Do dogmatismo no "uso das redes sociais" à letargia das autoridades administrativas!
Desde a tarde de ontem (27), jazem informações, por intermédio das redes sociais e, diga-se, a um ritmo quase que desenfreado, segundo as quais o Governo de Moçambique optou pelo agravamento das taxas para a emissão de documentos como o Bilhete de Identidade, Passaporte e Carta de Condução.
Essa informação colheu de surpresa a muitos, não só pelo agravamento entanto que tal, mas pelos valores que tal agravamento comporta, com o Bilhete de Identidade a passar dos 180Mt para 1000Mt, o Passaporte dos 2500Mt para 6000Mt e, finalmente, a Carta de Condução dos 500Mt para 2500Mt.
i. Do dogmatismo no consumo dos dados das redes sociais:
Num contexto em que as rádios, jornais e televisões, tidas como os meios clássicos ou tradicionais de veiculação de informações, mesmo que em pouquíssima escala, parecem perder algum espaço face ao advento das redes sociais, muitos têm nestas últimas um local ideal para a busca de informação.
Ora, poucas são as vezes em que nos questionamos sobre a veracidade da informação que colectamos desses novos lugares, digam-se, virtuais. Muitas vezes, uma vez recebidas, a nossa preocupação é mesmo partilha-las e, se formos os primeiros, melhor ainda. Desinformamos e, assim, a vida anda!
Temos ou rendemos, por isso, um dogmatismo absoluto no que vimos, lemos e ouvimos pelas redes sociais, muito particularmente, tratando-se do Facebook e do WhatsApp. Tal rendição sucedeu, desta vez, com a informação sobre o agravamento de taxas na emissão dos documentos já supramencionados.
Esse dogmatismo, que para muitos pode passar despercebido, preocupa, porquanto revela níveis de capacidade de consumo e partilha de lixo por parte da nossa sociedade. Revela, ainda, a nossa incapacidade operar alguns cálculos mentais para concluir que trata-se de DADOS FALSOS (Fake News)!
Qualquer cidadão atento, desde logo, teria de verificar que a informação (i) não foi veiculada por um órgão competente da Administração Pública que, em princípio pelos objectos em voga, antes de mais, seria na sessão do Conselho de Ministros; e (ii) Que, em bom rigor, a entrada em vigor dum comunicado da Administração Pública não podia calhar em dia de fim-de-semana, neste caso, o dia 1 de Setembro.
ii. Da letargia das autoridades administrativas:
Fora da capacidade de consumo de lixo da nossa sociedade, outra questão alarmante é a letargia das nossas instituições da Administração Pública que, num contexto em que presume-se serem dotadas de páginas electrónicas (portais, blogues, etc.), podiam já ter-se pronunciado, digo, desmentido tais factos.
Acreditamos que as distintas instituições que o Estado tem vindo a criar através de seu Governo cuja missão é a monitoria e a disseminação da informação deviam atentar-se a essas questões, afinal, alarmam os nossos níveis de desinformação. Grave é para um Estado ser feito por gente desinformada e desinformadora!
A capacidade em consumir informação sem, no entanto, poder questioná-la e aferir o valor da sua veracidade mesmo a título de probabilidade e razoabilidade, resulta, não raras vezes, no linchamento da honra e bom nome de certas pessoas que vêem veiculado seu nome nelas. Assim não avançamos. Não!
Por conseguinte, a crença em informações deste tipo, deve ainda constituir motivo de preocupação para o nosso Governo. Mostra que a desconfiança na sua actuação reina no seio de muitos moçambicanos. Olham-no como sem-vergonha e capaz de tudo, inclusive de subir abismalmente o preço do inimaginável.
Finalmente, acreditando que face a essa falsa informação, a probabilidade de nos próximos dias até ao propalado dia 1 de Setembro, haver enchentes nos lugares de emissão daqueles documentos e bem assim emergirem situações de oportunismo, roga-se, de modo urgente, um posicionamento formal das autoridades competentes para o esclarecimento desta informação que, já em países sérios, já tarda!
Att., Ivan Maússe.

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