Editorial
Abriu nesta quarta-feira feira, 17 de Fevereiro, a III
Sessão Ordinária da Assembleia da República, com uma
vasta proposta de assuntos a discutir nos próximos dias.
A sessão acontece numa altura em que a situação
político-militar está a deteriorar-se e o Governo da
Frelimo aumenta as suas acções terroristas contra a
oposição, com particular destaque para a RENAMO.
Em verdadeiras democracias, poderíamos esperar
uma sessão parlamentar bastante interventiva e com
propostas concretas que possam pôr termo a actual crise
que de político está a passar para crise militar.
Somos de opinião que acima de qualquer outra agenda
devia ser prioritária a questão da procura de uma
plataforma para a estabilização do país e promoção de
iniciativas de um diálogo sério e franco.
Entende a RENAMO que a discussão e aprovação de
questões marginais à Paz seriam inoportunas dado que
a prioridade actual do país tem a ver com a estabilidade.
Para isso, a Assembleia da República tem uma singular
oportunidade de demonstrar quão representa a vontade
do Povo moçambicano que neste momento vive no
desespero e na incongruência causada pelo ego de
algumas figuras da Frelimo que pensam que o país é
propriedade deles.
Tem igualmente oportunidade e poder de chamar as
partes como partidos de Estado que são, para auscultação
e também propor-lhes antes de tudo uma plataforma de
restabelecimento da confiança já perdida.
Havendo vontade, a Assembleia da República pode
também fazer parte deste processo convocando outras
partes nacionais e internacionais interessadas em ajudar
na resolução do conflito. O Parlamento, com os poderes
constitucionais que tem pode travar a guerra que
começou, e não permitir que o processo esteja refém
à vontade da Frelimo. Se assim não acontecer também
poderá ser responsabilizado pelas consequências que o
conflito vai trazer.
Para a RENAMO, a questão da Paz e do diálogo não
depende apenas de si e da Frelimo, mas também de
outros actores da sociedade moçambicana que podem
trazer iniciativas desde que tenham propósitos sérios.
A RENAMO sempre manifestou-se aberta a discutir
iniciativas de Paz e da estabilidade do país desde que
essas não estejam revestidas de interesses que visam
enganar e fazer capitular uma das partes.
É nesta esteira que desde 2012, tem ido ao encontro
do Governo da Frelimo com propostas negociais que
infelizmente têm sido ignoradas pela contraparte que
prefere a via militar e de terror para não responder às
preocupações colocadas. Tal como referiu a chefe da
bancada parlamentar da RENAMO Dra. Ivone Soares
na sua intervenção durante a abertura desta sessão,
testemunhada por membros do corpo diplomático, de
representantes de instituições religiosas, académicas,
económicas, socioprofissionais nacionais e estrangeiras,
à RENAMO não lhe interessa a guerra, mas sim uma
solução negociada e consensual, em igualdade de
oportunidades.
A RENAMO está preparada para debater ideias sérias
para o futuro do povo moçambicano, do nosso país,
para que tenhamos um país com paz e democracia
sustentável e de longo prazo. Contudo, como tem dito
o presidente Afonso Dhlakama, isso não implica cruzar
braços perante ataques e acções de confrontação militar
provocada pelo Governo da Frelimo.
A idade e responsabilidade que a RENAMO tem
perante o processo democrático nacional, impõem que
este partido esteja preparado para enfrentar quaisquer
desafios que possam perigar o Estado de Direito que se
pretende no país. Entenda-se que a Frelimo pretende
perpetuar no nosso país um estado tirano.
A RENAMO tem a obrigação de não permitir que o
povo seja novamente submetido a barbaridades e
ao despotismo da Frelimo. Para tal, é legítimo que se
esteja preparado a consentir sacrifícios. A RENAMO está
preparada para uma solução negociada, mas também
está preparada para responder qualquer ataque militar
e terrorista promovido pelo partido no poder.
A Frelimo já declarou a guerra e a RENAMO não permitirá
que os seus membros sejam raptados e executados
por esquadrões de morte recrutados e treinados pela
Frelimo. Importa-nos advertir que a Frelimo e todos
os seus agentes e parceiros nessa empreitada deverão
assumir todas proporções e consequências que tais
terão.
Com certeza deverão esperar resposta igual do lado da
RENAMO que continua com o discurso sincero de não à
guerra e sim à paz.
