e às armas eram os tipos de al-Nosra e Al-Qaïda, os dois grupos que se aliaram em 2014 para formar o Estado Islâmico, isto é Daesch…Que miséria… Agora, muitos ÁRABES crêem que não foi por engano que os Americanos financiaram e armaram os islamistas… As provas de implicação americana são tantas e tão evidentes, que muitos concluíram que os USA queriam favorecer o Estado Islâmico…Claro e porque não, quando sabemos que muitos combatentes do Estado Islâmico e os seus comandantes são os sucessores ideológicos e organizacionais dos jihadistas que a CIA treinou durante mais de 30 anos da Síria ao Egipto, ao Afganistao e ao Iraque…Se no Iraque, muitos iraquianos, combateram contra os Americanos, era porque defendiam a sua pátria da invasão americana. Na Síria, os homens em idade de combater, pegam nas mulheres e nos filhos e fogem para a Europa. A explicação é simples: não querem morrer por um pipeline…numa guerra entre pipelines concorrentes.Que ninguém venha dizer-lhes que a guerra contra Assad é uma guerra idealista contra a tirania, o terrorismo e o fanatismo religioso. Não. A explicação é simples: não querem morrer por um pipeline…numa guerra entre pipelines concorrentes.

E o mapa seguinte explica aquilo que o Senhor Milhazes é incapaz de explicar : a verdadeira razao da querra lançada pelo Ocidente, através dos "proxys" que sao os mercenàrios terroristas de Al Qaida, al Nosra e Daecs. financiados pelos emirados do golfo e os EUA, França, etc.

Carlos Carapeto
16 h
José Milhazes se não está informado sobre a batalha de Alepo devia informar-se. 
Os combates centraram-se numa zona diminuta da cidade,  por favor  não generalize. Por  isso excede a verdade ao afirmar que os  Russos não vão deixar pedra  sobre pedra  na Síria. 
Grozny também não ficou plana como está  a pretender fazer crer.
Chegou a visitar Grozny ?
Além disso se não sabe devia saber para informar os seus leitores que as autoridades Russas tiveram o cuidado de antes de  se lançarem ao assalto dos bairros  em poder dos Tchetchenos de evacuar os civis e aloja-los   em Naulitchik.

O seu problema parece  residir numa  previsão falhada  que  escreveu  no inicio da intervenção Russa  na Síria.   "Putin pode preparar milhares de sacos de plastico para retirar os cadaveres dos militares Russos mortos".

   Putin  arruinou   o negócio ao José  Milhazes, fez o investimento ficou   com a mercadoria por vender. Foi ?

Joaquim de FreitasCarlos Carapeto
9 h
Exacto. As destruiçoes na parte Oeste de Alepo sao devidas aos tiros de morteiro dos terroristas "amigos" do Ocidente, tirados da parte Este, que, foi bombardeada pelo governo e os Russos. O que é normal. Os civis sao os danos colaterais de nao importa qual guerra. O que é lamentàvel.
Shiri BiriCarlos Carapeto
5 h
O problema de escrever por encomenda do partido é que nem se lê o artigo do Milhazes.

Milhazes fala de Palmira e não de Alepo.

Esse comentário era para outro artigo. Trocaram as mãos lá na agit-prop do partido.
Shiri BiriCarlos Carapeto
5 h
Carapeto, chegou a visitar Grozny?
Jesus Manuel
1 d
Caro josé... o petróleo já não irá nos 5 mil auto tanques do filho do Erdogan..

para petroleitos nos portos turcos levarem para as refinarias alemãs..a bom preço...trocado por géneros e armas para o Isis !

achas mal ?  O atoleiro é valioso...

Jesus Manuel
1 d
Por muito que te custe..josé ....é a melhor táctica de guerra...poupa muitas vidas...gentis Khan.   Quando sitiava uma cidade dava um prazo para rendição..todis eram poupadod..o direito de culto religioso..garantido...mas a exploração da auiqueza mudava de mãos....os que não acedia,   Não ficava viva alma nem pedra sobre pedra..
na próxima já não havia guerra..
José Silva
1 d
BREAKING: West-backed "rebels" strapped 7-year-old girl with explosives and detonated here in #Damascus just minutes ago (2 hours ago)

estes são os vossos moderados. parabens !!
MaxMartins Martins
1 d
É "engraçado" como alguns se apressam a condenar José Milhazes...

