quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Manuel Bissopo voltou, e Verónica Macamo disse que teve sorte

A bancada parlamentar da Frelimo não se manifestou satisfeita pelo regresso de Manuel Bissopo ao parlamento. 

Maputo (Canalmoz) – Manuel Bissopo, deputado da Assembleia da República, membro da Comissão Permanente da Assembleia da Repú- blica, e secretário-geral da Renamo, esteve presente ontem na cerimónia de abertura da III Sessão Ordinária da Assembleia da República. É a primeira aparição de Bissopo depois de escapar a uma tentativa de assassinato no dia 20 de Janeiro de 2015, e cuja autoria é atribuída ao Governo. A presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo, saudou o regresso de Bissopo e condenou o atentado contra o deputado. “Fazemos votos de rápidas melhoras ao nosso colega Manuel Bissopo, desejando que, o mais breve possível, retome o convívio familiar, a vida política e a nossa companhia”, declarou Verónica Macamo. Quando Verónica Macamo se lhe referiu, Manuel Bissopo pôs-se de pé, e houve aplausos de saudação da parte das bancadas parlamentares da Renamo e do Movimento Democrático de Moçambique. A bancada parlamentar da Frelimo optou por manifestar através do silêncio o seu incómodo pelo regresso do deputado Manuel Bissopo. (André Mulungo).

Lutero Simango diz que o Estado está debilitado e que o país está mergulhado em incerteza

Maputo (Canalmoz) – O chefe da bancada parlamentar do Movimento Democrático de Moçambique, Lutero Simango, disse ontem no seu discurso de abertura da III Sessão Ordinária da Assembleia da República, que o Estado está fragilizado e o país encontra-se mergulhado na incerteza. Lutero aponta como causas da fragilização do Estado a ausência de convivência democrática, da intolerância e arrogância política. O chefe da bancada do MDM fala também da ausência do aceitar o “pensar diferente”, o não “reconhecimento da diversidade política, a falta de um discurso oficial em reconhecer as liberdades políticas e os confrontos militares entre o Governo e a Renamo.” O chefe da bancada do MDM denunciou no seu discurso, impedimentos de exercício de actividades políticas, por parte de administradores distritais, aos partidos da oposição. “Os administradores, chefes de postos e de localidades assumem o papel de é decisão de impedir os partidos políticos de exercerem suas actividades políticas em liberdade”, lê-se no discurso de Lutero Simango. Mesmo sem especificar, Simango fala de casos de perseguição de funcionários públicos, com particular realce para professores que mostram simpatia com a oposição. Segundo aquele chefe de bancada, a intolerância chegou ao ponto de as autoridades proibirem “o enterro, em cemitérios públicos, de ente queridos de membros da oposição.” “Os moçambicanos não merecem outra guerra” Lutero Simango considera que a confrontação militar entre o Governo e a Renamo é uma das causas do enfraquecimento do Estado e diz que um “diálogo inclusivo e participativo” é a forma de evitar a guerra e de recuperar a paz. Diz também que “a paz não é assunto de um ou dois partidos”, mas sim um “imperativo nacional”, que deve ser “agenda” de todos. “Os moçambicanos não merecem uma outra guerra, nem a reedição de uma era de violação sistemá-tica dos Direitos Humanos e de um Estado autoritário”, declarou Lutero Simango. (André Mulungo).

