segunda-feira, 9 de abril de 2018

TRIBUNAL JUDICIAL DA CIDADE DE MAPUTO VIOLA A LEI VERGONHOSAMENTE. (Reintrodução de “Guichets”)


Elísio de Sousa está a sentir-se zangado.
TRIBUNAL JUDICIAL DA CIDADE DE MAPUTO VIOLA A LEI VERGONHOSAMENTE.
(Reintrodução de “Guichets”)
O n.º 2, do artigo 65 Estatuto da O.A.M. (Lei n.º 28/2009, de 29 de Setembro, determina que os Advogados, quando no exercício da sua profissão, têm direito de ingresso nas secretarias judiciais (cartórios).
Hoje, pessoalmente, dirigi-me ao Tribunal Judicial da Cidade de Maputo (Palácio da Justiça), apercebi-me que, paradoxalmente, este comando legal parece ser desconhecido por parte dos funcionários daquele tribunal e, estes, quando por mim indagados, por sua vez, responsabilizam aos respectivos chefes (os juízes das respectivas secções) de lhes ter dado ordens para encerrar o acesso aos cartórios por via de balcões do tipo "guichet". Apercebi-me, ainda, que esse "novo" fenómeno se verifica em quase todas secções do Tribunal da Cidade (palácio da justiça).
Neste momento o Advogado, contra todas disposições legais e até mesmo, constitucionais, é impedido de aceder aos cartórios do Tribunal da Cidade de Maputo. Nesta senda, a redacção preambular do Decreto n.º 30/2001, de 15 de Outubro (Normas de funcionamento dos serviços de administração pública), dispõe que a sua aprovação justifica-se pela criação de uma Administração Pública (...) consubstanciada pela aproximação da Administração Pública aos utentes, pela prestação de melhores serviços, etc.
Não nos esqueçamos ainda que foi o mesmo "Decreto Revolucionário" (30/2001, que ainda se mostra em vigor) que frontalmente escangalhou um dos considerados pilares da burocratização do Estado, que eram os "GUICHETS", onde o utente, por vezes, sequer via a cara do funcionário que lhe estava a atender. Assim, o n.º 2, do art.º 40, do Dec. 30/2001, de 15 de Outubro determinou que o público devia ser atendido em balcões desprovidos de "guichets". Ainda o n.º 3 do mesmo artigo, determinou que sempre que possível o atendimento deveria ser personalizado, isto é, em secretária individual.
Quando se ulula, com português bonito, em quase todas cerimónias de abertura do ano judicial que se pretende uma justiça mais próxima do povo, e ao mesmo tempo, na calada da noite, se colocam barreiras físicas para impedir o cidadão e respectivos Advogados de aceder aos mesmos cartórios, em flagrante abuso de poder, o que se pretende mesmo??
Já não basta a notável e internacionalmente conhecida morosidade processual dos tribunais nacionais que sufoca o cidadão dia após dia, que obriga muitas famílias a ficar anos a fio a espera do desfecho de um caso, ainda nos vem com essa?
Haja vergonha, meus senhores, haja vergonha!
Comentários
Armando Marcolino Chihale Uma grande triste verdade. Confrontei-me com esta situação, ao chegar ao TJCM (Palácio da Justiça), e quando questionei fui informado que são decisões superiors com vista a mitigar o desaparecimento de processos. E eu me pergunto: - são os utentes do tribunal que fazem desaparecer os processos? Uma grande vergonha. Um retrocesso, ao grande avanço que havíamos alcançado. Isto tem de parar!
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Fahardine Sualehe Sualehe Os que garante a lei são os mesmos que violam a lei. Assim como teremos uma sociedade justa?
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Dinho Jose Nhantumbo Ainda hoje fiquei estupefacto perante a triste situação num local em que outrora podia aceder livremente aos cartórios
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Elísio de Sousa Pois... sentimento partilhado
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Percio Manjate Triste e vergonhoso, o que se teme?
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Pátria Amada Triste! Acredito que isso se insere no âmbito de actividades administrativas (materialmente) cogniscíveis em sede da jurisdição administrativa. Dr, temos um mecanismo coactivo para tal: acção (administrativa) para a condenação da Administração para a prática do acto devido legalmente.
É preciso "assustar" essa maquina burocratica e anarquica com a própria justiça.
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Pátria Amada Uma atitude jurídica sua pode revolucionar uma administração pública inteira.
Uma condenação do (Estado) Tribunal pode ser uma fonte de direito (emanação de um decreto, resolução, diploma ministerial, whatever, a prever claramente que o servidor do tri
bunal deve deixar o advogado a ter o acesso a secretaria judicial). Uma questão de coragem e disposição. 
O T.A. pode demorar mas se a decisão favorável sair, teria maior impacto: o Estado (Tribunal Judicial da Cidade de Maputo) foi condenado a deixar os advogados que tenham acesso directo, sem embaraços nenhuns a secretaria do mesmo.
