segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Quem altera a correlação de forças com a Eskom?

Quem altera a correlação de forças com a Eskom?
O novo documento de estratégia da EDM (2018/2028) coloca uma fasquia ambiciosa: levar eletricidade a todos os recantos de Moçambique até 2030. Mas o documento, com uma lógica de intervenção clara, que enfoca também em coisas como qualidade e corporate governance, coloca o dedo nalgumas feridas: os valores subsidiados que a Eskom sul-africana paga pela energia da HCB. O atual PCA da EDM, Mateus Magala está de saída, devendo deixar a empresa em finais de Setembro.
O seu sucessor ainda não foi indicado mas é provável que venha a ser alguém da casa, alguém que se tenha mostrado identificado com as reformas que Magala empreendeu e aquelas agora claramente inscritas no documento da estratégia (há quem especule que Pedro Couto, o actual PCA da HCB, estaria a ser melhor aproveitado na EDM do que na HCB; a primeira é um comboio precisando de mais vapor para sulcar a colina; a segunda é um TGV em piloto automático).
Sobre a relação HCB/Eskom, vale a trazer, ipsis verbis, o que a EDM pensa:
i) O atual pico de fornecimento de energia de Moçambique é de 911 MW, dos quais 500 MW obtidos da HCB são constituídos por 300 MW de energia firme e 200 MW de energia não-firme; para a energia adicional acima e fora desta quantidade, a EDM paga cerca de 15 cêntimos de USD, cerca de três vezes mais do que a Eskom, na RAS, paga à HCB pelo fornecimento regular de 1.500 MW;
ii) No desempenho de um papel regional mais amplo, Moçambique deve questionar-se se pode alcançar o acesso universal (fornecimento de eletricidade em todas as localidades), abastecer a Mozal e exportar energia para a região.
Estas duas colocações, assim mesmo factualmente sem juízos de valor, são elementos do contexto onde se insere a operação da EDM. Elas são de certo modo retomadas na análise SWOT da estratégia, como parte das ameaças que podem comprometer o objetivo estratégico da empresa. Eis a colocação:
i) Cahora Bassa: a HCB é participada em 92.5% pela EDM mas vende até 70% da sua energia à empresa pública de eletricidade da RAS, a Eskom, que está a pagar aproximadamente 2,5 cêntimos de USD/KWh, enquanto Moçambique paga 9,5% através de outras fontes. O maior volume de energia que retoma a Moçambique abastece a Mozal. A não transferência do fornecimento de energia a partir de Cahora Bassa para Moçambique, em 2029, poderá ter sérias implicações porque comprar à HCB por 1.5 cêntimos de USD/KWh ou pelo mesmo preço que a ESKOM paga seria melhor que qualquer outra alternativa.
Estas colocações mostram uma EDM exigindo um maior bolo da energia gerada pela HCB mas a um preço menor ou equiparável ao que a Eskom paga ao longo da linha de transmissão do Songo à Secunda. Mas afinal o que nos amarra demasiado à Eskom que torna secreto o contrato entre a HCB e a “utility” sul-africana? O contrato é mesmo tão secreto que, há duas semanas aquando da apresentação dos resultados anuais da HCB para 2017, Pedro Couto disse que não podia revelar qual era o valor atualmente pago pela Eskom por cada KWh que compra da hidroelétrica. De modo que, para a HCB responder a uma questão colocada sobre quanto cobra à Eskom, ele disse apenas que “houve um incremento de 46%”.
Agora, se o Governo quiser dar todo o suporte político à estratégia da EDM é obvio que a correlação de forças entre a HBC e a Eskom terá de ser alterada. Só isso permitirá a EDM ter fôlego para insuflar sua ambição de expansão no mercado regional. Alguém está interessado em fazer isso acontecer?
Comentários
Sic Spirou ..não entendo de números, por isso só vou perguntar: o Magala e seu conselho de administração não chegaram ali por via concurso!? lembro dessa celeuma e necessidade de mudarem o jogo das indicações. que seja assim agora que ele está de saída.
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Egidio Vaz Não entendendo do assunto, devia deixar os que entendem a iniciar o debate para não se perder. Mesmo assim, quis ser o primeiro, fazendo perguntas fora de uestão. Sic Spirou, se apagares o teu comentário, o meu vai junto. Para o bem do debate.
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Sic Spirou leste bem o que escrevi ou nao? epah kakakaka agora parece que é você que está a perseguir me!! 😂😂😂😷😂
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Miro Guarda Sem querer entrar nessa vossa perseguição, mas parece que o assunto deste post não é Magala, mas sim a estratégia da EDM e os constrangimentos que a venda de energia a Eskom podem causar
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Egidio Vaz Sic Spirou kkkk. começou por reconhecer que não entende de números e por isso iria perguntar. E a pergunta nem é de números. Hehehe. Fora do foco. Se te persigo é com razão. Kkk
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Sic Spirou exacto. não foi de números mas de um facto que entendo: a sucessão dele. acho que ainda está em modo feriado activo, ilustre Vaz! heheheheheh abraços.