Será que esses mesmos também condenarão o PCP por isto...?

"...A Assembleia da República aprovou esta sexta-feira um voto de repúdio apresentado pelo Bloco de Esquerda (BE) contra os recentes bombardeamentos e crimes praticados na cidade síria de Alepo, com o PCP a votar isoladamente contra. ..."


Os crimes praticados na Siria são os "mesmos" que vem sendo praticados desde 2002/3 ... invasão do Iraque, lembra-se ? O Iraque ainda HOJE (keyword: HOJE) rebenta por todos os lados. 
Nem sei como consegue dormir ... end of sarcasm !
PortugueseMan .
1 d
 ...Tatiana Golikova, presidente do Tribunal de Contas, anunciou que o Fundo de Reserva da Rússia, que acumula os lucros do petróleo e gás, se esgotará em 2017 e não se prevê que a situação económica e financeira do país melhore...

Uma vez mais, meu caro, você insinua os problemas crescentes económicos da Rússia.

Você é incapaz de dar a imagem de algo que se assemelhe a coisa positiva vinda daqueles lados.

Ao longo dos anos todos que participei, no seu blogue, sempre usou a mesma narrativa. A única coisa diferente era o tópico.

  • De início era a Chechénia. Com a economia de rastos, a Rússia não tinha dinheiro para manter a coisa.
  • Depois passamos para as Ex-Republicas da Geórgia. Com a economia de rastos, a Rússia não tinha dinheiro para manter a coisa.
  • A seguir, saltamos para a Crimeia e os territórios rebeldes. Uma vez mais a mesma narrativa: Com a economia de rastos, a Rússia não tinha dinheiro para manter a coisa.
  • Vieram as sanções e o "isolamento" da Rússia, o que foi focado? Com a economia de rastos, a Rússia não tinha dinheiro para manter a coisa.
  • A Rússia envolveu-se na Síria e o que diz? Com a economia de rastos, a Rússia não tinha dinheiro para manter a coisa.

Costuma-se dizer que um relógio avariado, acerta pelo menos duas vezes num dia.

Você nem isso meu caro.

As reservas financeiras russas, estão hoje maiores do que quando decidiram envolverem-se na Síria .

E ainda se queixa que há quem faça propaganda. Interrogo-me o que será o seu trabalho. Informar é que não é.

José MilhazesPortugueseMan .
1 d
Informe-se melhor, fale com os russos. A Presidente do Tribunal de Contas da Rússia está a mentir? Talvez o dinheiro já tenha acabado? Ao contrário do que a propaganda do Kremlin afirma, a situação económica e social no país agrava-se. Por isso, Putin que ponha ordem em casa, antes de ir impor o que quer que seja aos outros. O dinheiro da venda de 16% de acções da petrolífera Rosneft dá para financiar mais uns tempos de guerra e a sede dos corruptos. Pergunte aos empresários russos quando têm de pagar aos agentes de serviços secretos para puderem trabalhar. Talvez você me venha dizer que claro que é melhor pagar a estes que aos bandidos dos anos 90. 
Então os agentes de serviços secretos controlam os empresários e não controlam a presidente do tribunal de contas ? Putin está a perder qualidades ou então Zé , pá estás a perder qualidades.
Joaquim de FreitasJosé Milhazes
9 h
Senhor Milhazes: Quem forneceu milhoes de dolares e toneladas de armamento a al-Nosra e al Qaida na Siria? E com que objectivo? Porque é que estes grupos sanguinàrios sao os aliados objectivos do Ocidente? O que é que esconde a guerra da Siria, senao o facto que quando Assad recusou a passagem dos pipelines do Catar e da Arabia Saudita, porque faziam concorrência aos do seu aliado Russo, apareceram imediatamente os bandos armados no Iraque e na Turquia que esbordaram para a Siria? O Senhor que é jornalista, leia as declaraçoes recentes do sobrinho de JF.Kennedy sobre o assunto. 
Joaquim de FreitasJoaquim de Freitas
9 h
O Senhor devia elevar-se no seu trabalho de jornalista, ao nivel da geo estratégia americana na regiao. Siga à traça o percurso dos pipelines do Catar e da Arabia Saudita e vejam onde chegariam se .....
João Eduardo Gata
1 d
A seu tempo os Ditadores Bashar Al Assad e Vladimir Putin serão castigados pessoalmente pelos massacres que cometeram na Síria. Não escaparão ao Castigo, que deverá ser brutal e implacável.
Joaquim de FreitasJoão Eduardo Gata
9 h
E Bush nao? Haveria guerra na Siria se a terrivel mentira das ADM de Bush nao tivessem destruido as estructuras dos Estados, Iraque, Libia, Siria, ?

