quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Nyusi quer ponto final à agricultura feita de forma empírica e à pecuária artesanal


Produção agrária
Às 09h00 da manhã de ontem, a escolta presidencial estacionava defronte do edifício que funciona, de forma provisória, como sede do Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar (MASA). José Pacheco, o ministro do pelouro, estava de plantão para fazer as honras da casa. Depois de breves saudações, Filipe Nyusi entrou no edifício para se informar do funcionamento do ministério que ele criou em Janeiro de 2015. O Presidente da República inaugurava, assim, uma nova frente de trabalho: as visitas aos ministérios. Filipe Nyusi quer ter conhecimento profundo dos órgãos centrais, por isso decidiu que este ano irá visitar todos os ministérios. E a escolha do MASA para a visita inaugural, não foi por mero acaso. “Temos vindo a dizer que só com produção agrícola, animal e pesca podemos nos livrar da dependência externa”, justificou o Presidente da República.  
Depois de visitar vários laboratórios do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), Nyusi disse que gostou do que viu e alertou que nenhum país pode desenvolver a sua agricultura sem apostar na investigação. Aliás, o Chefe de Estado foi incisivo ao afirmar que Moçambique já não pode continuar a praticar a agricultura de forma empírica e a fazer a pecuária usando moldes artesanais. “Aquilo que eu vi, é o que deve acontecer. Saber dizer que semente, em que solo e em que clima. Temos que levar esse conhecimento até à base”, explicou. Além de ter alguns laboratórios que competem internacionalmente, o IIAM já produz algumas vacinas. O Chefe de Estado encorajou os investigadores e disse que o seu trabalho deve concorrer para reduzir perdas na agricultura e impulsionar a produção quantitativa. “Há muita gente que pensa que só se vive de negócios e não quer produzir. As pessoas têm quintas e vão lá aos fins-de-semana para beber cerveja. É preciso pôr as quintas a produzir”, declarou.
E porque em Moçambique tanto a falta, como o excesso de chuvas sempre constitui problema para o sector agrário, Nyusi reconheceu que é urgente encontrar uma solução definitiva. “Não podemos continuar a mobilizar os camponeses para produzirem, mas quando chove toda a sua produção é devastada. E quando não temos chuva, as suas culturas também se perdem. Temos que encontrar formas e parcerias para melhorarmos a gestão da água”, explicou.
Extensionistas devem ser multidisciplinares
Em 2016, o Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar contava com 1.370 extensionistas que assistiram mais de 634 mil produtores. Filipe Nyusi defende que a extensão agrária deve ser explorada no máximo. “Esses extensionistas devem ser multidisciplinares. Muitas vezes têm noções em pecuária, por exemplo, mas quando estão no campo focam-se exclusivamente na agricultura. É preciso explorar todas as suas potencialidades”. E porque o maior recurso é o homem, o Chefe de Estado defendeu que só com funcionário motivado, o MASA vai alcançar as metas traçadas. “Não pode haver descontentamento, as pessoas devem sentir-se donas do ministério”.

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