O ex-espião russo Sergei Skripal e a sua filha Yulia foram envenenados com uma dose do agente nervoso russo Novichok de entre 50 e 100 gramas, quantidade superior à normal para fins científicos.

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O ex-espião russo Sergei Skripal e a sua filha Yulia foram envenenados com uma dose do agente nervoso russo Novichok de entre 50 e 100 gramas, uma quantidade muito superior à que seria normal para fins científicos, considera o diretor-geral da Organização para a Proibição das Armas Químicas, Ahmet Üzümcü.
Este facto leva o responsável da organização internacional a acreditar que esta dose do produto — que foi desenvolvido originalmente pela União Soviética e depois pela Rússia como agente para utilização militar — foi produzida com a intenção de ser usada como arma e não para fins de investigação científica.
Üzümcü, que falou em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, disse que a dose usada excede a que seria normal para fins científicos. “Para atividades de investigação ou de proteção, seriam precisos, por exemplo, cinco a 10 gramas. Mas em Salisbury parece que terão usado mais do que isso. Sem saber a quantidade exata, fui informado de que pode ser entre 50 e 100 gramas, o que vai além das atividades de investigação para proteção.”
As autoridades recolheram amostras do produto junto à porta da frente da casa de Skripal. Segundo Üzümcü, o agente nervoso é extremamente resistente, o que permitiu que a polícia tivesse encontrado as amostras após um tempo considerável exposto às condições meteorológicas. Além disso, esta amostra tinha um elevado grau de pureza, sublinha o responsável. O governo britânico já confirmou também que o produto foi usado na forma líquida.
Sergei Skripal é um antigo espião russo que trabalhou como agente duplo para os serviços secretos britânicos. Foi condenado na Rússia, mas mudou-se definitivamente para o Reino Unido num programa de troca de espiões. O caso Skripal provocou uma crise diplomática que se traduziu numa ação coordenada inédita para a expulsão de cerca de 150 de diplomatas russos de vários países ocidentais, incluindo os Estados Unidos e dois terços dos países membros da União Europeia, a que a Rússia respondeu com a expulsão de 150 diplomatas ocidentais.
Yulia Skripal, 33 anos, já teve alta hospitalar e encontra-se num “local seguro”, enquanto o seu pai, 66 anos, continua hospitalizado.
Skripal: Polícia britânica identifica suspeitos de envenenamento
A imprensa britânica revela que a polícia e os serviços secretos britânicas que a investigação teve "um avanço importante" depois de identificados suspeitos que terão regressado à Rússia.

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A polícia britânica e os serviços secretos do Reino Unido terão identificado alguns suspeitos do envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal e da sua filha Yulia, divulgou este sábado o diário britânico The Telegraph.
Segundo o jornal, os peritos acreditam que essas “pessoas com interesse” terão regressado à Rússia e consideram que a investigação, que deve demorar muitos meses, conseguiu um “avanço importante”, citou a agência noticiosa espanhola EFE.
O diário refere que, para identificar possíveis culpados, as autoridades utilizaram o registo dos passageiros que viajaram no mesmo avião que Yulia Skripal para o Reino Unido, procedentes da Rússia, um dia antes do ataque, ocorrido a 04 de março em Salisbury, no sul de Inglaterra.
Os agentes analisaram também indícios encontrados em Salisbury e o registo das câmaras de segurança desta cidade.
O Reino Unido responsabiliza a Rússia pelo ataque, perpetrado com uma substância neurotóxica de uso militar, desenvolvida nos anos 1970 na União Soviética, o ‘novichok’, mas a Rússia nega qualquer envolvimento no caso.
O caso Skripal provocou uma crise diplomática que se traduziu numa ação coordenada inédita para a expulsão de cerca de 150 de diplomatas russos de vários países ocidentais, incluindo os Estados Unidos e dois terços dos países membros da União Europeia, a que a Rússia respondeu com a expulsão de 150 diplomatas ocidentais.
Yulia Skripal, 33 anos, teve alta hospitalar a semana passada e encontra-se num “local seguro”, enquanto o seu pai, 66 anos, continua hospitalizado.