Montresor Amontillado
1 d
O ser humano tem uma tendência natural para manter uma coerência interna. E esta tendência leva-nos muitas vezes a cometer erros grosseiros.
Vejamos: achar que Putin é um ditador legitimado democraticamente, autocrático e cruel poderá ser mais ou menos legítimo, mas aceitável num dialética argumentativa. Afinal de contas, Putin defende os interesses da Rússia e naturalmente se os nossos interesses não estiverem alinhados com os da Rússia, veremos Putin como um monstro ou vice-versa.
O problema é que depois, para sermos coerentes com a imagem que temos de Putin, recusamo-nos a analisar os factos com isenção e "carimbamos" o assunto com o "selo Putin, o Mau".
Ora sabemos que na Síria não é assim. Assad é um ditador? Sim. Tanto como Erdogan, a monarquia Saudi, os Emires e por aí fora. Quem quer que o substituísse iria democratizar algo? LOL LOL. Que tem Assad de diferente? Apenas não estar alinhado com os interesses sunitas da Arábia Saudita, Turquia, USA e historicamente ter estado do lado do Irão e Rússia. Afinal de contas a Síria é um país de maioria Sunita governado por Alawitas há mais de 40 anos. Note-se depois da independência da Síria, os sete primeiros presidentes foram derrubados. Normal que os Assad tivessem alguma teoria de conspiração. Agora, make no mistake, não há qualquer comparação entre o que era viver na "ditadura" da Síria ou nas "ditaduras" Wahabistas lá da região.
Joaquim de FreitasMontresor Amontillado
9 h
Putin é MAU, porque reagiu ao cerco dos Ocidentais, através da NATO, ao seu território. Imaginemos que a Rússia estenda a sua influência até ao México e instale mísseis em Guadalajara? Como em tempos em Cuba? Como reagiu Kennedy? Ou a Rússia é culpada de ter as fronteiras perto demais dos mísseis da NATO, a algumas dezenas de quilómetros? As fronteiras russas não mexeram dum milímetro. Mas os mísseis da NATO vieram da Alemanha até à porta-a de casa… Os Russos têm uma base, fora das suas fronteiras, uma só base militar no Mediterrâneo, na Síria. Os americanos tê 865 bases militares no Mundo, incluindo Portugal …
Joaquim de FreitasMontresor Amontillado
9 h
Muita gente ignora porque é que a Síria, um pequeno país do Médio-Oriente, se tornou num palco de conflitos nos últimos anos?Esqueçamos as divisões internas, que existem, e as revoltas contra o poder central de Bachar Al-Assad, que também existem. Imaginem que neste país convivem chitas, sunitas, drusos, cristãos, estes divididos em onze igrejas ou confissões, e que são talvez aqueles que riscam de pagar a factura do conflito, porque minoritários, ismaelitas, do nome do 7° imã do XI° século, alguns milhares de yézidis professando um sincretismo entre zoroástrico, maniqueísmo, cristianismo e islão.Numa firma que me representou neste país, cheguei a conviver com cinco religiões diferentes. A Síria é um país cujas fronteiras foram desenhadas em cima do joelho, num hotel sírio, pelos generais franceses e ingleses quando partilharam os despojos do império otomano, cuja derrocada provocou a formatação do Médio Oriente tal como aparece hoje. A Síria foi “confiada” à França, como protectorado, como o Líbano. Os ingleses guardaram o resto, entre os quais a Palestina, colocada sob mandato.Mas não são estas fronteiras que estão em causa. O que está em causa é a estratégia americana para asfixiar a Rússia, através da limitação das suas exportações de petróleo e gás natural para a Europa. Temos aqui, neste mapa, uma ideia do abastecimento da Europa, através dos vários oleodutos e gasodutos:Confuso? Sem dúvida, mas mostra quanto a Europa está dependente do petróleo e do gás natural proveniente da Rússia.No mapa abaixo, temos apenas as alternativas ao petróleo e gás russo:- Temos o oleoduto Nabucco, que transporta o petróleo e gás desde Baku, Azerbaijão antigo país da URSS, actualmente sob controlo americano e que passa pela Turquia.