domingo, 8 de abril de 2018

A prisão não é o fim da candidatura à presidência e o PT aposta nisso

O novo quartel-general dos apoiantes de Lula da Silva passou a ser Curitiba, onde já está montado um acampamento. Ninguém quer sequer ouvir falar de um “plano B” para as eleições.


João Ruela Ribeiro 8 de Abril de 2018, 19:08


Foto Apoiantes de Lula da Silva manifestam-se em frente ao edifício onde o ex-Presidente está preso, em Curitiba Reuters/RODOLFO BUHRER

PUB




Às primeiras horas da primeira manhã que Lula da Silva passou preso já se viam as primeiras tendas e até casas-de-banho portáteis trazidas pelos apoiantes do ex-Presidente brasileiro para as imediações do edifício da Superintendência em Curitiba. Será ali montado o quartel-general do movimento de resistência contra aquilo que dizem ser a prisão ilegítima de Lula, com o objectivo único de impedir a esquerda de regressar ao poder.

A primeira noite de Lula na prisão foi “tranquila”, de acordo com um comunicado emitido pelo Partido dos Trabalhadores, em que foi também deixado o apelo para que os seus apoiantes inundem o local com cartas dirigidas ao ex-Presidente. São esperados cerca de 40 autocarros com pessoas para se concentrarem em Curitiba nos próximos dias, diz o jornal Folha de São Paulo.


"Não adianta parar o meu sonho, porque, quando eu parar de sonhar, sonharei pela cabeça de vocês"


PUB



Menos tranquila parece ser a discussão em curso no seio do partido que enfrenta agora a orfandade, ao ver o seu líder histórico na prisão e em sério risco de não poder apresentar-se como candidato às eleições presidenciais de Outubro. A imprensa brasileira dá conta de um debate interno entre os que defendem a continuidade de Lula na “chapa” eleitoral e os que pedem a contemplação de um “plano B”.

Oficialmente, a estratégia do PT continua a ser uma só – a de manter a candidatura Lula, independentemente do que venha a acontecer. A detenção deste sábado não mata, por si só, as hipóteses de Lula continuar como candidato, mas muito daquilo que será o futuro do homem que lidera as intenções de voto está dependente dos prazos dos tribunais.

O grande entrave à candidatura de Lula chama-se Lei da Ficha Limpa, ironicamente aprovada em 2010 durante a sua própria presidência, e que inviabiliza que políticos condenados em segunda instância possam candidatar-se a cargos públicos. Essa é precisamente a situação de Lula, depois da decisão do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre, que em Janeiro confirmou a condenação por corrupção e lavagem de dinheiro e aumentou a pena para 12 anos e um mês de prisão.

No entanto, a aplicação da Lei da Ficha Limpa só será possível no momento em que o Supremo Tribunal Eleitoral apreciar as candidaturas às presidenciais, algo que deve acontecer até 17 de Setembro. Enquanto essa avaliação é feita, a candidatura pode organizar acções de campanha, mesmo com Lula preso. Cabe ao juiz que o condenou, Sergio Moro, ou ao responsável pela execução da pena, estabelecer de que forma poderá Lula exercer esse direito.



O que está em causa no processo Lula?

Meios para campanha

"Se a lei permite que a pessoa seja candidata enquanto seu caso está em análise, devem ser dados os meios para fazer a campanha", disse à BBC Brasil um procurador eleitoral sob anonimato. Seria então possível que Lula pudesse abandonar o local de detenção para gravar anúncios de campanha, por exemplo.


Mas mesmo que o STE decida vetar a candidatura de Lula, há sempre a possibilidade de serem apresentados recursos, adiando por mais tempo a sua inviabilização definitiva. Ao mesmo tempo, permanece em cima da mesa uma eventual reversão por parte do Supremo Tribunal Federal da decisão de permitir a prisão de condenados em segunda instância. Esta semana, o STF vai pronunciar-se sobre casos que envolvem outros condenados no âmbito da Operação Lava-Jato e a defesa de Lula vai tentar que a questão volte a estar na agenda.

Ler mais
Lula está preso: “Já não sou um ser humano. Sou uma ideia”
Esquerda unida na “vigília de resistência e apoio” ao ex-Presidente
Lula: a queda e o mito

O factor crucial é o tempo que todas estas decisões podem vir a tomar. Se forem lentas, Lula pode chegar ao dia da primeira volta ainda como candidato, e ver a candidatura invalidada antes da eleição final – abrindo caminho à passagem do terceiro mais votado a progredir para a segunda volta. Num caso extremo, é até possível que Lula possa vencer as presidenciais, mas a sua candidatura seja anulada por uma decisão judicial já como Presidente eleito, diz a BBC. Seriam então convocadas novas eleições.

