terça-feira, 8 de maio de 2018

Seis (das 107) empresas Públicas e participadas pelo Estado em Moçambique têm passivos correntes superiores a 77 biliões de meticais


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Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  em 08 Maio 2018
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A Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), Ana Coanai, afirmou esta segunda-feira (07) que 20 das 107 empresas Públicas e participadas pelo Estado em Moçambique estão em crise financeira. Investigações do @Verdade a seis dessas empresas revelam passivos correntes de mais de 77,8 biliões de meticais, onde 27,2 biliões são dívidas de curto prazo à banca nacional e o total do passivo ascende a 156,9 biliões de meticais.
Falando com jornalistas à margem de um encontro em que se debateu a nova legislação do sector empresarial do Estado em Maputo, Ana Isabel Coanai não identificou as empresas em crise financeira nem a dimensão desses problemas.
No entanto o @Verdade há mais de um ano vem investigando as empresas Públicas e participadas pelo Estado em Moçambique e tem revelado que que algumas das mais emblemáticas estão em situação de falência técnica, como são os casos das: Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), Telecomunicações de Moçambique (TDM), Moçambique Celular (MCel)Petróleos de Moçambique (Petromoc), Aeroportos de Moçambique ou a Electricidade de Moçambique (EDM).
Da análise às contas auditadas, até ao exercício de 2016 (2015 no caso das LAM), o @Verdade contabilizou apenas em passivos correntes 77,8 biliões de meticais. São 4,1 biliões nas LAM10,3 biliões na MCel15 biliões na Petromoc7,8 biliões nas TDM7,9 biliões nos Aeroportos e 32,5 biliões na EDM.
A PCA do IGEPE admitiu que as dívidas com a banca são um dos principais desafios destas empresas e o Governo está a negociar reestruturações das dívidas.
Do total dos passivos correntes o @Verdade descortinou que 27,2 biliões correspondem a dívida de curto prazo com bancos nacionais e 37,7 biliões são facturas não saldadas com fornecedores nacionais e estrangeiros.
Tem maior dívida de curto prazo à banca a Petróleos de Moçambique, 9,8 biliões de meticais, seguida pela Electricidade de Moçambique, 7,3 biliões, e depois pelos Aeroporto de Moçambique, 3,6 biliões.
Fundo Monetário Internacional tem alertado para necessidade de reestruturação das empresas públicas
A dívida mais alta com fornecedores é da EDM, 23,9 biliões de meticais, seguida pela MCel, 5,1 biliões, e pela Petromoc, 4 biliões. O total do passivo apenas destas seis, das 107 empresas Públicas e participadas pelo Estado em Moçambique, ascende a 156,9 biliões de meticais, valor superior às dívidas ilegalmente contraídas pela Proindicus, EMATUM e MAM.
Importa recordar que o Conselho Executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) notou no seu relatório, após a última visita à Moçambique ao abrigo do Artigo IV, em Março passado, “que a reestruturação das empresas públicas em dificuldades será fundamental para melhorar a eficiência e reduzir as perdas financeiras” da economia moçambicana.
De acordo com o FMI a crise financeira das empresas estatais gerou menos impostos para o Estado, com o diferimento do seu pagamento para evitar falência, é um risco para a banca nacional, a dívida das 10 estatais principais aumentou 47 por cento em 2016, e contaminou outras empresas Públicas e participadas e o sector privado.

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