segunda-feira, 13 de março de 2017

Afinal, Trump não acreditava ter sido escutado quando acusou Obama de escutá-lo


Porta-voz da Casa Branca tenta dar o dito por não dito. Quando disse que tinha sido escutado pelo anterior presidente norte-americano, Donald Trump estaria a referir-se a outra coisa qualquer.
KEVIN DIETSCH / POOL/EPA
Não uma, não duas, não três. Foram quatro, quatro vezes que Donald Trump acusou Barack Obama de tê-lo “escutado” quando o milionário norte-americano era o candidato do Partido Republicano à presidência norte-americana, no ano passado. Mas, numa revisão histórica a quente, o porta-voz da Casa Branca veio agora dizer que, afinal, foi tudo ilusão. Quando disse que tinha sido “escutado”, Trump não queria dizer “escutado”. Queria dizer seguido, observado, analisado. “Escutado”, afinal, não quer dizer “escutado”. Credível?
Nesta batalha em busca da verdade por entre os “factos alternativos” que a Administração Trump se vai dedicando a polvilhar pela espuma dos dias, vale a pena voltar à origem dos acontecimentos. Neste caso, a origem é o dia 4 de março, madrugada de sábado, o dia em que o presidente norte-americano acordou (ou se preparava para ir dormir), pegou no telemóvel e começou a lançar vagas de acusações contra o seu antecessor na Casa Branca.
Com um intervalo de 27 minutos entre o primeiro e o quarto tweet, Trump escreveu o seguinte:
Ainda havia dúvidas? Se havia, Trump publicaria mais dois tweets, ainda mais concretos.
Pausa para dar a palavra ao porta-voz da Casa Branca. Esta segunda-feira, Sean Spicer disse o seguinte: “Penso que não há dúvidas de que a Administração Obama… que houve práticas de vigilância e outras atividades que ocorreram na eleição de 2016”. Mas a que atividades se referia Trump? “O Presidente usou a expressão escutas em citação para referir-se, de forma genérica, a vigilância e outras atividades“.
Não foi só isto. Spicer também disse que, quando se referiu a Obama, Trump estaria a referir-se à Administração Obama de forma genérica e não a acusar Obama de “envolvimento pessoal” nas escutas.
Voltemos aos tweets. Na segunda de quatro publicações, Trump questiona-se sobre se “será legal que um presidente em funções esteja a ‘escutar’ uma corrida para presidente antes de uma eleição?” A expressão é de Trump: “Presidente em funções”. A acusação estava centrada em Barack Obama, não na sua equipa ou nalgum elemento vago da sua equipa.
Depois, nas últimas quatro publicações, Trump acusa Obama de “escutar os [seus] telefones em outubro” e de “escutar os [seus] telefones durante o muito sagrado processo eleitoral”. Mais uma vez: “escutar os telefones”. Foi essa a expressão de Trump. O presidente norte-americano não se referiu a “escutas” no sentido lato mas, sim, num sentido muito concreto.
Aliás, há uma semana, Spicer já tinha considerado que os tweets de Donald Trump “falam por si mesmos”, escusando-se a dar mais explicações sobre as acusações neles contida.

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