quarta-feira, 15 de março de 2017

Bruno, guarda-redes condenado por matar ex-namorada, regressa ao futebol


O clube Boa Esporte perde patrocinadores e enfrenta contestação após contratar o antigo guarda-redes do Flamengo.
O jogador saiu em liberdade no dia 24 de Fevereiro 
Bruno Fernandes de Souza, o antigo guarda-redes do Flamengo condenado pelos crimes de sequestro, assassinato e ocultação de cadáver da ex-namorada, a modelo Eliza Samudio, assinou um contrato de dois anos com o clube da segunda divisão brasileira Boa Esporte, esta segunda-feira. A decisão está a gerar polémica e várias acções de repúdio foram convocadas por grupos de activistas. O clube também já perdeu alguns dos seus principais patrocinadores.

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O jogador, mais conhecido por Bruno, foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão, mas saiu em liberdade provisória a 24 de Fevereiro, tendo cumprido um terço da pena. Na prisão, o atleta já tinha assinado com o Montes Claros, um clube do campeonato estadual de Minas Gerais, uma vez que se encontrava a cumprir pena em regime semi-aberto, mas não chegou a jogar.
Bruno conseguiu entretanto ser libertado, com recurso pendente, depois de os advogados terem apresentado um pedido de habeas corpus, uma vez que o sistema legal brasileiro, que consideraram ser lento, não conseguiu decidir sobre um recurso do jogador durante vários anos, conta o Jornal Globo. No entanto, se o recurso for negado, o atleta poderá voltar para a prisão antes de regressar aos campos.
Assim que o jogador foi libertado, a indignação fez-se sentir não só entre os membros da família de Eliza Samudio mas também entre activistas dos direitos das mulheres e junto de piratas informáticos que atacaram a página da equipa. O site ficou inactivo durante várias horas.
Nenhum dos envolvidos questiona os direitos legais de Bruno. A polémica com a sua libertação, dizem, vem da vontade do clube desvalorizar o crime que o jogador cometeu. Num evento no Facebook, que convoca uma vigília em frente ao estádio do Boa Esporte, lê-se: “Um feminicida não pode continuar a ter uma vida aclamada pelos media. Bruno deixou de ser apenas um guarda-redes, a sua imagem e a sua fama carregam a prontidão de se aliviar violência de género, a facilidade de esquecer a vida de uma mulher em detrimento do trabalho em um desporto reconhecido”.
Já o presidente do Boa Esporte, actual campeão da Série C do Campeonato Brasileiro, usou a mesma rede social para divulgar um comunicado sobre o assunto. Na nota, Rildo Moraes referiu que o jogador já pagou pelo crime que cometeu, e, fazendo várias referências biblícas, diz que “o criminoso colocado em liberdade” deve poder ter “meios de viver em sociedade, trabalhando e procurando dignidade em sua vida”. Vários adeptos do clube concordam com a visão transmitida pelo director.
Vários patrocinadores do clube já anunciaram o fim da parceria. Nutrends Nutrition, CardioCenter, Magsul, Kanxa (fornecedor de material desportivo) e Grupo Góis & Silva, principal patrocinador já anunciaram o final do acordo. Numa nota divulgada pela Folha de S. Paulo, o grupo Gois e Silva pediu a retirada das suas marcas das camisolas do clube, uma vez que o Boa Esporte não decidiu rever a sua posição de contratar o guarda-redes.
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