sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

"Não queremos punir o Reino Unido, mas precisam de perder as vossas ilusões"

uy Verhofstadt:

O líder das negociações sobre o "Brexit" em representação do Parlamento Europeu avisa, num artigo de opinião, que o Reino Unido não pode querer sair da União Europeia e, ao mesmo tempo, continuar a beneficiar das melhores partes do projecto europeu.
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“‘Brexit’ significa ‘Brexit’”, começa por dizer Guy Verhofstadt, que vai liderar as negociações sobre a saída do Reino Unido da União Europeia em representação do Parlamento Europeu, num artigo de opinião publicado esta quarta-feira no Guardian.
Na sequência do discurso da primeira-ministra britânica Theresa May, em que explicou a estratégia a adoptar pelo Reino Unido no processo, o antigo primeiro-ministro belga garante que a União Europeia irá “trabalhar de uma maneira franca e aberta para ajudar a oferecer um ‘Brexit’ que seja o menos prejudicial para todos os interessados”. Mas, avisa, o Reino Unido não pode querer apenas as partes boas.
Neste artigo, Verhofstadt critica as declarações do responsável pela pasta dos Negócios Estrangeiros britânico, Boris Johnson, que utilizou uma comparação entre a II Guerra Mundial e a actuação do Presidente francês, François Hollande, considerando que este tipo de posições não ajudam as futuras negociações. “Ninguém na Europa quer ‘punir’ nem o Reino Unido nem os britânicos”, garante.
“Mas é uma ilusão sugerir que o Reino Unido será autorizado a deixar a União Europeia e depois ser livre de escolher as melhores partes do projecto europeu”, refere, exemplificando com “tarifas zero do mercado único sem aceitar as obrigações inerentes”. “Desejo que o povo britânico veja da perspectiva de um contribuinte da União Europeia quão irracional isso seria”.
Reconhecendo a importância do discurso de May, o belga pede um entendimento entre as duas partes para enfrentar uma “longa lista de ameaças de segurança partilhadas”. Entre as quais Vladimir Putin e o próximo Presidente dos EUA, Donald Trump, que desejam a “desintegração da União Europeia”.
Olhando também para o “Brexit” como uma oportunidade para reformar o projecto europeu, Guy Verhofstadt desafia o Governo de Downing Street: “O Reino Unido pode escolher ser um parceiro neste processo, ou pode ser um impedimento. Esperemos uma relação futura baseada na confiança e numa parceria genuína”.

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