- Depois temos o contestado oleoduto islâmico com origem no Irão, que passa pelo destruído Iraque e depois pela Síria.- Finalmente, o mais importante, a aposta americana: oleoduto e gasoduto com proveniência no Catar, que passa pela Arábia Saudita (amigo americano) e que também deverá passar pela Síria para abastecer a Europa.Exceptuado o oleoduto de Nabucco, as soluções passam por atravessar a Síria, daí a sua importância e fonte dos actuais conflitos. Agora as coisas ficam mais claras, a saber porque é que este pequeno país se tornou subitamente fonte de tantas guerras.O pecado de Bachar Al-Assad...Em 2002, a Turquia e o Catar chegaram a um acordo para o transporte de gás e petróleo para abastecer a Europa, mas esse transporte deveria obrigatoriamente de passar pela Síria.Quando foi colocada a questão do consentimento a Bachar Al-Assad da passagem desses oleodutos e gasodutos, este recusou para proteger os interesses do seu aliado Russo.Progressivamente foram instigados e armados "rebeldes" anti Bachar Al-Assad para o eliminar do poder e instalar uma marioneta conivente com os Estados Unidos para depois dar o seu "amen" ao projecto.De um lado temos os países ocidentais, a Turquia e as monarquias do Golfo, do outro, temos a Rússia, o Irão e a Síria.No meio deste conflito, a cidade de Homs, tão badalada nos últimos meses, que representa um ponto de passagem obrigatório, isto para além de ter sido descoberto nesta zona de uma importante reserva de gás natural.Portanto, pode dizer-se que é um conflito com cheiro a gás e petróleo... E no fim, que importam as centenas de milhares de mortos, que jazem nos escombros das cidades sírias, e os milhares de mortos que aparecem agora nas costas de França, a boiar nas águas do Mediterrâneo.O Ocidente vai festejar como se deve Natal. Como dantes.
Joaquim de FreitasMontresor Amontillado
9 h
Esqueçamos as divisões internas, que existem, e as revoltas contra o poder central de Bachar Al-Assad, que também existem. Imaginem que neste país convivem chitas, sunitas, drusos, cristãos, estes divididos em onze igrejas ou confissões, e que são talvez aqueles que riscam de pagar a factura do conflito, porque minoritários, ismaelitas, do nome do 7° imã do XI° século, alguns milhares de yézidis professando um sincretismo entre zoroástrico, maniqueísmo, cristianismo e islão. A Síria é um país cujas fronteiras foram desenhadas em cima do joelho, num hotel sírio, pelos generais franceses e ingleses quando partilharam os despojos do império otomano, cuja derrocada provocou a formatação do Médio Oriente tal como aparece hoje. A Síria foi “confiada” à França, como protectorado, como o Líbano. Os ingleses guardaram o resto, entre os quais a Palestina, colocada sob mandato.Mas não são estas fronteiras que estão em causa. O que está em causa é a estratégia americana para asfixiar a Rússia, através da limitação das suas exportações de petróleo e gás natural para a Europa. 
Serranos Rebelos
1 d
Sr. Milhazes: não há guerra civil na Siria; quem lhe vendeu esse pacote?
José Silva
1 d
Não adianta passar por um chicken hawk tal como michael weiss para trazer porcaria para aqui.

