Eleições Autárquicas 2018 - Boletim Sobre o Processo Político em Moçambique 56 - 5 de Outubro de 2018 1
Editor: Joseph Hanlon | Director: Edson Cortez | Chefe de redação: Borges Nhimire | Repórter: Narciso Cossa ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Número 56 - 5 de Outubro de 2018
Publicado por CIP, Centro de Integridade Pública, Rua Fernão Melo e Castro, nº 124, Maputo, Moçambique.
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Membro do MDM baleado
por agente da Polícia em Gúruè
m membro do MDM, de nome Honordino Hilário, foi baleado ontem, 04 de Outubro, por
volta das 17:30, por um agente da Polícia com uma arma de tipo pistola, num bairro que
dista a 13 quilómetros da Vila Autárquica de Gúruè. O baleamento, ao que tudo indica
intencional, aconteceu após o encerramento da campanha eleitoral do MDM, qual a vítima
esteve a liderar.
A vítima disse conhecer o agente da Polícia que
o baleou mas preferiu não identificá-lo. Explicou ao
Boletim que na autarquia de Gúruè tem circulado
um grupo civil armado que anda a espionar
aqueles que durante o dia fazem campanha em
apoio do MDM, considerando-os “agitadores do
MDM".
O MDM governa Gúruè desde as eleições de
2013 e tem tido grande apoio popular, sendo uma
das cidades onde tem potencia de ganhar.
De acordo com o Delegado do partido do MDM
em Gúruè, Inacio Rodrigues Nahara, o jovem
baleado mobilizou na tarde de ontem muitos
membros do local da Unidade de Produção de Chá
n.°1 (UP1) para campanha do seu partido e isso
não terá agradado à Polícia.
O MDM denuncia a existência de um grupo de
polícias civis armados que está preparado para
disparar no dia das eleições.
Frelimo e militares
atacados em Nacala
Na autarquia de Nacala-Porto, a campanha
eleitoral está a ser marcada pela violência eleitoral,
opondo membros e simpatizantes da Renamo aos
da Frelimo, apoiados pelas Forças da Defesa e
Segurança.
No dia 03 de Outubro, cinco militares
devidamente fardados que se faziam transportar
numa viatura militar, foram espancados por
elementos da campanha da Renamo depois que
os militares meteram-se na caravana deste partido.
O facto sucedeu no bairro de Quissimajulo, no
troço entre Forças Especiais de Nacala e Mpako,
facto confirmado pela Renamo.
A Polícia ainda não se pronunciou sobre esta
ocorrência, alegando ainda estar a compilar todas
as informações e que de seguida vai anunciar as
possíveis ocorrências à imprensa em momento
oportuno.
Ontem, dia 04 de Outubro, o responsável
distrital de Antigos Combatentes de Luta de
Libertação Nacional (ACLLIN) de Nacala-Porto,
Samuel Libububo foi gravemente agredido por
integrantes da caravana da Renamo. O facto
sucedeu próximo da sua residência habitual, na
Alta da Cidade e na zona do Sonho Real. A vítima
obstruiu a campanha da Renamo com motorizada.
Na noite do dia 3 de Outubro, um outro
simpatizantes do partido Frelimo foi vítima de
agressão física por desconhecidos, logo após o
encerramento da campanha eleitoral, no Bairro de
Macone, facto que levou a Frelimo a dar uma
assistência alimentar à família da vítima internada
na Unidade Sanitária de Nacala.
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Oposição denuncia
perseguições pela Frelimo
Em Gorongosa, a Renamo diz-se vítimas de
perseguições e intimidações perpetradas por
simpatizantes da Frelimo, apoiados pela Polícia na
vila autárquica local. O director da campanha
eleitoral da Renamo, Alberto dos Santos, disse
ontem, 04 de Outubro aos nossos correspondentes
que sofre perseguição durante a campanha
eleitoral pelos apoiantes da Frelimo.
No dia 3 de Setembro, a Renamo escalou o
bairro de Nhataca 2, porém, a sua caravana foi
invadida por indivíduos que na altura
apresentavam panfletos da Frelimo, e diziam que a
Renamo não podia fazer a campanha eleitoral
naquele bairro porque é o bairro da Frelimo.
Os mesmos removeram panfletos
propagandísticos da Renamo colados em diversos
lugares da vila de Gorongosa ou sobrepondo-os
dos da Frelimo.
