quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

GUERRA NÃO, LEGÍTIMA DEFESA SIM!

Editorial 
Abriu nesta quarta-feira feira, 17 de Fevereiro, a III Sessão Ordinária da Assembleia da República, com uma vasta proposta de assuntos a discutir nos próximos dias. A sessão acontece numa altura em que a situação político-militar está a deteriorar-se e o Governo da Frelimo aumenta as suas acções terroristas contra a oposição, com particular destaque para a RENAMO. Em verdadeiras democracias, poderíamos esperar uma sessão parlamentar bastante interventiva e com propostas concretas que possam pôr termo a actual crise que de político está a passar para crise militar. Somos de opinião que acima de qualquer outra agenda devia ser prioritária a questão da procura de uma plataforma para a estabilização do país e promoção de iniciativas de um diálogo sério e franco. Entende a RENAMO que a discussão e aprovação de questões marginais à Paz seriam inoportunas dado que a prioridade actual do país tem a ver com a estabilidade. Para isso, a Assembleia da República tem uma singular oportunidade de demonstrar quão representa a vontade do Povo moçambicano que neste momento vive no desespero e na incongruência causada pelo ego de algumas figuras da Frelimo que pensam que o país é propriedade deles. Tem igualmente oportunidade e poder de chamar as partes como partidos de Estado que são, para auscultação e também propor-lhes antes de tudo uma plataforma de restabelecimento da confiança já perdida. Havendo vontade, a Assembleia da República pode também fazer parte deste processo convocando outras partes nacionais e internacionais interessadas em ajudar na resolução do conflito. O Parlamento, com os poderes constitucionais que tem pode travar a guerra que começou, e não permitir que o processo esteja refém à vontade da Frelimo. Se assim não acontecer também poderá ser responsabilizado pelas consequências que o conflito vai trazer. Para a RENAMO, a questão da Paz e do diálogo não depende apenas de si e da Frelimo, mas também de outros actores da sociedade moçambicana que podem trazer iniciativas desde que tenham propósitos sérios. A RENAMO sempre manifestou-se aberta a discutir iniciativas de Paz e da estabilidade do país desde que essas não estejam revestidas de interesses que visam enganar e fazer capitular uma das partes. É nesta esteira que desde 2012, tem ido ao encontro do Governo da Frelimo com propostas negociais que infelizmente têm sido ignoradas pela contraparte que prefere a via militar e de terror para não responder às preocupações colocadas. Tal como referiu a chefe da bancada parlamentar da RENAMO Dra. Ivone Soares na sua intervenção durante a abertura desta sessão, testemunhada por membros do corpo diplomático, de representantes de instituições religiosas, académicas, económicas, socioprofissionais nacionais e estrangeiras, à RENAMO não lhe interessa a guerra, mas sim uma solução negociada e consensual, em igualdade de oportunidades. A RENAMO está preparada para debater ideias sérias para o futuro do povo moçambicano, do nosso país, para que tenhamos um país com paz e democracia sustentável e de longo prazo. Contudo, como tem dito o presidente Afonso Dhlakama, isso não implica cruzar braços perante ataques e acções de confrontação militar provocada pelo Governo da Frelimo. A idade e responsabilidade que a RENAMO tem perante o processo democrático nacional, impõem que este partido esteja preparado para enfrentar quaisquer desafios que possam perigar o Estado de Direito que se pretende no país. Entenda-se que a Frelimo pretende perpetuar no nosso país um estado tirano. A RENAMO tem a obrigação de não permitir que o povo seja novamente submetido a barbaridades e ao despotismo da Frelimo. Para tal, é legítimo que se esteja preparado a consentir sacrifícios. A RENAMO está preparada para uma solução negociada, mas também está preparada para responder qualquer ataque militar e terrorista promovido pelo partido no poder. A Frelimo já declarou a guerra e a RENAMO não permitirá que os seus membros sejam raptados e executados por esquadrões de morte recrutados e treinados pela Frelimo. Importa-nos advertir que a Frelimo e todos os seus agentes e parceiros nessa empreitada deverão assumir todas proporções e consequências que tais terão. Com certeza deverão esperar resposta igual do lado da RENAMO que continua com o discurso sincero de não à guerra e sim à paz.

