sábado, 7 de abril de 2018

É preciso «(des)Josina(r)» o 7 de Abril!

É preciso «(des)Josina(r)» o 7 de Abril!
1. Conforme é de conhecimento público, comemora-se hoje, dia 7 de Abril, em Moçambique, o «Dia da Mulher Moçambicana». Data considerada como feriado nacional, a mesma é histórica e politicamente associada à heroicidade de Josina Machel, falecida na mesma data, há 47 anos, ou seja, no ano de 1971.
2. Um “turbilhão” de narrativas sobre as causas da sua morte à parte, alguns escritos apontam que Josina falecera vítima de doença; outros ainda, que Josina falecera vítima de envenenamento. Há quem diga, ainda, que o rancor de Filipe Samuel Magaia por Josina ter o trocado por Samora Machel, merece realce.
3. Casada com o primeiro Presidente de Moçambique independente, Samora Moisés Machel, Josina Muthemba que, desde então, passou a ser conhecida nacional e mundialmente por Josina Machel, é apontada como uma das fundadoras do «destacamento feminino» e como a inspiração da mulher moçambicana.
4. Declarado, oficialmente, como feriado nacional desde o período imediatamente posterior à independência nacional, o 7 de Abril tem sido fortemente comemorado pelas mulheres moçambicanas, estas que se enfeitam de lenços e capulanas estampadas com a fotografia de Josina Machel, vista como ícone da mulher moçambicana.
5. Nesta senda, víamos, então, um movimento de mulheres, entre comuns, figuras públicas como também funcionárias públicas, nos centros comerciais das nossas cidades capitais, à procura das melhores capulanas e lenços com a fotografia de Josina. Tinha pouco sentido comemorar a data sem tais roupas!
6. Tal comportamento, fortemente influenciado pelas campanhas feitas pela televisão e rádio públicas, tem como epicentro o nosso sistema nacional de educação que, durante muito tempo, desde crianças, ensina-nos a exaltar os “feitos” de Josina, e daí a sua heroicidade, diga-se, cá entre nós, algo politicamente forçada!
7. Nos manuais de ensino, ignora-se grande parte do papel desempenhado por outras mulheres que, à semelhança de Josina Machel, estiveram em frente na fundação do destacamento feminino, ocuparam cargos cimeiros na FRELIMO, e eleva-se olimpicamente a figura da mulher de Samora Machel, a jovem Josina.
8. Ora, para nós, é tanto que um grande equívoco que o 7 de Abril, propositadamente fixado como feriado nacional e dia da Mulher Moçambicana por intermédio da FRELIMO, seja comemorado segundo o prisma de Josina Machel. Esse comportamento revela de perto o fenómeno da politização e partidarização dos feriados nacionais.
9. Se se quer olhar o dia 7 de Abril como uma oportunidade para exaltar os “feitos heroicos(?)” de Josina Machel, já temos o 3 de Fevereiro que é uma data para comemorarmos a heroicidade de todos os heróis nacionais, entre homens e mulheres, isto é, sem qualquer discriminação, mesmo em nome do Princípio da Universalidade e da Igualdade.
10. A maior fraude nas comemorações do 7 de Abril verifica-se ao nível da função pública em que os chefes e as chefes (de departamento, de sector, e etc.,) persuadem, dizemos, obrigam às suas colegas subalternas que devam, no almoço alusivo à data naquelas instituições, ir trajadas de fardas de capulanas e lenços com fotografia de Josina.
11. Esse comportamento dos chefes e das chefes, que confundem as instituições públicas com células partidárias, dizemos, do Partido Frelimo, é errado e fere com a liberdade de escolha das nossas funcionárias públicas, por um lado, e por outro, é um exemplo gritante do “josina(r)” do dia 7 de Abril, dia da Mulher Moçambicana. Acto, com certeza, misturado com atitudes lambebotistas daqueles.
12. Ora, entendemos que seja necessário “(des)josina(r)” esta data. O facto de calhar propositadamente com a morte de Josina Machel, ela não pode ser usada para apontarmos a heroicidade desta que, entre nós, a EXISTIR, é pouco conhecida (senão desconhecida para não sermos extremistas). Convenhamos!
13. Todavia, já uma crescente mudança de mentalidade entre as mulheres moçambicanas. Notamos, então, que nos últimos tempos, à passagem desta data, nas suas fardas, já se enfeitam de capulanas e lenços de detalhes lindos e diversos que não conhecem o estampo da Josina Machel. Estão já a “(des)josina(r)” a data.
14. Achamos, finalmente, que é necessário que se coloque fim a politização e personalização (ou pessoalização) desta data. A coincidência propositada do dia 7 de Abril como data da morte de Josina e daí a consideração desta como Dia da Mulher Moçambicana, não pode significar dia de culto à figura da primeira cuja heroicidade é, até à esta parte, discutível.
À toda Mulher Moçambicana,
Feliz Dia da Mulher Moçambicana!
13 comentários
Comentários
Saquina Gorbatchovy Bolchevick Jasse Pensando!!!😂😂😂!!! Obrigada caro Colega #Ivan
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Nilza Mercia Li de forma mininciosa o seu discurso arrebatados a "elitizacao da nossa sociedade" pois é isso que vejo nos ultimos dias em que tudo se limita ao grupo detentor dos recursos sejam eles culturais, socias ou politicos
Muito triste mas em fim poucas dinamicas sao fragilizadas quando o cidadao procura exigir seus direitos 
Mbora cobrar nossos direitos
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Jose Langa Certissimo! Acredito que a FRELIMO precisa e aceita este tipo de contribuicoes.Afinal, e preciso corrigir os erros do passado.
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Pátria Amada Ainda vivemos os 10 anos da Luta de Liberação Nacional quando a luta actual é a corrupção, pobreza internas. 
Discordo do teu 3º ponto: se ela faleceu em '71, não era casada com o primeiro presidente de Moçambique independente pois este se tornou em '75.
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Benny Matchole Khossa Chegou a casar com Samora?
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Pátria Amada Presumivelmente sim, ao adoptar o apelido de "Machel" indicia um casamento pois unidos de facto não vislumbro uma adopção de tal nome até a notoriedade pública.
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Pátria Amada É minha "convicção", como dizem os procuradores da "Lava Jato" (" não temos provas mas temos convicção...").
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Ivan Maússe Alinho-me a tua presunção, Pátria Amada.
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Ivan Maússe Meu caro Pátria Amada, mas Samora Machel é ou não o primeiro presidente de Moçambique independente?!
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Ivan Maússe E como acha que eu devia ter escrito?! Pode, por favor, corrigir-me?!
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Pátria Amada "casada com Samora Machel", na altura/então, combatente da Frelimo/luta de libertação nacional...".
Pois dizer casado com o 1º presidente de Mz Independente, indicia directamente que se casaram no "período imediatamente posterior à independência", altu
ra em que o cda SM tornou-se Presidente da República Popular de Moçambique (por inerência, pois o Presidente da Frelimo era ou devia ser o PR, o que devia ser o inverso para a altura).
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Ivan Maússe Procede, e como procede. Obrigado, meu caro!
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Fernando Nhabomba Essa data está sendo muito questionada esse ano. O que isso significa???
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Ivan Maússe Facto para dizer que os moçambicanos estão cansados de narrativas históricas politicamente empacotadas ou fabricadas.
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Helder Waka Moiane Melhor nao vir trabalhar nos distritos IIvan Maússese não podem te mandar embora
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Ivan Maússe Hehehe aí nos Distritos só está a dar Josina nas capulanas nê?! Hehehe
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Helder Waka Moiane Hehehehehe aqui o regime é forte
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Ivan Maússe Eish, imagino, mano.
Faça a vossa parte, bros.
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Cidadão Comum Agora escreves em números!? Será influência do Direito!? Hehehehe...

