sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Os campos de reeducação tinham um objectivo nobre

Símbolos de terror e motivo de calafrios para muitas pessoas, os campos de reeducação que a Frelimo criou após a independência tinham um propósito nobre, a “reeducação e dignificação”, considera o antigo Presidente moçambicano Joaquim Chissano. Chissano recuou no tempo para tocar num tema altamente fracturante na sociedade moçambicana, durante uma palestra sobre os 40 anos da independência nacional, promovida, na segunda-feira, pelo Instituto Superior de Transportes e Comunicações (ISUTC). “Acusaram-nos de criar uma Sibéria em Moçambique, mas aquilo não eram deportações, aqueles indivíduos estavam a ser reeducados”, declarou Chissano, distanciando os campos de reeducação fundados pelo partido no poder em Moçambique com os “gulags”, o sistema de campos de trabalhos forçados para criminosos, presos políticos e qualquer cidadão, em geral, que se opusesse ao regime da União Soviética, criados na inóspita Sibéria. No Niassa, para onde foi deslocada a maioria dos desterrados, prosseguiu o ex-chefe de Estado moçambicano, há pessoas que agradecem o facto de terem sido enviadas para os campos de reeducação. “Numa visita a Unango, quando eu ainda era Presidente, apareceu uma pessoa a pedir para ajudar os irmãos improdutivos, porque ele aprendeu a ser útil num campo de reeducação”, frisou Joaquim Chissano. Chissano guarda na retira a reabilitação de um preso condenado por matar a mulher com um machado e que, uma vez “reeducado”, assumiu a chefia de um empreendimento agrário em Unango. “No Malawi, essa pessoa teria sido enforcada”, declarou o ex-chefe de Estado, sugerindo a alegada brandura do sistema dos campos de concentração. A Frelimo não é belicista A criação de condições de trabalho para os moçambicanos, assinalou o antigo chefe de Estado moçambicano, era parte do PPI (Plano Prospectivo Indicativo), desenhado como bússola para o combate aos principais desafios sociais e económicos que o país enfrentava. “Mas depois veio a guerra de desestabilização, no início, começou no centro, mas depois foi levada para o norte e para o sul. (…) Não tivemos uma guerra civil, foi uma guerra de desestabilização”, enfatizou Joaquim Chissano, tomando partido da discussão teórica sobre a natureza que a guerra dos 16 anos teve em Moçambique. Para Joaquim Chissano, a Frelimo não era um movimento belicista, tendo enveredado pela guerra devido à intransigência do regime colonial português em aceitar os anseios da população moçambicana. “Quando pensávamos no organograma da Frelimo, o presidente Eduardo Mondlane preferiu adoptar, por exemplo, a designação de departamento de defesa e segurança, porque entendeu que não atacá- vamos ninguém, estávamos apenas a defender-nos de uma agressão estrangeira”, anotou o antigo chefe de Estado moçambicano. Nacionalizar foi importante para corrigir injustiças Sobre outra matéria controvertida em Moçambique, as nacionalizações, Chissano defendeu que a estatização dos factores de produção e dos serviços essenciais básicos pela Frelimo visava corrigir as profundas injustiças herdadas de séculos de dominação colonial. “A nacionalização da terra era importante, porque era a forma de valorizar os recursos naturais e a nacionalização da educação e da saúde era para eliminar a discriminação”, frisou Chissano. Fruto das nacionalizações, continuou Chissano, Moçambique registou avanços “fenomenais” na saúde, educação e agricultura e foi considerado um exemplo em África. “Na educação, conseguimos em apenas cinco anos de independência, o que o sistema colonial não conseguiu em décadas”, enfatizou o Presidente moçambicano, que foi primeiro-ministro no Governo de transição para a independência e ministro dos Negócios Estrangeiros no primeiro executivo pôs-independência. Sobre as políticas de liberalização que Moçambique seguiu a partir de meados da década de 1980, Joaquim Chissano advoga que não se trata de “arrependimento”, mas de uma abertura imposta pela conjuntura. “Não podíamos ter escolas ou universidades privadas porque não havia quem tivesse poder para pagar, mas agora há esse poder aquisitivo”, salientou Chissano. Apesar da “guerra de desestabilização”, a Frelimo nunca descurou a necessidade de desenvolvimento do país, prosseguindo com políticas viradas à melhoria das condições de vida das populações. Sobre o monopartidarismo que a Frelimo instaurou após a independência, Joaquim Chissano desdramatizou a qualificação de estado de partido único, considerando que esse sistema não foi imposto, mas resultou das circunstâncias políticas vigentes. “Não foi necessário decretar o monopartidarismo, porque havia um consenso popular em relação ao papel de vanguarda da Frelimo. A bandeira da Frelimo cobria todos os moçambicanos e eu próprio não precisava de guarda-costas para abrir alas, a bandeira da Frelimo abria alas”, frisou Chissano. Para Joaquim Chissano, é um paradoxo que se justifique a guerra no país com a luta contra o comunismo, pois, entende o ex-chefe de Estado, “a agressão começou alguns meses após a independência”. “Como é que podiam lutar contra o comunismo, se a guerra começou alguns meses após a proclamação da independência e antes de a Frelimo assumir qualquer doutrina?”, questionou, com retórica, Chissano. Carvão e gás não vão fazer milagres O ex-chefe de Estado considerou que grandes reservas de recursos naturais de que o país dispõe não devem distrair Moçambique da aposta na agricultura, defendendo que esta área continua a ser a base para o desenvolvimento do país. “Apesar do gás e do carvão, estou muito satisfeito, porque a agricultura continua a ser considerada como a base para o desenvolvimento do país”, afirmou o ex-chefe de Estado. Na sua opinião, a indústria deve estar ao serviço da agricultura, tendo em conta o enorme potencial de que este domínio dispõe e o facto de ocupar a maioria da população do país. “Hoje, temos de estar na fase da industrialização, mas como factor dinamizador da agricultura, a começar com a agro-indústria”, defendeu Joaquim Chissano. Nessa perspectiva, continuou Chissano, é necessário que as instituições de ensino, técnicos e os camponeses construam sinergias que possam capitalizar o grande potencial existente na agricultura. 
O hitler da frelimo congratula se por terem assassinado milhares e milhares de Moçambicanos

