O nosso erro é não sabermos esboçar estratégia de longo tempo. Somos muito imediatistas (1)
Esta minha reflexão pode albergar muitos temas e eu querendo posso usar o mesmo títuto para diferentes assuntos. É por isso que começo por 1.
Neste texto é para falar de COFRES VAZIOS – cofres municipais, cofres do Estado Moçambicano.
Após a vitória do candidato do MDM, Manuel de Manuel Araujo nas eleições intercalares de Quelimane em 2011, ficámos a saber que os cofres daquele município estavam vazios. Para muitos, esse anúncio não era uma surpresa, pois apesar de não se dizer em público, sabia-se que a decisão da Comissão Política da Frelimo em exigir a demissão dos edis de Quelimane, Cuamba e Pemba tinha como razão à má gestão. E isto devia pesar mais para sustentar a tal exigência por mais que outros motivos existissem. Também já antes haviamos acompanhado os movimentos tanto do Ministério de Administração estatal como o das Finanças para uma auditoria. Infelizmente e pelo que sei, os resultados da auditoria nunca foram anunciados. Contudo, o grande problema foi de alguns terem perdido o sentido de cidadania e patriotismo, confundindo-se com os delapidadores dos bens municipais. Houve gente que chamaram ao Araújo de quem tentava justificar a sua incompetência de governar Quelimane ou até de busca às bruxas ao invés de exigirem a devolução dos bens e dinheiro do município de Quelimane nas mãos alheias.
Em 2014 o candidato do MDM Mahamudo Amurane venceu nas eleições autárquicas com um projecto muito ambicioso (sentido positivo) para a Cidade de Nampula. Quando tomou posse e lhe foi entregue o que era do Munícipio de Nampula, Amurane informou aos munícipes o estados dos seus cofres – vazios. Mais uma vez, alguns e incluindo munícipes de Nampula não se congratularam pelo usufruo do direito à informação e a partir daí exigir que a justiça agisse contra o desvio do que era do bem comum. Correram aos nomes invulgares e de certo modo feios ao Amurane.
Fica difícil interpretar o que para alguns moçambicanos e que não são poucos se acha que é correcto ou não. Parece que muitos desses se contentaram e se contentam dos mais de 50 edis que não disseram nada sobre o estado dos cofres dos municípios, depois da tomada de posse em 2015. Para esses moçambicanos isso é PATROTISMO.
Em verdadeiro estado de direito, em verdadeiras democracias, os casos de Quelimane e Nampula e mesmo da Beira desde 2003, se teriam considerado o espelho do que acontece em muitos municípios, muitos distritos do país. A partir daí, nos ocupariamos a reflectir sobre o futuro do país.
Pelas eleições presidenciais de 2014, Filipe Nyusi é proclamado Presidente da República de Moçambique que é empossado a 15 de Janeiro de 2015. Poucos meses depois começámos ouvir e ler que Nyusi encontrou vazios os cofres do Estado. O que parecia fofoca, começou aparecer em órgãos de imprensa muito sérios, como é o caso da Africa Confidence. Também ficamos a saber dos custos de EMATUM, Circular de Maputo, da Ponte Katembe-Maputo, alguns dos projectos questionados antes por aqueles que são chamados de “Apostolos da da graça”. Nyusi não diz nada ao seu patrão que é o povo como ele mesmo disse quando tomou posse. Mas ainda é questionável se são só estes projectos que se esvaziaram os cofres do Estado. Como podemos saber se a Procuradoria Geral da República ou o Tribunal Administrativo não investigam?
A única explicação que encontro pelo silêncio destas instituições (PGR e TA) é a falta da verdadeira independência ao Poder Executivo. E, o erro é nosso, NÓS TODOS, porque antes de darmos prioridade a isso que é chave, damos prioridade aos assuntos periféricos. Tenho em mim que até aqui a Assembleia da República não se dedicou a nenhum assunto prioritário, mas em assuntos secundários ou mesmo imadiatisaSomos focusados ao imediatismo e não projectamos o país que queremos daqui há cinco, dez ou vinte anos.
Manuel de Araújo Paulo Araujo, Lutero Simango Daviz Simango Ivone Soares Ivone Soares Eusébio A. P. Gwembe Adelino Ivala, Jemusse Abel,Francisco Wache Wache, Benedito Macaua Saibo Alberto Leslie Latifo

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