A mulher, Caitlan Coleman, acusa o marido de a ter abusado fisica e psicologicamente: "Ameaçava matar-me com regularidade, ateando-me fogo”
Caitlan Coleman, mulher de Joshua Boyle - casal que se tornou conhecido por terem sido mantidos em cativeiro no Afeganistão durante cinco anos -, acusou o marido de a ter abusado física e psicologicamente durante o período em que estiveram às mãos de um grupo ligado aos taliban.
A acusação consta de um documento judicial consultado pelo jornal canadiano Ottawa Citizen. Os documentos datam de Junho deste ano e, neles, Caitlan Coleman pede a custódia dos filhos e autorização para se mudar de Otava (onde viviam desde que foram libertados) para o estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, a sua terra natal.
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“J.B. [Joshua Boyle] ameaçava matar-me com regularidade, ateando-me fogo”, disse Coleman, que está grávida do quarto filho do casal. O marido “tinha irritações incontroláveis” e puniu-a fisicamente várias vezes, contou no depoimento.
Continue connosco. Temos muitos outros artigos para siJoshua Boyle, 34 anos, negou todas as acusações num depoimento de 23 páginas. Por seu turno, acusou Coleman de agressão e de ter problemas de saúde mental não tratados que a levaram a negligenciar os três filhos.
Nenhuma das acusações foi comprovada em tribunal, mas Caitlan conseguiu a custódia dos filhos e já estará em solo norte-americano. “O tribunal tem provas, por outro lado, que Caitlan Coleman é saudável e protege as crianças”, determinou o juiz. Por isso, deu autorização para que pudesse seguir para os EUA: “Sob as circunstâncias excepcionais deste caso, obrigar C.C. e as crianças a ficar em Otava seria o mesmo que pô-los novamente em cativeiro”.
Em 2012, Caitlan Coleman e Joshua Boyle foram raptados no Afeganistão pelo grupo Haqqani, aliado dos taliban, quando percorriam o país de mochila às costas. Cinco anos mais tarde foram resgatados por forças paquistanesas no Noroeste do país, na zona tribal de Kurram, muito perto da fronteira com o Afeganistão.
Pouco depois de ter aterrado em solo canadiano, o casal revelou algumas das provações por que passaram. Boyle afirmava que os raptores tinham violado a mulher e matado um dos seus filhos.
Os documentos agora revelados pelo Ottawa Citizen permitem perceber melhor o dia-a-dia do casal em cativeiro. Caitlan e Joshua conheceram-se em 2002, numa plataforma de encontros online, desde então mantêm uma relação inconstante, com términos e reconciliações sucessivas.
Joshua Boyle, no seu depoimento, afirmou que eram os interesses que partilhavam que sustentavam a relação: “Ambos gostávamos de BDSM [siglas das palavras bondage, disciplina, dominação e submissão, e masoquismo]”, disse. “Ambos queríamos viajar com a mochila às costas e ver o mundo”.
A viagem à Ásia central surgiu pouco depois de saberem que Coleman estava grávida, revelou Boyle no seu testemunho. Boyle estava decidido a ir para o Afeganistão; Coleman reticente. Mas acabaram por ir na mesma.
O melhor do Público no emailOs relatos sobre a vida na prisão divergem e ambos disseram ser os principais cuidadores das crianças. Coleman acusou Boyle de fazer dela “o principal inimigo da sua vida”. De acordo com o seu testemunho, Boyle terá mesmo dito que “um homem que mata a sua mulher é justificado”.
“Os guardas separavam-nos por alguns dias, semanas ou meses de uma vez”, contou Coleman. “Quando nos juntavam novamente, JB acusava-me de aceitar benesses e de não perguntar por ele mais frequentemente”, contou Boyle.
Por seu lado, Boyle diz que Coleman negligenciou as crianças durante o cativeiro, deixando-o com o papel de cuidados primário.
Desde a sua libertação, Joshua Boyle foi acusado de 15 crimes em Janeiro deste ano, incluindo agressões e abusos sexuais. Os factos remontam já ao período posterior à libertação de Boyle pelo exército paquistanês, que também resgatou a sua mulher e os três filhos que tinham nascido emcativeiro. Foi libertado sob fiança em Junho.
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