segunda-feira, 13 de março de 2017

Economia moçambicana continuará afectada por problemas financeiros


EIU prevê que ajuda directa ao Orçamento de Estado venha ser substituída por ajuda a programas específicos

Uma publicação recente de especialistas da Economist Intelligence Unit (EIU), traça previsões pessimistas para os próximos dois anos.
Prevê que a crise de liquidez, alimentada por uma dívida pública elevada e pelo congelamento das ajudas externas, vai continuar a desestabilizar a economia de Moçambique, que este ano e no próximo crescerá a taxas historicamente diminutas.
Os pesquisadores da EIU, uma organização britânica especializada em pesquisas económicas, afirmam que a dívida pública acabará por ser, “eventualmente”, reestruturada, à semelhança da primeira reestruturação ocorrida com o empréstimo de 850 milhões de dólares contraídos pela Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM), mas os fluxos de capital, nomeadamente, o Investimento Directo Estrangeiro, IDE, irão demorar alguns anos até atingirem os valores registados no passado recente.
O Governo, por seu turno, vai procurar “apertar” a política fiscal e a monetária, numa tentativa de restaurar o relacionamento com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e dar uma resposta ao problema de liquidez. A EIU afirma ainda que a execução deverá ter pouco impacto, devido às resistências que irão ser levantadas tanto pela classe política como pelos eleitores.
A taxa de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB – valor dos bens e serviços produzidos no país em um ano) deverá manter-se reduzida em 2017/2018, quando comparada com períodos anteriores, devido à fraca procura interna e uma redução do investimento, que deverá recuperar nos anos seguintes, à medida que a confiança dos empresários se fortaleça.
Assim, a economia de Moçambique, depois de ter atingido um mínimo histórico de 15 anos em 2016, com 3,6%, vai recuperar ligeiramente para 4,2% este ano, apoiada quase que em exclusivo pela actividade mineira, caso do carvão, cujos preços têm estado a subir nos mercados internacionais.
Após 2017, a economia do país deverá retomar a senda de um maior crescimento. A EIU estima em 4,6% em 2018, antes de ultrapassar os 5% nos anos de 2019 a 2021.
O relatório da EIU adianta que a conclusão no final deste mês da auditoria internacional e independente aos empréstimos externos contraídos e ocultados pelo anterior Governo deverá ajudar a repor o bom relacionamento com os doadores internacionais.

Apoio ao OE substituído pelo apoio a projectos

A EIU prevê também que “a ajuda directa ao Orçamento de Estado (OE) venha a ser substituída por ajuda a programas específicos, atendendo as dúvidas colocadas pelos doadores quanto à capacidade do Governo de Moçambique de gerir as suas próprias contas”.
Face às dúvidas apresentadas pelos anteriores países doadores, ocidentais, o Governo de Moçambique vai procurar aprofundar o seu relacionamento com países da Ásia – a China em particular que é actualmente um dos principais credores do país – e com aqueles que importam carvão e gás natural – casos da Índia e da Tailândia, cujas empresas estatais têm estado a investir no país.

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