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Sic Spirou Miro Guarda podes fazer/ comentar sobre isso. Não vi da parte do autor proibição em tocar nesse ponto ! 😷👍
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Emidio Beula Magala não chegou à presidência do Conselho de Administração da EDM por via de concurso. Ele foi escolhido a dedo para introduzir reformas na empresa, sendo que uma delas foi a selecção de administradores e directores por via do concurso público.
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Sic Spirou obrigado !!
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Egidio Vaz Emidio Beula o Sic Spirou sabia. Mas sabe como é. É preciso bater no Magala, bater em tudo até ficar flat. O país está mal. Essa gente sem escrúpulos rouba o povo! 😡
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Sic Spirou Não bati nele. apenas pensei no futuro do legado dele. eishh.. mas tás a ler com que óculos mesmo? 😂😂😂😂
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Egidio Vaz Sic Spirou é assim como lês quando escrevo algo sobre qualquer coisa. É o mesmo desapontamento que sinto. Está sendo um exercício pedagógico
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Sic Spirou hahahajajaja morri eheheheheheh
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Narciso Sandulane Agora vejo que o Sic Spirou e Egidio Vaz estão numa maratona.kkkk
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Ido Alfred Egidio Vaz está a te perseguir Sic Spirou ?
😂 😂 😂

V
ocê pá, sua resposta foi dada pelo Emidio Beula
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Eliha Bukeni Creio que o problema da baixíssima tarifa que a Eskom paga á HCB tem origem num contrato assinado pelo então governo colonial e a Eskom, e como sabemos, nas conversações que resultaram nos acordos de Lusaka, foi acordado que sobre o empreendimento Cahora Bassa, nada seria mexido por exigência dos portugueses. Ao que tudo indica o próprio tarifário desse contrato colonial estava expresso em moeda sul-africana (rand), cujo nível de depreciação desde então é elevadíssimo. No quadro das negociações com o sindicato bancário que financiou o governo moçambicano para a compra dos 74,5% das acções anteriormente detidas pelo Estado português, para tornar a operação financeiramente viável, o governo teve de negociar o reajuste do acordo tarifário em vigor desde o tempo colonial, de realçar que tal negociação não teria sido possível, se não fosse no quadro das relações históricas Frelimo/ANC. É verdade que nas actuais condições de mercado a tarifa continua baixíssima, mas é melhor que a anterior e o facto de a HCB ter saldado o seu passivo de cerca de 900 milhões de USD com o sindicato bancário com antecedência de 6 meses demonstra esse facto. A actual situação tarifária do contrato Eskom- HCB é similar ao outro contrato abordado nesta plataforma pelo MM, o contrato de compra de gás de Pande/Temane pela Sasol, cujo preço também é baixíssimo e foi assinado em circunstâncias de risco político elevado. Uma coisa é certa, Moçambique precisa de ser menos subserviente com os sul-africanos para conseguir a alteração dos actuais termos de troca, relativamente ao preço que as empresas sul-africanas Eskom e Sasol pagam pelos principais recursos energéticos moçambicanos, ainda que tenhamos que sacrificar a enorme comunidade moçambicana residente na África do Sul, em virtude de eventuais mediadas de retaliação. Quanto á estrutura accionista da HCB, o MM está certo que os 92,5% do Estado moçambicano estão subscritos pela EDM?
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Muzila Wagner Nhatsave Ha muito que venho defendendo uma viragem na nossa estrategia de energia. arrisco me a dizer que por causa disso esta impossivel inclusive captar algum investimento em outras hidricas que nao veem viabilidade em tarifas baixo dos 0.10 centimos o kw/h. Penso que e nececessario o apis atraves da EDM e com uma politica integrada de investimentos, mudar a sua estrategia passando pelo fornecimento a grandes projectos e outros com demanda de energia e nao depender somente dos PPA com a Africa do sul. Eua cho sinceramente que e a politica energetica que tem que mudar e a EDM deve definir claramente o seu posicionamento na cadeia e nao fazer tudo e perder foco . uma das razoes da ineficiencia ao meu ver foi o modelo de negocio anterior .
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Muzila Wagner Nhatsave os numeros de compra estao empolados, quanto eu sei a EDM nao ccompra acima dos 8 centimos.
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Joaquim Manuel Alternativa 1, 2,3....para viabilidade tecnica da HCB, enquanto nao avançar a CESUL- espinha dorsal, passa pela venda de mais que a metade dos 2.075 MW a RSA....por enquanto nao temos infraestrutura ( de transporte) para consumo interno da metade desta producao.. Deixa lhe lembrar que o consumo da RSA ja a muito vai acima dos 40.000 KW ( menos de 5% do que recebe d HCB), a nossa vale acima de tudo por ser ambientalmente mais saudavel do outras alternativas energeticas instaladas e em prontidao na RSA....
Depois da CESUL ai podemos conversar com castanhas na mesa
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Joaquim Manuel A conveniencia do passado fez com que o ambito do projecto HCB fosse mesmo a exportanção, os seus estudos de viabilidade tiveram como centro de negocio a RSA...olha que por esta via a infraestrutura de transporte Songo -Apolo, cruza a zona centro-Sul de Moçambique em corrente continua, logo nao pode ser ramificado ( usado) ao longo da mesma....qualquer necessidade para a zona Sul deve ser por via nova linha ou entao negociacoes de credito energetico/geografico ( troca de energia) entre EDM e Escom...
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