(AM Intelligence 692) Edson Macuácua, secretário para a Mobilização e Propaganda da Frelimo, promoveu recentemente, sede do CC, Maputo,
uma reunião com quadros jornalistas e comentadores, dos principais
media públicos e privados. A iniciativa tem sido vista como “prenúncio”
de um endurecimento do regime face ao sector.
Gabriel Muthisse e Alberto Nkutumula, respectivamente vice-ministros das Pescas e da Justiça, mas também Renato Matusse,
assessor político do Presidente da República, acompanharamMacuácua.
Entre todos, o único orador foi, porém, Macuácua – por vezes falando em
tom exaltado. Entre os convocados para a reunião contavam-se Alexandre Pedro Chiúre, do Diário de Moçambique e o mais visado nas críticas de Macuácua, Daniel Cuambe, editor de Economia do Notícias, Gustavo Mavie, director da AIM, Tomás Vieira Mário, jornalista e docente universitário (Politécnica) e António Mugabe, director de Produção da TVM.
O conteúdo da reunião é considerado ilustrativo de um clima de
intranquilidade referenciado na ala interna da Frelimo mais identificada
com Armando Guebuza. O principal foco do fenómeno é a noção de que está a alastrar na sociedade um clima de descontentamento considerado vasto.
Entres meios da sociedade civil em que o descontentamento se
manifesta de forma mais expressiva, são considerados “críticos” o
religioso (católicos e muçulmanos incluídos), empresários e
universitários. Recentemente o Governo teve de intervir no sentido de
evitar manifestações de protesto dos muçulmanos.
Os sinais de endureciumento que a ala identificada com Guebuza deixa
transparecer, são também reflexo de uma sobrestimação de factores
favoráveis de que se julga que o regime passou a dispôr por via de
perspectivas relacionadas com a exploração dos recursos naturais.
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