a hipocrisia sobre Aleppo vê-se em coisas como esta:
"Mr @BritaHagihasan of the Eastern Aleppo Local Council briefed the EU Heads of State and Governments #EUCO @EUCouncil"

wtf is Eastern Aleppo Local Council e porque faz um briefing na EU ...
pegue no seu sermão e vá canta-lo para os peixes de Yemen ou Mossul, Falujah, Tripoli.

Btw, se Hollande está tão preocupada com os seus moderados a ponto de colocar a Eiffel da mesma cor da bandeira do ISIS, é simples, em vez de irem para Idlib, enviam-se os "moderados da AQ" e familia para Paris.

Nunca esperei ver a EU a chorar a derrota da AQ !!!
Felizmente ainda existem verdadeiros jornalistas como Eva Bartlett que dizem o que deve ser dito.


Nuno Granja
1 d
Excelente e lúcido.
Aproveito para felicitar a  recente prestação televisiva sobre este assunto em conjunto com Monjardino.
Sillas Va
1 d
Sr Milhazes, infelizmente para si, os terroristas foram derrotados em Aleppo e a população desta cidade, saiu a rua para festejar. Quando se refere as tropas soviéticas no Afeganistão, certamente que recordará que os supostos combatentes antí-soviéticos, criados, treinados, armados e apoiados pelos Estados Unidos e países ocidentais, após a retirada soviética, despiram as máscaras e mostraram as suas verdadeiras caras de terroristas Talibãs e al Qaedas, que mais tarde atacaram os Estados Unidos e países da Europa. Parece que a história repete-se. Quando se refere a Chechenia, certamente que se recorda dos atos terroristas dos seus amigos Basayev e companhia em Budionovsk, Beslan etc. Na cidade de Grózni os terroristas foram derrotados e sobraram sim pedras sobre pedras. Porque não vai visitar Grózni, onde a população vivem em paz e harmonia ?
Quanto a cidade de Palmira, é certo que os russos cometeram o erro de confiar naqueles que faziam ofensivas contra o daesh e Raqqa e Dar ez Zor, chegando mesmo a bombardear posições do exército sirio perto de Dar ez Zor. Resumindo o daesh atacou Palmira a partir dessas duas localidades, percorrendo 400 km e noutros casos cerca de 600 km em pleno deserto, até atingir Palmira. Parece que alguém olhou para o lado e disse, o inimigo do meu inimigo é meu amigo. Pode ter a certeza sr Milhazes que o exército sírio e os russos vão retomar essa cidade e derrotar o daesh. Só espero que o sr não diga, que foram os russos que destruíram o património da humanidade lá existente. Quanto ao orçamento da Rússia...? Não se preocupe e nem se mete nisso sr Milhazes. A Rússia, mesmo com sanções não vai pedir esmolas a ninguém.
Faço-lhe recordar, que a ONU informou, que os seus amigos ditos moderados, mas que são jihadistas terroristas, mantinham a população do leste de Aleppo como reféns e transformava-os em escudos humanos, impunha a sharia .
José MilhazesSillas Va
1 d
Enquanto se tentar justificar os crimes de uns com os crimes de outros, a humanidade não sairá deste círculo vicioso. 
Eu estive em Grozny há alguns anos e vi a "segurança" e apenas uma nota: a invasão soviética do Afeganistão foi a causa, todo o resto que você cita depois são consequências dessa intervenção e não podem ser apresentadas como justificações.
Sr Milhazes, não são comparações, mas sim omissões propositadas da sua parte que lhe fiz recordar. O sr chama invasão soviética ao Afeganistão, mas não chama Invasão americana ao Iraque. Ou seja dois pesos duas medidas. Agora tentar dizer que a intervenção soviética no Afeganistão foi que originou o surgimento da al qaeda ? Só pode ser brincadeira. Então  cria-se um monstro para lutar contra um invasor, o monstro luta e pensa que ganhou. como ele é mesmo monstro, vira-se contra o seu próprio criador e ataca-o fortemente. Então a culpa do ataque recai para o invasor, que no entanto, a muito deixo de se-lo ? Sinceramente sr Milhazes ?
Sr Milhazes, a jornalista canadiana Eva Bartlett, durante uma recente entrevista, deu uma explicação detalhada, sobre o que realmente se está a passar na Síria e como jornalistas como o sr, o dito observatório sirio dos direitos humanos e outros,  procuram a todo o custo manipular a opinião pública internacional e principalmente europeia e norte-americana sobre a guerra na Síria. Tenha coragem e converse com essa senhora sr Milhazes.
Presidente George W. Bush, que em junho de 2003, segundo a BBC, alegou seguir os desígnios divinos ao invadir o Afeganistão e, logo depois, o Iraque, caracterizando assim um certo fundamentalismo cristão, não teve poderes extraordinários para devolver ao Afeganistão a paz tão desejada, perdida desde a invasão da União Soviética. Grupos dissidentes continuam a combater entre si e, nas províncias.
tambm critica esta invasão ? 

