Administrei um inquérito aos meus amigos e simpatizantes aqui no Facebook, para determinar as ideias socioeconómicas e os valores socioculturais dominantes, e a forma de governo preferida, em Moçambique. Os resultados obtidos indicam que a maioria dos respondentes do inquérito é socioeconomicamente pró-socialismo, socioculturalmente progressista e prefere a república como forma ou sistema de governo.
Na altura indiquei que o ideal do socialismo (e da democracia) é a igualdade universal dos membros da sociedade e o ideal do capitalismo (e da república) é a liberdade individual dos membros da sociedade. Na mesma altura indiquei também que estes dois ideais são antagónicos e, por isso, imiscíveis ou mutuamente exclusivos. Qualquer tentativa de fazer o ideal ou socialismo (a igualdade universal) coabitar com o ideal do capitalismo (a liberdade individual) conduz à uma revolução para forçar a mudança regime. Julgo muito importante que se retenha esta nota.
O vídeo que partilho a seguir fala de uma pseudo-experiência que ilustra o que eu disse na nota acima. Só pode haver desenvolvimento harmonioso de uma sociedade que vive sob uma república (o mesmo que Estado de Direito) que privilegia a protecção das liberdades individuais no lugar de defender a igualdade universal dos cidadãos. Portanto, a ideia que de um bom governo é aquele que trabalha em prol da eliminação das desigualdades sociais é uma ideia muito errada, porque inibe a iniciativa e estimula a ociosidade. A desigualdade social, bem gerida, é o motor do progresso da sociedade; mas mal gerida, a desigualdade social é o motor da destruição da sociedade. Ou seja, uma sociedade precisa de um governo que faça boa gestão das desigualdades sociais para estimular a iniciativa individual e minimizar o potencial de conflitos de interesses entre os cidadãos. Justiça social não significa igualdade universal dos cidadãos; justiça social significa tão-somente iguais direitos e deveres dos cidadãos perante a lei.
Pois, então, meu amigo e compatriota moçambicano, fica atento! O socialismo é todo uma falácia. Políticos que advogam igualdade universal entre os cidadãos ou são mentirosos ou politicamente analfabetos. Políticos e honestos e lúcidos são aqueles que defendem a protecção das liberdades individuais. A luta pela igualdade universal entre os cidadãos e a luta pela protecção das liberdades individuais dos cidadãos não podem ocorrer no mesmo espaço, ao mesmo tempo. A luta pela igualdade conduz ao aos social; a luta pela protecção dos direitos civis conduz ao progresso social. Por isso, meu caro amigo e concidadão moçambicano, fica de olho e não leva a sério nenhum projecto político que privilegie a igualdade entre os cidadãos; leva a sério um projecto político que privilegie a protecção das liberdades individuais dos cidadãos.
O facto de a maioria dos respondentes do inquérito referido acima ser pró-socialismo e pró-república—duas coisas que não casam entre si—indicia que a sociedade moçambicana ainda vive na inércia do regime socialista que alguma vez se tentou instalar em Moçambique, que como sabemos, cedo criou condições para eclosão de uma guerra que dilacerou o país durante 16 anos. Curiosamente, os que lutaram contra o regime socialista também usam discurso socialista, quando se auto-intitulam "combatentes pela democracia". Como sistema de governo, a democracia privilegia a ditadura da maioria e não a protecção dos direitos civis.
Sendo assim, é falácia dizer-se que a Renamo lutou pela liberdade. De facto, o próprio discurso da Renamo e as práticas do seu líder, Afonso Dhlakama, mostram que eles não conhecem com clareza a causa da sua luta, mesmo hoje. Claramente, não é pela mudança de regime que a Renamo se bate contra o Estado moçambicano; é, isso sim, pela partilha do poder com quem governa—a Frelimo. Compreender isto é necessário para a articular uma proposta de solução para pôr fim ao conflito político-militar que opõe o Governo de Moçambique, dirigido pela Frelimo, e a Renamo de Afonso Dhlakama. Numa outra ocasião, eu disse que este conflito é movido pelos fracos contra os fortes e que a única forma de pôr termo ao mesmo (conflito) é saber colocar os fracos a lutar vitoriosamente contra a sua fraqueza. Eu disse também que fazer isso não é difícil e não passa por «acarinhar» que quer que seja, nem por permitir a banalização do Estado moçambicano.
Um outro inquérito por mim administrados aos meus amigos e compatriotas nesta plaforma, confirma que a maioria dos respondentes é pró-república e mostra que muitos são pela paz (pacifistas) e honestos, mas o projecto da unidade nacional está em risco de ser abandonado. (…).
Os gráficos dos resultados dos inquéritos referidos acima que acompanham esta reflexão ilustram claramente que os moçambicanos têm um ideal comum na sua diversidade, nomeadamente viver em paz e em liberdade. Junto à partilha deste ideal o facto de que numa república quem detém o poder soberano é o povo (vede cartoon), fica claro que a solução do conflito que divide os moçambicanos está com os próprios moçambicanos; não com o Governo e a Renamo, nem com o Filipe Nyusi (Presidente República) e Afonso Dhlakama. É preciso compreendermos que quando a Renamo se faz às estradas e embosca viaturas civis e saqueia e matas nossos concidadãos, está a agir contra o povo e não contra o Governo; e quando o Governo não pode evitar que a Renamo cometa estas atrocidades, então não está a cumprir zelosamente a sua missão.
Nós, o povo soberano, não devemos ficar a assistir a Renamo a saquear e a matar nossos filhos, irmãos e concidadãos e o Governo a ser incapaz de defender-nos contra essas atrocidades da Renamo. Cabe-nos tomar uma atitude vigorosa, diferente criticar o Governo ou a Renamo, dando razão a um e não ao outro ou vice-versa. Cabe-nos juntar as nossas vozes e forças e dizer ao Governo e à Renamo que somos nós, o povo soberano, os verdadeiros donos do poder que disputam com as armas compradas pelas nossas contribuições. Sim, as armas que estão na República de Moçambique não são nem do Governo nem da Renamo, são nossas armas! Temos que impedir que estas armas sejam usadas contra nós, mas sim para nos defender. Fazer isto não é difícil, compatriotas; é só recusarmos a divisão e a privação da liberdade em razão de diferenças ideológicas, para que não sejamos inimigos uns dos outros.
Enfim, todos partilhamos o desejo de viver em paz e em liberdade, para cada um possa perseguir os seus sonhos. Este ideal de paz e liberdade que nos une a todos constitui a nossa maior força para resgatar o projecto de unidade nacional. O Governo e a Renamo são ambos fracos ante esta nossa força. De que é que estamos à espera, então, para pôr os fracos a lutar vitoriosamente contra as suas fraquezas? A vitória dos fracos contra as suas fraquezas é, em última análise, a vitória de todos nós—o povo soberano!




Sem comentários:
Enviar um comentário