sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Expondo provável desvio de parte dos fundos da operação ematum e outras

Por Michael Robinson, em Londres 
Correspondente
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Tudo indica que alguns dos que estiveram mais envolvidos nas negociações e operacionalização dos três projectos que culminaram com a constituição oficial, entre 2013 a 2014, das empresas EMATUM, PROINDICUS e MAMS, terão caído na tentação e se apoderarem de alguns dos valores que deviam ter aplicado na implementação destes empreendimentos que se destinavam ao reforço da defesa do país, protecção da costa marítima, e prestação de serviços logísticos às companhias petrolíferas que estão a fazer a prospecção, e posterior exploração, de petróleo e gás em certas zonas e águas territoriais moçambicanas.
Algumas das fontes que aqui em Londres investigam jornalísticamente como é que esta operação foi feita, afirmam estar na posse de dados e factos que assumem irrefutáveis, que sugerem fortemente que há quem se aproveitou do facto de terem sido mandatados pelos seus superiores hieráricos, para ficarem com parte do dinheiro com que deviam ter implementado estes projectos agora a serem investigados pela Kroll britânica, sediada aqui na capital britânica. Apesar de que a auditoria internacional que está sendo feita pela Kroll, decorre num grande sigilo, já há factos que começam a vir ao de cima, e que a serem verdadeiros, então há uma boa parte do dinheiro que terá ido aos bolsos ou contas de alguns dos mandatados de proa. Uma das tácticas que terá sido usada pelos mentores deste desvio, terá sido a de comprar equipamentos não adequados para o que se pretendia fazer com eles, tudo para que restasse mais dinheiro para, conluiadamente, se dividirem entre eles. Outra das tácticas a que recorreram foi não comprar ou não fazer nada mesmo do que dizem terem comprado ou feito, e assim dividirem também os valores entre si. No caso da aquisição de equipamentos não adequados para aquilo que se pretendia fazer, aponta-se os próprios barcos com que se devia pescar o tal atum, como sendo de dimensões tão pequenas que não seriam capazes de enfrentar certos ventos fortes que amiúde sopram sobre a costa moçambicana onde deviam ir pescar. Adiantam também que além de serem pequenas para sulcarem um oceano tão tenebroso como o Índico, é o pró- prio apetrechamento técnico destas embarcações, dado que não estão em função das recomendações internacionais para este tipo de fainas, e que, por isso, o seu pescado não seria aceite nos mercados exigentes, como os da Europa, e do Japão na Ásia, por sinal um dos maiores consumidores de atum. As nossas fontes aqui em Londres adiantaram também, sempre na condição de anonimato, que mesmo as seis avionetas que eles compraram para se usarem na fiscalização da costa marítima, não podem ter pago os seis milhões de dólares que dizem terem custado cada, porque quando se foi à empresa que os vendeu, apurou-se que custam apenas mais de 200 mil dólares. ‘’Ora, a ser isto verdade, e tudo indica que é, isto mostra que eles foram no mínimo falsos aos seus mandantes. A ser também verdade isto, então o grosso do valor que lhes foi dado em empréstimo, ficou para eles, e não para o que escreveram nos relatórios que submeteram aos seus chefes hieráricos’’, assim sentenciou uma das fontes, que apenas se identificar pelo primeiro nome diminutivo, Leo, neste caso um jornalista especializado em investiga- ções internacionais. Leo disse-me que os factos em seu poder mostram que não há quase nenhum valor que terá sido, como se alega, gasto no apetrechamento do ministério moçambicano da defesa com base naquele valor dos empréstimos, sendo provavelmente por isso que o seu actual ministro, Salvador Mtumuke, fez questão de se distanciar desta operação da Ematum, durante o depoimento que prestou a Comissão parlamentar que investigou este mesmo assunto, conforme extractos contidos no jornal mo- çambicano O País, da SOICO. Se nos basearmos no preço real que tanto as embarcações e as avionetas custam de facto, então os que terão urdido esta operação desviante, de pagar menos e declarar mais nos relatórios oficiais, terão ficado pelo menos com 500 milhões de dólares. Este valor é por sinal confirmado pelos pró- prios desviantes, dado existir uma carta a que tive acesso aqui em Londres, que queriam que fosse assinada retroactivamente pelo actual ministro da defesa, Salvador Mtumuke. Essa carta foi redigida com a data de 5 de Dezembro