Em Monapo, Nampula, membros do MDM
acusam ao partido Frelimo de estar a impedir suas
actividades de campanha eleitoral. De acordo com
Orlando Geraldo, porta-voz do MDM, o Secretário
da OJM em Monapo sempre que vê a caravana do
MDM faz um bloqueio na estrada impedir o
trânsito.
Na Cidade da Maxixe, o porta-voz da Renamo,
José Manteiga, denunciou ontem 04 de Outubro,
numa conferência de imprensa que funcionários
públicos simpatizantes da Renamo têm vindo a
sofrer represálias pela sua filiação partidária. Os
chefes, que são geralmente da Frelimo, ameaçam
transferir ou mesmo expulsar funcionários públicos
que se identificam com a Renamo.
Agressões entre caravanas
da Renamo e MDM causam
um ferido em Malema
Membros do MDM e Renamo cruzaram-se hoje em
campanha eleitoral perto da Escola Secundária de
Malema e entraram em choque. Um membro da
Renamo que vinha de mota criou acidente ferindo
parcialmente um membro da MDM e os apoiantes
do MDM julgam ser um acidente propositado pelo
membro da Renamo.
Começaram as agressões de parte a parte a
pronta intervenção da Polícia evitou o alastramento
da confusão.
Partidos fazem balanço positivo
da campanha em Inhambane
Os três partidos que concorrem pelo município de
Inhambane fazem balanço positivo dos primeiros
10 dias. Benedito Guimino, da Frelimo, Fernando
Nhaca, do MDM e Vitalino Macauze, da Renamo
dizem-se satisfeitos com as actividades
desempenhadas até aqui.
Em Inhambane não foram registados casos de
violência tanto entre os concorrentes como
envolvendo a Polícia. O Civismo e a tranquilidade
têm sido dominantes.
Na actual assembleia municipal de Inhambane,
a Frelimo tem 17 membros e o MDM 4. A Renamo
não concorreu nas últimas eleições municipais
locais.
Chefe da CNE admite obstrução
na credenciação
gentes de órgãos eleitorais a nível distrital impediram a emissão de credenciais para
observadores e delegados de partidos políticos, face a este cenário, a CNE foi
pressionada de modo a intervir no processo, admitiu o presidente da CNE, Abdul Carimo
Nordine Sau, numa conferência de imprensa que decorreu esta manhã. O problema foi
particularmente grave em Maputo, e o STAE nacional tem emitido credenciais de Maputo,
disse ele.
Conforme relatado aqui, alguns funcionários do
STAE e a Frelimo dificultaram o registo através de
documentos exigentes, como cartões de eleitor ou
certificados de residência, enquanto a lei diz que
apenas os nomes é que devem ser apresentados.
Carimo disse que emitiu ordem, segundo a qual
“se não é possível emitir uma credencial em forma
de cartão, que se emita em forma de folha A4”,
para a celeridade do processo.
Adicionalmente, para ultrapassar os
constrangimentos em questão, os pedidos de
credenciação ainda não materializados serão
submetidos, hoje, ao centro de imprensa do
Secretariado Técnico de Administração Eleitoral
(STAE) instalado no Centro das Telecomunicações
de Moçambique, em Maputo.
Segundo Abdul Carimo, aquele centro dispõe
de melhores condições de trabalho e maior número
de pessoal para atender à demanda.
O presidente da CNE argumentou que os
órgãos eleitorais não podem usar como desculpa
algum desarranjo por parte das formações políticas
A
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e outras entidades interessadas no processo para
não fazerem o trabalho que lhes competem.
“Eles (os órgãos eleitorais) devem-se esmerar
e esforçarem-se para atender à demanda.
Sabemos que à última hora, mais pedidos virão”,
disse Carimo.
Os observadores devem ser credenciados no
mesmo dia que submetem o expediente para o
efeito, apelou o presidente da CNE, esclarecendo
que os órgãos têm tentado agir dessa forma.
Abdul Carimo ofendido com
as acusações de fraude
O presidente da Comissão Nacional de Eleições
(CNE), Abdul Carimo, mostrou-se, hoje, ofendido
com as acusações dos partidos políticos, segundo
as quais o órgão que dirige promove a ilícitos
eleitorais que propiciam o enchimento das urnas e
a fraude nas eleições. E admitiu tratar-se de um
desabafo que há tempos está atravessado nas
suas goelas, porque, após as eleições gerais de
2014, tem-se propalado que a CNE divulgou
resultados sem os respectivos editais.
