A bancada parlamentar da Frelimo não se manifestou satisfeita pelo
regresso de Manuel Bissopo ao parlamento.
Maputo (Canalmoz) – Manuel Bissopo,
deputado da Assembleia da
República, membro da Comissão
Permanente da Assembleia da Repú-
blica, e secretário-geral da Renamo,
esteve presente ontem na cerimónia
de abertura da III Sessão Ordinária
da Assembleia da República. É a
primeira aparição de Bissopo depois
de escapar a uma tentativa de assassinato
no dia 20 de Janeiro de 2015,
e cuja autoria é atribuída ao Governo.
A presidente da Assembleia da
República, Verónica Macamo, saudou
o regresso de Bissopo e condenou
o atentado contra o deputado.
“Fazemos votos de rápidas melhoras
ao nosso colega Manuel Bissopo, desejando que, o mais breve
possível, retome o convívio familiar,
a vida política e a nossa companhia”,
declarou Verónica Macamo.
Quando Verónica Macamo se lhe
referiu, Manuel Bissopo pôs-se de
pé, e houve aplausos de saudação
da parte das bancadas parlamentares
da Renamo e do Movimento
Democrático de Moçambique.
A bancada parlamentar da Frelimo
optou por manifestar através
do silêncio o seu incómodo
pelo regresso do deputado
Manuel Bissopo. (André Mulungo).
Lutero Simango diz que o Estado
está debilitado e que o país está
mergulhado em incerteza
Maputo (Canalmoz) – O chefe
da bancada parlamentar do Movimento
Democrático de Moçambique,
Lutero Simango, disse ontem
no seu discurso de abertura da
III Sessão Ordinária da Assembleia
da República, que o Estado
está fragilizado e o país encontra-se
mergulhado na incerteza.
Lutero aponta como causas da
fragilização do Estado a ausência
de convivência democrática, da
intolerância e arrogância política.
O chefe da bancada do MDM fala
também da ausência do aceitar o
“pensar diferente”, o não “reconhecimento
da diversidade política,
a falta de um discurso oficial
em reconhecer as liberdades
políticas e os confrontos militares
entre o Governo e a Renamo.”
O chefe da bancada do MDM
denunciou no seu discurso, impedimentos
de exercício de
actividades políticas, por parte
de administradores distritais,
aos partidos da oposição.
“Os administradores, chefes
de postos e de localidades assumem
o papel de é decisão de
impedir os partidos políticos de
exercerem suas actividades políticas
em liberdade”, lê-se no
discurso de Lutero Simango.
Mesmo sem especificar, Simango
fala de casos de perseguição
de funcionários públicos, com
particular realce para professores
que mostram simpatia com a
oposição. Segundo aquele chefe
de bancada, a intolerância chegou
ao ponto de as autoridades
proibirem “o enterro, em cemitérios
públicos, de ente queridos
de membros da oposição.”
“Os moçambicanos não merecem
outra guerra”
Lutero Simango considera que a
confrontação militar entre o Governo
e a Renamo é uma das causas
do enfraquecimento do Estado
e diz que um “diálogo inclusivo
e participativo” é a forma de evitar
a guerra e de recuperar a paz.
Diz também que “a paz não é assunto de um ou dois partidos”,
mas sim um “imperativo nacional”,
que deve ser “agenda” de todos. “Os moçambicanos não merecem
uma outra guerra, nem a reedição
de uma era de violação sistemá-tica dos Direitos Humanos e de
um Estado autoritário”, declarou
Lutero Simango. (André Mulungo).
EDM e consórcio japonês assinam contrato
para construção de central de gás natural
Maputo (Canalmoz) – A Electricidade
de Moçambique, E.P., o
consórcio japonês “Sumitomo Corporation”
e a “IHI Corporation”
assinaram na manhã de quarta-
-feira, em Maputo, um contrato
para a construção de uma central
termo-eléctrica de ciclo combinado
a gás natural na capital do país.
O projecto está orçado em
17,2 biliões de yens (o equivalente
a 151,5 milhões de dólares
norte-americanos), fornecidos
pelo Governo japonês através da
Agência de Cooperação Internacional
do Japão (JICA), num acordo
alcançado em Janeiro de 2014.
O financiamento vai custear a
construção da infra-estrutura e também
a formação de quadros na
operação e manutenção de equipamento
e assistência técnica por um
período de seis anos, assegurando-
-se, assim, a transferência gradual da
tecnologia e de práticas e modelos
de gestão de padrões internacionais.