Comments
Allan Schwarz You have got to be kidding!Ver tradução
110 h
José de Matos Ai sim ? E emtao porque causou tanto luto e dor ? Chissano quer branquear a Historia!
510 h
El Patriota Auschwitz-Birkenau, Bardufoss, Belzec, Westerbork, Varsovia, Chelmno, Treblinka tambem tinham esses objectivos, segundo os seus autores.
510 h
Lucia Ngovene Ntlha esses so falam por falar
110 h
Isabel Martinez There is never anything noble in messing around with people's minds, thoughts, beliefs, ideology, religion, or freedom of being and movement. The moment government intrudes on any of those issues, they have lost all legitimacy and ultimately not only the battle but the whole war.Ver tradução
210 h
Ismael Luis Francisco O vóvo Farao, Sátanas, Gatunos etc.
210 h
Idalino Uache Objectivo nobre kual?
29 h
Zeca Manessa Certamente que teremos que enviá-lo para lá àfim de sentir a tal nobreza
59 h
Ana Maria Brandão Meu Deus que horror.
29 h
Joao Tivane Muito triste termos dirigentes com esse tipo de atetudes
28 h
Joao Victoria Picardo Poxa...o meu pensamento sobre este Senhor caiu por terra...Meu Deus...
28 h
Willy Benny Que nobreza! Levar vidas inocentes as matas de Niassa para serem devoradas pelos felinos? Perdeu a oportunidade de ficar calado o dito grande diplomata, Moçambicano .
27 h
Eduardo Mazive Este a mim não me engana!
17 h
Victorino Dos Santos Sera que as pessoas perderam os valores humanos, aqui foram assassinados Mocambicanos/as, que o unico mal que fizeram foi descordar da politica seguida pelo entao regime, ou entao acusadas de crimes sem fundamento, por uma "elite" que emergiu do nada, e nao estava preparada para os desafios.
25 h
Muchuquetane Guenjere Declaracoes infelizes, perdeu a oportunidade de ficar calado. Nao se justifica tamanha barbariedade cometida nos campos de reeducacao. Sera que alguem pode dizer os campos de concentracao Nazis tinham um Objectivo?
25 h
Jofre Mevassi Este devia era ter vergonha com tamanhas barbaridades que foram esses campos de reeducação.
35 h
Euclides Da Flora declarações infelizes para agradar o umbigo partidário.....
45 h
Domingos Gundana Lamentaveis
24 h
Zé Rodrigues Tristeza este povo é bom de mais.
44 h
Gloria Soares de Matos Esta até parece a anedota do ano!!! Porque não mandou para lá a sua família? Este jamais me covenceu, cínico e um lobo disfarcado de cordeiro. Ele e outros devem um pedido de desculpas à nação pelo abuso dos direitos humanos e opressão a que sujeitaram o povo. Porque jamais houve uma Comissão de Reconciliação e Verdade?
23 hEditado
Victor Quaresma Este nunca me enganou
13 h
Fernando Sousa Filho Da puta eu estive 2 anos num. Campo de reeducação. Inhassuno. Chissano Bastardo assasino. Se samora. E guebuza outro.
José Marques O homem do primeiro tiro, está ( mafuta manning ) O poder tem os seus efeitos, enchem a pança e o povo que se lixe.
Jose Ngokha O que podemos esperar de um homem que durante décadas escondeu a verdade sobre o lugar da morte do seu chefe? É uma pergunta. As respostas e as conclusões são de cada um.
1 h

