sábado, 11 de fevereiro de 2017

A verdade da mentira

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Conclusão e moral da história. Ou o ministro das Finanças mentiu em partes da verdade que contou na Comissão Parlamentar de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos.
Ou só há mesmo evidência das verdades, as tais que o presidente da República valoriza, o que se espera, e nesse caso António Domingues, o ex-presidente da CGD que quase não o foi, é um perigoso voluntarista que escreve orientações ao ministro, sem aparentemente obter resposta, e toma decisões com base em nada que tenha sido previamente conversado, cujo currículo imaculado é uma inexistência e que nunca devia ter sido convidado para liderar os destinos da Caixa.
Em ambas as versões, Mário Centeno sai mal.
E não, ao contrário do que diz Manuela Ferreira Leite, esta questão não é um problema entre duas pessoas. Um problema do passado. Como se fosse uma politiquice sem relevância que a Direita está a aproveitar (e está, de facto: é o papel da Oposição, mesmo sendo difícil esquecer o lastro de problemas mal resolvidos na banca deixados pelo anterior Governo). Porque não são duas pessoas quaisquer. E porque o passado não é irrelevante. Uma delas é ministro, das Finanças, de quem esperamos rigor nos números e seriedade nas palavras, sem truques de linguagem. Outra, sendo pouco agora, foi muito durante um ano, tendo contribuído direta ou indiretamente para a descredibilização do banco público português, logo do sistema financeiro, logo da economia.
Recuemos. O Governo quis dar um sinal de isenção na nomeação de um presidente independente e profissional para a Caixa. O escolhido, António Domingues, pediu condições iguais às do privado. Salariais. E de reserva da vida privada. De permeio, ainda gestor do BPI, sem ter aceitado o cargo na CGD, foi munido de informação privilegiada para discutir com Bruxelas o dossiê Caixa. Tinha as portas do Governo abertas.
Segundo round. O ministro aceita as mudanças propostas por António Domingues que o retiravam, e à sua equipa de gestão, do chapéu do Estatuto de Gestor Público. Ou seja, da obrigatoriedade de apresentar ao Tribunal Constitucional a declaração de rendimentos e património. O decreto foi aprovado. Mas revelou-se inviável, por força de uma lei de 1983.
A nova gestão da Caixa demitiu-se. E entrámos no terceiro round. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito e as dúvidas suscitadas sobre a existência de um compromisso escrito entre o Governo e António Domingues. O ministro diz que "inexistem trocas de comunicações", que a Imprensa revela agora terem existido. É verdade que só do gestor para o ministro, sem resposta na volta, que se saiba.
Parece tudo de somenos? Parece, mas não é. O ministro deve demitir-se? Vide a conclusão.
DIRETOR-EXECUTIVO

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