INHAMBANE: BURACOS NA ESTRADA OU ESTRADA EM BURACOS?
Centelha por Viriato Caetano Dias (viriatocaetanodias@gmail.com)
Escrevo de Inhambane, uma província que está rodeada de vários monumentos históricos. Inhambane não é apenas terra de boa gente, mas também de trabalho. Não há terra ociosa, por isso não há fome. Aliás, cada palmo de terra é aproveitada para a produção de comida. Chego a duvidar que em Inhambane haja mendigos, porque a terra dá de comer a quem tem fome, garantindo condições condignas para todos. Penso que a agricultura, aliada à indústria diversa e dinâmica, as vias de acesso transitáveis e os serviços financeiros, bancários, académicos, etc., podem ser a chave para o rápido desenvolvimento desta província.
É com alguma tristeza que observo que o nome Inhambane não está mais associado aos monumentos históricos e ao facto de ser a “terra de boa gente”, mas sim uma terra de “buracos astronómicos.” Há mais estradas em buracos que buracos na estrada. Não existe asfalto no troço Save-Pambara devido a sua acentuada e contínua degradação. Quando chove, o troço transforma-se em piscina, dificultando a transitabilidade de viaturas. Seria salutar que, naquele troço da Estrada Nacional Número Um (EN1), o governo de Inhambane alocasse um “transporte aeromédico” para o resgate ou remoção de doentes graves. E por quê não alocar, outrossim, mecânicos para a recuperação de viaturas danificadas pelos buracos?
Recentemente, nesta província, foi criada a Agência de Desenvolvimento de Inhambane (ADI). É uma forma de mostrar que a “casta política e económica” do país está comprometida com o desenvolvimento desta província. De facto, é uma ideia brilhante que irá atrair o investimento estrangeiro e, por via disso, catapultar o almejado desenvolvimento económico e democrático de Inhambane. Os obreiros da ADI pecam, em grande medida, por “colocarem a caroça na frente dos bois.” Os investidores, geralmente, não investem em estradas. São impacientes e gananciosos, por isso actuam em sectores altamente produtivos, onde o retorno é fácil e rápido. As agências de desenvolvimento, um pouco por todo o país, têm sido anémicas porque não conseguem priorizar soluções de desenvolvimento. A ADI sem estradas é um “parto” morto.
Se as estradas de Inhambane estão obsoletas, como atrair investimentos? Quem, em sã consciência, quererá investir numa província sem estradas transitáveis? Primeiro reabilitem estradas, depois espalhem o “mel.” O inverso não funciona, porque afugenta os investidores. Às vezes caem-me lágrimas quando percebo que, onde devia-se fermentar o conhecimento, produz-se politiquices para “boi dormir.” Será que é tão difícil colocar remendos naquele troço Save –Pambara? Como é que a população escoará os seus produtos agrícolas, para mercados internos e externos, se as vias de acesso não funcionam? Não estou a chamar o executivo de Daniel Chapo de incompetente, apenas pretendo mostrar que aquele inferno de estrada destruirá qualquer plano de desenvolvimento de Inhambane. Ademais, Inhambane não está a tirar vantagens das valências da EN1, factor propiciador para a diversificação económica. Se o governador Chapo não apostar nesse caminho, então, Inhambane continuará nos “cuidados intensivos” da pobreza.
Zicomo e um abraço nhúngue ao “velho” Japão, pela excelente hospitalidade algures em Inhambane.
WAMPHULA FAX – 07.05.2018
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