sábado, 11 de fevereiro de 2017

Celular indica que suspeito de matar família brasileira na Espanha estava no local do crime

Patrick Nogueira, sobrinho de uma das vítimas e único acusado, será julgado no Brasil

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Agentes fazem buscas no chalé de Pioz (Espanha). EFE
O juiz do Tribunal de Instrução número 1 de Guadalajara (Espanha) suspendeu nesta sexta-feira o sigilo que vigorava sobre a investigação do assassinato de uma família brasileira na localidade de Pioz, cujos integrantes foram achados pela Guarda Civil em 18 de setembro com os corpos degolados e guardados em sacos plásticos dentro de um chalé. A Justiça brasileira solicitou, via carta rogatória, todas as providências cabíveis sobre o caso do quádruplo homicídio, para iniciar o processo penal contra o principal suspeito, Patrick Nogueira, sobrinho de uma das vítimas. Nogueira está desde 22 de setembro no Brasil, onde deverá ser julgado. Somente as partes citadas nos procedimentos judiciais poderão ter acesso ao processo, segundo o último auto do juiz.
O suposto assassino antecipou sua volta ao Brasil e embarcou um dia depois da descoberta dos cadáveres de seu tio Marcos Campos Nogueira, da mulher dele, Janaina Santos Américo, e dos dois filhos pequenos do casal, de quatro e um ano. Interrogado por policiais em João Pessoa (PB), na presença de um advogado contratado dias antes por sua própria família, Patrick Nogueira afirmou que fugiu da Espanha “por medo de ser o próximo” e justificou a presença de seus rastros na cena do crime pelo fato de que durante um tempo conviveu com seus tios e primos.

Delatado pelo celular

Entretanto, um detalhe adicional, uma das chamadas “provas indubitáveis” que levaram os agentes da Guarda Civil a dar o caso por encerrado, apesar de não terem detido o suspeito, aponta para a sua presença nesse chalé dos arredores de Pioz no suposto dia do crime, 17 de agosto, quando Marcos faltou sem avisar ao seu trabalho num restaurante de Alcalá do Henares. José Julián Gregorio, representante do Governo espanhol na região de Castela-La Mancha, onde fica Pioz, confirmou nesta sexta-feira que os dados de geolocalização associados ao celular de Patrick Nogueira apontam para sua presença na casa, onde teria passado grande parte da noite limpando e apagando rastros, para depois tomar um ônibus com destino a Guadalajara.
Os investigadores apontaram inicialmente a participação de “pistoleiros profissionais”, dadas as características “metódicas” e sanguinárias do crime. Entretanto, a descoberta de um quinto parente que não havia dado sinais de vida, e que tampouco havia denunciado o desaparecimento de seus parentes, e que além do mais havia fugido para o Brasil assim que os cadáveres foram descobertos, fez de Patrick Nogueira o principal suspeito e até agora único suposto autor do quádruplo homicídio.

Conflito com a Justiça brasileira

A Justiça espanhola está em conflito com a brasileira neste caso, já que a Constituição do Brasil proíbe a extradição de cidadãos seus para o exterior. Em vez disso, prevê a remessa, via carta rogatória, de todas as diligências policiais e judiciais feitas na Espanha, para o início de um processo penal no Brasil. Essa solicitação das autoridades brasileiras deverá ser cumprida nos próximos dias.
Os quatro cadáveres da família Nogueira permanecem em Madri à espera de que Walfran Campos Nogueira, irmão de Marcos, possa repatriá-los. Sem receber muita ajuda do Itamaraty ou do consulado brasileiro em Madri, ele abriu uma conta bancária na Espanha (ES76 0081 0144 6200 0203 9405, BIC: BSaBEssb), contatou com associações de brasileiros emigrados e iniciou um financiamento coletivo na internet para tenta arrecadar o valor estimado para o transporte dos corpos, de aproximadamente 25.000 euros (88.000 reais).

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