domingo, 6 de dezembro de 2015

Óculos graduados vendidos sem receita médica

Parece não constituir novidade para ninguém: Óculos graduados estão a ser comercializados em pequenas bancas montadas em passeios na cidade de Maputo, sem observância de receita médica. O negócio parece ter aceitação por parte de quem pretende ‘melhorar’ a visão a baixo custo.
 Porém essas vendas informais põem em risco a saúde do olho.  domingo foi à rua, lá conversou com alguns comerciantes daqueles acessórios.
Fazendo-se passar por pacientes necessitando de óculos graduados para melhorar a visão, a nossa reportagem encontrou o que queria. Num primeiro contacto com o comerciante da rua, foi acolhido com a seguinte questão: “Qual é a sua graduação? Temos aqui óculos de diferentes graus. Pode tirar! Custam, só, 200 meticais”. Detalhe, não nos foi exigida a receita médica. O pedido feito oralmente foi suficiente para tornar possível a aquisição.
 Negócio frustrado. Seguidamente, a movimentação foi em direcção a outro ponto de comércio de óculos. Aqui, num bate-papo entre prováveis interessados e vendedores, que em nada tinha a ver com o ambiente de negociação dos artigos expostos, domingo ficou a saber que, normalmente, os clientes que se aproximam daquelas bancas“procuram óculos de sol, por razões estéticas ou mesmo para se protegerem”. É uma questão de ostentação e competição, pois “uns preferem a marca channel, outros carrera, ray-ban, etc”. 
Entretanto, “há os que aparecem para resolver a sua saúde visual comprando armações compostas de lentes que mais tarde, com a nossa ajuda, recebem a graduação”. E, conforme constatou a nossa reportagem,  nessas bancas existem também os designados por ‘prontos’ (já graduados), à espera da decisão do comprador.
Aqueles dados foram-nos passados por H. Cossa e N. Chemo,  vendedores de óculos há vários anos. Estes comerciantes revelaram igualmente que a sua actividade évalorizada por trabalharem em coordenação com funcionários de ópticas espalhadas um pouco por toda a cidade de Maputo.  “Trabalhamos com os homens da óptica. As pessoas precisam da nossa ajuda quando a visão não anda bem. Aqui, os custos não passam de 700 meticais”.
Ora, a procura é um facto, mas a  delicadeza da actividade obriga a uma reflexão. “Os óculos da rua não têm lentes anti-reflexo e a armação não é de boa qualidade, dura apenas três meses, e mais: na rua, pratica-se preços relativamente baixos, (na óptica os acessórios podem sair a partir de mil meticais)mas não existem aparelhos para medir o nível do problema”, palavras do Optometrista, Mayank, da Maputo Óptica e Serviços, lda..
 Estes dados levam a depreender a existência de um perigo no comércio de óculos no dumba-nengue, agravado pelo facto de não se observar às recomendações de um especialista. É na esteira disso que a nossa reportagem recorreu às explicações da médica oftalmologista, Dra Yolanda Zambujo, que, por seu turno, chamou atenção para o risco existente ao se dispensar o exame médico no processo de compra dos acessórios para corrigir a vista. Argumentando, referiu que, por exemplo, “uma graduação não correcta pode prejudicar o olho”, isto é,  uma compra feita sem a avaliação e indicação do especialista“camunfla o problema que o paciente tem, o que pode contribuir para o agravamento da sua saúde”. Mas, mais do que isso, continuou Yolanda Zambujo, “é necessário verificar a qualidade das lentes, pois se sabe da comercialização de artigos cujas lentes se apresentam riscadas o que, certamente, pode causar alguns danos para a saúde do olho”.
Entretanto, a oftamologista ressalvou as circunstâncias em que são comercializados óculos  para a leitura, tratando-se de casos excepcionais, que não envolvem necessariamente uma doença, mas sim um cansaço da vista. “Normalmente, estes sintomas verificam-se a partir dos 40 anos de idade. Tecnicamente é conhecido como presbiopia ou ‘vista cansada’”. Ainda assim, alerta, “há que ter o cuidado de adquirir estes óculos em farmácias ou ópticas, ou seja, em locais de confiança”,primando, portanto, pelo rigor na aquisição dos acessórios em causa.
Texto de Carol Banze
Fotos de Inácio Pereira

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