Eu contrariei-me: alguém convenceu-me a participar no "Primeiro Fórum MOZEFO 2015". Fui e participei.
Não sei qual era o objectivo real da pessoa que me conveceu a participar nesta "conferência" que de "conferência" ou "fórum" não teve nada, tal como eu já tinha previsto. Mas a verdade é que participei no "fórum" e aqui vai a minha primeira e triste conclusão:
MOZEFO = Sessões de entrevistas televisionadas, conduzidas por jornalistas do Grupo SOICO à elite política de ontem e hoje elite empresarial de Moçambique, com uma plateia;
ou
MOZEFO = "Filme" de entrevistas televisivas visto em directo, em que os entrevistados são dirigentes políticos de ontem e hoje são empresários e os entrevistadores são os jornalistas do Grupo SOICO!
Isto não é crítica. É uma constatação!
Fica, pois, claro que os objectivos do MOZEFO não são aqueles que foram tronados públicos.
Com efeito, tudo foi feito para que os "painelistas", seleccionados segundo um critério que não foi tornado público—e alguns dos quais confessaram ter sido relutantes a aceitar o convite, mas que acabaram se sentindo persuadidos a aceitar—dizia, tudo foi feito para que os painelistas não tivessem que responder perguntas vindas da plateia, e para evitar que a plateia dissesse o que pensava sobre os temas seleccionados para "debate".
Portanto, MOZEFO não é tal que coisa que se diz ser: "Forum Económico e Social de Moçambique". Não é nada disto! Pode vir a ser, mas por ora não é nada disso! A iniciativa MOZEFO seria genial e louvável, se perseguisse os objectivos tronados públicos. Infelizmente, as "conferências" do MOZEFO ainda não configuram espaço para um debate real, franco e profundo de ideias entre o sector empresarial, o governo e a sociedade moçambicanos. Longe disso! MOZEFO é, de facto, como disse o Egidio Vaz, secundado por Carlos Nuno Castel-Branco, uma passarela da elite empresarial actual—que no passado foi a elite política—de Moçambique, que o Grupo SOICO parece se ter oferecido a exibir as suas caras para não ficarem esquecidas, ou para dizerem à elite política actual que eles não estão politicamente aposentados. O que se viu foi a "elite" de jornalistas do Grupo SOICO em conversar com a elite empresarial (ex-elite política) de Moçambique. Pelo menos esta é a impressão que o "Primeiro Fórum MOZEFO 2015" e as "conferências MOZEFO" que precederam este dito "Primeiro Fórum MOZEFO 2015" deixaram ficar.
Enfim, pode dizer-se que o público participante do "Primeiro Fórum MOZEFO 2015" foi defraudado, porque só pagou para fazer plateia ou como expectador. Ou seja, os participantes pagaram um bilhete de cinema para ver um "filme a ser feito" e não para participar nos debates. Os jornalistas do Grupo SOICO conduziram exclusivamente as entrevistas aos seus convidados e não permitiram que os participantes participassem.
(Ainda tenho mais a dizer sobre MOZEFO...!)
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Ps: Peço desculpas aos que julgarem que me portei "indevidamente" em reacção à fraude que foi o "Primeiro Fórum MOZEFO 2015"! Só há evolução onde há crítica construtiva. Quero o MOZEFO como me foi dito que é: "Forum Económico e Social de Moçambique"!
MOZEFO
Cai hoje o pano do grande Forum MOZEFO. Para trás, ficam as especulações, as expectativas e os anseios. Quais são as prováveis ilações que se podem tirar deste evento, que os organizadores apelidam de GRANDE? As ilações são tantas, dependendo do ponto de vista. Esta reflexão partirá da pergunta se a PROMESSA DO MOZEFO foi cumprida ou não. Mais especificamente, o que o MOZEFO prometia?
O GRANDE GATO
A máquina publicitária do MOZEFO prometera discutir as opções para o desenvolvimento do país. Na verdade, o cardápio não podia ser melhor. Desde a agricultura à mulher na economia, este MOZEFO discutiu tudo. Mas ai está, discutiu as soluções? Discutiu os problemas? Ou discutiu as questões?
Os filósofos do MOZEFO partiram de um princípio muito errado, mas comum entre a classe dos dirigentes deste país: o princípio de que já conhecemos os problemas, agora vamos contribuir com as soluções.
Mas será que conhecemos mesmo os problemas? Se os conhecemos, conhecemo-los bem ou mal? Sobre as soluções, que soluções para que problemas? É possível uma discussão sobre soluções sem que esta seja ancorada num corpus de conhecimento científico? Basta a discussão das experiências dos antigos governantes e gestores da actualidade para assumirmos que estamos perante pessoas com capacidade de produzir opções alternativas?
Enfim, na minha opinião, para a maioria dos incautos que não chegaram de perceber a natureza do MOZEFO, o evento foi um verdadeiro GATO que o vendedor fez passa-lo por uma LEBRE bem nutrida. Desde o princípio falacioso de “debater soluções” à repetição de lugares-comuns em relação aos problemas económicos, o MOZEFO é e sempre será uma feira de debates e exposição de marcas onde se discutem temas de interesse social, político e económico. Esta é a melhor e a mais justa definição do MOZEFO. O Fórum Economico Mundial existe desde 1971. E o Forum Social Mundial existe desde 2001. O que estes dois conseguem a cada ano é FORMAR OPINIÃO e NARATIVAS sobre o Mundo Actual. O mundo molda-se na prática, nas relações entre os estados e entre estes com outros entes do sistema internacional.
DE QUEM É O MOZEFO? O DESAFIO DA ATRIBUIÇÃO
Ontem perguntei se para além dos órgãos de informação do grupo SOICO algum outro teria noticiado o evento. As respostas indicaram que sim, em menor grau: a RTP, Rádio Moçambique, Notícias e hoje Savana, destacaram informações recolhidas no local. Na verdade, não comunicaram o MOZEFO.
Mas o mais curioso do post de ontem foi notar percepções diversas sobre a paternidade do MOZEFO. A esmagadora maioria acha que o MOZEFO é obra do Grupo SOICO e seus parceiros. Nesta ordem de ideias, não faltaram “parabéns ao Daniel David, PCA do Grupo” e cognomes elogiosos como “máquina de fazer dinheiro” “génio de fazer dinheiro” e por isso mesmo, merecedor do apreço.
Mas o Daniel David não pensa assim, muito menos a dita Comissão de Honra onde constam Joaquim Chissano ou Graça Machel. O princípio ético de Daniel David é, na minha opinião, “fazer o bem fazendo dinheiro também”, ou seja, fazer do MOZEFO um espaço de referência nacional e internacional para a reflexão dos desafios de Moçambique e do Mundo (o bem). Se neste processo ganhar algo, o dinheiro está bem-vindo.
A Comissão de Honra por sua vez tem uma perspectiva um pouco mais alargada que a do Sr. Daniel David, mas não contrária. Tornar o MOZEFO um património dos Moçambicanos, um espaço de referência onde todos podem beneficiar. Ou seja, colocar o MOZEFO no roteiro das conferências mundiais, à semelhança dos INDABAS sul-africanos ou algo parecido.
Em comunicação, existe um conceito que vem da área da psicologia social, chamada ATRIBUIÇÃO: atribuição é uma teoria que disserta sobre as maneiras pelas quais as pessoas explicam (ou atribuem) o comportamento de outros ou delas mesmas, com fatores externos. O conceito explora como indivíduos "atribuem" causas para eventos e como essa percepção cognitiva afecta a utilidade dos indivíduos numa organização.
Concluindo, cada um dos actores e cada um de nós reagiu de forma proporcional à forma como entendeu o que o MOZEFO fosse. Os órgãos de informação que entenderam que o MOZEFO era uma forma de o Sr. Daniel David ganhar dinheiro, agiram nos moldes de concorrência. As pessoas que entenderam que o MOZEFO era ou pretende ser um contributo de Daniel David para os moçambicanos e Moçambique também agiram da forma correspondente. E a Comissão de Honra que entende que esta é uma forma de colocar Moçambique no roteiro de conferências globais, deram todo seu inestimável apoio. MAS O PROBLEMA COMUNICACIONAL continuará a dividir opiniões e daí prejudicar o projecto. Assim, pouco vale acusar a imprensa de não ter dado devida cobertura. É que eles entenderam que o MOZEFO fosse negócio do Grupo SOICO e como tal, deve ser tratado como negócio. Também não vale a pena acharmos mal os que apoiam incondicionalmente o projecto porque este é o seu entendimento. O QUE FICA POR ESCLARECER porém é COMO OS ORGANIZADORES GOSTARIAM QUE OS VÁRIOS PÚBLICOS ENTENDESSEM O PROJECTO. Aqui SIM, há espaço para melhorar e tal empreendimento afigura-se urgente.
O meu palpite é que O MOZEFO continuará a ser visto como algo particular, privado e que persegue fins meramente comerciais, se não conseguir dissociar-se do seu pequeno mundo SOICOnista. Para merecer uma identidade nacional, o MOZEFO precisa de apelar ao envolvimento de todos, de toda imprensa, de todos sectores políticos e económicos e livrar-se de pequenos interesses egocêntricos e chauvinistas. ESTE É O FUTURO QUE AINDA NÃO COMEÇOU.
SOCIALIZAR O MOZEFO
A terceira ilação tem que ver com a necessidade de socializar o MOZEFO, emprestando-a uma dimensão humana mais forte, para reflectir a diversidade de Moçambique que somos, tanto em ideias como no debate destas mesmas ideias.
Comecemos pelas ideias: fiquei com a sensação de que estava a sonhar enquanto ouvia os excertos dos vários palestrantes. É que eu teria ouvido aquilo num outro lugar, num outro ambiente e, provavelmente com os mesmos actores. Para alguém que está 20 anos no mercado e há 27 anos a ler jornais, escutar noticiário e ver televisão, os actores e interlocutores são tão familiares que nada de novo nos trazem, a não ser a repetição dos lugares comuns e dos seus vícios de análise.
Em segundo lugar, a definição dos temas deve reflectir alguma pesquisa de base. Temas vagos como “activar a cidadania” ou “financiamento a economia” dão margem para se dizer tudo e nada. Aliás, estes temas são reveladores de que ainda há muita coisa por descobrir, que os problemas não são tão bem conhecidos como se quer apregoar, caso contrário, teríamos temas mais focados, mais claros.
Em terceiro lugar, reflectir sobre a audiência: o MOZEFO mostrou que há muito pouca gente disposta em participar em conferências. E se estes são poucos, muito poucos ainda são aqueles que podem pagar. Se por um lado o MOZEFO poderá contribuir para a subversão do Status Quo por outro, há poucas probabilidades de o dinheiro vir a ser barato nos próximos dias. Enquanto o ingresso continuar a reflectir-se caro, o MOZEFO continuará a ser conotado como elitista e exclusivista. Por outro lado, socializar o MOZEFO, consistirá em trabalhar também com as instituições públicas e privadas para opções de cofinanciamento ou patrocínio de forma a viabilizar a participação daqueles que, de outra forma, não serão capazes de pagar pelos seus próprios meios.
Ao mesmo que deixo estas linhas, aproveito o ensejo para felicitar a organização pela façanha. Grandes ideias precisam começar de algum lado. E o MOZEFO começou. Fazê-lo crescer exigirá ainda mais inteligência, cooperação e engajamento de todos.
Comments
Titos Chiulele Parabens
Mapul Carlos Uma vez uma fraude, sempre uma fraude. Parabéns
João Carlos Não tenhas receio da tua opinião JJ
Juma Aiuba Yiii...!
Rafik Abdala Impressionante como no Mozefo encontram soluções para Maputo e arredores
Xim Ximbi Ximbitane Fraude? Não! São as expectativas que as pessoas criaram que cairam em saco roto! Eles, atingiram os objectivos que queriam: dinheiro, holofotes, ...
Ernesto Nhaule Chega!!!! Mata bicho-Mozefo; pequeno almoço -Mozefo; lanche-Mozefo; almoço-Mozefo; ...Mozefo...jantar-Mozefo xiiii, parece que Stv já não tinha nada a noticiar...
Egidio Vaz kkkk
Elvino Dias Pela primeira vez concordo consigo meu irmão Julião Cumbane. Fraude de verdade































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