domingo, 8 de janeiro de 2017

Atentado com caminhão-bomba deixa pelo menos 48 mortos no norte de Síria

Atentado com caminhão-bomba deixa pelo menos 48 mortos no norte de Síria

Nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque, que líderes locais atribuem ao Estado Islâmico

Feridos são socorridos depois do atentado  AP
Pelo menos 48 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas neste sábado em um atentado com caminhão-bomba na província de Aleppo, no norte de Síria, informou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres. O caminhão-tanque carregado de combustível explodiu diante dos tribunais de Azaz, cidade síria fronteiriça com a Turquia e sob controle rebelde. Segundo a agência de notícias turca Anadolu, 60 pessoas morreram.
O número de mortos pode aumentar nas próximas horas, à medida que forem sendo identificados os restos de vítimas, afirmou Rami Abdelrahman, diretor do OSDH. Vídeos divulgados nas redes sociais por moradores de Azaz mostravam várias pessoas fugindo do lugar da explosão envoltas em chamas. A maioria das vítimas é composta por civis, embora tenham sido identificados corpos de pelo menos seis combatentes rebeldes.
Líderes locais responsabilizaram o Estado Islâmico (EI) pela matança, cuja autoria ainda não foi reivindicada por nenhum grupo. Por sua proximidade com a fronteira turca, Azaz (a 50 quilômetros da cidade de Aleppo) se transformou em uma importante rota de abastecimento tanto para jihadistas como para rebeldes curdos que mantêm sua retaguarda no país vizinho. Por esse motivo, a cidade já foi alvo de vários ataques terroristas reivindicados pelo EI. Dois deles, com carros-bomba, causaram 19 mortes em outubro. Um mês depois, outras 25 pessoas, incluindo civis e combatentes armados, morreram em um ataque contra uma sede rebelde.
O atentado deste sábado ocorreu no dia em que a frágil trégua selada por Ankara e Moscou está completando sua primeira semana. Do acordo estão excluídos tanto os jihadistas da Fatah al Sham (antiga integrante da Al Qaeda) como os do Estado Islâmico. Caso seja mantido o cessar-fogo, as duas potências envolvidas no conflito na Síria devem se reunir com representantes dos insurgentes e do Governo sírio no final de janeiro no Cazaquistão.
Em dezembro, tropas regulares sírias e milícias aliadas conquistaram o último reduto insurgente do leste de Aleppo. Uma derrota que forçou uma reorganização dos rebeldes, cujos grupos negociam esta semana a criação de uma frente sob a direção do grupo fundamentalista islâmico Ahrar el Sham, um dos principais grupos armados da região. No entanto, as facções estão divididas diante das pressões exercidas por Ankara para excluir a Fatah al Sham de qualquer aliança. Essa posição causou choques entre os diferentes grupos armados e corre o risco de provocar enfrentamentos fratricidas no lado rebelde.
A Turquia é um ator-chave na logística e no envio de armas para uma série de facções insurgentes de maior ou menor tendência fundamentalista islâmica. Ankara já concentrou 1.100 soldados de elite no norte de Síria como parte da operação Escudo do Eufrates, com a qual pretende criar uma zona-tampão em sua fronteira sul, expulsando o EI e as milícias curdas que qualifica de terroristas. As baixas dos militares turcos chegam a 37. Por outro lado, as tropas do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmaram ter matado na Síria 21 jihadistas do EI nas últimas 24 horas. Em Washington, o Pentágono anunciou que os bombardeios da coalizão internacional mataram 20 jihadistas nesta semana na província de Idlib, reduto rebelde ao sul de Aleppo, entre eles vários membros da alta hierarquia da Fatah al Sham.

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