Com a capacidade aproximada
de 100 MW, pretende-se que o
empreendimento venha melhorar
a qualidade e segurança no fornecimento
de energia eléctrica à
região sul do país, principalmente
às cidades de Maputo e Matola. Segundo o memorando, a central
termo-eléctrica de ciclo combinado
a gás natural de Maputo deverá entrar
em funcionamento a partir de 2018.
A EDM – representada por Carlos
Yum, administrador para a área
de Projectos, e Agostinho Mugoda,
administrador para a Rede de Transporte
–, a “Sumitomo Corporation”,
representada por Koichi Taniguchi, e
a “IHI Corporation”, representada
por Takao Tanaka, rubricaram o referido
acordo de empreitada para a
construção desse empreendimento.
O presidente do Conselho de
Administração da EDM, Mateus
Magala, declarou que esta central
termo-eléctrica, cuja construção
se vai iniciar em breve, irá garantir
maior disponibilidade de energia
eléctrica e assegurar maior acesso
pelos cidadãos e mais segurança no
fornecimento à região sul do país.
Segundo Magala, trata-se de uma
central com uma tecnologia que
permite o uso mais eficiente do
gás natural e contribui para a redução
das emissões de carbono,
para a preservação do ambiente
e para o desenvolvimento econó-
mico sustentável de Moçambique.
Mateus Magala acrescentou que,
neste momento que o país atravessa, caracterizado pela seca e
consequente paralisação temporária
de algumas centrais hidro-
-eléctricas por falta de água, é necessário
diversificar as fontes de
produção de energia eléctrica.
“Estão em curso vários projectos de
geração, que totalizam cerca de 335
MW, com vista a garantir a disponibilidade
de energia eléctrica para
responder à demanda cada vez mais
crescente”, disse o PCA da EDM.
Acrescentou que a EDM procura
financiamentos junto dos
seus parceiros, para fornecer mais
energia às regiões centro e norte
do país, principalmente aos
Corredores da Beira e de Nacala.
O ministro de Recursos Minerais
e Energia, Pedro Couto, disse
que a assinatura do contrato
de empreitada é momento mais
importante deste processo que se
iniciou em 2011, porque assinala
a concretização de um projecto.
O embaixador do Japão em Mo-
çambique, Akira Mizutani, disse
que o seu Governo está ciente
da urgente procura de energia
em Moçambique e garantiu que
continuará a apoiar o desenvolvimento
da produção e distribui-
ção eficientes e de alta qualidade. O presidente da Associação de
Desenvolvimento Económico para a
África (AFRECO), do Japão, Tetsuro
Yana, durante a cerimónia recordou
que, há oito anos, foi determinado
que garantir energia era o factor mais importante para o desenvolvimento
de Moçambique. Nessa altura,
propôs-se a implementação do
projecto da central termo-eléctrica
no âmbito da cooperação bilateral.
“Para a AFRECO, a assinatura deste contrato não é apenas uma marca
de actividade económica, mas, sim,
um símbolo de desenvolvimento,
de amizade e de cooperação bilateral
entre os dois países”, declarou
Tetsuro Yana. (Bernardo Álvaro)
Margarida Talapa acusa Renamo de
promover a guerra e atrasar o
desenvolvimento do país
Diz que há na Renamo pessoas que não querem a guerra
e acusa as mesmas de silêncio cúmplice
Maputo (Canalmoz) – A chefe
da bancada parlamentar da Frelimo,
Margarida Talapa, acusa a
Renamo de ser a promotora dos
confrontos militares no país, e que
isso coloca em risco o processo
de desenvolvimento do país. Margarida
Talapa diz que o país vive
um momento de grandes perspectivas para o desenvolvimento económico
e social, mas que pode
ser comprometido pelo que chama
“tensão criada pela Renamo”.
Margarida Talapa falava ontem, na
Assembleia República, na sessão
de abertura da III Sessão Ordiná-
ria da Assembleia da República.
Margarida Talapa afirmou que há, na Renamo, pessoas que
não querem guerra, e acusa essas
pessoas de “silêncio cúmplice,
conivente e cobarde”.
Margarida Talapa diz que o seu
partido é pelo diálogo e que a melhor
saída para as diferenças com a Renamo
é o diálogo permanente e sem
pré-condições. (André Mulungo)
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