Que se "desjosine" o dia, sim.
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Ivan Maússe He he he he. É apenas um style, meu caro Cidadão Comum. Hahaha.
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Ivan Maússe Que se desjosine sim, meu caro. Olha que, quando se levanta a heroicidade de uma pessoa, é sinal claro de que tal pessoa não merece tal categoria. Entendo!
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Fausto António Macuácua Do meu ponto de vista, a mulher mocambicana precisa de criar uma organizacao da mulher independente para fazer valer os seus direitos. A OMM nao eh uma organizacao da sociedade civil mas sim o braco direito da FRELIMO.
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Ivan Maússe Não só a OMM, como também a OJM. Mas acredito que os seus Estatutos dê-lhes legitimidade para se designarem como tal, e não acho que entrem em choque com lei alguma. Todavia, são sim necessárias organizações independentes
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Fausto António Macuácua Entre Celina e Josina quem foi a fundadora do destacamento femenino? Poderiamos ler a obra de Bernabe "Urias Simango: um homem, uma causa".
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Ivan Maússe Aí está a questão, meu irmão. Afinal, essa heroicidade que conferimos à Josina Machel donde deriva mesmo? Quais os feitos desta que justificam sua heroicidade?!
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Fausto António Macuácua Meu caro, a historia narrada por aqueles que detem o poder, por aqueles que o buscam ou pelos amigos destes deve ser encarada com muita cautela.
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Hilário Jordão Tsope João Feijó diria o mesmo. Segundo este sociólogo, a comemoração de feriados nacionais reflecte uma identidade de filiação partidária, sobretudo pelo facto de os "os herois" a quem se "chora" terem, todos eles, pertencidos ao partido FRELIMO. O número 8 deste post é pensamento de Feijó.
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Mindo D'avila Morreu envenenada por Machel quando este descobriu que estava gravida doutro homem, na verdade diz se que esta nunca chegou a se apaixonar pelo Machel.
A frelimo nos menti muito porque?
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Rafael Mate Certíssimo meu caro irmão atento, este texto reflexivo e elucida a quem sobrevive ao conformismo. Parabéns mano Ivan Maússe
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Ivan Maússe Muito grato e feliz feriado, meu caro. Vamos todos ficar atentos. Hugs!
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Antonio Gundana Jr. Há tempos, comentei a respeito dessa 'coincidência' em datas como 3 de Fevereiro, 7 de Abril e 25 de Junho que coincidem com alguma coisa marcante da FRELIMO. Existem outros elementos como o nome das avenidas, escolas, pontes, etc. relacionadas a personagens da FRELIMO 'gloriosa'. 

Ainda não sei com firmeza das motivações destas 'coincidências', mas na altura levantei a hipótese de uma forma de fundir o Estado e a Nação ao partido no poder. Me parece isso. Ótima tarde!
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Ivan Maússe Propositadas coincidências.

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