segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O valor da diplomacia silenciosa


Quando em tempos se exigiu aos chefes de Estados da SADC (Moçambique incluído), que se posicionassem publicamente em relação ao comportamento do Presidente Mugabe, na altura, estes responderam negativamente, defendendo o que apelidaram de diplomacia silenciosa.
Segundo estes, a diplomacia silenciosa não significava que eles não abordavam os problemas de frente como se dava a parecer, mas sim, que tinham um fórum próprio, longe dos olhares dos demais, para tratar os assuntos.
Quanto a mim, esta forma de agir foi sempre a melhor, na medida em que as partes, falando sem a intervenção de terceiros, sem uma plateia, têm a possibilidade de serem mais abertas uma com as outras: questões prejudiciais como o orgulho pessoal, por exemplo, não interferem, na medida em que este (o orgulho), só se manifesta onde há terceiros envolvidos.
Quando se anunciaram as tréguas de uma semana, e com a possibilidade de extensão por mais tempo, acreditei logo na realização da possibilidade (de extensão do período de cessação de hostilidades), pois, para mim, bastava que as partes continuassem a falar (o Presidente da República e o Líder da Renamo), para que novos consensos surgissem.
Quando se aconselhava a inclusão de mais partes no diálogo no pressuposto de que este processo é de todos nós, fiquei feliz (pois de facto este processo é de todos nós), mas ao mesmo tempo preocupado pois percebia que o melhor cenário seria primeiro, o de um encontro ao mais alto nível e seguir-se-iam os outros.
É que a história dos acordos, debates, do diálogo franco e profícuo, ensinam-nos que o ego, as personalidades, assim como o apego ideológico, interferem, e sempre negativamente, quando o debate envolve mais de duas pessoas.
Ninguém gosta de ser visto como o que sempre cede, de ser confundido como um fraco, ou de ver interpretado um sinal seu de boa vontade como se de fraqueza se tratasse...
Uma discussão entre os dois, para depois se envolverem os terceiros, é para mim, e como os factos provam, a melhor estratégia de sempre, e aqui não podemos esperar mais nada senão os bons resultados, isto porque as partes têm, falando a dois, a possibilidade de olharem-se directamente nos olhos dos seus corações, e trazerem ao de cima, o mais genuíno dos sentimentos.
Uma paz efectiva é tudo que precisamos neste momento porque depois disto, não haverá crise, não haverá nada que nos impeça de cumprirmos o nosso objectivo comum de desenvolvermos o nosso país.
Tirso Sitoe Diplomacia silenciosa! Interessante para debater. Precisamos arrolar mais exemplos e desenvolver um argumento seja ele qual for. Obrigado pelo ponto de partida
Gabriel Jose Titosse
Gabriel Jose Titosse Qualquer iniciativa de contacto, discussão ou conversa conducente à paz, é salutar e de louvar.

O que preocupa, de certo modo, no caso da "diplomacia silenciosa", é o facto de, não estando o povo a ser devidamente informado sobre o curso do diálogo e
conteúdo do mesmo, pairar a ideia sinistra de marginalização ou secundarização dos interesses deste, com todo o potencial real de os acordos eventualmente alcançados assentarem sobre interesses dos envolvidos apenas, no caso vertente o PR e o eterno Líder, o que pode levar a dois caminhos igualmente perniciosos para a nação: (1) contrapartidas provenientes do erário público para Dlakhama, em troca do seu "silêncio belico"; (2) uma paz movediça ou com alicerces de lama.

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