segunda-feira, 5 de março de 2018

Moçambique: Aumento do preço dos "chapas" causa descontentamento


Os transportes semicoletivos estão mais caros em Maputo. A tarifa aumentou 0,04 cêntimos de euro. Os utentes temem que com este aumento, e outros que têm sido anunciados, a vida fique ainda mais complicada.
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"Chapas" numa das principais praças da periferia de Maputo, Moçambique
No maior mercado informal de Maputo, na Praça dos Combatentes, os utentes dos transportes semicoletivos, os chamados "chapas", estão insatisfeitos por terem de pagar mais caro a partir desta segunda-feira (05.03.).
De manhã, o ambiente era calmo com os transportadores a fazerem o seu trabalho. A polícia de choque foi mobilizada para o local a fim de evitar eventuais desacatos.
Descontentamento
João Raivoso está à espera do "chapa". Para ele, as notícias sobre os aumentos dos produtos, e agora dos transportes, já estão a fartar, diz ele.
Mosambik öffentlicher Verkehr, Busfahrten | Polizei & Sicherheit
A polícia esteve de prontidão para o caso de revoltas
"A vida está muito complicada e pior agora que temos a nova tarifa dos transportes. Estamos a lutar todos os dias para conseguirmos viver mas nada anda”, desabafa João Raivoso.
Edmundo Matusse apressa-se para apanhar o "chapa". Ele vive no bairro das Mahotas, a 15 quilómetros da baixa de Maputo. Com a nova tarifa, as coisas ficam mais complicadas: "A vida será mais difícil. Esta nova tarifa não ajuda ao munícipe. Pelo contrário, vai piorar. A tarifa foi agravada mas acredito que o encurtamento vai prevalecer."
Matusse acredita que os motoristas continuarão a dar voltas pela cidade à procura de passageiros, em vez de irem diretamente para o destino final, porque a nova tarifa ainda não compensa.
Encurtamento de rotas
Armando Chiconela é motorista de "Chapa" e faz as rotas mais curtas da capital. Ele admite que os "encurtamentos" das rotas podem continuar.
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Moçambique: Aumento do preço dos "chapas" causa descontentamento

"O que faz os motoristas encurtarem a rota é por causa do preço, que não compensa. Eles fazem essas manobras todas para conseguirem fechar a receita”, revela Chiconela. 
Para que compensasse, segundo Chiconela, os preços dos transportes teriam de aumentar ainda mais. Mas Castigo Nhamane, o presidente da Federação Moçambicana dos Transportes Rodoviários (FEMATRO), diz que este foi o aumento possível: "Nós entendemos, porque somos moçambicanos, a situação financeira afeta também o setor dos transportes.”
O presidente da FEMATRO promete melhorias num futuro próximo: "Esforços estão a ser feitos junto com o Governo, no âmbito do memorando que assinámos para adquirir trezentos autocarros, mas até agora só recebemos noventa. Ainda há um défice, mas nos próximos meses vamos receber e poderemos mudar o cenário dos transportes."

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