quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Tseke: porquê tanto alarido?

Primeiro, algumas pessoas estão no mundo capitalista, mas querem viver com base em princípios comunistas. Isso até nem é problema, se forem capazes de produzir riqueza. Mas, aqui está o problema. O capitalismo Moçambicano é pobre e tem dificuldades de produzir riqueza. O capitalismo Moçambicano Ainda está na fase de arranque e não é criativo. O capitalista Moçambicano vive sempre a espera de ORIENTACAO DO CHEFE. O capitalista Moçambicano está sempre a espera que o governo crie as oportunidades de negócios. Hoje, o governo veio mostrar a oportunidade de negócio é dar a orientação.
Segundo, algumas pessoas que estão no mundo capitalista não sabem, fazem-se propositadamente de esquecidos ou é esqueceram-se, de verdade, que as funções do estado/ governo são amplas. Aliás, no mundo capitalista essas funções estão a ser constantemente repensadas e a grande velocidade. No mundo capitalista, o Estado é chamado a ser minimalista e tem as instituições financeiras internacionais a defenderem a todo custo. Qual é o objectivo? Abrir as oportunidades para os capitalistas fazerem muito dinheiro, sem chatices de qualquer natureza. Essa ideia de minimizacao do estado foi tão ortodoxa, no passado recente, que ao estado só cabia, mesmo a função econômica de mostrar as oportunidades e o resto o mercado tomava conta. Mas, obviamente, essa visão minimalista do estado foi bastante criticada e o Estado é chamado a ser mais ou menos minimalista e mais ou menos maximalista. Aqui, o governo cumpriu com essa ORDEM do sistema capitalista. Mas, curiosamente, algumas pessoas que criticaram a visão minimalista do estado e defenderam um estado mais intervencionista, hoje vem a público criticar o governo porquê assumiu a função que o modus vivendi capitalista impõe.
Terceiro, muitas pessoas, principalmente as mais instruídas intelectualmente (perdoem-me não fiz nenhum inquérito) estão zangadas com o governo e perderam a capacidade de ter paciência e a calma necessária para questionar os factos ou os fenômenos sócio-econômicos e sócio-políticos com um mínimo de lucidez para o bem do debate. Nesse contexto, a palavra debate virou sinônimo de sátira, diabolizacao e de ridicularização. E tudo o que vem do governo é objecto de piada. E assim, perdemos tempo e desperdiçamos nossas energias SÓ a fazer piada da decisão sobre Tseke, no lugar de fazermos questões para percebermos a essência da decisão e o que se espera dessa decisão com base em factos, evidências e análises comparativas.
Quarto e último, o governo errou, mais uma vez, na estratégia de comunicação. Mais uma vez, o governo esqueceu-se que não basta ter boas ideias, é preciso saber comunicar as boas ideias numa interação vibrante com a sociedade. Mas, essa não é a minha área de expertise. O meu ponto, aqui, é que o governo podia e deveria, antes de colocar essa decisão, promover debates sobre a matéria. Apresentar estudos que foram feitos sobre a matéria e colher o feedback da sociedade, em várias perspectivas. Esse debate serviria de balão de termômetro que, até poderia ser ignorado posteriormente, se a decisão já tinha sido tomada.
Nos outros países, as instituições de pesquisa publicam todos dias resultados de pesquisa sobre novas variedades de alimentos, criticam opções alimentares e fazem sugestões públicas que são debatidas publicamente. As vezes, até fica-se com a impressão de que quem produz as decisões são as instituições de pesquisa, com dinheiro do estado ou de fontes privadas. Um embaixador de um país africano disse-me que as instituições de pesquisa é que governam, de facto, na América. Cada um pode confirmar ou não isso.
No nosso país, as pesquisas para alimentar os nossos decision-makers são financiadas pelo erario público, mas o debate é, quase sempre secreto. Isso não é mau, se o assunto, assim exigir, principalmente no mundo capitalista em que o segredo é a alma do negócio. Mas, isso é excepcao. Isso não deve ser regra como fazemos em Moçambique 🇲🇿.