“Em jeito de desabafo, têm sido recorrentes as
acusações de que os órgãos de gestão eleitoral
em algum momento desviam os materiais de
votação, muito em particular os boletins de voto ou
os editais”, afirmou a fonte.
Segundo ele, as acusações os boatos em
relação a um suposto roubo de votos ou
enchimento de urnas para alegadamente favorecer
um determinado candidato e seu partido resultam
em violência e agressões físicas. “Boatos não
ajudam”, mormente “num processo sensível como
as eleições”.
Para Abdul Carimo, o mais caricato é que
certos líderes de partidos dão consistência a tais
boatos.
Carimo fez estas declarações depois de
anunciar que os materiais de votação já foram
entregues a todas as províncias e iniciou o
processo de distribuição pelos distritos
autárquicos.
Na sequência, o Secretariado Técnico de
Administração Eleitoral (STAE) já instruiu a todas
as províncias no sentido de os mesmos materiais
estarem sob tutela dos departamentos de
operações eleitorais, instalados em todos os
distritos do país.
Cada um desses departamentos é,
normalmente, constituído por uma pessoa da
sociedade civil e três membros provenientes de
partidos com assento parlamentar, nomeadamente
a Frelimo, a Renamo e o MDM.
“Ao entregarmos o material de votação” a
essas pessoas “queremos diminuir o nível de
suspensões e acusações que, infelizmente,
normalmente têm sido uma prática” recorrente “no
nosso país”, disse o presidente da CNE.
Para ele, estas acusações não fazem sentido,
visto as 4 chaves dos cadeados das lugares onde
o material é armazenado fica nas mãos dos
representantes dos partidos políticos. As referidas
pessoas só podem abrir o armazém se estiverem
completas.
Quando o material de votação chega às
províncias ou aos distritos “todos querem
guarnecer” e a CNE e o STAE não se opõem. “Mas
quando um (partido) perde as eleições e outro
ganha” surgem reclamações, disse Carimo,
apelando “à responsabilidade e seriedade” por
parte das formações políticas.
Postos de votação terão
computador para consulta
de nomes dos eleitores
Em todos os postos de votação constituídas por 3
ou mais mesas haverá um computador à
disposição dos eleitores para consultarem,
pessoalmente, os seus dados em caso de dúvidas.
A medida vai ajudar bastante para os eleitores que
tenham perdido cartão e precisam de certificar a
sua mesa. Vem substituir o sistema de consulta
física de cadernos que revelou problemas nas
eleições anteriores, disse o presidente da CNE,
Abdul Carimo.
A CNE e STAE testaram este sistema na
segunda volta da eleição intercalar em Nampula e
se revelou muito útil para a celeridade da votação.
Tecnologia ajuda no acesso a
informação dos eleitores
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) e o
Secretariado Técnico de Administração Eleitoral
(STAE) lançaram, hoje, um serviço de mensagem
escrita (SMS) e uma plataforma informática que
permitem aos eleitores recenseados a consulta
dos seus dados e o lugar de votação, no dia 10 de
Outubro.
O director do Secretariado Técnico de
Administração Eleitoral (STAE), Felisberto Naife,
disse que o serviço de SMS está na fase piloto e
só funcionara nas cidades de Maputo e Matola.
Só podem obter informações a seu respeito e o
lugar de votação os eleitores que, no acto do
recenseamento, tenham disponibilizado os
respectivos contactos telefónicos.
Acede-se ao website acessando
www.cne.org.mz ou www.stae.org.mz. O cidadão
pode obter introduzindo o seu número de eleitor ou
fazendo a combinação do seu nome, o apelido, o
distrito onde reside e a sua data de nascimento.
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Quando o usuário aceder a uma das redes
acima indicada, deverá clicar, à sua direita, no
local onde está escrito “Local de Votação” e seguir
as instruções.
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COBERTURA DETALHADA DAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS de 2018 e Eleições Gerais de 2019 a ser
mais uma vez feita pelo Boletim sobre o Processo Político em Moçambique, que tem vindo a cobrir
todas as eleições multipartidárias em Moçambique desde 1994. Mais uma vez, teremos uma equipa
de repórteres posicionados em todo o país, reportando os factos com acurácia a veracidade. O
Boletim tem periodicidade mensal durante a preparação das eleições e será mais frequente e de
base diária durante as eleições.
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