EDM e consórcio japonês assinam contrato para construção de central de gás natural
Maputo (Canalmoz) – A Electricidade de Moçambique, E.P., o consórcio japonês “Sumitomo Corporation” e a “IHI Corporation” assinaram na manhã de quarta- -feira, em Maputo, um contrato para a construção de uma central termo-eléctrica de ciclo combinado a gás natural na capital do país. O projecto está orçado em 17,2 biliões de yens (o equivalente a 151,5 milhões de dólares norte-americanos), fornecidos pelo Governo japonês através da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), num acordo alcançado em Janeiro de 2014. O financiamento vai custear a construção da infra-estrutura e também a formação de quadros na operação e manutenção de equipamento e assistência técnica por um período de seis anos, assegurando- -se, assim, a transferência gradual da tecnologia e de práticas e modelos de gestão de padrões internacionais. Com a capacidade aproximada de 100 MW, pretende-se que o empreendimento venha melhorar a qualidade e segurança no fornecimento de energia eléctrica à região sul do país, principalmente às cidades de Maputo e Matola. Segundo o memorando, a central termo-eléctrica de ciclo combinado a gás natural de Maputo deverá entrar em funcionamento a partir de 2018. A EDM – representada por Carlos Yum, administrador para a área de Projectos, e Agostinho Mugoda, administrador para a Rede de Transporte –, a “Sumitomo Corporation”, representada por Koichi Taniguchi, e a “IHI Corporation”, representada por Takao Tanaka, rubricaram o referido acordo de empreitada para a construção desse empreendimento. O presidente do Conselho de Administração da EDM, Mateus Magala, declarou que esta central termo-eléctrica, cuja construção se vai iniciar em breve, irá garantir maior disponibilidade de energia eléctrica e assegurar maior acesso pelos cidadãos e mais segurança no fornecimento à região sul do país. Segundo Magala, trata-se de uma central com uma tecnologia que permite o uso mais eficiente do gás natural e contribui para a redução das emissões de carbono, para a preservação do ambiente e para o desenvolvimento econó- mico sustentável de Moçambique. Mateus Magala acrescentou que, neste momento que o país atravessa, caracterizado pela seca e consequente paralisação temporária de algumas centrais hidro- -eléctricas por falta de água, é necessário diversificar as fontes de produção de energia eléctrica. “Estão em curso vários projectos de geração, que totalizam cerca de 335 MW, com vista a garantir a disponibilidade de energia eléctrica para responder à demanda cada vez mais crescente”, disse o PCA da EDM. Acrescentou que a EDM procura financiamentos junto dos seus parceiros, para fornecer mais energia às regiões centro e norte do país, principalmente aos Corredores da Beira e de Nacala. O ministro de Recursos Minerais e Energia, Pedro Couto, disse que a assinatura do contrato de empreitada é momento mais importante deste processo que se iniciou em 2011, porque assinala a concretização de um projecto. O embaixador do Japão em Mo- çambique, Akira Mizutani, disse que o seu Governo está ciente da urgente procura de energia em Moçambique e garantiu que continuará a apoiar o desenvolvimento da produção e distribui- ção eficientes e de alta qualidade. O presidente da Associação de Desenvolvimento Económico para a África (AFRECO), do Japão, Tetsuro Yana, durante a cerimónia recordou que, há oito anos, foi determinado que garantir energia era o factor mais importante para o desenvolvimento de Moçambique. Nessa altura, propôs-se a implementação do projecto da central termo-eléctrica no âmbito da cooperação bilateral. “Para a AFRECO, a assinatura deste contrato não é apenas uma marca de actividade económica, mas, sim, um símbolo de desenvolvimento, de amizade e de cooperação bilateral entre os dois países”, declarou Tetsuro Yana. (Bernardo Álvaro)

Margarida Talapa acusa Renamo de promover a guerra e atrasar o desenvolvimento do país
Diz que há na Renamo pessoas que não querem a guerra e acusa as mesmas de silêncio cúmplice

Maputo (Canalmoz) – A chefe da bancada parlamentar da Frelimo, Margarida Talapa, acusa a Renamo de ser a promotora dos confrontos militares no país, e que isso coloca em risco o processo de desenvolvimento do país. Margarida Talapa diz que o país vive um momento de grandes perspectivas para o desenvolvimento económico e social, mas que pode ser comprometido pelo que chama “tensão criada pela Renamo”. Margarida Talapa falava ontem, na Assembleia República, na sessão de abertura da III Sessão Ordiná- ria da Assembleia da República. Margarida Talapa afirmou que há, na Renamo, pessoas que não querem guerra, e acusa essas pessoas de “silêncio cúmplice, conivente e cobarde”. Margarida Talapa diz que o seu partido é pelo diálogo e que a melhor saída para as diferenças com a Renamo é o diálogo permanente e sem pré-condições. (André Mulungo)

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