João GataSillas Va
14 h
Os maiores terroristas são os apoiantes e os membros do Regime Ditatorial de Bashar Al Assad, que há anos massacram milhares de sírios, como fez durante décadas o Ditador Hafez Al Assad, pai de Bashar, e sempre com todo o apoio quer da Rússia quer da ex-URSS, em boa altura colapsada.
Sillas VaJoão Gata
11 h
Vou-lhe recordar uma coisa, quando Bashar al Asad  substituiu o pai,ele e sua esposa Asma eram o aiii jesus do ocidente, pelo facto dos dois terem vivido e estudo em Londres. Eram recebidos com pompa e circunstâncias nas capitais europeias. A Síria era uma grande referência, para os outros países da região, até o dia em que Bashar al Asad fez o que qualquer governo democrático faria, defender-se da rebelião armada, criada e financiada primeiro pelas monarquias do golfo e depois pelos países ocidentais. 
A Síria foi invadida por terroristas de quase todo o mundo e não restava outra coisa ao governo sírio de defender-se.
A madre argentina, foi explicita, quando detalhadamente explicou o que se passava na Síria, vocês não acreditaram. Agora uma jornalista canadiana independente de nome Eva Bartlett, que esteve recentemente na Síria, desmascara pessoas fanáticas como o sr, que não aceitam a verdade, escudando-se na mentira, manipulação, falsificação de todo o tipo e propaganda ridícula, pelo simples facto de querem derrubar a todo o custo Bashar al Asad e transformar a Síria numa Líbia ou Somália.

Milhazes em modo wippy . Make  love not war
Rui Gonçalves
1 d
Milhazes e a sua cassete...ainda pior que Cunhal. 
martins bento
1 d
Milhazes acaba confessando implicitamente, o amargo de ver que a politica russa e a mais sensata,afinal estava certa.Fácil para Putin ,quando do outro lado,estava um  irresponsável.Agora,com Trump .,começa a politica a sério
João Gatamartins bento
14 h
"Política Russa certa" significa? Milhares de sírios massacrados pelas forças do regime ditatorial de Al Assad, sempre apoiado pelo Ditador Putin?
Miguel Antas de Barros
1 d
Ainda há uns dias me referi entre amigos a dois aspectos que são tratados neste artigo: desde que o Ieltsin saiu e o Putin chegou, a Rússia não voltou a perder qualquer guerra. Esta é a quinta vitória seguida. Tchechenia, Arménia, Geórgia, Crimeia e agora a Síria.
O segundo aspecto é que a estratégia seguida em Grozny (arrasar e, de seguida, oferecer o poder às  mesmas elites) parece ser aplicável na Síria. Daí que os russos não deixem de falar na oposição e com a oposição.
Por outro lado, não posso deixar de concordar com o general citado. Identificar e fixar o inimigo é o maior problema numa guerra subversiva. Esta coisa "assim, assim", de permitir a saída de combatentes das zonas em que se encontram cercados, para poupar os civis e insfraestruturas presentes nos mesmos locais, pode dar origem ao seu reagrupamento "atrás das linhas" com o consequente recrudescimento do conflito outros locais aparentemente controlados.
As tréguas devem servir para que os civis possam (ou sejam obrigados) a abandonar as zonas de combate. Tréguas com recolocação de combatentes, podem salvar os civis num lugar mas põe em causa a segurança de outros.
Aí é que as organizações internacionais deviam atuar: prover por corredores e momentos para a recolocação de populações civis, exigindo de ambos os lados que esta seja efectiva (ainda que para isso tenha que ser coerciva).
Que a guerra se desenrole entre combatentes é o curso natural das coisas e não tem nada ilegal.
Sem me referir ao autor, noto que na imprensa Ocidental os civis da zona Leste de Aleppo valem mais que os da zona Oeste da mesma cidade ou os de Raqqa ou os de Mosul. No primeiro caso as mortes são "barbaridades" e "crimes de guerra", nos segundos danos coleterais necessários a um bem maior.
No To Brainwashing
1 d
que belo timming!!!

e que tal festejar com os milhares de sírios libertados? sempre aliviava essa vidinha triste não?

Sem comentários:

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