sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

SOBRE O OLHAR UMBILICAL DOS NOSSOS PROBLEMAS


Hoje de manhã denunciava eu que a MCEL, a subscritora da 82 (agora com 83) estava sem rede desde as 21h de ontem... mais uma vez. É a segunda vez depois do apagao da semana transacta, de 6a.feira as 14h até às 9h de domingo.
Este apagao só se viu de raspão na Tv. Talvez nos perguntemos como é possível que uma operadora de telecomunicações pública se apaga numa região inteira e as pessoas ficam indiferentes, numa altura em que gozamos de uma paz conseguida por telefone!?
O país enfrenta vários problemas, alguns dos quais precisam de maior cautela e acuidade na sua análise e seguimento de solução (a nossa dívida é talvez o menor de todos, embora fragilize a abordagem de todos outros).
O país enfrenta vários problemas, alguns dos quais precisam de maior cautela e acuidade na sua análise e seguimento de solução (a nossa dívida é talvez o menor de todos, embora fragilize a abordagem de todos outros). O problema de COMUNICAÇÕES é idêntico ao da ÁGUA, COMBUSTÍVEL, que hoje se tornaram na agenda nacional por uma razão: abalaram o verdadeiro "centro" do país.
Quando as pessoas apareciam na Tv a dizer "FIPAG só cobra taxa mensal mas água não sai há 6 meses", tal parecia piada no telespectador de la do outro lado, mas era e é verdade crua... e nua. Hoje, para além de não ter rede da MCEL, também não tenho energia da EDM, a tal da nossa Cahora Bassa que vem e vai num pisca-pisca, que decidi desligar tudo de casa.
Muitos dos nossos problemas só o são e permanecem no tempo porque nós olhamos para eles de forma fragmentada, e pior, umbilical. A água precisa de energia para se produzir, mas não sei até que ponto o ministro das OPH e Recursos Hídricos tem uma conversa TU+EU com o ministro da Energia. O mesmo me questiono sobre uma conversa SENTA-BAIXO entre o ministro da Educação (o responsável das médias 2) com o ministro do Ensino Superior (o receptáculo e novo responsável dos donos das médias 2), e por aí em diante. Nunca vi nem ouvi sobre um Conselho Consultivo ou Coordenador inter-ministerial ou inter-institucional sério que abordasse os problemas transversais das instituições e dele resultassem deliberações vitais.
A falta desse senta-baixo tu+eu estratégico entre os de la de cima só nos obriga a ser cada vez mais esquisitos na gestão do pouco que temos. Por exemplo, você é obrigado a ter dois telefones (ou um dual-sim) porque se tiver Mkesh não tem como enviar mola para quem tem Mpesa. Você se pergunta se isso é por incapacidade técnica, mas sabe que não. Falta de visão estratégica e desprovimento geral de ambição dos gestores e fazedores das políticas.
Tudo isto é desavergonhadamente chancelado por nós, eleitores, consumidores, estudiosos, analistas, empresários, jornalistas., que só falamos deles quando batem a nossa porta. Vejamos que os problemas de falta de combustível e água só ganharam preocupação nacional porque afectam a cidade capital. Só agora vimos as Tvs nacionais a organizar programas, grandes entrevistas, mesas resondas (acredito que vem ai conferências) para falar de falta de água porque os chefes de redação das televisões, os assessores dos ministros, os avós deste e daqueles não tomaram banho.
Só com a falta de combustível na capital por 2 dias, vimos o governo ao mais alto nível a se pronunciar com alguma responsabilidade, mas quando é nas províncias só os bombeiros falam.
Enfim, tal como dizia um amigo, "capital é o motor da nação mano". Mas uma coisa é certa e seria: a capital é o motor de uma nação num país pária, num país em que você só vai a província quando lhe garantem subsídio disto e bónus daquilo, e tal subsídio se engorda conforme a província, distrito, chegando a ter salário que desafia o do PR se aceitar ir a um posto administrativo rural de la onde nem Toyota que é Toyota chega.
Irmãos, o nosso país merece os dirigentes que tem, porque nós pensamos e agimos como eles, e talvez pior. Para nós, os problemas só o são quando nos afectam directamente... e por mal que seja entendido, sou daqueles que diz ainda bem que a capital está a experimentar essa crise de água, combustível, talvez os analistas de tv e activistas sociais e virtuais se apercebam da real dimensão dos problemas deste país.
Feliz Dia dos Heróis!
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Comentários
Euclides Nacacara
Euclides Nacacara Me parece ser caracteristica das empresas moçambicanas tuteladas pelo Estado, prestar serviços com lacunas. Precisamos de encontrar as causas. Será por desleixo pela coisa publica por parte dos gestires; incompetencias associada ap nepotismo; incapacidade económica e financeora; inadequação das políticas em relação o mercado; relaxamento (já que ditam as regras); vandalização e sabotagem organizada; falta de estimulo sobre os colaboradores; oquê mais?... Os serviços publicos, nestas condições nao nos ajudam em nada, alias, fometa a criação de classes, dominante e dominada. A classe diminante recorre aos serviços privados, de qualidade embora dispendiosos e nós, ficamos a aturar porque só temos para onde se exige pouco.
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