sexta-feira, 6 de abril de 2018

O EXEMPLO VEM DE CIMA, MAS JOÃO LOURENÇO NÃO O DÁ



O tráfico de influências, o conflito de interesses, o favoritismo e os privilégios dos detentores do poder na alienação de bens do Estado a seu favor prosseguem sem vergonha e ao abrigo de toda a impunidade. A conversa contra a corrupção de João Lourenço e as trapalhadas da Procuradoria-Geral da República na constituição de arguidos sonantes parecem apenas manobras de distracção.
A 12 de Fevereiro passado, o ministro das Finanças, Archer Mangueira, procedeu à alienação de cinco aviões ligeiros, três Beechcraft 1900 e Twin Otter, pertencentes ao Estado angolano.
No seu Despacho n.º 47/18, o ministro Archer Mangueira ordenou ao director-geral do Património de Estado, Valentim Joaquim Manuel, a celebração de contratos de compra e venda dos aviões com as seguintes empresas: SJL – Aeronáutica, EAPA e Air Jet.
A SJL – Aeronáutica foi criada em 2010 pelo general Sequeira João Lourenço, irmão do presidente João Lourenço.
Por sua vez a EAPA – Sociedade Agropecuária de Angola é uma empresa pertencente ao actual vice-presidente da Assembleia Nacional e membro do Bureau Político do MPLA, o general Higino Carneiro.
A Air Jet é do ex-oficial da Força Aérea Nacional de Angola (FANA) António de Jesus Janota Bete.
A grande questão que se coloca é muito simples: porquê estes e não outros? O despacho do ministro não dá resposta a esta questão. E o que temos é o irmão do presidente da República e o vice-presidente da Assembleia Nacional a fazerem negócios com o Estado.
A questão do irmão do presidente da República coloca na berlinda a Lei da Probidade Pública – Lei n.º 3/10, de 5 de Março. De acordo com o artigo 28.º deste normativo, o agente público deve abster-se de intervir em situações em que estejam em causa seus familiares directos. Ora, atendendo às especificidades da Constituição angolana, qualquer assunto tratado com um ministro é-o juridicamente com o presidente da República, pois o ministro é apenas um auxiliar sem poder próprio. Neste caso concreto, é o presidente João Lourenço que delega poderes no ministro Mangueira, que por sua vez delega poderes no director-geral do Património de Estado, Valentim Manuel, para alienar os aviões ao irmão do presidente. Se repararmos, tecnicamente, é o presidente da República quem vende os aviões ao irmão, através de uma cascata de delegações. Isto, obviamente, viola o artigo 28.º da Lei da Probidade Pública.
E, mais do que violar a lei, quer a situação do irmão do presidente, quer a situação do general Higino Carneiro violam a Nova Moral Pública que se esperava que João Lourenço estivesse a implementar. Ficou provado, durante o mandato de José Eduardo dos Santos, que as leis não bastavam. Elas existiam, mas a moral dominante era a do saque. Ninguém cumpria a lei.
Exige-se que João Lourenço vá além dos discursos e comece por praticar uma Nova Moral Pública de civismo, cidadania e cumprimento das normas, de forma exigente e inequívoca.

Luis Coutinho
Mas, o mais interessante é que essa gente compra bens do Estado (neste caso aviões) com dinheiro que foi tirar onde? Um general, um deputado, um piloto... arranjaram dinheiro para comprar aviões só com os salários deles?! Ou andam escavar há muito tempo e de vez em quando estragam com essas divagações....! Deve acrescentar-se que essa gente tem empresas que estão com os salários do pessoal atrasados há meses e meses.. Isto é, eles compram aviões e os empregados ficam à rasca sem salário !
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Cari Ca Ri
"Faz o que eu digo, não faças o que eu faço".
Este é o provérbio que mais fielmente descreve a postura do actual Presidente da República, e que só os mais "tansinhos" não vêem.
João Lourenço é um ultraje.
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Alfa Noid
Mas estavam à espera que este fosse diferente? Está só a limpar a casa para acomodar a sua cambada. Pobre País que nunca se vai livrar dos larápios. Ainda há gente a morrer à fome em Angola e as suas elites passeiam-se em Lisboa, Rio de Janeiro, Paris etc em Ferraris, porsches e Bentleys.

A miséria moral da "gente" do poder não tem qualificação...
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Jeremias Neto · 
No meu entender o Jlo já começou a ficar sem saber o que fazer, em linguagem terra-terra está a ver fumo kkkkkk
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Raqueliana Brito · 
Do que adianta exigir que ele vá além dos discursos, quando nem sequer uma prova da tal acusação tem.
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Nkuakueno Sala
Acho que em Angola as mulheres são mal informado ou tem perfil fantasma para desculpar os corruptos
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Mintowa Satyagraha · 
Nkuakueno Sala
Verdade irmão concordo.
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Raqueliana Brito · 
Nkuakueno Sala em Angola há mulheres que têm a sua opinião e muitos homens machistas não aceitam e nem sequer respeitam. Fantasma não existe!
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Daniel Gabriel Danilson · 
Neste contexto nós como A angolanos somos se não vamos tomar uma decisão e mandar mais uma outra guerra que vai fugir todos esse gatunos deste país ou morremos nós todos vamos continuar á sofrer.
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Barbosa Mesquíta Brandão Brandão · 
O que mais Admira é assistirmos Gestores de Empresas Públicas e seu pessoal de Gabinete Jurídico a Protegerem (manterem nas Empresas) os Falsos Profissionais da Saúde, devidamente identificados e, até Declarados pelas Instituições de Formação, mas Impunemente ninguém faz algo. Por isso é que, a Incidência de Mortalidade Humana Nacional é Elevada, pois muitos são Falsos Profissionais da Saúde nas Instituições Sanitárias Públicas e Privadas, com a protecção de Gestores e pessoal de Gabinete Jurídico. As Denúncias em Autoridades Profissionais em nada resulta, ou seja, não há Zelo e Diligência para Actuar estes Coniventes e Irresponsáveis pontualmente. Até alguns destes Falsos Profissionais, ao abrigo destas protecções, estão a apresentar Novos Certificados Profissionais, certamente já Forjados como sendo Verdadeiros Falsos e, ainda mesmo assim, Gestores de Decisão e pessoal de Gabinete Jurídico não accionam as Autoridades Policiais para cobrar estes Criminosos...Só não sei que Qualidade Assistencial em Saúde teremos em Angola com esses proteccionismos...
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Jose Mingolo · 
Be stronger, alright.
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Faustino Lopes · 
É incrível como adoramos falar sem sustentabilidade documental nenhuma, é imperioso que se faça jornalismo sério de maneiras que se informe e não se desinforme a população
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Paulo Caetano · 
Falar é fácil, mas provar o que se fala é difícil.
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Manuel Tome Tome
Subscrevo, meu caro irmão.
Florinda Nina · 
Epa é angola tudo na mesma
Luis Domingo
E a comunidade Internacional a olha e a rir do Angolano, nao existe vergonha? Ajudem o povo, fomentem o livre comercio com os outros países, façam circular as divisas por todos e nao só por alguns, façam Angola grande

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