terça-feira, 6 de março de 2018

A Renamo e a Lei

Ekah...
Então o Presidente da República remete à Assembleia da República, no dia 12 de Fevereiro, uma proposta de revisão pontual (???) da Constituição, de acordo com o regime fixado no número 2 do artigo 291 da Constituição, que fixa o prazo de 90 dias antes do debate das propostas de revisão constitucional e no dia 2 de Março a Bancada Parlamentar da Renamo submete uma proposta de alteração do referido artigo, para que o prazo passe de 90 para 30 dias.
Três colocações à respeito:
1. Ao apresentar a proposta a Renamo está ciente e dá razão àqueles que defendem (e bem) que o prazo do número 2 do artigo 291 da CRM não tem como ser contornado, pelo que o debate dessa proposta de alteração não pode acontecer antes de 14 de Maio de 2018.
2. Nada obsta que se proponha até o absurdo, mas a lei que resultar da aprovação da proposta sa Renamo nunca terá efeitos retroactivos. A proposta já depositada pelo PR deverá seguir o regime jurídico vigente no momento que a mesma foi depositada, ou seja, o prazo de 90 dias.
3. Não pode igualmente ter efeitos retroactivos a lei que resultar da aprovação da proposta depositada pelo Presidente da República, considerando que as eleições autárquicas (em bom rigor são apenas eleições municipais) de 2018 foram já marcadas para 10 de Outubro (no dia em que estarei a completar 40 anos), com base no regime fixado na Constituição em vigor.
Dixit 😎