A estratégia de manter a candidatura de Lula o máximo de tempo possível “faz sentido, pressupondo que os prazos da Justiça serão demorados”, diz ao site UOL o professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Malco Camargos. No entanto, avisa, “temos visto que, com Lula, o tempo da Justiça tem sido sempre diferente, mais rápido do que o normal”.
tp.ocilbup@aleur.oaoj
Partilhar notícia
0 partilhas
Partilhar no Facebook
Partilhar no Twitter
Partilhar no LinkedIn
Partilhar no Google+
Enviar por email
Comentar
Sugerir correcção ×

Comentários


Registe-se ou entre com a sua conta para comentar




Não há comentários

Seja o primeiro a comentar.


Mais Brasil
Mais artigos







Eu sou Lula?
André Lamas Leite 34 partilhas 0 coment�rios





BE e prisão de Lula: “golpe da direita reaccionária, racista, fascista”
Lusa 385 partilhas 14 coment�rios





"Não adianta parar o meu sonho, porque, quando eu parar de sonhar, sonharei pela cabeça de vocês"
PÚBLICO 15 partilhas 1 coment�rios


Últimas
Mais populares



Últimas notícias

20:55 Governo. Centeno diz que "alinhamento" de datas entre eleições legislativas e europeias seria "adequado"

20:55 Portalegre. Um morto e dois feridos graves em despiste de autocarro

20:52 Faixa de Gaza. Exército israelita diz que está a analisar morte de jornalista palestiniano

20:33 Aviação. TAP cancela quatro voos por "motivos operacionais"

20:26 Motociclismo. Miguel Oliveira terceiro no Grande Prémio da Argentina

20:21 Sporting. Bruno de Carvalho volta à carga e mantém processos disciplinares a jogadores

20:10 Fórmula 1. Vettel volta a bater a Mercedes no Bahrein

19:54 I Grande Guerra. Marcelo louvou "a força" dos portugueses em Paris

19:33 PCP. Comunistas criticam Governo mas não querem ruptura
Mais notícias

P24 O seu Público em 40 segundos
Reproduzir
1/1
Entregar-se ou resistir? O tempo de Lula está a esgotar-se

Apoiado por Mais recomendações

Em destaque
Mais artigos


A carregar...


Público

Seguir
Facebook
Twitter
Google+
LinkedIn
Instagram
YouTube
RSS

Mapa

Política
Sociedade
Local
Economia
Mundo
Cultura
Desporto
Ciência
Tecnologia
Opinião
Multimédia
Podcasts
P2
Ípsilon
Culto
Fugas
P3
Cidades
Cinecartaz
Guia do Lazer
Inimigo Público

Quiosque
Newsletters
Aplicações
Loja
Iniciativas
Novos Projectos

Serviços
Meteorologia
Emprego
Programação de TV
Imobiliário

Sobre
Ficha Técnica
Estatuto Editorial
Autores
Contactos
Provedor do Leitor
Público+
Publicidade

Assinaturas
Assinar
Conteúdos exclusivos
Descontos para assinantes
Edição impressa
Cartão Público



Email marketing por


@ 2018 PÚBLICO Comunicação Social SA
Ajuda
Termos e Condições
Política de Privacidade
Principais Fluxos Financeiros
Estrutura Accionista

×
Conta

Entrar
Assinar

Em destaque

Lula da Silva
Sporting
A guerra na Síria
Carles Puigdemont
Marcelo Rebelo de Sousa
Secções

Política
Sociedade
Local
Economia
Mundo
Cultura
Desporto
Ciência
Tecnologia
Opinião
Multimédia
Podcasts
P2
Ípsilon
Culto
Fugas
P3
Cidades
Cinecartaz
Guia do Lazer
Inimigo Público
Serviços

Emprego
Programação de TV
Imobiliário
Quiosque

Newsletters
Aplicações
Loja
Iniciativas
Novos Projectos
Seguir

Facebook
Twitter
Google+
LinkedIn
Instagram
YouTube
RSS
Sobre

Ficha Técnica
Estatuto Editorial
Autores
Contactos
Provedor do Leitor
Público+
Publicidade
Assinaturas

Assinar
Conteúdos exclusivos
Edição impressa
Descontos para assinantes
Cartão Público




Sem comentários: