sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Eis Moçambique, quatro décadas depois de um crime a que chamaram “independência”.




Guerra, caos e miséria voltam a Moçambique

Destaque
Internacional15 Fev, 2016
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Emboscadas. Raptos. Fome. Aldeias devastadas a tiro. Casas e celeiros incendiados por forças governamentais. Gangs armados à solta nas cidades. Estradas e caminhos do Interior disputados na ponta das armas. E milhares de fugitivos procurando asilo nos países vizinhos. Eis Moçambique, quatro décadas depois de um crime a que chamaram “independência”.
Nós nem sonhamos o que está a acontecer em Moçambique, essa antiga pérola do Índico que em 1975 os portugueses deixaram à voracidade do comunismo, da cleptocracia e da violência mais primitiva. Quarenta e um anos depois, a antiga província ultramarina portuguesa está retalhada pela guerra e mergulhada na desorganização económica e no caos social que caracterizaram, até hoje, a administração da Frelimo.
E não sonhamos porque a Europa não quer saber: os seus jornais e os seus homens públicos recusam-se a reconhecer um erro histórico e escondem-nos a dimensão da catástrofe. A África descolonizada vive entre a riqueza obscena das cliques no poder e a miséria sórdida dos noventa e nove por cento de destituídos.
Quem conheceu Moçambique no tempo da administração portuguesa, quem testemunhou o seu crescimento, a sua pujança, a sua harmonia social, não pode hoje deixar de sentir uma profunda tristeza. E quem lá viveu e trabalhou, e lá deixou tudo o que tinha, tem razões de sobra para condenar um regime que tudo destruiu em nome de uma ideologia de ódio e miséria colectiva.
Melhor do que nós, milhares de refugiados moçambicanos nos países limítrofes falam por si sobre a situação na ex-colónia. Todos os dias saem de Moçambique colunas esfarrapadas de fugitivos, buscando refúgio no não menos miserável Zimbabué, na poderosa África do Sul, na Tanzânia, no Malawi. Neste último país, sobretudo: porque as suas fronteiras confinam com as províncias moçambicanas mais causticadas pela miséria, pelo caos, pela guerra.
Saem de noite, em grupos furtivos, para não serem detectados pelo exército. Pois é a tropa oficial, o braço armado do Governo, que os obriga a deixar as suas casas e as suas machambas, como revelou este Domingo, num despacho de rara coragem, o repórter Michel Santos, da Euronews: “Os soldados chegaram em veículos do governo para queimar casas e celeiros. Disseram que dávamos abrigo aos militantes da Renamo”, contou-lhe Omali Ibrahim, agricultor de 47 anos, um dos muitos refugiados que procuraram o Malawi para não serem trucidados.
As autoridades malawianas têm sido condescendentes: na verdade, o país não é rico e debate-se com os seus próprios problemas de subsistência. Mas não podem fechar os olhos ao estado depauperado em que chegam os moçambicanos, após terem percorrido a pé 70 quilómetros desde as suas terras de origem – Mazibaue, Ndande, Macolongwe, Kabango, Ndinde, Nagulo.
Não se sabe ao certo quantos moçambicanos se refugiaram além-fronteiras nos últimos meses. Em Kapise, nas montanhas 45 quilómetros a Sudeste da vila fronteiriça de Mwanza, está o maior de todos os campos de refugiados de Moçambique em solo do Malawi. Foram instalados em cabanas de pau-a-pique e em tendas brancas do ACNUR, o órgão das Nações Unidas que se ocupa dos refugiados (e que o português António Guterres chefiou até Dezembro). Mas o Governo de Lilongwe previne: não poderá receber muitos mais refugiados do país vizinho.
A maior vaga de fugitivos veio de Tete e de Sofala. Só em Kapise estão cerca de quatro mil. Escaparam à morte, à perseguição cruel. Mas enfrentam agora condições duras no campo de refugiados: escassa comida, mesmo alguns dias de privação, saneamento quase inexistente, água potável contada a gotas, o frio gelado da montanha.
Em Maputo, antiga Lourenço Marques, os governantes do ar condicionado têm relutância em admitir a palavra “refugiados”: nas suas fatiotas de dois mil dólares, com os seus relógios Rolex faiscando no pulso, preferem falar de “deslocados”, para não ofenderem a paz celestial em que vive Filipe Nyusi, o todo-poderoso Presidente do regime da Frelimo.
  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.
O Jornal português O Diabo, escreveu esta semana este artigo sobre Moçambique.

Para quem não conhece, O Diabo foi fundado em 1976 pela viperina Vera Lagoa, pseudónimo de Maria Armanda Falcão, como porta-estandarte da imprensa reaccionária do pós-25 de Abril. Durante a guerra entre o governo moçambicano e a Renamo, foi uma das vozes anti-Frelimo mais estridentes e parece que, apesar de Vera Lagoa já ter morrido, o actual director José Esteves Pinto não mudou muito o tom quando se trata de Moçambique - afinal este este é um jornal onde o estridente Alberto João Jardim é cronista.
Sim, Moçambique hoje tem problemas. Mas foi para este Moçambique cheio de problemas que milhares de refugiados portugueses vieram quando a crise económica do bem-governado e exemplar Portugal rebentou. Não só vieram, como ainda cá estão. E não são só pobres operários da construção civil. Banqueiros e bancários. Empresários e cantineiros. Professores, vendedores da banha da cobra e maledicentes profissionais. Tudo veio. E não só para Moçambique, como também para a igualmente horrível Angola.
Aliás, o Portugal de que Vera Lagoa tinha tanta saudade quando fundou O Diabo em 1976, o Portugal de Salazar e Caetano, nunca provocou êxodos de centenas de milhar de refugiados para todo o mundo, com a sua economia terceiro-mundista, a sua guerra colonial e a sua política fascista! Para os Estados Unidos, foram 500 mil refugiados, 1.5 milhões para França, etc., etc.
Em 2016, O Diabo ainda chora sobre o leite derramado da descolonização de 1974. Talvez Portugal não tivesse tido tantos refugiados pelo mundo fora, durante tantos séculos e e em tantos regimes políticos - monarquia, república, Estado Novo, democracia - se tivesse aceite a colonização francesa em 1807, ou a colonização espanhola em 1640, ou se tivesse permanecido o condado portucalense em 1140. Quanta miséria teriam poupado aos lusos e ao mundo!
É óbvio que os três parágrafos acima não reflectem o que eu penso. Seriam apenas o primeiro rascunho se eu tivesse que escever n'O Diabo um artigo sobre Portugal.
Orlando Maceda Vou me acalmar pra não ferir alguns meus amigos portugueses que mantemos boas relações de amizades. Mas sem ser o mais radical possivel, devia-se parar com a entrada em debandada desses "refugiados economicos" chamados portugueses. Agora estão a fugir de Angola porque esta num colapso financeiro.
Dirio Ramos Camarada Edmundo ,não confundir o povo português e o Portugal democrático com esse pasquim do diabo que ninguém lê,e que é inimigo da democracia.
Wa Pessoa Diabo com o seu jornal que também é Diabo mesmo.
Chen Castelo O Povo de Mocambique sabe quem criou a Renamo(Bandidos Armados de Moc. )foräo agentes de ex colonialista Portugues qui ate agora tentäo voltar com agresäo na sua ex colonia atravez deste Bandidos Armados da Renamo fundados pelo estes ex agentes qui eräo da PIDE-OPV- e etc. com ajuda dos governos Imperialistas e Facistas e Apartheid de Africa Sul ex Rhodesia de Sul e Malawi,qui criäo sabotagem enconomica e humana para fazer desacreditar a legitima forca de Libertacäo Nacional de Mocambique qui a Frelimo qui o Povo organizado e unido desde 1962 qui lutou pela Independencia de Moc. em 1975(e este Diabo vem atravez deste ex agentes do colonialistas na ajuda da propaganda da Renamo)contra seu propio povo e irmäos como vendedores da Patria em nome da democracia...
Raul Ribeiro Caro, sendo a Renamo um partido que nunca seria meu , a verdade não é essa.A verdade é que o sul de Moçambique nunca quis ser Moçambicano e nunca quis nada do norte nem a fruta , quando o FMI entrou em Moçambique foi para acabar com o maior produtor de caju do mundo, o dinheiro era da India , o maior processador de caju que a ultima coisa que queria é que Moçambique passasse de vender comodities para a venda do produto final (que sempre pagaram a peso de oiro na India e na Africa do sul ). Já o Diabo é um pasquim que não recomendo a leitura a ninguém muito menos publicidade grátis. Não há heróis mas muito menos vitimas .
Jose Morais Tens razão doa a kem doer. É verdade k muitos nunca aceitaram bem a independência ! Também hoje temos muitos portugueses a sair para variados países ! Mas esse jornal o Diabo para mim nem para limpar o cu! Eu compreendo a mensagem ! Abraços Ed!
GostoResponder312 h
Emeka Sekou O ARTIGO MAIS DESINFORMATIVO QUE JÁ VI SOBRE MOÇAMBIQUE ... OS SEM CASAS QUE ANDAM A DIAMBULAR PELAS RUAS DE LISBOA, OS SEM CASAS QUE DORMEM NAS ESTAÇÕES DE METROPOLITANOS EM NOVA YORK, A RESSESSÃO ECONÓMICA DE PORTUGAL QUE VIVEU POR TER GASTO MAIS DOQUE PRODUZIA, A EMINENTE RESSÃO ECONÓMICA DA ÁFRICA DO SUL ... MUITOS EXEMPLOS UM POUCO POR TODO O MUNDO DE COISAS QUE NÃO ANDAM BEM, COMO UMA PESSOA PODE ESCREVER UM ARTIGO DEFENDENDO UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE "COLONIALISMO". ACHAVA NORMAL O FACTO DOS DONOS DA TERRA VIVEREM OPRIMIDOS?
Paulo Vilanculos o guia, pai icone da primeira república, marchal Samora Machel disse o diario diabo é uma mina retardada do colono Português. Assim sendo, está explodido hoje contra a nossa jovem naçâo. No entanto, é preciso muita preseverança de todos nôs.
Naftal Mafanela Cumbana Alguém ganha por isso. Porque se nao fosse um ganho-ganho, ha muito tempo teria parado duma vez para sempre. Sempre tenho dito. Lamento porque tenho falado ao indivíduo de memória de curto prazo.
Estevao Pangueia Meu caro, Edmundo Galiza Matos, o jornal Diabo, quanto a mim está livre de manifestar a sua opinião, cabe a cada um fazer a sua interpretação. Mas há um demérito na sua publicação, confundir o que um grupo de pessoas faz, com aquilo que o povo em geral é, acho que cada cidadão está livre de estar onde quiser desde que cumpra com as obrigações legais desse mesmo país.
Chen Castelo Ainda se lembräo do Jorge Jardim e seus agentes qui fojiräo para Malawi em 1974(qui foi um deles fundador da Renamo)a resposta concreta e verdadeira so pode dar a propia Renamo porque sabem quem foi o tal Jorge Jardim qui financiou e financia ainda estes Bandidos Armados e vejäo na historia de Mocambique e ex Facistas Colonialistas Portugueses qui ate agora estäo ao lado da Renamo e querem voltar em Moc. com a violencia e mais o Povo conhece eles e näo vai esquecer o qui passou e esta passar agora(e estes bandidos sabotadores seräo vencidos como foi vencido o seu paträo o Colono Facistas)
Luis Jorge Pott Fraga Nao percebi nada  em todo o caso, aposto que quem vai sofrer e o povo Mocambicano, enquanto os srs, da guerra, esgrimem argumentos, e ganhe quem ganhar, todos vao perder... O que e uma pena....quanto ao diabo, haja um santo que o carregue  ou uma virgem imaculada que o padessa.
Blues Boy King O Pais chamado Moçambique 'e e sera'a sempre muito bem visível por fora porque aqui por dentro as informações andam pintadas. Por exemplo, mais de 5000 concidadãos no Malawi não deslocaram por falta de alimentos e fome, mas por causa da Guerra. Apenas um ponto de tantos que seriam suficientes para costurar as complexas teias de um Jornal Noticias. Portanto, o "Diabo" disse e não boldou como alguém fez.


O DIABO(Lisboa) – 16.02.2016

Government forces in Mozambique accused of atrocities

2 hours ago
More than 6,000 people have fled Mozambique to neighbouring Malawi after being caught up in fighting in the north of the country.
Government forces are accused of targeting villages loyal to the opposition, who have threatened to seize key areas after the 2014 elections which they claim were flawed.
Karen Allen reports from Malawi.

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