sábado, 18 de março de 2017

Português preso na Suíça confessa homicídio a agente infiltrado na cadeia


Agente da Polícia Judiciária esteve três meses na cadeia até obter informações sobre a vítima. O cadáver da mulher de 73 anos foi encontrado numa ravina em França.
Genebra pediu a colaboração da Polícia Judiciaria (PJ) e do Departamento Central de Investigação e Acção Penal para dirigir as diligências em Portugal
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Genebra pediu a colaboração da Polícia Judiciaria (PJ) e do Departamento Central de Investigação e Acção Penal para dirigir as diligências em Portugal FABIO AUGUSTO
Um agente da Polícia Judiciária passou três meses numa prisão em Genebra, na Suíça, enquanto infiltrado, para conseguir provar que um emigrante português, 51 anos, era o culpado do homicídio de uma mulher de 73 anos. De acordo com o Correio da Manhã (CM), o emigrante confessou o crime na quarta-feira a um juiz suíço dizendo que se tratou de uma “morte acidental”. O corpo foi encontrado na segunda-feira, numa ravina em França.
O português estava preso na cadeia de Champ-Dollon, em Genebra, desde 2015 e era suspeito de estar relacionado com o desaparecimento e possível homicídio de uma vizinha de 73 anos. O emigrante sempre negou estar envolvido no desaparecimento da mulher. A justiça suíça não tinha provas que o ligassem de forma irrefutável ao crime de homicídio, apenas ao de furto. No total, o emigrante teria levantado cerca de 50 mil euros da conta bancária da vítima.
Genebra pediu a colaboração da Polícia Judiciária (PJ) e do Departamento Central de Investigação e Acção Penal para dirigir as diligências deste caso em Portugal. Foi no âmbito dessa colaboração que um agente da Unidade de Prevenção e Apoio Tecnológico da PJ passou três meses na cadeia. Durante esse período, conseguiu ganhar a confiança do recluso que lhe confessou o crime e indicou o local onde o corpo se encontrava. O cadáver da reformada de 73 anos foi descoberto esta segunda-feira num penhasco em Nantua, França, a 65 quilómetros de Genebra, escreve o CM.
Numa audiência na passada segunda-feira, o português declarou-se culpado de uma “morte acidental”. O emigrante era amigo da vítima, que vivia sozinha, e fazia-lhe reparações domésticas. Os dois tiveram uma discussão no dia 5 de Fevereiro de 2015, a última vez que a senhora foi vista pelos vizinhos. Durante a discussão, o emigrante empurrou-a e a mulher “bateu com a cabeça no chão e morreu”.
No dia seguinte, o homem colocou o corpo na bagageira do carro e conduziu até encontrar uma ravina, para onde o atirou. O alerta do desaparecimento foi dado pelos vizinhos, em Março de 2015 – a senhora não era vista há mais de um mês, “o que era estranho”, relata o CM.
O trabalho da polícia suíça “está longe de estar terminado”, afirma a procuradoria ao CM. A investigação continua para aferir se os ferimentos encontrados no cadáver confirmam a teoria de morte acidental. Nesta operação estão envolvidas as autoridades suíças, portuguesas e francesas. 

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