de 2016, que devia ser entregue a Kroll inc Corporation. Com ela pretendiam obviamente, ilibar-se de uma possivel culpabilizacao pelos 500 milhoes que tudo indica que nao conseguem justificar. Obviamente que Mtumuke recusou-se a assiná-la, como também se pode ver na mesma carta. Alguns dos que me revelaram o que já se aferiu em torno das múltiplas investiga- ções privadas que estão sendo feitas aqui em Londres, dão conta que alguns dos executores desta operação tripartida, não terão conseguido explicar à Kroll, com factos e dados convicentes, o que fizeram de facto para terem gasto todos os cerca de dois biliões de dó- lares que perfazem a chamada divida oculta. Há mesmo quem diz que alguns dos envolvidos deixaram transparecer nos seus semblantes que estão preocupados com o desfecho que poderá Por Michael Robinson, em Londres Correspondente advir das investigações em curso, deixando a percepção de que sabem que não usaram todo o valor para o que oficialmente dizem ter feito. ‘’É que além dos barcos, já não há quase mais nada que apresentam como tendo sido o que compraram ou fizeram, que justifique o gasto de todos os cerca de dois biliões. Se assumirmos o que Mtumuke disse a comissao da AR, então não há nenhum tostão que tenha sido gasto pela aquisicao de material da defesa. Sendo assim, o que terá se feito com o resto do valor que não se gastou em algo visível que se seja para o Estado? questionou um dos jornalistas investigadores privados, que neste caso é um dos mais assíduos colaboradores do África Confidential, uma publicação especializada em revelar factos e dados inéditos e ultra-secretos que geralmente ocorrem em portas fechadas a sete chaves dos governos africanos. O que se diz e com forte sustentação, é que quem esteve de facto na negociação e execução destas três opera- ções foram alguns membros séniores da SISE. Os investigadores sugerem que tudo indica que houve desvios de fundos que terão sido feitos por conta e risco dos mandatados, provavelmente, sem conhecimento dos mandantes, o que a ser verdade, irá chocá-los bastante, ao se aperceberem, que houve abuso de confiança. Alguns dos que nos deram estes factos, dizem ter havido até alguns dos que gravitavam à volta desses mandantes, que varias vezes se valiam disso para irem fazer outras auto-exigências monetárias a alguns dos responsáveis de empresas do Estado, alegando que tinham sido mandatados pelo ‘’chefe X ou Z’’, mas que na verdade este não nunca os havia mandado. Na verdade, tudo indica que o caso das três empresas poderá trazer nos próximos tempos muitas surpresas desagradáveis tanto para os moçambicanos como para alguns dos que delegaram poderes para os seus subordinados de confiança que nunca deviam ter confiado. Da minha parte como jornalista, só me resta esperar pela confirma- ção dos factos que aqui relatei, porque as minhas fontes nunca me fizeram revelações infundadas…a serem falsas desta vez, então será pela primeira vez na minha longa inteiração com eles que neste caso dura há mais de 45 anos de jornalismo. da em revelar factos e dados inéditos e ultra-secretos que geralmente ocorrem em portas fechadas a sete chaves dos governos africanos. O que se diz e com forte sustentação, é que quem esteve de facto na negociação e execução destas três opera- ções foram alguns membros séniores da SISE. Os investigadores sugerem que tudo indica que houve desvios de fundos que terão sido feitos por conta e risco dos mandatados, provavelmente, sem conhecimento dos mandantes, o que a ser verdade, irá chocá-los bastante, ao se aperceberem, que houve abuso de confiança. Alguns dos que nos deram estes factos, dizem ter havido até alguns dos que gravitavam à volta desses mandantes, que varias vezes se valiam disso para irem fazer outras auto-exigências monetárias a alguns dos responsáveis de empresas do Estado, alegando que tinham sido mandatados pelo ‘’chefe X ou Z’’, mas que na verdade este não nunca os havia mandado. Na verdade, tudo indica que o caso das três empresas poderá trazer nos próximos tempos muitas surpresas desagradáveis tanto para os moçambicanos como para alguns dos que delegaram poderes para os seus subordinados de confiança que nunca deviam ter confiado. Da minha parte como jornalista, só me resta esperar pela confirma- ção dos factos que aqui relatei, porque as minhas fontes nunca me fizeram revelações infundadas…a serem falsas desta vez, então será pela primeira vez na minha longa inteiração com eles que neste caso dura há mais de 45 anos de jornalismo.