RECUSAMOS MAS FAZEMOS
Ninguém quer a Guerra
mas todos estamos envolvidos
nela. Uns lutam, outros
fogem, outros ainda comentam
sobre ela, apoiando ou
deplorando. Estamos todos
envolvidos nessa maldição
que não queremos, mas fazemos.
Precisamos nos empenhar
mais na Paz, nos esforços
em prol da Paz, nos conví-
vios mutuamente construtivos,
na edificação da auto-
-estima e também da mútua
estima. Nós moçambicanos
temos a tendência de nos
desprezarmos muito uns
aos outros, e isso não ajuda
a edificar a Paz. Agimos
e pensamos sob o preconceito
de que tudo o que o
outro faz ou diz, não presta
se ele é moçambicano como
nós. Um mesmo produto é
desprezível se for feito por
um concidadão nosso, uma
mesma ideia é errada se
não vier de um estrangeiro.
Este sentimento de desprezo
nacional que nos foi
imputado pelo colonialismo,
não nos deixa quando
chegamos aos meandros do
poder, e por isso, as leis da
Assembleia da República só
podem ser aprovadas se forem
propostas pela bancada
maioritária, já que esta
aprova sozinha o que ela
própria apresenta. O que
é apresentado por outros
moçambicanos, não merece
atenção nem respeito, e
este é o motivo pelo qual a
lei das autarquias foi chumbada.
Esta intolerância chega ao
ponto de nos levar a formar
dois exércitos para se digladiarem
entre eles, em lugar
de um exército nacional,
único e unido, para combater
os inimigos da Pátria a
qual, afinal, pertencemos
todos.
Civis inocentes estão refugi…
não, não podemos
dizer refug… temos que dizer
desloc… também não,
não é politicamente correcto.
Eles estão emigrad…
fugidos, afastados, não se
sabe qual o termo correcto,
pois se aceitar que estão
refugiados, será necessário
promover apoios, assumir
responsabilidades, revelar
verdades…. Enfim, aceitar
uma verdade que incomoda.
Menosprezada a vontade,
por sinal até bastante justa,
de colocar governantes locais
e provinciais de acordo
com os resultados eleitorais,
se enfrenta agora a decisão
dos vencedores dessas regi-
ões para fazer valer os seus
direitos a força. Os cidadãos
desinformados, estonteados,
querendo circular pela
estrada, e soldados que o
Governo diz não reconhecer,
mas que existem, a disparar
sobre suas viaturas. As
capacidades e as valentias
dos nossos governantes que
tudo podem, tudo mandam,
não precisam de reconhecer
nem a realidade nem os direitos
dos outros partidos
políticos, ficam anuladas
e as balas, essas vão matando
desnecessariamente,
porque o monopartidarismo
teima em não se conformar
com a vitória da Democracia.
Vamos morrendo. Sofrendo.
Vendo nossos bens destruídos
pelas armas. Nossos
negócios paralisados, nossas
famílias enlutadas.
Por que motivo os nossos
governantes ficaram assim,
com aquele amor ao Povo
Moçambicano tão sufocado,
espezinhado e renegado?
Tornam-se traidores de
si mesmo, tornaram-se auto-destruidores.
São como
aquele bicho que se come e
se destrói a si próprio.
Porque os nossos governantes
apanharam esta
psicose, nós agora temos
que saber obedecer a dois
governos. Quem viaja para
as zonas onde A RENAMO
vai colocar seus governos,
deve obedecer as ordens
das tropas da Perdiz que lá
se encontram estacionadas.
Quando mandam parar,
obedecer para não ser baleado.
São ordens de quem
manda lá, ou pelo menos
pretende fazê-lo. Lutar pelo
poder fica para eles, como
poderosos que são. Nós, o
Povo, nós os cidadãos, temos
mesmo é que obedecer.
Parar, atender as solicita-
ções, e continuar a marcha.
Os militares querem dar instruções
aos viajantes, revistar
as viaturas que entram
no espaço territorial cuja
defesa e protecção tem a
sua responsabilidade, assegurar
a tranquilidade para
todos os que lá vivem.
Isto não é nenhuma amea-
ça, mas somente uma informação.
Quem desobedecer,
mesmo que seja membro ou
simpatizante da RENAMO,
vai sentir as balas a baterem
na sua viatura. Obediência,
é a condição necessária
para se transitar tranquilo a
Norte do Save.
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