sexta-feira, 14 de junho de 2019

Renamo...Cadê Josefa?

Cadê Josefa?

ESTA manhã, a Frelimo terá a chance de ripostar insinuações que nos últimos dias têm recaído sobre sí, no arrastar da crise no arqui-rival. 
Entre elas, a hipótese de uma mão externa ter tomado conta dos guerrilheiros que ameaçam de morte o seu próprio líder supremo, nada mais, nada menos, que o comandante-chefe das forças armadas da Renamo, Ossufo Momade. O mais caricato é que o próprio comandante-chefe não escapa a idênticas acusações, dizendo-se, por exemplo, que Ossufo Momade estaria a cumprir uma agenda externa aos interesses da Renamo, nomeadamente pelo modo como se apresenta diante de Filipe Nyusi, modo Yes Man, mas essencialmente a sua forma de estar diante dos seus próprios companheiros. 
As circunstâncias que terão conduzido ao alegado fuzilamento do coronel Josefa Isaías de Sousa, mostram um bocadinho o quão Momade se deixou (?) manipular pelo seu adversário político, claramente a gozar de uma vastíssima máquina de apoio que vai ao pormenor no que o ‘chefe’ deve ou não dizer à contraparte. 
De Sousa é tido como morto a mando de Momade dia 03 de junho, curiosamente, por aí 24 horas depois de se encontrar com Nyusi, onde este teria pressionado aquele a resolver o caso de guerrilheiros de armas em riste a ameaçar as populações nos distritos de Báruè (Manica) e de Moatize (Tete). 
Mas a Renamo diz que Nyusi mente no que toca aos homens armados naqueles distritos. Diz ainda que as acusações sobre De Sousa são falsas. Se no primeiro caso a Renamo exige provas ao acusador, Filipe Nyusi, já na segunda situação não devem ser os guerrilheiros revoltosos a provar que o chefe da contra-inteligência militar foi morto por fuzilamento. 
Cabe a Renamo trazer o homem, uma espécie prova de vida, para que os moçambicanos testemunhem o contrário do que os guerrilheiros revoltosos andaram a dizer. 
A Renamo já mostrou ser incapaz de fazer isso e os guerrilheiros ameaçam vingança. Com as eleições à porta, é absolutamente impressionante como a Frelimo e a Renamo passam o tempo a gerir crises internas, em detrimento de projectos a vender ao eleitorado. 
Se bem que a Frelimo, manhosa, parece ter já a situação sob controlo, inclusive tendo evitado que a roupa suja continuasse a ser lavada fora de portas.

A possibilidade de Nyusi e Machel Jr nos próximos dias virem, finalmente, a estar frente-a-frente, é sinal de um aturado trabalho de sensibilização levado a cabo. 
Nada fácil, dado que o Machel Jr teria estado escassos metros de virar oposição do seu criador, ao se tornar candidato. 
Seria de bom grado que a Renamo copiasse da Frelimo tais feitos, em vez de atirar pedras ao adversário sempre que se lhe acontecem adversidades. 
Mas, cadê o Josefa?
EXPRESSO – 14.06.2019

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