Em conclusão, eu tenho para mim, que o alarido sobre a decisão sobre Tseke é, simplesmente, sintoma de problemas sociais.
Calton
Bitone Viage Assim Tseke é a nova oportunidade de negocios?
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Milton Machel
Milton Machel absolutamente. muito lúcido, Calton! Crítica acutilante em relaçao ao pensar fraco e agir frágil. Somos täo comunistas quanto consumistas...capitalistas? nem tanto
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شيلا ابراهيم
شيلا ابراهيم GOSTEI
E o quarto ponto👏👏👏👏
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Milton Machel
Milton Machel já viste a pseudo Carta aberta ao PR de supostos empresários pedindo intervençäo do PR na CTA e diabolizando o Presidente e Vice-presidente que eles elegeram...como pode o PR socorrer os "empresários"!?
Calton Cadeado
Calton Cadeado Yes, bro! Já vi a carta. A única coisa que posso dizer é que em ano de sucessão, alguns empresários na CTA estão a fazer a sua ação para ascender, para se manter ou para controlar o poder. Isso é o que as teorias ajudam-me a perceber. So isso!
Litos Benfica Junior
Litos Benfica Junior Belo artigo. Concordo muito com essa parte da falha da estratégia de comunicação usada pelo Governo, veja que a ideia caiu como um bum e tantas questões são colocadas em redor da mesma, questões do gênero onde encontrar cementes de tseke? Tseke é uma erva daninha porquê investir na sua produção?...
Cientificando o Tseke: Será mesmo o Tseke o Problema?
A linguística tem duas divisões fundamentais: a microlinguistica, que se dedica ao estudo da língua de forma vertical (gramática -sintaxe, morfologia, fonologia) e a macrolinguistica, que se dedica ao estudo da lingua de forma horizonhal ou análise do discurso. Estas duas embora diferentes se complementam, porém a macrolinguistica permite ou "entende" melhor a flexibilidade perante a linguagem (uso da lingua) ou como as pessoas fazem seu uso o uso. (Carl James:1987).
É dentro da macrolinguistica onde podemos situar o pensamento de Habermas (2002) quando fala em "agir estratégico " aquela em que a função primária não é a de comunicar mas um conjunto de comunicar e tirar proveito "vantagem" dessa comunicação para si em detrimento do outro (é mais complexo ainda. mas, não cabe aqui). Vamos então a situações :
Cenário 1: Houve faz dias e diga-se de repente, escassez de combustível na cidade de Maputo que depois alastrou-se. Deu-se o nome que se quis dar a essa situação (crise, escassez, falta de mola no estado ou garantias, problema logístico, etc). A verdade, porém, foi que se criram condições, pelo menos até a noite no telejornal, para desgastar a imagem do governo.
Cenário 2. Via Whatsap, principalmente, propalou-se uma mensagem segundo a qual o Homem do momento, Trump, autorizou a eliminação dos vistos dos moçambicanos que gostariam de ir aos States. Duas horas depois estava circular uma informação oficial dizendo não ser verdade e indicando onde obter informações corretas.
Cenário 3. O governo reuniu-se em Conselho de Ministros e veio dizer que decidiu massificar o Tseke (depois de estudos e pelas razões que disse). Dia seguinte só houve piadas sobre o governo, confesso que me ri maning sobre as posições dos facebookers.
Na verdade o que está em causa é um aspecto fundamental da macrolinguistica, Compreender que não basta produzir uma. mensagem para o receptor, mas é preciso procurar compreender o que o receptor sabe ou não sabe acerca da mensagem que vamos produzir, que meio usar para transmitir uma. mensagem e quem a pode transmitir.