Por Argunaldo Nhampossa 

Crédito do FMI não está sujeito a condicionalismos - Tranquiliza Adriano Maleiane 
O ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, tranquilizou aos moçambicanos que o crédito de USD283 milhões solicitado ao Fundo Monetário Internacional (FMI) não está sujeito a condicionalismos de reestruturação económica tal como se verifica em alguns países europeus que acedem aos fundos desta instituição. O ministro da Economia e Finanças esclarece que, desde 2013, Moçambique aderiu a um programa de apoio do FMI denominado PSI, que visa alinhar a taxa de câmbio quando esta estiver acima das previsões e evitar desgaste das reservas. Segundo Maleiane, dentro das reservas, o país tem uma para socorrer-se dos choques externos e outra para manter o serviço da dívida e neste momento é preciso apoiar as reservas para os choques uma vez que é temporá- ria. Actualmente os níveis de depreciação do metical face ao dólar americano ronda os 43%, facto que já se está a fazer sentir no agravamento do custo de vida, numa altura em que entramos para a quadra festiva onde por natureza a subida de preços é inevitável. Assim, Maleiane, que falava esta segunda-feira no balanço da reunião nacional do SISTAFE, avançou que isto quer dizer que o nosso país não está nos programas rígidos de apoio estrutural do FMI, onde depois se colocam condicionalismos de reestrutura- ção da economia. Dívida pressiona câmbio Depois de louvar a forma como o país está a gerir o orçamento, alegando que as receitas correntes cobrem as despesas correntes e ainda sobra cerca de 40 biliões de meticais para o pagamento de serviço da dívida de modo a financiar uma parte do orçamento investimento, o ministro reconheceu que o serviço da dívida do país está a gerar implicações na taxa de câmbio. Numa altura em que o Banco Central anunciou medidas para conter a depreciação do metical devido à subida de importações e o mau uso dos cartões de crédito e débito, Maleiane apontou que o serviço da dívida do país influencia na taxa de câmbio. Maleiane disse que esta foi a resposta que deu aos deputados da 3ª e 4ª comissão (Plano e Orçamento e da Administração Pública e Poder Local, respectivamente) da Assembleia da República, após a apresentação do Orçamento de Estado para 2016, tendo estes lhe questionado a sua percepção em torno das causas da flutuação do câmbio. “A taxa de câmbio tem muito a ver com o serviço da dívida e com as transferências monetárias que fazemos, incluindo para as embaixadas”, disse. E devido à flutuação do câmbio, o executivo deverá buscar dinheiro noutros sectores, mas sem prejudicar os sectores da educação e saúde para acomodar as despesas causadas pela depreciação do metical. 

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