RECUSAMOS MAS FAZEMOS 
Ninguém quer a Guerra mas todos estamos envolvidos nela. Uns lutam, outros fogem, outros ainda comentam sobre ela, apoiando ou deplorando. Estamos todos envolvidos nessa maldição que não queremos, mas fazemos. Precisamos nos empenhar mais na Paz, nos esforços em prol da Paz, nos conví- vios mutuamente construtivos, na edificação da auto- -estima e também da mútua estima. Nós moçambicanos temos a tendência de nos desprezarmos muito uns aos outros, e isso não ajuda a edificar a Paz. Agimos e pensamos sob o preconceito de que tudo o que o outro faz ou diz, não presta se ele é moçambicano como nós. Um mesmo produto é desprezível se for feito por um concidadão nosso, uma mesma ideia é errada se não vier de um estrangeiro. Este sentimento de desprezo nacional que nos foi imputado pelo colonialismo, não nos deixa quando chegamos aos meandros do poder, e por isso, as leis da Assembleia da República só podem ser aprovadas se forem propostas pela bancada maioritária, já que esta aprova sozinha o que ela própria apresenta. O que é apresentado por outros moçambicanos, não merece atenção nem respeito, e este é o motivo pelo qual a lei das autarquias foi chumbada. Esta intolerância chega ao ponto de nos levar a formar dois exércitos para se digladiarem entre eles, em lugar de um exército nacional, único e unido, para combater os inimigos da Pátria a qual, afinal, pertencemos todos. Civis inocentes estão refugi… não, não podemos dizer refug… temos que dizer desloc… também não, não é politicamente correcto. Eles estão emigrad… fugidos, afastados, não se sabe qual o termo correcto, pois se aceitar que estão refugiados, será necessário promover apoios, assumir responsabilidades, revelar verdades…. Enfim, aceitar uma verdade que incomoda. Menosprezada a vontade, por sinal até bastante justa, de colocar governantes locais e provinciais de acordo com os resultados eleitorais, se enfrenta agora a decisão dos vencedores dessas regi- ões para fazer valer os seus direitos a força. Os cidadãos desinformados, estonteados, querendo circular pela estrada, e soldados que o Governo diz não reconhecer, mas que existem, a disparar sobre suas viaturas. As capacidades e as valentias dos nossos governantes que tudo podem, tudo mandam, não precisam de reconhecer nem a realidade nem os direitos dos outros partidos políticos, ficam anuladas e as balas, essas vão matando desnecessariamente, porque o monopartidarismo teima em não se conformar com a vitória da Democracia. Vamos morrendo. Sofrendo. Vendo nossos bens destruídos pelas armas. Nossos negócios paralisados, nossas famílias enlutadas. Por que motivo os nossos governantes ficaram assim, com aquele amor ao Povo Moçambicano tão sufocado, espezinhado e renegado? Tornam-se traidores de si mesmo, tornaram-se auto-destruidores. São como aquele bicho que se come e se destrói a si próprio. Porque os nossos governantes apanharam esta psicose, nós agora temos que saber obedecer a dois governos. Quem viaja para as zonas onde A RENAMO vai colocar seus governos, deve obedecer as ordens das tropas da Perdiz que lá se encontram estacionadas. Quando mandam parar, obedecer para não ser baleado. São ordens de quem manda lá, ou pelo menos pretende fazê-lo. Lutar pelo poder fica para eles, como poderosos que são. Nós, o Povo, nós os cidadãos, temos mesmo é que obedecer. Parar, atender as solicita- ções, e continuar a marcha. Os militares querem dar instruções aos viajantes, revistar as viaturas que entram no espaço territorial cuja defesa e protecção tem a sua responsabilidade, assegurar a tranquilidade para todos os que lá vivem. Isto não é nenhuma amea- ça, mas somente uma informação. Quem desobedecer, mesmo que seja membro ou simpatizante da RENAMO, vai sentir as balas a baterem na sua viatura. Obediência, é a condição necessária para se transitar tranquilo a Norte do Save.

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