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Gracio Abdula Violação da lei. Nós advogados não podemos permitir tal violação vinda ainda por cima de magistrados judiciais...
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Elísio de Sousa Flagrante violação Gracio
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Fabolous Merhy Nao devemos nos manter mas calados,estes magistrados ja estao a fazer os locais de trabalho dos seus aposentos ou seus belos palácios ...Ilustre bastonario vamos atacar esses corruptos desavergonhados
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Zé Miguel Dias Pereira que miséria tão triste
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Elísio de Sousa Muito triste , diga-se!
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Roberto Lamba O Advogado não é respeito com exactidão
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Felix Wiliamo Macuacua Este Teatro de administração da justiça tem sido mal interpretado pelos actores... logo a peça é péssima, não façam grupinhos para estancar algum mal reúnam todas as classes talvez os outros têm melhores soluções para estancar certos males
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Elísio de Sousa Ideia brilhante Felix
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Felix Wiliamo Macuacua Senhores juízes não é humilhação solicitar auxílio a OAM
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Cristovao Pires Pires Lastimável, no entanto fica bastante claro que o tal dito combater a corrupção, incluindo a injustiça é um conjunto alargado de falácias.
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Mariom Chissano A justiça em Moçambique ainda esta num nivel muito baixo dos outros paise.
Ainda nao temos uma justica confiavel.
O temor pelos homems ainda vai perssistir ya
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Stayleir Marroquim Estimado amigo e colega, solidarizo-me consigo na sua preocupação. Mas creio que concretizará melhor a sua “reclamação” (que é, em boa verdade, de todos) se, pelo menos, a endereçar, formalmente, ao Bastonário da Ordem dos Advogados (nosso “guardião”), solicitando que actue em nosso nome para a reposição da legalidade.
Abraço.
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Elísio de Sousa Concordo in toto amigo Stayleir. A semente está lançada. As ideias estão lá. Não cabe (por natureza) ao defesa marcar golos. Deixemos isto para os CR7s e os Messis do club 😂😂😂. Fiz a minha singela parte!
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Edson Manuel Cussangiua Apoiado colegas. O tribunal deve ser o primeiro exemplo no que diz respeito ao que vem plasmado na Lei.
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Cremildo Quembo Triste essa realidade do País.
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Joaquim Arone Eu também fiquei constragido com a situação, deveras não vamos esgotar o nosso desagrado aqui nas redes, devemos usar dos mecanismos legais que nos assistem para ultrapassarmos essa misera vergonha
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Elísio de Sousa Pois. É só apanhar a boleia e seguir o rumo certo Joaquim!
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Etivaldo Atanasio meu caro Dr. Elísio de Sousa esta na hora de lutarmos em prol das Prerrogativas do Advogado creio que seja o momento da OAM se posicionar...!
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Estevao M. Chapo Chicuava Obrigado por ter indicado o tribunal em causa. outros tribunal nao fazem
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Lubaina Inacio É uma situação constrangedora...Esse país sempre nos surpreende negativamente. Bem haja
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Edson Danilo Danilo Simplesmente lastimável...
Deus nos acuda.

Ministério Público VS Advogados nos processos-crime (justiça invertida)
(Homenagem ao Procurador Orlando Generoso)
Longe das discussões de praxe sobre quem se deve ou não levantar nos julgamentos ou se os magistrados do MP podem ou não proferir as suas alegações finais sentados, pretendo é discutir, na essência, qual o papel de cada um no processo-crime (dos Procuradores e Advogados). A expressão “Procurador”, distancia-se da expressão “magistrado do Ministério Público” atendendo as atribuições, no momento, da mesma personagem. Neste artigo me pouparei de ser rigoroso no uso de cada um dos termos por mera questão estilística.
Muitos de nós conhecemos os Procuradores e o que estes andam a fazer nos tribunais. Mas poucos sabem qual é o verdadeiro papel destes magistrados em tribunal. No que se refere aos advogados, estes são os que mais “dão-a-cara” na demonstração do seu papel social, atendendo à natureza das suas atribuições e ao exigente papel social que são fixados pelo respectivo estatuto (embora ainda haja réstia de um pequeníssimo movimento “facebookiano” que tenta abalroar o verdadeiro papel do advogado na sociedade, no que se refere a relação destes profissionais com os órgãos de comunicação social).
Ambos Procuradores e Advogados fazem praticamente a mesma coisa. Uns defendem o Estado e outros os particulares mas ambos procuram a justiça. Os meios de defesa dependem muito da natureza da actuação de cada um. No processo de partes (jurisdição cível), os magistrados do Ministério Público vestem “Togas” e nos processos em que o Estado aparece com o seu Ius Imperii, estes mesmos magistrados do Ministério Público, trocam as togas pelas “Becas”. A troca da Toga pela Beca por parte dos magistrados do Ministério Público verifica-se pelo facto destes magistrados serem meras partes nos processos de jurisdição e serem os verdadeiros impulsionadores da justiça, noutros.
