O sétimo congresso extraordinário do MPLA realiza-se no sábado, 15, em Luanda,e, a dois dias do evento, paira a dúvida se o presidente honorário do partido no poder, José Eduardo dos Santos, estará presente.
A VOA soube de fonte do partido que, até ontem, o antigo Presidente da República não tinha respondido ao convite que lhe foi endereçado pela organização do congresso.
A fonte que integra a comissão de organização do congresso declarou que o ex-líder partidário “está convidado a acompanhar todos os debates do princípio ao fim”.
Para além da ausência óbvia da deputada Tchizé dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos e crítica de João Lourenço, outras conhecidas figuras da direcção do partido no poder que também não deverão estar presentes no encontro do Complexo Turístico Futungo 2, são o deputado e antigo ministro da Comunicação Social, Manuel Rabelais e o ex-porta-voz do partido, Norberto Garcia.
Outras ausências
O primeiro está constituído arguido e impedido de sair do país pelo Ministério Público por suspeita de crimes de corrupção, enquanto Norberto Garcia foi recentemente absolvido pelo Tribunal Supremo dos crimes que lhe eram imputados.
A fonte da VOA sustentou que o facto de as duas figuras já não terem estado presentes na reunião preparatória do Comité Central, realizada na passada semana, é indicativo de que não estarão presentes no congresso, admitindo que os mesmos “podem não estar moralmente em condições de o fazer”.
Lourenço quer renovação
Para o seu congresso extraordinário, o MPLA agendou três temas que vão animar os debates dos congressistas, designadamente “os ajustamentos pontuais aos Estatutos do partido”, “o processo eleitoral e alargamento do Comité Central” e a “Aprovação de uma Resolução Geral”, além das habituais moções de apoio.
Os debates serão realizados em plenária e não em comissões como tem sido hábito e neles participam, e com direito a voto, os 2.591 delegados que estiveram presentes no sétimo congresso ordinário realizado em 2016 , que reconduziu José Eduardo dos Sanos no cargo de presidente.
Os ausentes no evento de então não serão substituídos.
O encontro, que vai decorrer sob o lema “MPLA e os desafios do futuro-Processo Autárquico” deverá eleger 134 novos membros para o Comité Central, maioritariamente jovens com até 45 anos de idade, num total de 497.
De olho nas autarquias
A aposta de João Lourenço na juventude é justificada pela necessidade de “novos militantes para a direcção partidária que não têm qualquer compromisso com o passado e capazes de o ajudar a combater à corrupção e ao nepotismo”.
O tema sobre as autarquias deverá ocupar o maior espaço nas discussões durante as quais o partido no poder vai determinar o perfil para futuros autarcas e a necessidade ou não de se fazer alianças com outras forças políticas para as eleições, que têm lugar em 2020, de acordo com a fonte da VOA.
Entretanto, o analista Rafael Aguiar admite que a estratégia de João Lourenço de rejuvenescer a cúpula do partido visa reformar a velha guarda e reforçar o seu poder com apoio de jovens, garantir as eleições autárquicas e arregimentar apoios para a sua recandidatura para um segundo mandato.
O também sociólogo diz, entretanto, que o líder do MPLA terá muito trabalho pela frente para atingir tais propósitos.
Sem comentários:
Enviar um comentário