Comments

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Eusébio said...
Não está a ver mal, Gil. Assistimos ao espectáculo do primado da Força sobre o Direito, conforme as conveniências. Parece-me que a Renamo está obcecada, sei lá por quê. A lei pode ser pontapeada desde que haja vantagens para ela (a Renamo), no espírito dos "consensos divergentes". O mesmo acontece em relação a eleição de presidentes de Municípios em que o próprio garante da Lei propõe a alteração das regras do jogo a meio, sabido que as eleições foram convocadas a Luz da lei vigente, tal como defende o MDM. Começo a ficar preocupado, porque era suposto que a Lei fosse o Norte de quaisquer decisões. Um dia, o Mundo há-de rir-se da Renamo por nunca ter sido coerente e, acima de tudo, por ter contribuído para a degradação do Estado de Direito no nosso pais.
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Angelo Pelembe Bunguele São os homens a se servir das leis e não a servir as leis.
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Dioclécio Ricardo David A democracia e os seus custos: os consensos não bastam. Devem estar em harmonia com o quadro jurídico que os precede. É um "dilema jurídico" já previsto. E agora?
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23 hEditado
Solomone Manyike E o k diz o CC? E a ordem dos advogados?
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23 h
Muzila Wagner Nhatsave essa cena de direito anima juro. so posso estudar isso um dia juro. Brother Chivale explica la bem esse assunto. Quer dizer que essa cena bem bem do jeito que querem so pode acontecer essas mudanças em 2023? entendi bem?
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21 h
Alexandre Chivale É o que mandam a lei e o Direito
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6 h
Muhamad Yassine Vamos com calma
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4 h
Alberto Pawandiwa Brada... toda a legislaçao é resultado de acordos politicos. Essa constituiçao que está a tentar interpretar, tambem.
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16 h
Alexandre Chivale Então a regra são os acordos e não o que resulta desses acordos? A lei, neste caso, é cosmética?
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6 h
René Mucavele Assim, devemos “rasgar” a constituição da República em nome da Paz! Assim mesmo esta bom? Olá Paz ✌️
Pacote de descentralização versus unidade nacional em Moçambique
O pacote de descentralização tem um enorme potencial de minar a unidade nacional e, consequentemente, a paz efectiva que se pretende construir!
Assim, eu sugiro que na discussão do pacote de descentralização seja inclusa a discussão da Política de Unidade Nacional e da Estratégia de Promoção daUnidade Nacional, que, formalmente, não existem. Além disso, eu sugiro que a Unidade Nacional tenha um destaque acentuado/ reforçado na Política de População, bem como nos estatutos/ constituições dos partidos políticos. Estas são condições necessárias, apesar de insuficientes, para que se preserve a unidade nacional conquistada com muito sacrifício. Esta é uma condição fundamental para que Moçambique 🇲🇿 continue a ser internacionalmente aplaudido como o bom exemplo de Unidade Nacional e de unidade na diversidade!
Calton
Ps: eu ainda estou nas minhas prolongadas férias sabáticas para assuntos políticos domésticos. Ademais, eu ainda estou a seguir à risca o conselho da velha Chica (Waldemar Bastos). Eu só estou a pensar a política. Eu não estou a falar a política!
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Tira Teimas Sugiro ao professor ler ou reler o livro do professor Severino Ngoenha, com o titulo: Por uma dimensão mocambicana de uma consciência histórica. Certamente que pode-nos ajudar a responder a questão de unidade nacional vs descentralização, apesar de o professor Ngoenha abordar mais o federalismo mas acho que pode nos ajudar muito.
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Calton Cadeado Xavier Jorge Uamba, meu caro. Eu tenho o livro que sugeres. Eu triturei esse livro, na altura em que Severino Ngoenha foi meu professor. Nessa altura, eu triturei, igualmente, o livro de Máximo Dias, “pacto de regime”.
Mas, valeu a sugestão. Eu vou revisitar as duas obras! Aquele abraço
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Mouzinho Zacarias Calton Cadeado desde 1975 que a frelimo anda nos enganar com falsa unidade nacional... Os povos da zona centro e Norte continuam na miséria
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Responder4 dia(s)Editado
Calton Cadeado Mano Mouzinho Zacariasrias! Eu percebo a dimensão sócio-econômica de unidade nacional que estas a trazer. Mas, essa dimensão traz consigo muitas perguntas. A primeira delas é a seguinte: era possível no contexto de Estado pos-colonial e, sobretudo, em guerra construir uma “verdadeira unidade” nacional na dimensão econômico-social? Por outras palavras, era possível, naquele contexto, priorizar a dimensão econômico-social em detrimento da dimensão política? Era possível fazer as duas dimensões em simultâneo e ter o mesmo grau de satisfação?segunda pergunta é: como defines a unidade nacional na dimensão econômico-social? Por último, como é que se faz a unidade nacional na dimensão econômico-social? Aquele abraço
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Agnaldo Antonio Pedro Calton com as questoes k levantaste me parece k este projecto ainda nao terminou para ir se debater a forma d promocao ou a sua dimensao politica,deveria sim fechar este asunto cm tdos os elementos(a dimensao economica,social) ainda em falta estejam refletidas depos pode se discutir a maneira d promove la asim cmo a sua dimensao politica
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Antonio Mussa Alô Cadeado. Convido lhe a sair da ponta de ouro ou de Ressano Garcia a Palma via terrestre. Maravilhas e desgraças pôs guerra.
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Egidio Vaz Apreciei as suas sugestões. Claras e directas. Parabéns.
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Isalcio Mahanjane Mbuya, sabes que sempre levanto e recordo a da crise de 1999 como um caso de estudo para qualquer que seja o passo forward...
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Antonio A. S. Kawaria Parabéns mano Calton Cadeado, desde há anos que eu disse que fala-se muito de unidade nacional mas em Moçambique nunca tivemos uma Política de Unidade Nacional que é muito necessária na construção da nação moçambicana.
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Tira Teimas A Frelimo tem tentado a todo custo resolver politicamente a questão de unidade nacional. Só uma pequena coisa só, Raimundo Diomba, governador da Província de Maputo é de Cabo-Delgado e José Jaime Parruque é de Maputo esta governar Cabo-Delgado, ainda falta sim. Ha muito por ser fazer sim, entretanto podemos já temos como iniciar, temos bases para debater esse assunto de unidade nacional.
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Antonio A. S. Kawaria Caro Xavier Jorge Uamba é isso que chama de política da unidade nacional?
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Hiuane Abacar Bem, andarmos a trazer unidade nacional, nisto e agora, me parece um falso debate / problema. A esse ritmo, o mais provável é termos uma chuva de perguntas e esclamações do tipo "se nunca foi posto em causa a "unicidade de Moçambique" quem é esse que vê fantasmas?!".
Será que um estado com regiões federadas é per si não unitário? Acho que podemos buscar experiências na Federação Moçambicana de Futebol. Lá as prioridades e reclamações são tudo menos a desunião dos clubes.
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Leonel Simila Muito interessantr! Remete-me à obra LUTAR POR MOÇAMBIQUE. .. . Aiás, sou forçado a rever dois conceitos: Nation building e National Integration. . .Estes conceitos associados a obra do Dr Eduardo Mondlane levam-me a pensar que há um TPC atrasado do ponto de vista historico. . .optima reflexao . . .
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Responder2 dia(s)Editado
Calton Cadeado Leonel Simila, meu caro amigo! Ainda na carteira, no ISRI, lembro-me de termos discutido muito a questão da integração nacional, quer com Ngoenha, na Filosofia Política, quer com Irae, na Metodologia, quer ainda com Matusse e Melo, na integração regional. 
O debate sempre se centrou, por um lado, na ideia segundo a qual é preciso investir na integração nacional antes de dedicarmos energias escassas na integração regional. Por outro lado, houve opiniões que defendiam que os dois processos (integração nacional e regional) deveriam ocorrer em simultâneo. O nosso Estado, Moçambique 🇲🇿, deveria ser estratega e investir racionalmente as energias escassas nos dois processos, pois o contexto nacional e regional exigiam que assim fosse!
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Leonel Simila Recordo muito bem, companheiro Calton Cadeado! Na verdade, a essencia da minha colocaçao reside na compreensao sobre como foi ou esta sendo construida a identidade nacional. Ai sim, penso que reside a fundaçao para os demais passos. Contudo, reconheço que existem conflitos que visam contribuir para o aprimoramento das regras ou valore se de convivencia bastando para isso, pelo menos, que os actores sejam coerentes nas suas acçoes e discursos. .
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Tira Teimas A segurança do Estado está acima de tudo.
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Jose Maphanga Quando se discutiu este tema, os politicologos, juristas e outros, pararam apenas na mecanica da coisa, pensando simplesmente sobre como isto seria bom ou nao, pensou se tecnicamente no assunto e esqueciam esse lado que eu penso ser historico e humanista...
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Responder23 h

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