sexta-feira, 14 de junho de 2019

Golfo de Omã. EUA divulgam vídeo com barco iraniano alegadamente a remover mina não detonada


14.06.2019 às 8h33
AFP/GETTY IMAGES

Segundo o Exército norte-americano, a operação está a ser conduzida num petroleiro japonês, um dos dois atacados esta quinta-feira, sendo o outro norueguês. Os iranianos estariam a tentar retirar provas do seu envolvimento nos ataques, afirmam os Estados Unidos. O líder supremo iraniano e Donald Trump recusam qualquer diálogo neste momento

O Exército dos EUA divulgou um vídeo que alegadamente mostra um barco da Marinha do Irão a remover o que aparenta ser uma mina não detonada do casco do Kokura Courageous. Este petroleiro japonês e um outro norueguês, o Front Altair, foram atacados esta quinta-feira no Golfo de Omã.
O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, já tinha acusado o Irão de ser “responsável” pelos ataques. Pompeo aludiu a dados recolhidos pelos serviços de informação e referiu “as armas utilizadas”, anteriores ataques a navios cuja autoria Washington também atribuiu a Teerão e o facto de nenhum dos grupos aliados do Irão na região possuir os meios para atingir “um tal nível de sofisticação”. Pompeo afirmou que o Irão pretende impedir a passagem de petróleo através do estreito de Ormuz.
Os responsáveis da defesa dos Estados Unidos acreditam que os iranianos estavam a tentar retirar provas do seu envolvimento nos ataques.

EUA FALAM DE “ATIVIDADES DESESTABILIZADORAS”, IRÃO “REJEITA CATEGORICAMENTE”

Os dois navios, um transportando petróleo e o outro produtos químicos, foram atacados em águas internacionais, perto do estreito estrategicamente relevante. Todos os membros da tripulação foram resgatados e estão a salvo, de acordo com os proprietários de ambas as embarcações.
O representante permanente adjunto dos EUA na ONU, Jonathan Cohe, afirmou ter feito eco das acusações de Pompeo numa reunião privada do Conselho de Segurança das Nações Unidas, descrevendo os ataques como “outro exemplo das atividades desestabilizadoras do Irão na região”.
Um porta-voz da missão iraniana na ONU, Alireza Miryousefi, publicou no Twitter uma declaração em que Teerão “rejeita categoricamente a alegação infundada” de que o Irão está por trás dos ataques e “condena-a o mais veementemente possível”.

“ELES NÃO ESTÃO PRONTOS E NÓS TAMBÉM NÃO”

Na sequência dos ataques, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, rejeitou as suspeitas americanas e lembrou que um dos petroleiros é japonês, tendo sido atacado durante a visita do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, ao Irão num esforço para acalmar as tensões entre Washington e Teerão.
Na perspetiva de Pompeo, os atos que os EUA atribuem às autoridades iranianas “representam uma clara ameaça para a paz e a segurança internacionais, um ataque flagrante contra a liberdade de navegação e uma inaceitável escalada das tensões por parte do Irão”. Por sua vez, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, recusou, na presença de Abe, qualquer diálogo com o Presidente norte-americano.
No Twitter, Donald Trump também considerou ser “demasiado cedo para sequer se pensar em fazer um acordo” entre Washington e Teerão. “Eles não estão prontos e nós também não”, acrescentou.
Ainda assim, Pompeo reafirmou que Washington deseja que Teerão regresse à mesa das negociações “quando chegar o momento”.

ATAQUES DE MAIO TERÃO SIDO OBRA DE “ATOR ESTATAL”

O incidente acontece depois de, a 12 de maio, quatro petroleiros terem sido atacados no porto de Fujeira, nos Emirados Árabes Unidos. Os resultados preliminares de uma investigação multinacional, apresentados no início de junho ao Conselho de Segurança, concluíram que os ataques têm a marca de uma “operação sofisticada e coordenada”, sendo provavelmente obra de um “ator estatal”.
A investigação não faz qualquer menção ao Irão, acusado pelos EUA de estar diretamente envolvido na sabotagem.
“Embora as investigações ainda decorram, há fortes indícios de que os quatro ataques ocorreram no quadro de uma operação sofisticada e coordenada conduzida por um ator com fortes capacidades operacionais, presumivelmente um ator estatal”, indica o comunicado apresentado.

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