Aqui está o calcanhar de Aquiles do nosso governo. Não consegue produzir mensagens dentro do agir estratégico habermaziano de forma contextual. No cenário 1. o Governo de Moçambique peca por somente a noite no telejornal difundir a mensagem sobre o que de facto se passou com os combustíveis, teve tempo e espaço para explicar o evento antes de acontecido e durante. Para que o evento não tivesse o impacto que teve seria necessário que o emissor da informação tivesse em conta o que o receptor sabe e não sabe, aliás, nesse caso o receptor soube pela prática de não encontrar combustível e facilmente julgou certa a informação que recebeu. se tivesse sido bem produzida a mensagem (na hora certa, lugar certo, pessoa certa para dizer, palavras certas) dada á noite, a mesma daria condições de crédito ao governo (agir estratégico ). Se a informação nova produzida tivesse sido dada antes e durante o evento, seria capaz de mudar pensamento, atitudes (vide James, 1987; Foucault, 2002; Fiori, 2005) alias, há informação nova quando esta consegue mudar as pessoas e isso o governo se mostrou incapaz de produzir. Caso tivesse produzido uma mensagem certa, pelo menos não agitarias pessoas daquele modo.
Cenário 2. A embaixada dos Estados Unidos apercebendo-se do que estava a ocorrer de imediato emitiu uma mensagem com dois aspectos fundamentais: primeiro desmentiu a mensagem dizendo que era falsa e que a política de imigração em relação a Moçambique não mudou, ou seja, desmentiu o Whatsap. o segundo aspecto foi que a mesma embaixada indica no enunciado onde tirar informação correta sobre a política de vistos e os países que não precisam de visto. De imediato surgiram piadas no Facebook e Whatsap desfazendo a anterior. O que está aqui em causa é a mesma questão do cenário 1, porém, nesta no tempo certo foi produzida uma mensagem adequada ao receptor onde se tem nem conta o que o receptor sabe (mensagem errada dos whatsap) e o que se pressupõe que deverá saber (informação nova) e mudou as atitudes e festejos em relação a decisão de Trump.
Finalmente o Tseke, mais uma vez o Governo cometeu erro de comunicação. O Tseke em si não é problema. Na verdade se a informação era para a maioria da população (como defendem uns, e essa maioria não está na cidade) então o governo peca porque essa informação é conhecida no campo, pois é o pão "deles" de cada dia. A informação não muda nada e mais, não é pela rádio e TV que eles saberão do seu valor para matar a fome via Tseke. Se a mensagem era para a minoria (aqueles, malta nós urbanos) então julgo que essa informação não precisaria de "pompas", ser dada pelo Porta-Voz do órgão mais importante do governo devia, a meu ver ter sido feita através de debates, através de uma direção nacional etc. as pessoas questionam ser possível 53 pessoas engravatadas estarem a discutir Tseke como comida principal? O que era em causa é a referência que as pessoas têm sobre esses engravatados e não lhes cabe que esses mesmos estejam a discutir o que a maioria sabe empiricamente (Tseke come-se e é de fácil produção ) ou seja, não há informação nova aqui, então eles não fazem nada quando se reúnem.
O Governo pode melhor.
Ah, este texto. foi escrito no espírito do. meu lado A. (Linguística)
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Helmano Nhatitima Brazao Catopola se muitos analistas facebukeiros e wuatssapeiros supostamente de reconhecido mérito trazerem análises convincentes e estudadas como está, ai a nossa qualidade de debate vai melhorar muito.
Devido a bipolaridade politica cada comentador comenta tendo em conta a sua queda política.
Pena que não vão ler e se inspirar.
Mas realmente também só dos que pensa que o problema não está essencialmente no NTSEKE.
Está sim na comunicação....
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Desidério EC Chambo
Desidério EC Chambo Uma análise profunda do (in)fucionamento dos gabinetes de comunicação dos ministérios e outras instituições do Estado.

Tem sido recorrente o governo ser, tal como no senário dos combustíveis, assim como na greve de 1 e 2 de Setembro, os gabinetes de comunicação serem reactivos e não proactivos.

Uma comunicação antecipada do senário que se avisinha, principalmente quando é, de certo, negro, cria uma outra atitude nas pessoas. Isso viu se a quando do agravamento do preço do transporte em 2013. Os municípios de Maputo e Matola anteciparam a informação e o resultado foi o que se viu. Não houve, quase ninguém, nas ruas se manifestando. Ou seja, vale trazer o slogan do INGC, ANTES VALE PREVENIR QUE REMEDIAR

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