"O tempo urge e tenho receios que neste caminhar consigamos chegar até Outubro com uma Renamo desarmada. São essas armas que nos vão impedir, de novo, de ir buscar ananás em Muxúnguè!"
EUREKA por Salvador Raimundo
Cartas ao Presidente da República (154)
Presidente, bom dia. Fiquei decepcionado com os seus pronunciamentos esta semana, algures em Tete, durante o comício popular.
O problema não é porque não acredito no conteúdo do que disse, mas, sim, rejeito a circunstância em que o disse. Tinha que ser num comício popular? Cheira-me a propaganda eleitoral!
O Presidente disse que há homens da Renamo que estão a ameaçar a população nas províncias de Tete e Manica, e que essas ameaças atrasam o desenvolvimento local.
Pois bem, agora diga-me, Presidente: por quê o senhor ou o seu Governo não fez chegar essas inquietações à comissão especializada e que foi, efectivamente, criada para fiscalizar as tréguas e os acordos? Se o senhor anda por ai a falar enquanto existe um órgão especializado para dirimir as questões que lhe inquietam, então por que gastou-se tempo e dinheiro para criar isto tudo?
As pessoas afectas nesse órgão são remuneradas! Eu vejo os consensos recentemente alcançados de forma agridoce. Acho que já estamos tão habituados à convulsões que preferimos arrastar eternamente este dossier sobre a paz efectiva.
Não sei indicar nomes, mas, de certeza, há quem se beneficia com a desestabilização em Moçambique. Muitos ficam ricos a partir disto. Entregando o seu semelhante para servir de carne para canhão! Nada, neste andar, nos convence de que, efectivamente, em princípios de Agosto haverá assinatura de paz definitiva.
Quer dizer, quando damos um passo para frente, damos, em compensação, cinco para trás. Isto é desproporcional, Presidente. E sei que o senhor sabe o que motiva toda esta embrulhada.
O Presidente escolheu uma metodologia que todos a consideravam assertiva: dialogar directamente com o seu interlocutor para a paz. E nós julgamos que era uma forma inteligente de eliminar qualquer desconfiança entre as partes, aliás, facto que motivou o arrastar das convulsões até ao presente.
Todavia, quando o Presidente aparece em público a dizer que há homens da Renamo que ameaçam o povo, tudo isto parece tragicómico. Por quê não chamou à razão o chefe desses homens que é, por sinal, o seu mais directo interlocutor para a paz?
Cartas ao Presidente da República (154)
Presidente, bom dia. Fiquei decepcionado com os seus pronunciamentos esta semana, algures em Tete, durante o comício popular.
O problema não é porque não acredito no conteúdo do que disse, mas, sim, rejeito a circunstância em que o disse. Tinha que ser num comício popular? Cheira-me a propaganda eleitoral!
O Presidente disse que há homens da Renamo que estão a ameaçar a população nas províncias de Tete e Manica, e que essas ameaças atrasam o desenvolvimento local.
Pois bem, agora diga-me, Presidente: por quê o senhor ou o seu Governo não fez chegar essas inquietações à comissão especializada e que foi, efectivamente, criada para fiscalizar as tréguas e os acordos? Se o senhor anda por ai a falar enquanto existe um órgão especializado para dirimir as questões que lhe inquietam, então por que gastou-se tempo e dinheiro para criar isto tudo?
As pessoas afectas nesse órgão são remuneradas! Eu vejo os consensos recentemente alcançados de forma agridoce. Acho que já estamos tão habituados à convulsões que preferimos arrastar eternamente este dossier sobre a paz efectiva.
Não sei indicar nomes, mas, de certeza, há quem se beneficia com a desestabilização em Moçambique. Muitos ficam ricos a partir disto. Entregando o seu semelhante para servir de carne para canhão! Nada, neste andar, nos convence de que, efectivamente, em princípios de Agosto haverá assinatura de paz definitiva.
Quer dizer, quando damos um passo para frente, damos, em compensação, cinco para trás. Isto é desproporcional, Presidente. E sei que o senhor sabe o que motiva toda esta embrulhada.
O Presidente escolheu uma metodologia que todos a consideravam assertiva: dialogar directamente com o seu interlocutor para a paz. E nós julgamos que era uma forma inteligente de eliminar qualquer desconfiança entre as partes, aliás, facto que motivou o arrastar das convulsões até ao presente.
Todavia, quando o Presidente aparece em público a dizer que há homens da Renamo que ameaçam o povo, tudo isto parece tragicómico. Por quê não chamou à razão o chefe desses homens que é, por sinal, o seu mais directo interlocutor para a paz?
O senhor não é o primeiro chefe de Estado a poisar em fotos coloridas e sorriso aberto com a liderança da Renamo com promessas de mundos e fundos para tudo, depois, descambar em guerra. O que afinal não está a ser resolvido? Que desgraça é essa que se não pode exorcizar? E já se começou mal.
O recenseamento eleitoral, recentemente terminado, foi uma trapalhada. Foi o cúmulo da desorganização, e isto só beneficia a Frelimo. Já temos aí a pólvora. Só falta acender o rastilho. Não seria de admirar se a Renamo se aproveitasse disso como pretexto de uma outra guerra depois de Outubro.
O que custou, afinal, organizar um recenseamento eleitoral decente? Para quê o maquiavelismo se todos queremos o bem-estar deste empobrecido Moçambique? O que está a acontecer agora, embora com alguns novos elementos, é uma espécie de reedição de tudo porque passamos.
Mesmo que eu fosse Renamista, a verdade é que não gostaria de ver o meu País, de novo, a ferro e fogo por culpa de incompetentes que juraram nos servir.
O tempo urge e tenho receios que neste caminhar consigamos chegar até Outubro com uma Renamo desarmada. São essas armas que nos vão impedir, de novo, de ir buscar ananás em Muxúnguè!
DN – 14.06.2019
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