Moçambique entrou hoje oficialmente em incumprimento financeiro

DolaresMoçambique entrou hoje oficialmente em incumprimento financeiro, depois de terminar na quinta-feira o período de tolerância para o pagamento de 60 milhões de dólares referentes à prestação de Janeiro da emissão de dívida pública feita em Abril.
O país africano torna-se assim o primeiro país do continente a falhar um pagamento de dívida desde que a Costa do Marfim não foi capaz de honrar os compromissos financeiros, em 2011.
A falha no pagamento foi confirmada por vários analistas e detentores dos títulos de dívida pública à agência de informação financeira Bloomberg, e surge como a consequência natural do anúncio feito pelo próprio Governo moçambicano, dois dias antes do final do prazo, de que não iria pagar os quase 60 milhões de dólares que eram devidos aos detentores dos 727,5 milhões de dólares em títulos de dívida soberana que Moçambique emitiu em Abril do ano passado.
O Ministério das Finanças de Moçambique confirmou no dia 16 de Janeiro que não iria pagar a prestação desse mês, de 59,7 milhões de dólares relativos aos títulos de dívida soberana com maturidade em 2023, entrando assim em incumprimento financeiro ('default').
"O Ministério da Economia e Finanças da República de Moçambique quer informar os detentores dos 726,5 milhões de dólares com maturidade a 2023 emitidos pela República que o pagamento de juros nas notas, no valor de 59,7 milhões de dólares, que é devido a 18 de Janeiro, não será pago pela República", lê-se nesse comunicado.
No documento, Moçambique lembrava que já tinha alertado em Outubro para a falta de liquidez durante este ano e salientava que encara os credores como "parceiros importantes de longo prazo, cujo apoio à necessária resolução do processo da dívida vai ser crítico para o sucesso futuro do país".
Na sequência deste anúncio, a Standard & Poor's cortou o 'rating' do país para 'SD/D', ou seja, incumprimento financeiro parcial, e considerou que a falta de pagamento era uma estratégia governamental para forçar os detentores de dívida a negociarem uma reestruturação da dívida, o que até agora têm rejeitado.
Já a Fitch manteve o 'rating' do país, mas alertou que a falta de pagamento da prestação de Janeiro por Moçambique vai "aumentar o período de incerteza" sobre a reestruturação da dívida soberana emitida em Abril do ano passado.
A Moody's, por seu turno, também considerou a falta de pagamento como um incumprimento, mas não desceu o 'rating', considerando que a avaliação de Caa3 já implica uma assunção de potenciais perdas para os credores de 20 a 35%, que podem chegar a quase 50% de acordo com a média histórica de 'defaults' soberanos.
Lusa – 03.02.2017

Moçambique não pode esperar compreensão dos credores, diz Gestor de fundos


Moçambique não pode esperar clemência ou compreensão por parte dos credores depois de ter falhado o pagamento da prestação de Janeiro da dívida pública, considerou hoje um gestor de fundos que apostou na dívida moçambicana.
"A nossa visão é, claro, negativa, e com o não-pagamento do cupão de Janeiro, o país mostrou a sua má vontade e não deve esperar qualquer compreensão ou misericórdia por parte dos detentores dos títulos de dívida pública", disse um gestor de fundos no Landesbank Berlim Investments, em declarações à agência de informação financeira Bloomberg.Moçambique entrou hoje oficialmente em incumprimento financeiro, depois de terminar na quinta-feira o período de tolerância para o pagamento de 60 milhões de dólares referentes à prestação de Janeiro da emissão de dívida pública feita em Abril.
O país africano torna-se assim o primeiro país do continente a falhar um pagamento de dívida desde que a Costa do Marfim não foi capaz de honrar os compromissos financeiros, em 2011.
A falha no pagamento foi confirmada por vários analistas e detentores dos títulos de dívida pública à agência de informação financeira Bloomberg, e surge como a consequência natural do anúncio feito pelo próprio Governo moçambicano, dois dias antes do final do prazo, de que não iria pagar os quase 60 milhões de dólares que eram devidos aos detentores dos cerca de 727 milhões de dólares em títulos de dívida soberana que Moçambique emitiu em Abril do ano passado.
O Ministério das Finanças de Moçambique confirmou no dia 16 de Janeiro que não iria pagar a prestação desse mês, de 59,7 milhões de dólares relativos aos títulos de dívida soberana com maturidade em 2023, entrando assim em incumprimento financeiro ('default').
"O Ministério da Economia e Finanças da República de Moçambique quer informar os detentores dos 726,5 milhões de dólares com maturidade a 2023 emitidos pela República que o pagamento de juros nas notas, no valor de 59,7 milhões de dólares, que é devido a 18 de Janeiro, não será pago pela República", lê-se nesse comunicado.
No documento, Moçambique lembrava que já tinha alertado em Outubro para a falta de liquidez durante este ano e salientava que encara os credores como "parceiros importantes de longo prazo, cujo apoio à necessária resolução do processo da dívida vai ser crítico para o sucesso futuro do país".
Na sequência deste anúncio, a Standard & Poor's cortou o 'rating' do país para 'SD/D', ou seja, incumprimento financeiro parcial, e considerou que a falta de pagamento era uma estratégia governamental para forçar os detentores de dívida a negociarem uma reestruturação da dívida, o que até agora têm rejeitado.
Já a Fitch manteve o 'rating' do país, mas alertou que a falta de pagamento da prestação de Janeiro por Moçambique vai "aumentar o período de incerteza" sobre a reestruturação da dívida soberana emitida em Abril do ano passado.
A Moody's, por seu turno, também considerou a falta de pagamento como um incumprimento, mas não desceu o 'rating', considerando que a avaliação de Caa3 já implica uma assunção de potenciais perdas para os credores de 20 a 35%, que podem chegar a quase 50% de acordo com a média histórica de 'defaults' soberanos.
Lusa – 03.02.2017
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