Mas o que mais me inquieta é o facto de sentir que na fase dos julgamentos dos processos-crime os defensores do Estado levarem grande vantagem relativamente aos defensores particulares, nestes casos, os Advogados. Isto porque a actuação do MP como acusador e promotor do processo somente se justifica a “desigualdade de armas” quando os processos se encontram na fase preliminar da instrução, atendendo que os mesmos se encontram em regime do segredo de justiça. Mas depois disso, nada justifica que no mesmo processo os Procuradores sejam "endeusados" e mimados nos julgamentos, e por outro lado, os advogados sejam praticamente trucidados com as velhas praxes judiciais, só porque não está em defesa do Estado, como se os particulares não fizessem parte do Estado.
Há, e deve haver igualdade de armas na fase do julgamento, atendendo que tanto os Advogados, como os Procuradores defendem a justiça, embora, por vezes de forma antagónica. O juiz é o árbitro e os restantes são as “partes”, que por vezes até podem inverter os papéis. Já vi Procuradores a pedirem absolvição e já vi Advogados pedir condenação do próprio cliente. Isto acontece no campo das salas de audiência.
Por isso não vejo justificação para que os Procuradores se sentem "coladinhos" aos juízes nas salas de audiência. Não vejo fundamento para que os Advogados não tenham sala de conferência com o cliente e um lugar digno de consulta de processos nos tribunais. Não entendo porque é que os Procuradores e Juízes entram juntinhos na sala de julgamento e os mesmos saiam da mesma sala de audiências novamente juntinhos e quase de mãos dadas.
Não estou contra a boa relação entre as magistraturas, mas só penso que se deveria incluir os Advogados nessas confraternizações de praxes judiciais onde tanto os Advogados, Procuradores Juízes e respectivos Eleitos, antes do julgamento se unissem todos na mesma sala de conferências ou no gabinete de qualquer deles e de lá saíssem todos juntinhos e felizes por mais um dia de trabalho.
Esse pequeno gesto, mudaria muito, pelo menos aos olhos do cidadão comum.
Feliz Ano Judicial à Todos!
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22 comentários
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Fahardine Sualehe Sualehe OBRIGADO PELA EXPLANACAO. Eu que sou" ze ninguem" nessa area de direito, percebi.
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Guilherme Matola Uma boa liçao
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Felix Wiliamo Macuacua Ainda me lembro que o antigo bastonário da OAM transpirou muito nessa luta, o TT...
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Jorge Pereira Gimo Tivane Força aí, por precisar-se de consciencialização de parte a parte. Portanto, a mudança faz-se e não surge do nada.
Feliz ano judicial em prol da justiça social.
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Mosse Ilusorio Nhamposse Caríssimo Causídico, é sempre um prazer ler as suas lições! Agradecemos por por estes textos ricos de saber e observação!
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Mosse Ilusorio Nhamposse Caríssimo Causídico, é sempre um prazer ler as suas lições! Agradecemos por por estes textos ricos de saber e observação!
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Sengo Nhassengo Creio que ficou compreendido. Nesta actividade nobre porque razao a musculaçao de uns em detrimento de outros. A paridade, pode trazer sossego, harmonia e ambiente saudavel para todos os intervenientes. Nao as media.
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Sengo Nhassengo Dizia: Nao aos medos.
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Jose Antonio Antonio Bom dia ilustre, estas são palavras de reflexão e encorajamento! Tenha um excelente Ano Judicial!
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Von Lhering Pois é! Todos são servidores de justiça. A porta de saída e entrada devia ser a mesma, ou seja o trato no geral. Por acaso, continuamos a assistir um clima tipo um deus ou deuses está ou estão a entrar, e sente-se o mesmo à saida. 😅
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Lucilio Nhanombe Excelente visão ilustre Elísio de Sousa. Espero, sinceramente que está mensagem chegue aos ouvidos dos visados e que possam mudar a sua mentalidade, conforme a sua explanação!
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Rui Armando Matavele Boa observação, Professor. Obrigado por trazer ao de cima, mais um assunto de extrema relevância. Acrescentar que o esse tratamento desigual manifesta-se a partir da Esquadra, onde o Advogado tem sido visto com muita desconfiança.
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Roberto Lamba Bela explanação Dr. Sousa
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Daniel Calebe Optma reflexao
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Carlos Santana Afonso Óptima Observação...
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Marques Abdala Certissimo
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Nelson Baptista Isto mesmo ilustre, um reparo importante, porque um advogado em plena audiência deveria ter muita liberdade e igualdades de tratamento, força nesta luta, abaixo descriminação e viva a justiça Sa
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Noe Goncalves Ilustre, este debate eh urgente, portanto lhe encorajo a prosseguir
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Honwanajúnior Honwana Debate muito aprofundado
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Rosa Ruben Muito obrigada Dr 🙏🏾
Uma boa Lição 
Cmpts
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Kississe Nhantumbo Equidade acima de tudo.

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